Haddad minimiza plano industrial e sinaliza acordo com Congresso
Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*
[23/01/24]
… Em linha com o esperado, o BoJ manteve a política monetária dovish inalterada, à espera de mais sinais de sustentabilidade da inflação. Na China, o governo avalia pacote de resgate do mercado de ações de US$ 278 bilhões, segundo fontes da Bloomberg. Nos EUA, a percepção de que o juro do Fed só vai cair mais tarde, em maio, não tem impedido as bolsas em NY de renovaram as máximas históricas, embaladas pela temporada dos balanços. Hoje tem Netflix, após o fechamento. Aqui, onde os ativos operaram descolados do otimismo em Wall Street, nesta 2ªF, o mercado pode ter exagerado na reação negativa ao anúncio da nova política industrial do governo Lula e aos rumores de que a crise entre a equipe econômica e o Congresso em torno da MP da reoneração da folha se intensificou.
… Em entrevista ao Roda Viva, ontem à noite, o ministro Fernando Haddad deu todos os sinais de que mais vez sua intenção é negociar.
… Admitiu que o acordo ao qual se referiu Pacheco em Davos foi a proposta apresentada pelo presidente do Senado, que estaria na mesa. A saber: tirar a reoneração da MP e manter na medida a reoneração do setor de eventos e o limite das compensações tributárias.
… Por essa proposta, a desoneração da folha de pagamentos seria reapresentada em forma de projeto de lei.
… Haddad não disse que sim, nem que não, o martelo não está batido, lembrou que está conversando também com Lira e que, ainda esta semana, ou na semana que vem, esse assunto deverá estar solucionado. O ministro disse que o importante é discutir “princípios”.
… Citou que nenhum líder partidário concorda em “eternizar” a desoneração para as empresas, e esse é o princípio. O que se discute é a forma como isso será feito, o prazo. Ele não só se mostrou disposto a negociar, como disse que está confiante em um acordo.
… “Ninguém vai dar murro em ponta de faca. Nada entrou em vigor em 1º de janeiro. Nós temos tempo até maio (devido à noventena).”
… O ministro defendeu a proposta da Fazenda enviada ao Congresso, dizendo que está apenas cumprindo a Lei de Responsabilidade Fiscal, já que o Orçamento não prevê a despesa de R$ 12 bilhões criada pela prorrogação da desoneração até 2027.
… Voltou a mencionar que os benefícios tributários, “a setores que não retornam praticamente nada ao País”, totalizam R$ 600 bilhões. Somente os benefícios ao Perse somaram R$ 17 bilhões em 2023, enquanto as compensações tributárias atingiram R$ 70 bilhões.
… Em relação à desoneração do setor de eventos, Haddad disse que já está perto do limite de R$ 20 bilhões estabelecido. Foi confrontado ao vivo com informações do Poder360 de que Lira quer R$ 25 bilhões. E disse: “Se esse é o problema, está resolvido.”
… O ministro também foi muito tranquilo para falar da Nova Política Industrial, apresentada nesta 2ªF pelo governo, minimizando o plano, ao afirmar que “é apenas a apresentação de um trabalho do BNDES que já está contratado e orçado, com transparência”.
… Sobre as críticas uníssonas do mercado em relação a exigências de conteúdo local e benefícios a setores específicos, saiu pela tangente. “O BNDES, que não tinha caixa preta nenhuma, voltou à ativa, e emprestar R$ 70 bilhões/R$ 100 bilhões ao ano é parte de seu papel.”
… Tirando as entidades empresariais, como Fiesp e Firjan, o mercado em peso afirmou que o plano é uma reedição do passado, sobretudo da política do governo Dilma, que já foi testada e reprovada e não tem por que acreditar que será diferente dessa vez.
… O novo plano é baseado em seis eixos principais: agroindústria, complexo econômico industrial da saúde, infraestrutura, transformação digital, bioeconomia e inovação, e prevê créditos de R$ 300 bilhões até 2026, a maior parte (R$ 250 bilhões) bancada pelo BNDES.
… Aloizio Mercadante explicou que, desse total que o banco empenhará, R$ 106 bilhões foram anunciados em julho do ano passado e que R$ 194 bilhões são “dinheiro novo”, provenientes de “diferentes fontes de recursos” para dar suporte à Nova Indústria.
… Mercadante negou que o plano represente a volta da política de “campeões nacionais” que vigorou principalmente durante do governo Dilma, afirmando que o BNDES não vai escolher parceiros. “Estamos recebendo os projetos, as consultas já cresceram 88%.”
… No mesmo dia em que o governo Lula anunciou a nova política para a indústria, o Tesouro confirmou a captação de US$ 4,5 bilhões em emissão externa: US$ 2,25 bilhões do Global 2034 e US$ 2,25 bilhões do Global 2054, com yields entre 6,35% e 7,15%.
… Para a Warren, eventuais emissões do Tesouro em favor do BNDES, como já houve no passado, podem ter consequências “muito ruins” para a sustentabilidade fiscal. Segundo Felipe Salto, o banco tem recursos já disponíveis para não contratar novos riscos.
MAIS HADDAD – Ainda no Roda Viva, o ministro evitou diversas perguntas sobre uma eventual mudança da meta fiscal, dizendo que se não acreditasse nela, não estaria perseguindo o mesmo objetivo do déficit zero durante 13 meses seguidos.
… Mas deixou uma porta entreaberta, ao dizer que a meta não depende só dele, mas do que o Legislativo e o Judiciário decidirão.
… Sua expectativa para este ano é positiva, apesar das projeções de um PIB mais baixo, considerando uma feliz coincidência a queda dos juros sinalizada nos EUA e os cortes da Selic pelo Banco Central. “Nós temos uma chance de ouro.”
… Haddad disse, ainda, que acredita nas medidas microeconômicas para alavancar os investimentos e, em especial, no Marco de Garantias para recuperar o crédito. “O juro está caindo e a economia está mais organizada, os investimentos vão voltar.”
