Meta fiscal e Powell no radar

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*

[22/03/24]

Powell participa de evento às 10h e, se falar de política monetária, a torcida é para que confirme a orientação do gráfico de pontos de três cortes de juro este ano nos EUA, com o chance de o ciclo começar em junho. É o que tem embalado as bolsas em NY, que ontem, pelo segundo pregão consecutivo, cravaram recordes históricos simultâneos. Sem a mesma sorte, o Ibov não acompanhou, sob o desconforto do comunicado do Copom, que não comunicou direito. O investidor está no escuro sobre quais são as “incertezas domésticas” que levaram o BC ao ajuste no guidance, sinalizando que nova queda de 0,5pp da Selic só vale, por enquanto, na próxima reunião de política monetária (maio). A suspeita de que é o fiscal que está pegando pode limitar maior entusiasmo hoje com o relatório bimestral de receitas e despesas (10h). Deve vir bloqueio de só R$ 3 bilhões e meta de déficit fiscal ainda zero.

… A projeção inicial era de que seria necessário bloquear de R$ 5 bilhões a 15 bilhões para continuar bancando no relatório a ser enviado ao Congresso a promessa da Fazenda de zerar o déficit das contas públicas em 2024.

… Mas a surpresa positiva da elevação das receitas (com a arrecadação melhor neste início de ano) e da revisão de gastos previdenciários com o INSS deve permitir que o Executivo congele menos recursos aos ministérios.

… Divulgados ontem, os dados oficiais da arrecadação confirmaram o melhor fevereiro da história: R$ 186,522 bi. Nos dois primeiros meses do ano, o volume arrecadado (R$ 467,158 bi) também foi recorde para o período.

… Os picos refletiram o pacote de medidas adotado no ano passado pela Fazenda para turbinar a arrecadação, como a mudança na taxação sobre os fundos exclusivos (“super-ricos”), que sozinha gerou R$ 4 bilhões em receitas.

… A estratégia do governo agora é usar esse fôlego para esvaziar e adiar o debate sobre flexibilização da meta fiscal.

… O bom desempenho da receita libera a abertura de crédito suplementar para gastos, como prevê o arcabouço.

… Em entrevista ao Estadão, porém, o secretário Rogério Ceron (Tesouro) disse que a equipe econômica só lançará mão da abertura de crédito extra, se for compatível e não prejudicar o cumprimento do alvo fiscal (déficit zero).

… Ele revelou, ainda que a abertura de crédito permitida para maio (quando sai o segundo relatório de receitas e despesas) pode ser parcial, apenas para cobrir parte das despesas obrigatórias, como benefícios previdenciários.

… Especialistas em contas públicas ouvidos pelo jornal alertam, no entanto, que a eventual abertura do crédito suplementar para gastos pode “canibalizar” o cumprimento da meta zero, com o governo elevando as despesas.

… O mercado, que nunca acreditou na meta, teme que ainda neste primeiro semestre (maio) o governo se veja obrigado a alterar o target fiscal, para déficit de 0,25% do PIB ou algo pior, pressionado pelos gastos maiores.

… Uma política fiscal mais expansionista está contratada não apenas pelas eleições municipais, mas especialmente pela corrida do governo para reverter a queda de popularidade de Lula revelada pelas pesquisas de opinião.

… No final da tarde de ontem, a Datafolha apontou que, um ano e três meses depois de assumir a Presidência da República pela terceira vez, Lula vê a sua aprovação empatar tecnicamente com a rejeição ao seu governo.

… Segundo o levantamento, 35% consideram o trabalho do presidente ótimo ou bom, de 38% antes. A reprovação (avaliação como ruim ou péssimo) subiu de 30% para 33%. A margem de erro é de 2pp para mais ou menos.

… O clima de insatisfação já havia sido captado em outras pesquisas e também pela cúpula do Planalto, que levou Lula a convocar reunião ministerial na última 2ªF para cobrar entregas e viagens pelo Brasil para divulgar ações.

… Essa fragilidade política torna o governo dependente de choques positivos e pode respingar na política fiscal por três canais diferentes, comentou ao Broadcast o cientista político e sócio da consultoria Tendências, Rafael Cortez.

… O primeiro diz respeito à governabilidade. Diante de uma base já fragmentada no Congresso, as medidas da equipe econômica de recuperação de receitas podem enfrentar maior dificuldade para passar.

… No segundo foco de pressão, os gastos tendem a subir se a aprovação do governo continuar caindo. Um terceiro risco no horizonte seria, no limite, a intervenção em preços administrados (combustíveis) para conter a inflação.

… Se serve de alívio às contas públicas, o STF derrubou a revisão da vida toda dos segurados do INSS e poupou a União de gastar R$ 480 bi. A decisão marcou uma reviravolta, invalidando decisão tomada há pouco mais de um ano.

… A revisão incluiria salários antigos, pagos em outras moedas, no cálculo de benefícios, elevando as aposentadorias.

MAIS AGENDA – O secretário do Orçamento, Paulo Bijos, comenta o relatório bimestral de receitas e despesas às 10h30. Ontem, no boletim macrofiscal de março, a Fazenda reduziu a previsão do IPCA/24, de 3,55% para 3,50%.

… A estimativa para a inflação no ano que vem foi mantida em 3,10% e a previsão do PIB/23 seguiu em 2,2%.

LÁ FORA – Os diretores do Fed Michelle Bowman e Philip Jefferson estarão junto com Powell no evento de hoje. Além deles, outros dois integrantes do Fed participam de conferências: Michael Barr (13h) e Raphael Bostic (17h).

… Baker Hughes divulga poços de petróleo operando nos EUA (14h). Rússia (7h30) e Colômbia (15h) decidem juro.

GUERRINHA DE APOSTAS – Perdido em combate, o mercado espera pela ata do Copom (3ªF), que ainda pode reprecificar as apostas da Selic em junho, quando está valendo tudo: corte de 0,5pp, corte de 0,25 ou nenhum corte.

… Até que o BC detalhe no documento de quais “incertezas domésticas” estava falando no comunicado para ter tirado o plural da orientação sobre os próximos passos, o espaço para volatilidade continuará aberto nos negócios.

… Em pesquisa Broadcast, a mediana dos economistas para a Selic terminal já subiu de 9,00% e 9,25% e, como disse Leonardo Cappa (da consultoria Traad), “a barra para cortar [o juro] para 9%, ou abaixo de 9%, está ficando alta”.