… Questionado sobre a sucessão de Campos Neto em 2025, disse que não está decidida e que esse assunto deve ficar para o meio do ano. “Pode ser um dos quatro diretores que o presidente Lula indicou ou pode ser também um nome de fora.”
EMENDAS CORTADAS – A decisão de Lula de vetar parte do valor destinado no Orçamento às emendas de comissão gerou reação entre parlamentares, que já falam na possibilidade de derrubar a medida (O Globo).
… Lula retirou R$ 5,6 bilhões dos R$ 16,6 bilhões que estavam previstos para esse tipo de emenda na proposta aprovada pelo Congresso. Congressistas argumentam que houve quebra de acordo sobre o que foi aprovado.
… “Acho que dificilmente os vetos serão mantidos”, afirmou o deputado Danilo Forte (União-BA), relator da LDO. Para o líder do PL na Câmara, Altineu Côrtes (PL-RJ), “há falta de palavra e não é a primeira vez”.
… Na tentativa de apaziguar os ânimos, o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, afirmou que o Executivo pode recompor ao longo do ano o corte, caso haja incremento de receitas nos próximos meses.
… O valor de R$ 4,9 bilhões do fundo eleitoral para campanhas municipais, aprovado pelo Congresso em dezembro, foi mantido. A expectativa é de que a sanção da LOA saia na edição de hoje do Diário Oficial.
… Segundo Randolfe, “não necessariamente” o valor vetado será usado para fortalecer o PAC (R$ 54,5 bilhões).
… O corte nas emendas foi necessário por causa da diferença entre o IPCA estimado e o concretizado: a inflação de 2023 fechou em 4,62%, mas as despesas foram calculadas sobre projeção de alta de 4,85% do IPCA.
PRESSÃO NA INFLAÇÃO – As contas de luz devem subir 5,6% este ano, em média, acima da inflação prevista para 2024. A informação foi dada pelo diretor-geral da agência, Sandoval Feitosa, em entrevista ontem à CNN.
… No levantamento Focus, a mediana da estimativa do mercado para o IPCA deste ano está em 3,87%.
ABRIU A PORTEIRA – Depois de o governo brasileiro ter dado o pontapé das emissões externas, a Cosan deve ser a primeira da fila corporativa a emitir este ano. O plano é levantar, ainda esta semana, US$ 750 milhões (Broadcast).
… Os valores finais ainda dependem das conversas com investidores. Ao menos US$ 2 bi devem ser atraídos nos próximos dias. 3R e Ambipar devem fechar captações de, ao menos, US$ 500 milhões cada, na semana que vem.
MAIS AGENDA – Em meio à instabilidade fiscal, a Receita divulga, às 10h30, a arrecadação federal de dezembro. A mediana em pesquisa Broadcast aponta R$ 224,75 bilhões, acima dos R$ 179,392 bilhões em novembro.
… O intervalo das estimativas vai de R$ 216,316 bilhões a R$ 241,0 bi. Os números serão comentados às 11h.
… Às 8h, sai a prévia do IPC-S (8h). Haddad (15h) participa da apresentação do Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária (Reporto) e Lula dá entrevista a rádio de Salvador (8h).
LÁ FORA – Único indicador é a leitura preliminar de janeiro da confiança do consumidor na zona do euro (12h). Entre os balanços, antes da abertura do mercado, saem 3M, Procter & Gamble (P&G), Verizon e General Electric.
MUITA ESPUMA – Rumores de que Haddad estaria tendo dificuldades para um acordo com Lira sobre a MP da reoneração da folha ajudaram ontem a piorar a percepção de risco fiscal, colocando em xeque a meta de déficit zero.
… Assim, os mercados aqui andaram na contramão do otimismo de NY, com pressão do dólar e DI e queda do Ibov.
… Os recordes das bolsas em NY, a reconquista dos US$ 80 pelo petróleo e a emissão do Tesouro não impediram o Ibov de perder os 127 mil pontos, enquanto o dólar voltava a encostar em R$ 5 e o DI embutia prêmio de risco.
… Em queda de 0,81%, aos 126.601,55 pontos, o Ibovespa teve o menor nível de fechamento desde 12 de dezembro. Na mínima intraday (125.875) chegou a perder os 126 mil. O volume do dia ficou em R$ 18,5 bilhões.
… O estrago ontem não foi maior graças à Petrobras, que seguiu – de longe – a alta do petróleo. O papel ON subiu 0,23% (R$ 39,04) e o PN, +0,45% (R$ 37,70).
… Ataques de drones da Ucrânia a um terminal de gás condensado da russa Novatek na costa do Báltico, a tensão no Mar Vermelho e o frio extremo que está limitando a produção nos EUA elevaram a cotação do petróleo.
… O Brent/março subiu 1,90%, a US$ 80,06 por barril, na ICE. O WTI/março avançou 2,06%, a US$ 74,76, na Nymex.
… Vale cedeu 0,44%, a R$ 67,80, frustrada pela falta de novos estímulos na China, que manteve os juros estáveis.
… Os bancos ficaram majoritariamente no vermelho: Itaú (-1,64%; R$ 32,40), Bradesco PN (-1,15%; R$ 15,46), Bradesco ON (-0,51%; R$ 13,78) e BB caiu 0,66% (R$ 55,55). Já a unit do Santander subiu 0,13%, a R$ 29,91.
… BRF (+4,92%, a R$ 13,64) liderou os ganhos do Ibovespa, beneficiada pela forte desvalorização do milho no mercado interno.
… Hapvida foi a maior perda do índice (-5,72%; R$ 3,79), ainda penalizada pela investigação do MP-SP por se recusar a cumprir decisões judiciais favoráveis a clientes.
… A piora da percepção sobre as contas públicas fez o dólar disparar a R$ 4,9873 (+1,23%), maior preço de fechamento desde 31 de outubro. Na máxima intraday, ficou a um triz dos R$ 5 (4,9925).
… Entre moedas de exportadores de commodities, o real teve a maior perda do dia.