… A curva do DI também vai puxando a régua, para mais perto de dois dígitos, a 9,75%, de 9,65% antes do Copom. O que se diz é que, ainda que o BC chegue ao mesmo ponto final planejado na Selic, pode demorar mais para chegar lá.

… O UBS BB mudou projeção do juro em junho de 9,50% para 9,75%. Estimava corte de 75pbs e, agora, vê 50pbs.

… Na B3, os vértices intermediários dos DIs, mais sensíveis às expectativas para o ciclo da Selic, ampliaram as altas.

… O juro para Jan25 subiu a 9,940% (de 9,906%). O Jan26 avançou a 9,865% (de 9,808%). O Jan27 foi a 10,105% (de 10,047%); o Jan29, a 10,590% (de 10,533%); o Jan31, a 10,840% (de 10,788%); e o Jan33, a 10,950% (de 10,892%).

… Corte menor ou queda mais lenta da Selic, tanto faz. Qualquer cenário é pior à bolsa. Assim, sem poder surfar no humor dovish que tomou conta do mercado internacional ontem, os investidores domésticos ativaram o risk-off.

… Descolado de NY, o Ibovespa até tentou um rali no início do dia, mas sucumbiu ao desempenho negativo dos setores financeiro e de consumo. As blue chips também não ajudaram.

… Banco do Brasil caiu 1,40% (R$ 55,64), seguido por Santander unit, -1,22% (R$ 28,26), Bradesco ON, -0,93% (R$ 12,76), e PN, -1,12% (R$ 14,14), além de Itaú Unibanco (-1,03%, a R$ 34,44).

… Cogna liderou as perdas, com -11,90%, a R$ 2,37, afetada não apenas pela alta dos juros futuros, mas pelo prejuízo no 4Tri. CVC perdeu 5,04% (R$ 3,39) e Casas Bahia baixou 3,10% (R$ 7,81).

…  Petrobras caiu forte, destoando do recuo leve do petróleo. O papel ON recuou 2,04% (R$ 36,57) e o PN cedeu 2,72% (R$ 35,70).

… O mercado não gostou dos nomes indicados pela União e pelos minoritários para as eleições dos conselhos administrativo e fiscal, no dia 25/4. Além disso, o “efeito Copom” não passou batido nos papéis, muito líquidos.

… Na ICE, o Brent/maio cedeu 0,20%, a US$ 85,78 por barril. O WTI/maio recuou 0,25%, a US$ 81,07, na Nymex.

… Vale ignorou a alta forte de 2,72% do minério de ferro em Dalian, que voltou para perto dos US$ 120/t, e caiu 0,24% (R$ 61,66).

… No lado oposto, Marfrig (+2,69%; R$ 10,30), São Martinho (+1,94%; R$ 28,89) e LWS (+1,85%; R$ 6,05) foram bem.

… O dólar seguiu o exterior, mas a valorização por aqui foi limitada pela mudança do guidance do Copom.

… Ao deixar em aberto os passos da política monetária em junho, o colegiado levou a especulações de que a Selic pode terminar 2024 acima do esperado.

… Uma perspectiva de juro doméstico maior favorece o carry trade e colabora para uma menor saída de capital estrangeiro da renda fixa.

… Também abriram espaço para um dólar mais suave ontem a forte alta do minério, que beneficia países produtores, como o Brasil, e os Treasuries ecoando os sinais dovish do Fed na 4ªF (ao menos no início do dia).

… No fechamento, a moeda à vista subiu 0,11%, a R$ 4,9798, sem ter batido os R$ 5 em nenhum momento.

COMBINAÇÃO PERFEITA – Dados mostrando que a economia americana segue firme e o Fed com disposição de cortar juros este ano formaram a receita para mais um dia de recordes históricos simultâneos nas bolsas em NY.

… O S&P 500 registrou o 20º recorde do ano, aos 5.241,53 pontos (+0,32%), e o Dow Jones subiu 0,68% (39.781,37).

… O Nasdaq avançou 0,20% (16.401,84), mesmo com Apple caindo 4,1%, diante da notícia de que o Departamento de Justiça dos EUA está processando a companhia por monopólio em smartphones.

… Os BCs da Suíça e da Inglaterra ainda ajudaram no risk-on em Wall Street.

… O primeiro cortou o juro de forma inesperada, em 0,25pp, para 1,5%. Foi a primeira entre as economias avançadas a cruzar o sinal da flexibilização, algo que o mercado esperava apenas para junho.

… Depois, o BoE seguiu o curso esperado e manteve o juro em 5,25% pela 5ª vez consecutiva. Mas dois de seus falcões, que vinham votando por apertos, juntaram-se à maioria (8 a 1) para manter as taxas.

… O BoE também disse que a inflação britânica está evoluindo “na direção correta”, fornecendo a indicação de que o início do ciclo de relaxamento monetário já aparece no horizonte, talvez em junho.

… Nos EUA, a rodada de indicadores da economia pós-reunião do Fed veio melhor que as previsões.

… Na mais surpreendente, a venda de moradias usadas aumentou 9,5% nos EUA em fevereiro ante janeiro, segundo a NAR. A previsão era de queda de 1,7%.

… O número de pedidos de auxílio-desemprego caiu a 210 mil, quando se esperava alta a 215 mil. Na indústria, o PMI aumentou a 52,5 em março, de 52,2 em fevereiro, segundo a S&P Global. A aposta era de queda a 51,8.

… Em tese, dados de atividade mais fortes num cenário de inflação persistente assustariam o mercado, mas desde o Fomc e as declarações de Powell, investidores voltaram a olhar com mais carinho a tese de pouso suave.

… Destaque do dia nas bolsas em NY, a fabricante de semicondutores Micron Technology disparou14,9% depois de reportar um lucro muito acima do esperado no 2Tri fiscal.

… Ainda no setor, Nvidia (+1,18%), Intel (+0,52%) e Broadcom (+5,64%), acompanharam a festa. Reddit disparou 48% após o IPO.

… Bancos também subiram no pós-Fed. Goldman Sachs registrou um rali de 4,35% e Morgan Stanley, Citigroup e o Bank of America avançaram mais de 2%.

… Os retornos dos Treasuries ficaram sem direção única. O curto prazo subiu com os indicadores mais fortes e a taxa da note de 2 anos acelerou a 4,641% (de 4,602%).

… A de 10 anos teve alta tímida a 4,274% (4,271%) e a do T-bond de 30 anos recuou a 4,442% (4,453%).