… Descolados do exterior, os juros também reagiram aos ruídos fiscais, com as taxas subindo na parte média e longa da curva e deixando em segundo plano a bem-sucedida captação externa do Tesouro.
… O DI Jan26 subiu a 9,785% (de 9,764%). O Jan27, a 9,965% (de 9,899%); o Jan29, a 10,390% (10,325%); Jan31, a 10,640% (10,569%); e Jan33, a 10,750% (10,681%). No trecho curto, o DI para Jan25 caiu a 10,070%, (de 10,114%).
REPETECO – O bom desempenho das techs e a expectativa de uma boa safra de balanços nos EUA deixaram livre o caminho para uma continuação do rali nas bolsas em NY, com o Dow Jones e S&P 500 renovando máximas históricas.
… Pessimistas (ou cautelosos) de plantão dizem que não será tão fácil para Wall Street bancar os recordes.
… O JPMorgan avalia que serão necessários mais que balanços dentro ou acima das expectativas para que o mercado continue desafiando os limites de alta.
… Em relatório, o estrategista Mislav Matejka escreveu que os guidances para 2024 têm de vir positivos.
… Mas ainda que em altas modestas, lá foram as bolsas. Pela primeira vez acima dos 38 mil pontos, o Dow subiu 0,36%, aos 38.001,81 pontos. O S&P 500 ganhou 0,22% (4.850,43 pontos). O Nasdaq avançou 0,32% (15.360,29).
… Apple teve alta de 1,22%, após comercializar entre 160 mil e 180 mil unidades de seus óculos de realidade aumentada nos três primeiros dias de venda. Netflix avançou 0,57%, na véspera da divulgação do balanço do 4Tri.
… Intel, que informa números na 5ªF, subiu 0,15%.
… Boeing ficou estável (-0,04%) apesar de reguladores americanos recomendarem que companhias áreas inspecionem as portas das aeronaves 737-900ER. O modelo tem o mesmo design do jato 737 MAX 9.
… Com o Fed em período de silêncio antes da reunião do Fomc (30 e 31 de janeiro) e à espera do PIB e do PCE, esta semana, os juros dos Treasuries fecharam sem direção única.
… O retorno da note de 2 anos subiu a 4,406%, de 4,372%. O da note de 10 anos caiu a 4,105%, de 4,129%, esticando a baixa vista na 6ªF.
… O índice dólar (DXY) ficou praticamente estável (+0,04%), a 103,331 pontos, entre a queda do euro (-0,13%, a US$ 1,0884) e a estabilidade da libra (+0,06%, a US$ 1,2709) e do iene (-0,03%, a 148,09/US$).
… BCE decide juros nesta semana (5ªF) e a expectativa é de manutenção das taxas.
EM TEMPO… Acionistas do GRUPO PÃO DE AÇÚCAR aprovaram em AGE realizada nesta 2ªF o aumento do limite do capital autorizado…
… Com isso, a companhia está autorizada a aumentar o capital social, mediante deliberação do conselho de administração, até o limite de 800 milhões de ações ON.
IRB teve lucro líquido de R$ 24 milhões em novembro e reverteu prejuízo de R$ 48,5 milhões de um ano antes; no ano, a empresa acumulou lucro de R$ 110,1 milhões, ante prejuízo de R$ 633,7 milhões entre janeiro e nov/22.
AÉREAS. Segundo o ministro Silvio Costa (Portos e Aeroportos), Lula irá se reunir com as empresas do setor nos próximos dias para ajudar na equação para recuperação dessas companhias…
… Haddad disse ontem à noite que a ajuda às aéreas será feita com “muita cautela”…
… Setor aéreo registrou 112,6 milhões de passageiros em 2023, aumento anual de 15,3%; projeção é de investimentos de R$ 3,3 bi no segmento em 2024.
COSAN. BlackRock reduziu participação na companhia de 5% para 4,99% de seu capital social.
ENAUTA informou que foi embarcado na Noruega o primeiro sistema submarino de bombeio multifásico (MPP), que irá apoiar a produção de petróleo e gás do campo de Atlanta.
GAFISA recorrerá de bloqueio de R$ 24 mi no processo judicial em que a Polo Capital cobra obrigação de recompra de títulos que lastreiam recebíveis imobiliários, objeto de contratos de cessão de créditos entre 2012 e 2017.
AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!
*com a colaboração da equipe do BDM Online
AVISO – Bom Dia Mercado, produzido pela Mídia Briefing, não pode ser copiado e/ou redistribuído.
Semana tem BCE, BOJ, PIB, inflação e balanços nos EUA
Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*
[22/01/24]
… Resistente a novos estímulos, o BC da China manteve o juro ontem à noite. Esta semana, fica a expectativa pelas decisões de política monetária do BCE (5ªF) e do BoJ (à meia-noite desta 3ªF). A expectativa é de que as taxas negativas no Japão sejam revertidas em algum momento do 2Tri. Na zona do euro, o juro deve começar a cair só a partir de junho. Nos EUA, em meio à virada das apostas de corte para maio, os Fed boys já estão em período de silêncio, mas a agenda dos indicadores é importante, com o PIB/4Tri (5ªF) e a inflação do PCE em dezembro (5ªF), além dos balanços de Netflix (3ªF) e Tesla (4ªF). Aqui, sai o IPCA-15 de janeiro (6ªF) e o mercado segue de olho na movimentação política para endereçar a desoneração. Haddad vai hoje ao Roda Viva (22h).
… A equipe econômica foi colocada em córner na 6ªF, quando Pacheco disse, em Davos, que a desoneração da folha de pagamento está mantida até 2027 e que existe um “compromisso político” para o governo retirar a MP.
… Segundo ele, que esteve reunido com Haddad semana passada, o tema tem de ser tratada por projeto de lei. Pressionado, Haddad disse que tentou falar com Pacheco depois do comentário em Davos, sem sucesso.