… Com a libra (-1%, a US$ 1,2655) e o franco suíço (-1,32%, a 0,8983/US$), em queda, o índice DXY do dólar avançou 0,60%, a 104,306 pontos. O euro caiu 0,57%, a US$ 1,0859, e o iene recuou 0,38%, para 151,71/US$.

EM TEMPO… B3 aprovou a distribuição de R$ 292,5 milhões em JCP, o equivalente ao valor líquido de R$ 0,0444 por ação, com pagamento em 5/4; ex em 27/3.

SABESP registrou lucro líquido de R$ 1,18 bi no 4Tri23, alta de 84,7% em base anual.

QUALICORP registrou prejuízo de R$ 58,7 milhões no 4TRI23, queda de 26,5% ante prejuízo do 4TRI22; Ebitda ajustado somou R$ 169,7 milhões, recuo de 21,2% na comparação anual.

MINERVA concluiu oferta da 14ª emissão de R$ 2 bilhões em debêntures simples, divididas em 3 séries.

REDE D’OR aprovou a distribuição de R$ 300 milhões em JCP, o equivalente, a R$ 0,1330 por ação, com pagamento em 5/4; ex em 27/3.

CEMIG aprovou a distribuição de R$ 386 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,1755 por ação, com pagamento em 2 parcelas (até 30/6/25 e até 30/12/25); ex em 27/3.

CPFL registrou lucro líquido de R$ 1,32 bilhão no 4TRI, queda de 3,5% na comparação anual; Ebitda consolidado somou R$ 3,11 bilhões, recuo de 18,2% em relação ao mesmo período de 2022.

COPEL. Conselho vai submeter plano de outorga com diluição de até 1% do capital social à AGE, em 22/4.

EQUATORIAL concluiu venda de 100% das ações representativas do capital social da Integração Transmissora de Energia (Intesa) para a Infraestrutura e Energia Brasil por R$ 320,91 mi…

… Resta ainda valor remanescente de até R$ 84,49 mi referente a earn-out.

COPASA registrou lucro líquido de R$ 355,2 milhões no 4TRI, alta de 32,4% na comparação anual; Ebitda somou R$ 679,7 milhões, crescimento de 28,3% em relação ao mesmo período de 2022.        

EVEN teve lucro de R$ 57,2 mi no 4TRI23, salto contra o lucro de só R$ 150 mil um ano antes; Ebitda somou R$ 142,6 mi, bem acima dos R$ 12,3 mi do 4TRI22; e receita líquida totalizou R$ 938,5 milhões, alta de 89% na base anual.

WILSON SONS teve lucro líquido de R$ 113,5 milhões no 4TRI23, alta de 0,8% s/ 4TRI22.

ESPAÇOLASER registrou prejuízo de R$ 19 milhões no 4TRI, incremento de 18,3% sobre a perda de R$ 16 milhões apresentada um ano antes; Ebitda somou R$ 41,7 milhões, alta de 6% na comparação anual.

AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!

*com a colaboração da equipe do BDM Online

AVISO – Bom Dia Mercado, produzido pela Mídia Briefing, não pode ser copiado e/ou redistribuído.

Copom tira plural e pode induzir à volatilidade

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*

[21/03/24]

Com placar dividido, às 9h, o BC inglês (BoE) deve manter o juro hoje em 5,25%, sem encerrar as dúvidas sobre quando virá o primeiro corte. Ontem foi aquela festa nos mercados globais com o Fed, que não se comprometeu com uma data específica para começar a relaxar o juro, mas manifestou a intenção de três quedas este ano, num total de 75 pb, e elevou as apostas de que o ciclo começará em junho. Por aqui, o investidor ficou meio perdido com o comunicado do Copom, que adotou o singular no trecho sobre seu próximo passo e pouco explicou o “aumento das incertezas domésticas”. Vai todo mundo cobrar por uma resposta mais explícita na ata (3ªF) e, na véspera do anúncio do relatório bimestral de receitas e despesas, é inevitável que se especule que o BC está falando do fiscal.

… Hoje (10h30), saem os dados da arrecadação federal de fevereiro, esperados com bastante expectativa. A mediana das apostas em pesquisa Broadcast é de R$ 184,365 bilhões, contra os R$ 280,636 milhões registrados em janeiro.

… Graças à melhora da arrecadação neste início de ano e à revisão dos gastos com o INSS, o governo deve anunciar amanhã um bloqueio de até R$ 3 bi no Orçamento, apuraram Adriana Fernandes e Idiana Tomazelli na Folha.  

… O cenário inicial era de uma trava entre R$ 5 bi a R$ 15 bi, mas a economia de recursos gerou fôlego um pouco maior do que o esperado. Dias atrás, Simone Tebet já havia cantado a bola sobre a menor necessidade de bloqueio. 

… Alivia que a redução não será na forma de contingenciamento (quando faltam receitas para fechar as contas), que é mais grave do que bloqueio, o qual diz respeito ao crédito disponível, quando há estouro na rubrica de gastos.

… O mercado adorou a notícia, que sinaliza que a meta de déficit zero não está ameaçada por enquanto e que não deve ser mudada no relatório bimestral de amanhã. Ainda que provisória, não deixa de ser uma vitória de Haddad.

… Mas agora que o Copom veio com esta história das “incertezas domésticas”, sem dizer quais são, volta a levantar a lebre. O investidor vai querer saber do que exatamente o BC está com medo e a conclusão mais óbvia é o risco fiscal.

… Plantada a semente da dúvida, muita gente pode achar que o bloqueio de só R$ 3 bi no Orçamento veio apenas a serviço de o governo sair bem na fotografia do primeiro relatório bimestral e que, depois disso, a coisa vai enrolar.

EM ABERTO – Ao tirar o plural nas indicações dos próximos cortes, o Copom limitou-se a contratar guidance conservador, de mais uma queda de 50pb. Não necessariamente está sinalizando o fim do ciclo nem a redução do ritmo.

… O mercado deve esperar pela ata, na semana que vem, para entender melhor como os diretores do BC estão vendo o “aumento das incertezas domésticas”, incluído no balanço de riscos sem maiores detalhes, como se viu.

… Esse é o ponto mais importante, que parece ter motivado a “maior flexibilidade” defendida pelo Comitê para botar o pé do freio.

… O Copom não quis se comprometer com dois cortes de 50pbs, mas ainda pode manter essa mesma dose depois de maio, como também pode reduzir o corte para 25pbs ou até interromper o ciclo de quedas em junho, se as coisas não “saírem como o esperado”.

… Essa advertência comprova a preocupação com as incertezas domésticas, que parecem estar relacionadas aos movimentos de expansão dos gastos manifestados recentemente pelo presidente Lula, e é o ponto mais hawk do comunicado.

… De outro lado, o Copom também avaliou que o cenário base “não se alterou substancialmente”, o que permite supor que a possibilidade de uma Selic terminal de 9% (ou 9,50%) continua viva e que tudo dependerá do que vier pela frente no cenário fiscal.

… Ainda é cedo para conclusões e apostas fechadas. Mas o fato é que, ao retirar o plural, o Copom pode acabar induzindo a curva de juros a maior volatilidade, como alguns gestores haviam alertado. A reação de hoje dirá o quanto a decisão foi ou não acertada.

… No câmbio, o que se diz é que o real vai se valer do carry trade mais atrativo do Copom hawkish + Fed dovish.

… Na avaliação do economista-chefe do PicPay, Marco Antonio Caruso, a priori, o ponto final projetado pelo BC para a Selic ainda é o mesmo, mas diante das “incertezas”, pode ser necessário chegar lá de forma mais lenta (0,25pp).

… Na Warren, Sergio Goldenstein continua julgando como improvável a discussão sobre o encerramento do ciclo com Selic em dois dígitos e mantém a aposta em 9%. Já a Nova Futura elevou a projeção de 9,0% para 9,5%.

… Para o BTG, o novo forward guidance pode puxar a mediana da taxa básica de juro no ano na Focus (hoje em 9%). A ASA Investments reconhece o risco de Selic terminal acima da estimativa atual de 8,5%, após o comunicado.

… A XP destaca a mudança de percepção do Copom em relação ao comportamento da inflação subjacente, agora “acima da meta”, diferente da linguagem adotada no comunicado de janeiro, quando “se aproximava da meta”.

MAIS PRESSÃO – Lula pediu ao BB que se junte aos esforços do governo para impulsionar o crescimento econômico por meio do fomento das linhas de crédito, disse a CEO do banco, Tarciana Medeiros, em entrevista à Bloomberg.

… Segundo ela, o pedido do presidente para que o crédito chegue a todos os brasileiros não significa que o BB assumirá riscos excessivos ou colocará em risco suas orientações ou protocolos de governança corporativa.

MAIS FISCAL – O governo prepara mudanças nas regras orçamentárias para ganhar mais flexibilidade nos gastos.

… A estratégia da equipe econômica é destinar até metade do valor reservado a emendas parlamentares no Orçamento para ser computado para o piso de investimentos criado no arcabouço fiscal, informam O Globo e Valor.

… A regra deve constar no projeto de LDO de 2025, a ser enviado ao Congresso até 15/4. Caso seja aprovada, a medida dará ao Executivo maior poder de manobra nas despesas discricionárias, como custeio da máquina. 

MAIS AGENDA – Além da arrecadação federal, tem para conferir hoje a nova grade de parâmetros macroeconômicos e fiscais da Secretaria de Política Econômica (SPE), às 14h. Os dados semanais do fluxo cambial saem às 14h30.

… Sem data confirmada pelo Tesouro, mas esperadas para qualquer momento, as contas do Governo Central têm previsão de déficit primário de R$ 58,500 bilhões em fevereiro, após superávit de R$ 79,337 bilhões em janeiro.

… A antecipação do pagamento de precatórios deve justificar o saldo negativo projetado pelo mercado.

… Campos Neto se reúne-se, às 9h30, com a Moody´s para abertura da missão de avaliação de risco soberano.

… Sabesp, Cemig e CPFL Energia divulgam os seus balanços trimestrais depois do fechamento do mercado.

LÁ FORA – O PMI/S&P Global composto de março é destaque hoje nos EUA (10h45), zona do euro (6h), Alemanha (5h30) e Reino Unido (6h30). Ainda nos EUA, saem o auxílio-desemprego (9h30) e vendas de casas usadas (11h).

… Janet Yellen (Tesouro) testemunha no Congresso americano, às 11h, sobre o orçamento proposto por Biden.

… Os BCs da Turquia (8h) e do México (16h) divulgam as suas decisões de política monetária.

CHINA HOJE – O vice-presidente do BC, Xuan Changneng, sugeriu que haverá maior flexibilização monetária, enquanto o governo do país amplia os esforços para estimular a economia e o setor produtivo.

… Ele afirmou que ainda há espaço para reduzir a quantidade de dinheiro que os credores devem manter em suas reservas garantiu que Pequim tem uma riqueza de ferramentas de política monetária à disposição.

JAPÃO HOJE – A leitura preliminar de março do PMI/S&P Global composto subiu de 50,6 em fevereiro para 52,3. O PMI industrial avançou de 45,3 para 46,5, ainda em território de contração. O PMI de serviços foi de 52,9 para 54,9.

CANTOU VITÓRIA – Os investidores não quiseram desperdiçar a oportunidade de embarcar junto na euforia coletiva em NY e, antes mesmo do Fed, exibiram entusiasmo com a notícia do bloqueio de até R$ 3 bi no Orçamento amanhã.

… O Ibov (+1,25%) cruzou os 129 mil pontos (129.125), o dólar voltou a rodar abaixo de R$ 5, em queda firme de 1,10%, cotado a R$ 4,9744, e o DI queimou prêmio, após três altas, sem saber o que viria no Copom depois.

… O juro para Jan25 caiu a 9,905% (de 9,947%), o Jan26 cedeu a 9,790% (9,860%) e o Jan27, a 10,010% (10,103%). O Jan29 baixou a 10,480% (10,598%); o Jan31, a 10,730% (10,850%); e o Jan33, a 10,830% (10,947%).

… Além do Fed, o Ibov também foi ajudado por Petrobras, que subiu após a Reuters noticiar que a Fazenda vai insistir com o presidente Lula pelo pagamento dos dividendos extras.

… O papel ON avançou 2,08% (R$ 37,33) e PN ganhou 1,75% (R$ 36,70). Vale subiu 0,67% (R$ 61,81). Foram na contramão do Brent/maio, que caiu 1,63%, a US$ 85,95, na ICE. O WTI/maio cedeu 1,76%, a US$ 81,27, na Nymex.

… Braskem disparou 15,69% (R$ 26,76), repercutindo a elevação da recomendação da ação para outperform (equivalente a compra) pelo Santander.