… O ministro da Fazenda disse que Lula ainda quer conversar com o presidente do Senado para definir uma saída para o impasse. O governo tenta ganhar tempo e ainda não desistiu de reonerar a folha de pagamento.
… Apesar de taxativa, a declaração de Pacheco em Davos parece fazer parte do jogo e da estratégia de articulação, com desfecho ainda a ser definido pelas negociações, que podem ser arrastar até a volta do recesso.
… Uma das opções cogitadas nos bastidores de Brasília, caso o governo seja derrotado pelo Congresso e obrigado a abrir mão da MP, seria propor um projeto de lei alternativo para tratar da desoneração.
… Em paralelo, deve ser colocada na mesa a decisão de Lula de vetar o trecho da LDO que previa um calendário para o governo pagar as emendas impositivas. Essa pode ser uma moeda de troca importante nas negociações.
… A eventual derrubada da MP exigiria um contingenciamento maior de gastos pela Fazenda e pelo Planejamento em março, quando será divulgado o primeiro relatório bimestral de receitas e despesas do ano.
… Especialistas em contas públicas ouvidos pelo Estadão apontam que o bloqueio necessário gira em R$ 52 bilhões, mas o governo não tem a intenção de superar R$ 23 bi, que seria o teto permitido pelo novo arcabouço.
… A necessidade de contingenciamento maior elevaria a pressão da ala política pela mudança na meta fiscal. Mas a Fazenda tenta adiar ao máximo a desistência do déficit zero para não largar a âncora prematuramente.
… Um novo atrito do governo com o Legislativo pode ser aberto hoje pela expectativa de que Lula vete R$ 5 bi dos R$ 16,6 bi em emendas de comissão aprovados pelo Congresso na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2024.
… O prazo para a sanção do Orçamento termina nesta 2ªF. A justificativa para o veto é que é preciso recompor políticas públicas que foram cortadas às vésperas da votação, justamente para turbinar emendas de comissão.
… A avaliação do Executivo é de que o Congresso incluiu um valor acima do que havia sido combinado. Já os parlamentares contestam e alegam que houve um acordo com o governo na elaboração do texto final.
… Em outra frente fiscal, após encontro na última 6ªF com congressistas da bancada evangélica, Haddad disse que o governo criou um grupo de trabalho para discutir a isenção tributária sobre a remuneração de pastores.
… A norma, assinada às vésperas da eleição de Bolsonaro, em 2022, foi suspensa pela Receita na semana passada, seguindo recomendação do TCU, já que implicaria uma renúncia fiscal de quase R$ 300 milhões.
… Em meio ao espaço orçamentário limitado da União, a ministra Esther Dweck (Gestão e Inovação) considera “muito difícil” o governo melhorar a proposta de reajuste salarial apresentada aos servidores públicos federais.
… A categoria teve reajuste de 9% em 2022 e o governo propõe mais dois aumentos, de 4,5% cada (2025/2026).
MAIS AGENDA – Além do IPCA, a semana reserva as novas parciais da inflação do IPC-S (amanhã) e do IPC-Fipe (6ªF). O câmbio tem para conferir os dados das transações correntes e IDP de dezembro, que sairão na 5ªF.
… Economistas presentes à reunião trimestral do BC, na última 6ªF, avaliaram que mercado adotou “otimismo exagerado” com a dinâmica inflacionária, que passou a ser dosado após a pressão dos alimentos em dezembro.
… Eles citaram o efeito do El Niño sobre a alimentação como principal fator que pode limitar a desinflação em 2024 e apresentaram projeções de IPCA entre 3,5% e pouco acima de 4% este ano, fora da meta de 3%.
… No levantamento Focus (hoje, às 8h25), a estimativa está em 3,87%, confirmando a desancoragem.
… Para o PIB deste ano, economistas apontaram aos diretores do BC projeções fracas, em torno de 1%, bem abaixo da mediana do Focus, de 1,59%, e cogitaram a possibilidade de um ciclo mais longo de queda da Selic.
… O Broadcast apurou que as reuniões do BC com os economistas terão periodicidade mensal a partir de algum momento deste ano. Já os analistas continuarão participando dos encontros apenas uma vez a cada trimestre.
INDÚSTRIA – O Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI) se reúne hoje, às 11h, no Planalto, para aprovar a Nova Indústria Brasil, que prevê subsídios e subvenções, além da exigência de conteúdo nacional.
… Em entrevista ao Estadão, o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, criticou o modelo a ser adotado. “É a velha roupagem da política industrial baseada em usar recursos, com pouca chance de funcionar.”
… Segundo ele, diante da exigência de conteúdo nacional, os bens industriais ficarão mais caros, reduzindo a competitividade do País. “Deveria ir no sentido contrário: abrir a economia à entrada de maquinário barato.”
B3 ABERTA – A bolsa funcionará normalmente no feriado do aniversário da cidade de São Paulo, na 5ªF.
LÁ FORA – Depois de o mercado em NY ter finalmente se dobrado à percepção de que o juro não vai cair em março, a agenda dos indicadores na semana ajuda a calibrar o tamanho do ciclo de desaperto do Fed.
… A aposta majoritária de cortes de juro nos EUA, que poucos dias atrás era de 175pb no ano, caiu a 125pb.
… A previsão para a primeira leitura do PIB/4Tri é de alta anualizada de 1,2%, bem abaixo do crescimento de 4,9% observado no trimestre anterior, o que deve manter o debate sobre o ritmo do pouso nos EUA.
… Às voltas com os alertas do Fed contra cantar vitória na inflação antecipadamente, sai o PCE/dezembro (6ªF).
… Apesar de o investidor ter se convencido na última 6ªF de que o BC americano vai atrasar o início da flexibilização monetária, não houve espaço para frustração nas bolsas em Wall Street (leia mais abaixo).
… Os índices Dow Jones e o S&P 500 registraram recordes históricos na 6ªF, com as ações das gigantes de tecnologia brilhando, diante das boas notícias do setor e a onda de euforia com a inteligência artificial.