… Ações cíclicas brilharam com a queda dos DIs: Petz, +8,01% (R$ 4,99); Soma, +7,29% (R$ 7,51); Vamos, +7,12% (R$ 8,88); Casas Bahia, +6,61% (R$ 8,06); Arezzo, +5,91% (R$ 63,12); CVC, +5,31% (R$ 3,57) e GPA, +4,97% (R$ 3,17).

… Bancos fecharam no azul, puxados por Bradesco ON (+1,98%, a R$ 12,88) e PN (+1,27%; R$ 14,30). Santander unit valorizou 1,24% (R$ 28,61), Banco do Brasil ganhou 1,07% (R$ 56,43) e Itaú Unibanco teve alta de 0,20% (R$ 34,80).

… Prio despontou no campo negativo: -3,58% (R$ 47,45). 3R subiu 0,93%, a R$ 30,36, apoiada na notícia de que foram escolhidos novos membros do Conselho de Administração.

… A mudança pode acelerar o processo de análise da fusão com a Petrorecôncavo (-1,15%, a R$ 23,13).

TRÊS CORTES, TRÊS RECORDES – Pela primeira vez em quase dois anos e meio, desde novembro de 2021, os três principais índices de ações em Wall Street fecharam ontem com picos históricos simultâneos, embalados pelo Fed.

… Alguma apreensão de última hora de que o BC americano endureceria a mensagem sobre os juros após dados de inflação ruins não se concretizou. Muito pelo contrário.

… Não só manteve a projeção de três cortes do juro no ano, como Powell relativizou a importância dos números recentes de inflação, ao dizer que o Fed não reagirá exageradamente a um dado específico (CPI, PPI ou PCE forte).

… Para ele, “há razões para pensar que pode haver efeitos sazonais” nos índices recentes mais salgados. Foi além: disse que o PCE de fevereiro não foi “terrivelmente elevado”.

… Destacou, ainda, que os aumentos salariais e criação de empregos têm diminuído nos EUA, um cenário propício ao afrouxamento monetário.

… O mercado também gostou da declaração de que o Fomc discutiu a desaceleração do processo de aperto quantitativo. Reforçou, na visão de analistas, que o Fed se aproxima da flexibilização monetária no futuro próximo.

… Como de costume, na entrevista, Powell fez o hedge: reiterou que a inflação arrefeceu, mas segue alta, pregou cautela, citou incertezas e disse que o corte de juros continua a depender de dados.

…  Mas deu a senha dovish – que disparou o otimismo nos mercados – quando afirmou que os números “não mudaram a história geral” de desaceleração da inflação e que “o caminho é acidentado”.

… As bolsas em NY, que antes da reunião do Fed operavam em leve alta, aceleraram o ritmo com o comunicado e avançaram ainda mais durante a coletiva de Powell.  

… O Dow Jones ganhou 1,03%, aos 39.511,74 pontos. O S&P 500 teve alta de 0,89% (5.224,60). O Nasdaq avançou 1,25% (16.369,41).

… Powell não cravou qualquer data, mas no monitoramento do CME, a chance de o Fed cortar juros em junho subiu de 64,7% para 73,2%, com um cenário de corte de 75pb no total.

… Nos Treasuries, o retorno da note de 2 anos – mais atado às decisões de política monetária – caiu 7pb, a 4,615% (de 4,687%). O da note de 10 anos cedeu de forma mais tímida, a 4,276% (4,294%).

… O aumento nas medianas das expectativas dos dirigentes Fed para os juros em 2025 e 2026 puxou o retorno de longo prazo. O yield do T-bond de 30 anos subiu, ainda que de leve, a 4,4537% (4,4434%).

… Os cortes devem vir mesmo com o Fomc prevendo núcleo do PCE mais alto (2,4% para 2,6%), crescimento econômico substancialmente mais forte (1,4% para 2,1%) e um desemprego mais baixo (4,1% para 4,0%) em 2024.

QUERER É PODER – “Este é um Fed que quer cortar juros assim que puder, sem ser irresponsável. Três cortes a partir de junho é um cenário base que permanece”, afirmou Krishna Guha (Evercore) à Bloomberg.

… A perspectiva desse novo cenário pesou sobre o dólar e, depois de vários dias em alta, o índice DXY caiu 0,41%, a 103,413 pontos.

… O euro avançou 0,52%, a US$ 1,0921. Além do Fed, teve ajuda de Lagarde, que descartou cortes de juro pelo BCE no curtíssimo prazo, ao dizer que “os próximos meses nos ajudarão a formar um quadro mais claro da inflação”.

… Na véspera do BoE, a libra subiu 0,46%, a US$ 1,2782, mesmo com o CPI britânico abaixo do esperado.

… A taxa anual desacelerou para 3,4% em fevereiro, de 4% em janeiro, contra expectativa de 3,5%. Na comparação mensal, o CPI subiu 0,6% ante previsão de 0,7%.

… Para o banco ING, o CPI britânico deve estar abaixo de 2% a partir de maio e durante boa parte de 2024, mas um corte de juros só deve vir em agosto, por causa da resiliência dos serviços, que subiram 6,1% na base anual.

… O iene caiu 0,16%, a 151,14/US$.

EM TEMPO… PETROBRAS informou que recebeu do governo as indicações para a composição do novo Conselho de Administração da estatal, cuja assembleia de acionistas está marcada para o dia 25 de abril…

… A União indicou oito nomes para a renovação do conselho. Como já era esperado, faz parte da lista Rafael Dubeux, secretário-executivo do Ministério da Fazenda. O governo tem seis das 11 cadeiras do colegiado.

B3. Moody’s reafirmou rating Ba1 da empresa, com perspectiva estável.

ASSAÍ fará 9ª emissão de debêntures, no valor de R$ 500 milhões, em série única.

COGNA teve prejuízo líquido de R$ 397,3 milhões no 4TRI23, alta de 95% sobre o 4TRI22. Ebitda foi de R$ 534,5 milhões, 81% superior a um ano antes. Receita líquida somou R$ 1,908 bilhão, alta de 12,6% sobre o 4TRI22.

ALLOS registrou lucro líquido de R$ 235,310 milhões no 4TRI, alta anual de 30,5%; Ebitda ajustado somou R$ 566,299 milhões, crescimento de 11,9% em relação ao mesmo período de 2022…

… Companhia anunciou revisão de projeção de sinergias derivadas da combinação de negócios, após estudo detalhado de oportunidades…

… Empresa passou a projetar R$ 210 mi anuais em sinergias, a serem capturados até o fim de 2028; projeção anterior ficava entre R$ 180 mi e R$ 210 mi no mesmo período…

… Do total estimado em sinergias, R$ 81 mi já foram capturados em 2023.

POSITIVO registrou lucro líquido de R$ 192,2 mi no 4Tri23, alta de 40,4% contra um ano antes. Ebitda somou R$ 261,3 milhões, avanço anual de 8,2%, e receita líquida chegou a R$ 1,620 bi, 27,9% acima do registrado no 4Tri22.

SANTOS BRASIL registrou lucro líquido de R$ 225 milhões no 4TRI, alta de 66% na comparação anual; Ebitda somou R$ 366,8 milhões, avanço de 85% em relação ao mesmo período de 2022.

TUPY registrou lucro líquido de R$ 159,8 milhões no 4TRI, alta de 183,3% na comparação anual; Ebitda somou R$ 267,4 milhões, avanço de 29,5% em relação ao mesmo período de 2022.

VIVARA registrou lucro líquido de R$ 144,1 milhões no 4TRI, queda de 8,6% na comparação anual; Ebitda somou R$ 225,1 milhões, alta de 6,8% em relação ao mesmo período de 2022.

HIDROVIAS DO BRASIL registrou prejuízo líquido de R$ 191,6 milhões no 4TRI, alta de 22,7% na comparação anual; Ebitda somou R$ 2,5 milhões, queda significativa ante os R$ 88,5 milhões apresentados no mesmo trimestre/2022.

LWSA (ex-Locaweb) teve prejuízo líquido de R$ 45,1 milhões no 4TRI23, revertendo lucro de R$ 18,2 mi no 4TRI22…

… Ebitda ajustado foi de R$ 68,3 milhões, avanço de 41,5% no período; receita operacional líquida subiu 14,8%, a R$ 347,4 milhões.

COPASA aprovou a distribuição de R$ 158,6 milhões em dividendos complementares relativos ao 4TRI23, o equivalente a R$ 0,4184 por ação, com data de pagamento a ser definida; ex em 26/3…

… Também serão distribuídos R$ 117,6 milhões em JCP, o equivalente a 0,3101 por ação, e R$ 54,8 milhões em dividendos relativos ao 1TRI24, o equivalente a R$ 0,1446 por ação, com pagamento em 17/5; ex em 26/3.

SANEPAR. Vilson Ribeiro de Andrade renunciou ao cargo de presidente do Conselho de Administração.

BNDES. Fitch reafirmou rating BB do banco, com perspectiva estável.

AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!

*com a colaboração da equipe do BDM Online

AVISO – Bom Dia Mercado, produzido pela Mídia Briefing, não pode ser copiado e/ou redistribuído.

A Superquarta imprevisível

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*

[20/03/24]

Em linha com o previsto, a China manteve o juro ontem à noite. As maiores emoções estão por vir, diante do potencial de surpresa reservado pelo Fed (15h), com coletiva de Powell meia hora depois, e pelo Copom, a partir das 18h30. A Selic será cortada hoje em mais meio ponto, de 11,25% para 10,75%. Mas o comunicado desperta muita expectativa e promete alta volatilidade se eliminar o plural da sinalização de novas doses de queda de 0,50pp do juro nas “próximas reuniões” (maio e junho). Nos EUA, também são os próximos passos do Fed que mais interessam. O mercado está fechado na aposta de que o juro será mantido pela quinta vez consecutiva na faixa de 5,25% a 5,50%, mas quer saber se a primeira queda virá mesmo em junho e quantos cortes mais o gráfico de pontos projetará até o final do ciclo.

… Junho ainda aparece como a precificação mais provável na ferramenta do CME (55,3%) para o início do relaxamento monetário, mas já disputa as chances de perto com julho (49,5%) como o pivô dovish do Fed.

… Outra prova de que o mercado está esperando uma postura mais conservadora do Fed vem da probabilidade majoritária de que os juros caiam 75pb no acumulado do ano, ao invés de 1pb, como se cogitou anteriormente.

… Se o Fed mudar o plano de três quedas da taxa básica e passar a prever só duas, vai ter correria nos negócios.

… Desde os mais recentes dados de inflação ainda pressionados (CPI e especialmente o PPI), o mercado já começou a especular sobre um ciclo mais curto de relaxamento monetário, mas é mais uma aposta de risco do que convicção.

… O consenso entre os economistas em NY é de que o Fed ainda manterá a sua estratégia de três cortes, embora possa começar o ajuste de queda mais tarde, talvez no segundo semestre, diante do caminho acidentado da inflação.

… Há duas semanas, durante depoimento ao Congresso americano, Powell animou com o comentário de que “não estamos longe de termos confiança com a inflação para cortar juros”. De lá para cá, porém, houve alguns sustos.

… Sinais de inflação persistente nos EUA começaram a dar nervoso no mercado de que o Fed possa não estar disposto a assumir o compromisso de ser tão agressivo na derrubada do juro, sob risco de exagerar no passo.

… O Fed já errou feio no passado (era Bernanke), quando ficou atrás da curva, pregando a inflação como um “fenômeno temporário”, que se provou permanente, perigoso e cobrou um alto preço da economia americana.

… Os tempos hoje são outros, mas o desafio da dinâmica inflacionária nunca deixa de se fazer presente.

COM PLURAL OU SEM PLURAL? – O Copom pode entrar numa sinuca de bico em relação ao forward guidance.

… Parte dos profissionais acredita que uma mudança agora é contratar problema para cabeça, antecipando movimentos indesejáveis e desnecessários nos negócios, enquanto outra corrente vê vantagens importantes.

… Na opinião do gestor Luiz Parreiras, da Verde Asset, “não tem ganho nenhum” o Copom mudar o guidance neste momento, porque seria um “convite à volatilidade política, que o BC conseguiu colocar porta afora no ano passado”.

… Já o economista Nicolas Borsoi (Nova Futura) pondera que manter o plural é arriscado. “Caso [o BC] continue sinalizando uma política monetária mais frouxa, será que não corre o risco de seguir desancorando as expectativas?”

… Na sua avaliação, “reforçar o forward guidance numa conjuntura de economia doméstica forte, sinais ruins na inflação e de expectativa de menos cortes de juros nos EUA parece um erro de política monetária.”

… Só pela divergência de pensamentos no mercado já se percebe que, qualquer que venha a ser a decisão do Copom, o assunto é polêmico e pode gerar questionamentos sobre a melhor condução da trajetória da Selic.