… O otimismo será testado esta semana pelos balanços da Netflix (3ªF), Tesla (4ªF), Intel (5ªF) e Visa (5ªF).
… Às vésperas da decisão do BCE, Lagarde participa de evento hoje (11h). Na 4ªF, sai o PMI composto de janeiro na zona do euro. Os BCs do Canadá (4ªF), África do Sul e Turquia (5ªF) também decidem juro esta semana.
CHINA HOJE – O BC manteve as principais taxas de juros inalteradas pelo quinto mês consecutivo. O movimento era esperado pelos analistas de mercado e acentua o sentimento de fragilidade, diante da crise imobiliária.
… A chamada taxa de juros de referência para empréstimos (LPR) de 1 ano foi mantida em 3,45% e a de 5 anos permaneceu em 4,20%. A última alteração nos juros realizada pelo PBoC foi em agosto do ano passado.
LATER AND SLOWER – No dia em que NY jogou a toalha, adiando a expectativa do início de cortes de juros pelo Fed para maio, as bolsas fecharam em níveis recordes, no paradoxo sustentado pelo rali nas ações de tecnologia.
… O monitoramento do CME Group passou a mostrar, na 6ªF, 52,6% de chance de estabilidade nas taxas em março e 50,9% de corte em maio, além de indicar redução nas apostas para cortes até o fim do ano.
… Essa virada de chave ocorreu depois do salto na confiança do consumidor em janeiro e de Austan Goolsbee (Fed Chicago) dizer que não há ameaça iminente à economia que fará o Fed reduzir os juros agressivamente.
… Mary Daly (San Francisco) reforçou a mensagem de cautela: disse que ainda não vê estabilidade de preços, que é cedo para declarar vitória contra a inflação e que este não é momento para cortar juros apressadamente.
… O sentimento do consumidor americano deu um salto de 69,6 em dezembro para 78,8 pontos na leitura preliminar de janeiro, segundo a Universidade de Michigan. Foi bem acima dos 70,8 esperados pelo mercado.
… É um indicativo de que o consumo se mantém forte neste início de ano, beneficiando a tese de pouso suave.
… As expectativas de inflação para o período de 12 meses caíram de 3,1% a 2,9%. Nível abaixo de 3% não era visto no indicador desde dezembro de 2020. As expectativas para cinco anos também recuaram, de 2,9% a 2,8%.
… A perspectiva de que o pivô dovish do Fed fique só para maio não abalou as bolsas em NY, onde investidores pareceram convencidos que um pouso suave pode coexistir com um corte de juros menor.
… À Bloomberg, Jim Reid, do Deutsche Bank, disse que os cortes que estavam sendo contabilizados pelo mercado só fariam sentido se uma recessão estivesse no horizonte. “Este não parece ser o caso no momento”.
… Para a Fitch, a guinada dos BCs globais no sentido de reduzir juros em 2024 não será agressiva. As taxas, observou a agência, em relatório, ainda estarão bem acima dos níveis pré-pandemia no fim do ano.
… O setor de tecnologia, que é diretamente prejudicado pelos juros mais altos, não por coincidência foi justamente um dos mais beneficiados pela aposta de que o início do ciclo de desaperto fique para mais tarde.
… Além disso, o setor, que já vinha embalado na semana pelo balanço da gigante TMSC, foi ajudado por declarações de Mark Zuckerberg sobre investimentos em IA na Meta (+1,95%).
… AMD (+7,11%), Nvidia (+4,17%), Qualcomm (+4,59%), Intel (+3,02%) e Apple (+1,55%) acompanharam.
… O Nasdaq subiu 1,7%, a 15.310,97 pontos, máxima do dia. S&P 500 (+1,23%, 4.839,81) e Dow Jones (+1,05%, 37.863,80) fecharam em níveis recordes. Na semana, ganharam 2,26%, 1,17% e 0,72%, respectivamente.
… Apesar da expectativa de que o juro nos EUA não caia tão cedo, o índice DXY recuou 0,24%, a 103,288 pontos.
… O euro subiu 0,18%, a US$ 1,0898, apesar de o PPI de dezembro na Alemanha ter registrado queda anualizada de 8,6%, pior do que o esperado (-7,9%). Na comparação mensal, recuou 1,2%, de expectativa de -0,4%.
… A libra fechou estável (-0,06%), a US$ 1,2701, a despeito de as vendas no varejo do Reino Unido terem despencado 3,2% em dezembro ante novembro, de uma previsão de -1,1%.
… Na comparação anual, as vendas no varejo britânico sofreram contração de 2,4% em dezembro, frustrando o consenso de alta de 1%. O iene subiu para 148,17/US$, na contagem regressiva para a reunião do BoJ.
… A reprecificação do início do ciclo de flexibilização pelo Fed ficou restrita aos Treasuries de curto prazo. O juro da note de 2 anos subiu a 4,389% (de 4,350% na véspera). Já o da note de 10 recuou a 4,137% (de 4,143%).
SEM BRILHO – A animação no exterior não contaminou o Ibovespa (+0,25%, a 127.635,65 pontos), que só à tarde virou para o azul, acompanhando de longe a alta dos seus pares nova-iorquinos. O giro foi de R$ 27,4 bi.
… Na semana, o índice à vista caiu 2,56%. O reposicionamento dos estrangeiros, que estariam tirando dinheiro da B3, em meio à reprecificação do ciclo do Fed, é apontado como um dos motivos da fraqueza do Ibov.
… O outro é a fraca perspectiva para a economia chinesa. Vale ON (-1,30%, a R$ 68,10), uma espécie de termômetro das relações comerciais Brasil-China, acumula queda de 12% desde o início do ano.
… Seja como for, como 6ªF foi dia de exercício de opções na bolsa, o que sempre amplia a volatilidade, não se deve descartar que parte da dificuldade do Ibov em acompanhar NY tenha sido associada ao jogo especulativo.