… Em termos práticos, se o comunicado mantiver o trecho “nas próximas reuniões”, contratando pelo menos mais dois cortes de meio ponto, não mudará a expectativa de consenso no Focus de juro de um dígito, de 9,00%.

… Já no caso de o plural ser eliminado, a curva do DI vai sair corrigindo as apostas, para projetar dose menor de queda da Selic (0,25pp) em maio ou em junho. O BNP Paribas não descarta que uma mudança fique para a ata (3ªF).

… Em relatório, o banco reconhece que o BC tem uma decisão difícil, “com bons argumentos de ambos os lados”.

… Os primeiros sinais de que o Copom acabará agora ou logo com o forward guidance foram enviados em falas recentes de Guillen e Galípolo, de que a orientação futura da política monetária é um “esporte de altíssimo risco”.

… Depois, a economia aquecida, com as surpresas do forte crescimento das vendas do varejo e dos serviços em janeiro, além do IBC-Br (+0,60%) e dos 180 mil empregos formais do Caged, reforçaram a discussão.

… Por outro lado, a leitura menos pressionada da inflação de serviços subjacentes no IPCA de fevereiro lançou dúvidas se o BC já deveria dar um fim imediato ao plural nos cortes ou se dá para esperar e “amaciar” o mercado.

CONTINGENCIAMENTO – Os valores que circulam na imprensa são de que a equipe econômica deve determinar na 6ªF um bloqueio entre R$ 5 bi e R$ 15 bi no Orçamento dos ministérios. O número ainda está sendo fechado.

… Mesmo no teto, o volume bloqueado ficaria abaixo dos R$ 25,9 bi previstos em trecho da LDO, mas que vem sendo contestado pela área técnica do TCU, já que configuraria infração à LRF e crime de responsabilidade.

… Tebet descartou recentemente a necessidade de um contingenciamento significativo neste início do ano, diante da surpresa positiva com a arrecadação federal. O governo corre o risco, porém, de estar superotimista.

… Levantamento da Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão vinculado ao Senado, mostra que as receitas no 1º bimestre do ano ficaram R$ 12,2 bi abaixo do estimado no decreto de programação orçamentária e financeira.

… Apesar de a frustração de receitas não determinar o nível de contingenciamento necessário para cumprimento da meta fiscal de déficit primário zero, o dado revela que o governo terá um desafio ainda maior, observa a IFI.

… Para o Barclays, a Fazenda vai se valer da melhora da arrecadação para adiar o debate sobre o contingenciamento e a meta fiscal para maio ou julho, meses de divulgação de novos relatórios bimestrais de receitas e despesas.

… Ainda do lado fiscal, o governo fechou um acordo com a bancada evangélica do Congresso e conseguiu uma restrição aos benefícios na chamada PEC das Igrejas, que amplia a isenção tributária para templos religiosos.

… A proposta deve ser votada na semana que vem no plenário da Câmara.

REFORMA TRIBUTÁRIA – Lira disse que pode se reunir hoje à tarde com Haddad para tratar da regulamentação do texto e que quer aprovar as leis complementares ainda neste 1º primeiro semestre, antes do calendário eleitoral.

… Ele cobrou que a Fazenda envie os projetos de regulamentação da reforma tributária e rejeitou a hipótese de estabelecer um relator para intermediar as conversas sobre a proposta antes de receber o texto.

… Pela manhã (9h), Haddad se reunirá com Lula no Palácio do Planalto, juntamente com Tebet, Esther Dweck e Rui Costa. À noite (20h), o presidente da República deve ir ao jantar de aniversário de 44 anos do PT, em Brasília.

MAIS AGENDA – Único destaque entre os indicadores domésticos é a prévia do IGP-M (8h). Na temporada dos balanços corporativos, saem os resultados da Cogna, Allos, Equatorial Energia e Locaweb, após o fechamento.

LÁ FORA – Lagarde (BCE) discursa em conferência às 5h45, após o PPI da Alemanha e CPI do Reino Unido de fevereiro, ambos às 4h. Nos EUA, os estoques de petróleo do DoE (11h30) têm previsão de -1,2 milhão de barris.

CHINA HOJE – Ficaram inalteradas as taxas de juro de referência (LPR) de 1 ano, em 3,45%, e de 5 anos, em 3,95%.

ESPERAR PARA VER – O clima de suspense para a dobradinha Fed-Copom foi denunciado ontem pelo volume baixo de negócios no Ibovespa, pelo dólar, que se protegeu na estabilidade, e pelo recuo limitado da curva do DI.

… Antes do desfecho das duas principais decisões de política monetária para o investidor doméstico, faltou coragem para se arriscar, porque é dos próximos passos nos juros dos EUA e na Selic que depende a dinâmica do fluxo.

… Na 6ªF passada, dado mais recente, os estrangeiros ingressaram com R$ 2,95 bi na B3, a primeira entrada de março. Mas no mês, com saída de US$ 3,8 bi, e no ano, com fuga de US$ 21,2 bi, o saldo segue bem negativo.

… Apesar dos ruídos, como os que envolvem a Petrobras, analistas ouvidos pelo Broadcast dizem que a bolsa brasileira segue atrativa entre os emergentes, o que deve se intensificar no 2º semestre com o Fed mais dovish.

… “Assim que os EUA começarem a cortar os juros, com certeza o fluxo de capital vai voltar para cá. Vai estar mais interessante para o estrangeiro assumir risco. Nossa bolsa está muito descontada”, disse Bruna Allemann (Nomos).

… Ontem, a entrada de fluxo comercial fez o dólar perder força, depois de ter tido uma alta mais firme pela manhã (máxima de R$ 5,0550), seguindo o exterior. No saldo do dia, ficou praticamente estável (+0,08%), a R$ 5,0297.

… Sob o alívios dos juros dos Treasuries, o DI registrou queda, mas tímida para o tamanho da alta recente (0,20pp).

… O juro do DI para Jan25 caiu a 9,975% (de 9,982%). O DI Jan26 cedeu a 9,885% (9,930%). O Jan27, a 10,120% (10,178%); o Jan29, a 10,615% (10,666%); o Jan31, a 10,870% (10,916%); e o Jan33, a 10,970% (11,012%).

… O Focus não trouxe surpresas, mas mostrou um leve ajuste com mais PIB e mais inflação, mix sob escrutínio do Copom nesta 4ªF.

… Houve piora marginal nas medianas do IPCA 2024 (de 3,77% para 3,79%) e 2025 (3,51% para 3,52%), e aumento de 1,78% para 1,80% no PIB 2024.