… Além disso, o petróleo não ajudou. Com o Brent para março em queda de 0,68%, a US$ 78,56, Petrobras PN registrou desvalorização de 0,53%, a R$ 37,53, e ON fechou com leve viés negativo (-0,08%), a R$ 38,95.
… Entre os bancos, Bradesco operou no vermelho (ON, -0,93%, a R$ 13,85; e PN, -0,19%, a R$ 15,64). Já Itaú ganhou 0,24% (R$ 32,94), BB ON avançou 1,05% (R$ 55,92) e Santander unit teve elevação de 1,00% (R$ 30,21)
… As aéreas se destacaram no campo positivo, diante da notícia de que um pacote de medidas para beneficiar o setor está sendo preparado pelo governo, em conjunto com o BNDES.
… Gol (+6,02%, a R$ 7,04) liderou os ganhos do Ibov, seguida de perto por Azul (+3,88%, a R$ 13,11).
… No mercado de juros, as taxas domésticas seguiram o padrão dos rendimentos dos Treasuries, de alta no curto prazo e queda nos demais.
… No fechamento, o DI para Jan25 subiu a 10,100%, (de 10,088%). O DI Jan26 caiu a 9,745% (de 9,755%). O Jan27, a 9,880% (de 9,927%); o Jan29, a 10,300% (10,361%); Jan31, a 10,550% (10,615%); e Jan33, a 10,660% (10,733%).
… Na semana, as taxas dos DIs subiram entre 0,09 (DI26) e 0,17pp (DI33), com a questão fiscal no radar, diante do impasse nas negociações sobre a MP da reoneração da folha.
… No noticiário do dia, o IBC-Br registrou alta de apenas 0,1% de novembro sobre outubro. Embora tenha vindo acima do esperado (estabilidade), o índice reforçou a percepção de que a economia está em desaceleração.
… O fôlego fraco deixa espaço para o BC seguir cortando juro, mas não animou apostas de aceleração para -0,75pp.
… Após o IBC-Br, o mercado manteve a aposta de que também o PIB/4Tri virá zerado (pesquisa Broadcast).
… O dólar à vista ficou praticamente estável (-0,09%, a R$ 4,9268), após quatro pregões em alta. Na semana, subiu 1,4%, reflexo dos ajustes nas apostas para o Fed. A moeda para fevereiro ficou estável (+0,03%), em R$ 4,9385.
EM TEMPO… O advogado Efrain Pereira da Cruz renunciou ao cargo no conselho de administração da PETROBRAS. O MME indicou formalmente, no sábado, Renato Campos Galuppo para preencher a vaga…
… Galuppo teve a indicação para a Petrobras rejeitada em março do ano passado, em razão de sua vinculação com o partido político Cidadania. Auxiliares de Lula, porém, não acreditam em nova negativa, segundo o Broadcast…
… A pretensão do governo é que Galuppo não fique no cargo apenas em um mandato “tampão”, mas permaneça no conselho após a assembleia geral ordinária prevista para março e que vai renovar os integrantes do comitê.
AMBEV. XP tem recomendação de compra para ação da companhia, com preço-alvo de R$ 18,70…
… Empresa deve ter 4Tri bom, refletindo redução de custos em todas as linhas, juntamente com boa dinâmica de unidade de negócios cerveja Brasil, bebidas não alcoólicas e América Central e Caribe, disse a corretora.
ENERGISA marcou para dia 29 definição do preço de venda de ações em oferta subsequente (follow-on); operação pode movimentar R$ 2,5 bilhões, caso seja vendido o lote adicional, de acordo com prospecto enviado à CVM.
HAPVIDA declarou, em resposta a um questionamento da CVM, que “não possui qualquer política ou diretriz para o descumprimento sistemático ou ordenado de decisões judiciais”…
… Questionamento ocorreu após notícias de que a companhia estaria sendo investigada pelo Ministério Público por se negar a cumprir liminares judiciais favoráveis aos seus beneficiários.
SINQIA. CVM aceitou pedido de cancelamento do registro de companhia aberta da companhia.
ITAÚ comprou o prédio que abriga a sede do seu banco de investimento, o Itaú BBA, na av. Faria Lima, 3500 (SP), por R$ 1,458 bilhão, ou cerca de R$ 57 mil por m². (Brazil Journal)
SIDERÚRGICAS. Representantes da indústria devem ser chamados pelo governo esta semana para discutir as reivindicações do setor, que pressiona pelo aumento da taxação do aço importado (Broadcast).
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*com a colaboração da equipe do BDM Online
AVISO – Bom Dia Mercado, produzido pela Mídia Briefing, não pode ser copiado e/ou redistribuído.
NY não tira juro do foco
Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*
[19/01/24]
… Os Fed boys continuam tentando convencer o mercado de que o corte de juro nos EUA vai ficar para mais tarde. Foi assim esta semana com Waller e Bostic. Hoje, Michael Barr participa de evento (15h). Antes, é importante conferir as expectativas de inflação na leitura preliminar de janeiro do sentimento do consumidor (12h), medido pela Universidade de Michigan. Lagarde, que já sinalizou que o juro do BCE só cairá a partir de junho, participa de painel em Davos (7h). Aqui, às 9h, sai o IBC-Br de novembro e o BC faz reuniões trimestrais com economistas, em que o fiscal deve continuar no radar. Haddad e Lira estiveram reunidos na noite de ontem.
… Após a conversa, ninguém deu declarações. Mais cedo, Haddad havia prometido falar aos jornalistas quando houvesse o que dizer.
… O mais provável é que essas negociações se arrastem até a volta do recesso, em fevereiro.
… Em paralelo, deve ser colocada na mesa a decisão de Lula de vetar o trecho da LDO que previa um calendário para o governo pagar as emendas impositivas. Essa pode ser uma moeda de troca importante nas negociações.
… A Fazenda divulgou ontem um documento detalhando a proposta para reoneração gradual da folha, em que destaca que a MP é uma alternativa à judicialização da prorrogação da desoneração para 17 setores.
… Segundo o documento, a proposta do governo prevê renúncia fiscal de R$ 5,6 bilhões, menos da metade dos R$ 12,3 bilhões que os cofres públicos devem deixar de arrecadar com o modelo aprovado pelo Congresso.
… As perdas calculadas pelo governo seriam custeadas, segundo a Fazenda, pela abertura de espaço fiscal com fim dos incentivos do Perse (R$ 6 bi), programa criado durante a pandemia para ajudar o setor de eventos.
… Em Pernambuco, durante a cerimônia de retomada das obras da Refinaria Abreu e Lima, o presidente Lula provocou o setor produtivo, que estaria cobrando benefícios fiscais sem garantir estabilidade aos trabalhadores.
… “Esse País não pode ficar subordinado à pequenez de umas pessoas que agora estão brigando para que a gente faça a desoneração da folha. Por acaso, os empresários que propondo isso estão oferecendo uma contrapartida?”
… Ainda em Pernambuco, o presidente adotou o discurso político para denunciar a participação dos EUA na Lava Jato, que, segundo ele, teria sido criada para acabar com a Petrobras.
… Número dois na hierarquia da Fazenda, o secretário-executivo, Dario Durigan, respondeu ontem ao alerta do TCU sobre receitas “superestimadas” no Orçamento e previsão “não factível” de menores despesas do INSS.
… O Tribunal advertiu sobre o risco de não cumprimento da meta fiscal zero e estimou déficit de R$ 55 bi.
… No contra-ataque, Durigan disse que a peça orçamentária aprovada pelo Congresso tem “equilíbrio entre receitas e despesas” e se disse “confiante” de que o governo irá cumprir a meta de déficit fiscal zero estipulada.
… Também Tebet reagiu ao TCU. Disse que o Planejamento checou o Orçamento e o considerou “plausível”.
… Em relatório divulgado ontem, a Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado, apontou que o déficit primário do ano passado, ainda não divulgado oficialmente, deve ficar em R$ 134 bilhões (1,2% do PIB).
… A projeção é menor do que a estimativa do Planejamento, de rombo de R$ 177,4 bi (1,9% do PIB). A equipe técnica da Fazenda desejava déficit de 1%, mas admitia que poderia ficar em torno de 1,3% – cerca de R$ 142 bi.
MANTEGA NA VALE – O ministro Alexandre Silveira (MME) afirmou que a participação do governo no processo de sucessão na alta cúpula da mineradora é legítima e confirmou que o Executivo está envolvido na discussão.
… Mas negou que haja “imposição” para a indicação de Mantega a uma vaga no Conselho de Administração da Vale. Segundo o ministro, ainda não há nenhuma definição sobre o tema e todas as opções estão na mesa.
… “Nós não faremos nada que possa desrespeitar a governança da empresa”, garantiu, em Davos.
MAIS AGENDA – Apesar do desempenho positivo das vendas no varejo ampliado, do volume de serviços e produção industrial em novembro, o mercado espera que o IBC-Br venha estável, depois de -0,06% em outubro.
… O intervalo das projeções em pesquisa Broadcast vai de queda de 0,70% a expansão de 0,60% no “PIB do BC”.
… Em webinar, o ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy, hoje diretor do Safra, disse que a queda da Selic deve garantir crescimento econômico acima de 2% no ano, aposta mais otimista do que a mediana do Focus (1,59%).
… Às 8h, a FGV divulga a segunda prévia de janeiro do IGP-M.
… Nos EUA, saem as vendas de moradias usadas (12h), que têm estimativa de avanço de 0,1% em dezembro, e os dados da Baker Hughes (15h) sobre os poços e plataformas de petróleo em operação.
… Mary Daly (Fed) participa de conversa sobre inflação às 18h15, com os mercados em NY já fechados.
SEM SHUTDOWN – O Congresso americano, que tem sido palco de batalha em relação aos gastos do governo Biden, aprovou no final da tarde desta 5ªF um projeto de lei que evita a paralisação da máquina pública no fim de semana.
… A proposta estende o financiamento do governo americano até março. Esta é a terceira extensão para 2024, evidenciando as turbulências políticas em torno das despesas de US$ 1,66 trilhão planejadas para o ano inteiro.
A FILA ANDA – O Brasil está mais bem posicionado do que outros mercados emergentes para atrair investimentos estrangeiros, avaliou o CEO da B3, Gilson Finkelsztain, em conversa com jornalistas nesta 5ªF.
… Segundo ele, o País está atrasado para receber fluxo, mas a hora deve chegar, porque a Rússia está em guerra e China, em desaceleração, fragilizada pela crise imobiliária. A Selic em rota de queda desponta como aliada.
… “Um juro [terminal] de 9% não é tão punitivo para o mercado de ações. O de 14% realmente é.”
… Para Finkelsztain, depois de dois anos de seca de IPOs, a retomada das aberturas de capital em bolsa no Brasil deve ser confirmada este ano, mas o movimento tende a acelerar apenas na segunda metade de 2024.
… Ontem, o Ibov tomou o caminho oposto de NY e completou o terceiro pregão seguido no vermelho.
… Fechou em queda de 0,94%, na mínima do dia, furando os 128 mil pontos (127.315,74). O volume financeiro somou R$ 22,7 bilhões. Não dá para descartar que o exercício das opções (hoje) já tenha causado volatilidade.
… O game tem como alvo as blue chips, que justamente foram mal ontem na bolsa.
… Os bancos caíram em bloco, Vale (-0,65%; R$ 69,00) não conseguiu se empolgar com a alta do minério (+0,80%) e Petrobras desperdiçou os ganhos do petróleo. O papel ON caiu 0,74% (R$ 38,98) e o PN, -0,40% (R$ 37,73).
… Puxado pela melhora na projeção de aumento de demanda da AIE (+1,24 milhão de bpd) em 2024, e pela queda nos estoques de óleo bruto do DoE (-2,492 milhões de barris), o petróleo Brent/março subiu 1,56%, a US$ 79,10.