… As projeções para a Selic ao fim deste ano (9%) e do próximo (8,50%) permaneceram as mesmas.

… Na bolsa, o Ibovespa chegou a bater nos 128 mil na máxima do dia, mas reduziu os ganhos com Petrobras, que descolou do petróleo, novamente pressionada pelo risco de ingerência política.

… O papel ON caiu 1,11%, a R$ 36,57, e o PN cedeu 0,74%, a R$ 36,07. O Ibov subiu 0,45%, aos 127.528,85 pontos, com giro de R$ 20,6 bilhões.

… A forte defasagem dos preços praticados pela petroleira em relação às cotações internacionais também está no foco dos investidores.

… Segundo a Abicom, com a gasolina há 151 dias sem reajuste, a defasagem já chegou a 19%, enquanto o diesel S10, sem reajuste há 84 dias, tem preço 13% menor que no exterior.

… Os cálculos foram feitos com base no fechamento do petróleo Brent na 2ªF. Ontem, as cotações voltaram a subir, com o Brent/maio em alta de 0,56%, a US$ 87,38 por barril, na ICE, e o WTI/maio, +0,69%, a US$ 82,73, na Nymex.

… Apoiada na disparada de 5,35% no minério de ferro em Dalian, Vale (+0,82%; R$ 61,40) ajudou a sustentar a bolsa.

… Embraer liderou os ganhos com 6,55% (R$ 31,57) e atingiu seu maior valor de mercado, de R$ 23,3 bilhões, depois do forte guidance para 2024.

… Segunda maior alta do Ibovespa, Braskem subiu 5,62% (R$ 23,13), em meio a rumores de que a PIC, subsidiária da Kuwait Petroleum Corporation (KPC), mostrou interesse em comprar a petroquímica, segundo o Valor.

… Na ponta negativa, Magazine Luiza (-6,19%; R$ 1,97) devolveu parte da forte alta da véspera, com analistas preocupados com a queima de caixa da companhia.

… Entre os bancos, Santander unit cedeu 1,40% (R$ 28,26); Banco do Brasil, -0,36% (R$ 55,83); Bradesco ON, -0,39% (R$ 12,63); e Bradesco PN, -0,56% (R$ 14,12). Apenas Itaú Unibanco fechou no azul, com +0,14%, a R$ 34,73.

TECHS RIDE AGAIN – As techs repetiram a dose e puxaram os índices de ações para cima em NY, com a Nvidia (+1,1%) mais uma vez no centro das atenções.

… A aposta é que os novos chips apresentados esta semana vão alimentar um rali que já adicionou US$ 1 trilhão ao valor da empresa este ano.

… Tecnologia e energia, que acompanhou o petróleo, levaram o S&P 500 ao 18º fechamento recorde do ano: 5.178,51 pontos (+0,56%). O Dow Jones subiu 0,83% (39.110,76) e o Nasdaq avançou 0,39% (16.166,79).

… Os Treasuries deram uma força às bolsas. Na véspera da reunião que pode indicar uma postura mais conservadora do Fed no corte de juros, os retornos caíram, movimento atribuído à realização de lucro após seis altas consecutivas.  

… O retorno da note de 2 anos recuou a 4,692% (de 4,737% na véspera) e da note de 10 anos caiu a 4,299% (4,329%). O do T-bond de 30 anos fechou a 4,443% (4,448%).

… O leilão de US$ 13 bilhões em bonds de 20 anos com forte demanda contribuiu para amenizar as taxas, em especial as longas.

… Para o economista-chefe da Fitch Ratings, Brian Coulton, o Fed só deve reduzir as taxas em julho. A última etapa da desaceleração da inflação americana rumo aos 2% pode ser mais difícil do que as anteriores, disse.

… Quanto ao BCE, já faz um tempo que os dirigentes do BC europeu vêm falando abertamente sobre o timing do corte em junho, a começar por Lagarde na entrevista após a última reunião de política monetária há duas semanas.

… Ontem, o vice Luis de Guindos disse que o BCE terá condições de discutir um possível corte de juros em junho, quando estarão disponíveis mais dados. Também o dirigente Pablo Hernández de Cos confirmou este prazo.

… Apesar de o BoJ ter dado fim ao juro negativo, o presidente Kazuo Ueda disse que vai manter as condições monetárias relaxadas. Para a Fitch, o BC japonês vai optar por uma manutenção prolongada entre zero e +0,1%.

… Neste cenário em que o diferencial continua a beneficiar o lado americano, o iene não teve força para se contrapor ao dólar e caiu forte: -1,16%, a 150,90/US$.

… O índice DXY subiu 0,22%, a 103,827 pontos, basicamente influenciado pelo avanço do dólar ante a moeda japonesa, já que euro (-0,06%), a US$ 1,0865, e libra esterlina (-0,02%), a US$ 1,2723, ficaram estáveis.

EM TEMPO… VALE informou que “avaliará oportunamente” os termos de uma ação judicial movida na Holanda contra a sua subsidiária integral, a Vale Holdings BV, pela tragédia ambiental em Mariana (MG)…

… Os autores da ação pedem indenização de € 3 bilhões (em torno de R$ 18 bilhões) por danos causados pelo rompimento da Barragem de Fundão, em 2015.

PETROBRAS assinou acordo com Mitsui para avaliação de oportunidades de negócios em baixo carbono.

MINERVA teve duas unidades na Colômbia habilitadas para exportar carne bovina para China.

JSL registrou lucro líquido ajustado de R$ 82,2 milhões no 4TRI, queda de 25,3% na comparação anual; Ebitda ajustado somou R$ 411,2 milhões, alta de 28,8% em relação ao mesmo período de 2022.

VAMOS. Citi manteve recomendação de compra para ação, com preço-alvo de R$ 16; para o banco, companhia apresentou resultados positivos no 4TRI, com destaque para o lucro líquido, que superou as expectativas.

MILLS registrou lucro líquido de R$ 81 milhões no 4TRI, alta de 70,3% na comparação anual; Ebitda ajustado somou R$ 190,9 milhões, avanço de 31,1% em relação ao mesmo período de 2022.

TIM vai distribuir R$ 200 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,0826 por ação, com pagamento em 23/4; ex em 25/3.

WEG aprovou a distribuição de R$ 242,3 milhões em JCP, o equivalente ao valor líquido de R$ 0,0491 por ação, com pagamento em 14/8; ex em 25/3.

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AVISO – Bom Dia Mercado, produzido pela Mídia Briefing, não pode ser copiado e/ou redistribuído.