… O WTI/mar, +2,02%, a US$ 73,95, na Nymex.
… Petrorecôncavo (+11,70%; R$ 23,00) e 3R Petroleum (+7,62%; R$ 29,38) repercutiram a proposta de fusão sugerida pela sueca Maha Energy, acionista da 3R. Foram as maiores altas do Ibov.
… Siderúrgicas também se destacaram: Usiminas subiu 2,77% (R$ 8,52) e CSN avançou 2,28% (R$ 17,07).
… Hapvida (-6,98%; R$ 4,00) foi afetada por investigação do MPE-SP sobre descumprimento de liminares judiciais que exigem o acesso de pacientes a tratamentos para doenças graves, como câncer.
… Outras baixas expressivas foram de Magazine Luiza (-6,98%, a R$ 2,00) e Vamos (-6,47%, a R$ 8,39).
… Entre os grandes bancos, todos perderam. BB ON caiu 1,16% (R$ 55,34), Bradesco ON (-1,13%; R$ 13,98) e PN (-0,57%; R$ 15,67), a unit do Santander (-0,53%; R$ 29,91) e Itaú Unibanco (-0,42%; R$ 32,86).
WALLER 2 – Na mesma linha conservadora do colega de Fed Christopher Waller, que assustou NY esta semana, ao prever só três cortes de juro no ano, Raphael Bostic (Atlanta) também não aliviou ao falar nesta 5ªF.
… Disse não ver corte de juro antes do 3Tri, frustrando as apostas em março. A precificação do mercado de queda no 1Tri ainda é majoritária no CME (53,8%), mas compete cada vez mais de perto com a manutenção (44,6%).
… Uma nova rodada de indicadores econômicos nos EUA acima do esperado pelos analistas também reforçou ontem a perspectiva de um corte de juro mais tardio pelo BC norte-americano.
… Os pedidos semanais de auxílio-desemprego foram os menores em 16 meses (187 mil) e abaixo da previsão de 205 mil, enquanto as construções de moradias iniciadas caíram 4,3%, bem menos que os -8,1% esperados.
… Afetados pelas perspectivas mais hawkish para o Fed, os juros longos dos Treasuries subiram. O rendimento da note de 10 anos avançou a 4,138% (de 4,106% na 4ªF) e o do T-bond de 30 anos foi a 4,368% (4,317%).
… Já o da note de 2 anos teve ligeira baixa, a 4,344% (de 4,358%), ajustando-se depois da disparada da véspera.
… Descolados das taxas longas americanas, os DIs fecharam novamente perto dos ajustes, mas com viés de baixa em toda a curva.
… Sem ímpeto para ir para qualquer lado, depois da disparada de 3ªF, o mercado oscilou em bases estreitas, entre a espera pelo fim do impasse sobre a MP da reoneração e a perspectiva de um Fed conservador.
… O DI para Jan25 caiu a 10,095%, (de 10,116%). O DI Jan26, a 9,760% (de 9,786%). O Jan27, a 9,920% (de 9,963%); o Jan29, a 10,355% (10,387%); Jan31, a 10,600% (10,637%); e Jan33, a 10,720% (10,741%).
… Em NY, as bolsas deixaram de lado o Fed e também a pressão dos rendimentos dos Treasuries, num dia em que as boas perspectivas para as empresas de tecnologia falaram mais alto.
… Apple (+3,26%) teve sua recomendação elevada pelo BofA de neutra para compra e empurrou o Nasdaq para um novo fechamento recorde (+1,35%, aos 15.055,65 pontos), depois de dois dias em queda.
… O banco avaliou que a ação tem perspectiva de subir 20% nos próximos 12 meses.
… Forte balanço do 4Tri e previsão de receita melhor que a esperada em 2024 da taiwanesa TSMC, maior fabricante de chips do mundo, também ajudam a valorizar outras gigantes, como Qualcomm (+4,29%) e Nvidia (+1,88%).
… O guidance da TSMC foi lido como demanda na veia das techs, já que a empresa é fornecedora de quase todas elas.
… O Dow Jones subiu 0,54% (37.468,61), ajudado especialmente pela Boeing (+4,21%), que anunciou a venda de 150 de suas aeronaves 737 MAX para a aérea indiana Akasa Air. O S&P 500 ganhou 0,88% (4.780,94 pontos).
… No câmbio, apesar de Bostic e dos indicadores fortes, o índice dólar (DXY) ficou perto da estabilidade (+0,08%, a 103,536 pontos).
… Também praticamente estável, o euro (-0,07%, US$ 1,0868) passou batido pela ata do BCE, que destacou a queda “acentuada” na inflação da zona do euro nos últimos meses.
… A libra subiu 0,24%, a US$ 1,2624. O iene ficou estável em 148,21/US$.
… Outra paridade que ficou rondando o zero foi a do dólar contra o real (+0,02%, R$ 4,9311).
… Depois de três dias seguidos em alta, acumulando +1,5%, a moeda parece estar perto de um equilíbrio, apesar de o mercado estar reprecificando o ciclo de afrouxamento monetário do Fed.
… No mercado futuro, o dólar para fevereiro caiu 0,18%, a R$ 4,9370.
EM TEMPO… OI comunicou a saída de Rodrigo Abreu da presidência. O executivo seguirá como conselheiro de administração e participando “ativamente” de negociações com credores para proposta de recuperação judicial…
… Mateus Affonso Bandeira foi escolhido como o novo diretor-presidente da companhia. Ele finalizará os acordos para o novo plano de recuperação judicial e apoiará seleção de novo CEO que executará o plano, segundo a empresa.
NATURA. O Conselho aprovou deslistagem de ADRs da NYSE.
CEMIG projeta investimento de R$ 35,6 bilhões para o período 2024/2028.
LIGHT. Eduardo Gotilla renunciou ao cargo de diretor de RI; Rodrigo Brandão acumulará posto com a presidência.
COSAN pretende emitir US$ 750 milhões em bonds de 10 anos; emissão conta com nota BB da Fitch.
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