Payroll e Petrobras agitam negócios

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*

[05/04/24]

… O payroll de março (9h30) não promete ser tão decisivo quanto o CPI da semana que vem (4ªF), mas é importante para administrar as apostas, quando Powell recomenda esperar para ver e alguns Fed boys tocam o terror, prevendo menos de três cortes este ano ou nenhum ou até alta. No cenário doméstico, Campos Neto participa de palestra do LIDE (10h) e Haddad fala em evento no fim da tarde (17h). De olho no fiscal, sai o déficit do setor público consolidado de fevereiro (8h30). Mais do que a agenda, o que rouba a cena é o noticiário dos dividendos da Petrobras e da fritura pública de Prates, que deve se reunir com Lula na 2ªF, com tudo indicando que deve cair, para Mercadante entrar.

… Quanto à distribuição de dividendos extraordinários, após o fechamento, a Petrobras soltou comunicado para dizer que não há decisão e que a competência para aprovar pagamentos é da AGE, que será realizada dia 25.

… Pouco antes, a GloboNews havia informado que o governo Lula decidiu pagar metade (R$ 20 bilhões) dos dividendos extras, o que deve render R$ 6 bilhões aos cofres da União e ajudar na meta fiscal de déficit zero.

… Mais cedo, circulou outra versão, de que o pagamento liberado seria integral (R$ 43,9 bi), conforme acertado em reunião entre Haddad e os ministros Alexandre Silveira e Rui Costa, e que a decisão será levada para Lula.

… O presidente da República já teria pedido à Petrobras para “fazer as contas”, antes de bater o martelo.

… Na equipe econômica, a torcida é para os dividendos serem pagos o mais rapidamente possível, “idealmente” agora em abril, segundo o Broadcast, para reforçar o caixa do Tesouro e ajudar no equilíbrio das contas públicas.

… Os dividendos extraordinários não estão previstos na contabilidade orçamentária, já que se trata de receita extra, e são considerados um valioso reforço, neste momento em que o governo vem sofrendo derrotas no Congresso.

… Além disso, há o sentimento de que a liberação dos dividendos reforçaria a governança corporativa e seria fundamental para recuperar a credibilidade dos investidores na empresa, em meio à polêmica de politização.  

… Correram ontem tantas informações de bastidores sobre a Petrobras, que não foi surpresa a alta volatilidade dos papéis no Ibovespa. As ações chegaram a escalar mais de 3% com a potencial reviravolta sobre os dividendos.

… Na reta final do pregão, no entanto, Petrobras zerou toda a alta e virou com os rumores mais consistentes de que Prates estaria por um fio e que Mercadante assumiria o comando, em mais um episódio da série de ingerência.

… Contrariando o rali do petróleo, que voltou a US$ 90, a ação preferencial terminou o dia em queda de 1,41%, a R$ 37,88, e ON caiu 0,46%, a R$ 39,12. Os ADRs também reproduziram o desgaste de Prates: PN, -1,13%; e ON, -1,16%.

… Se foi ou não intencional a estratégia do governo de vazar a questão dos dividendos para amortecer o choque de Mercadante, fato é que ajudou, de qualquer forma, a moderar a intensidade de queda dos papéis da Petrobras.

… No ambiente especulativo de negócios, os grandes players de mercado podem ter aproveitado a história dos dividendos para puxar os papéis e depois saírem fora, vendendo mais caro, sob o “efeito Mercadante”.

… A CVM abriu processo administrativo para investigar as divulgações de notícias sobre a Petrobras.

… No Valor, Mercadante já teria dado um telefonema ontem a Prates para dizer que foi sondado por Lula para o comando da Petrobras e, segundo interlocutores do Palácio do Planalto, aceitaria o convite para ocupar a vaga.

… De cara, Mercadante chegaria à empresa tendo o desafio de corrigir uma defasagem de 20% da gasolina.

… Lula teria ficado irritado com a informação na imprensa de que Prates tentou dar um xeque-mate ao pedir uma reunião com ele para definir de uma vez por todas a sua situação, diante dos atritos crescentes com Silveira.

… “Ficou parecendo que ele [Prates] queria emparedar o Lula. Ninguém empareda o Lula”, disse um assessor.

INEVITÁVEL – A saída de Prates é tratada como questão de tempo. O Globo diz que Haddad não deve gastar capital político para segurá-lo e já indicou a pessoas próximas que não é seu papel ser fiador da permanência dele.

… Desafetos antigos, desde o início do governo, Prates e Silveira já protagonizaram embates sobre as indicações de conselheiros para a Petrobras, sobre a política de preços adotada pela empresa e sobre a venda de ativos.

… Mais recentemente, a chapa esquentou com os dividendos extras, que expuseram o racha no governo. A proposta de pagamento foi barrada por Silveira, enquanto Prates preferia ter distribuído 50% do valor, mas foi voto vencido.

… Semana passada, Prates também teria se desentendido com o presidente do TCU, Bruno Dantas, devido à auditoria sobre o contrato da Petrobras com a fabricante de fertilizantes Unigel, na Bahia e Sergipe.

… De acordo com o TCU, o negócio pode causar prejuízo de R$ 500 milhões à companhia se for adiante.

… No final de março, os técnicos do tribunal pediram ao ministro Benjamin Zymler autorização para investigar a possibilidade de fraude na governança da empresa. Prates não gostou de ver a auditoria exposta publicamente.

… Segundo Malu Gaspar, em dura troca de mensagens com o presidente do TCU, Prates acusou os auditores do tribunal de vazarem informações para difamar a Petrobras. Irritado, Dantas fez chegar a Lula o conteúdo da briga.

… A provável troca de Prates por Mercadante deve promover ao BNDES um velho conhecido do PT. O mais cotado para assumir é o ex-ministro Nelson Barbosa, que comandou o Planejamento em 2015 e a Fazenda entre 2015/2016.

GALÍPOLO – Em palestra ontem à noite na Necton, o diretor de Política Monetária, Gabriel Galípolo, e o nome mais forte cogitado para a sucessão de Campos Neto, deu mostras de que está fechado com o presidente do Banco Central.

… Afirmando que não viu divergências na última reunião do Copom, disse que o fim do guidance só ocorreu para o BC ganhar graus de liberdade em função das incertezas, “que aumentaram, mas não a ponto de mudar nossa trajetória”.

… Segundo ele, o pensamento do Copom sobre o ritmo e o orçamento (ajuste total) do ciclo de queda não foi alterado.

… Galípolo falou em desinflação mais lenta e admitiu preocupações com a relação da inflação de serviços e do emprego forte, embora tenha ressalvado que essa conexão não é clara, como disse RCN em evento do Bradesco BBI, nesta semana.

… Sobre o cenário externo, concordou que o momento do corte de juros nos EUA também é um fator adicional de incertezas.

… Foi firme como o chefe tem sido ao defender a meta de inflação: “Não se flexibiliza o compromisso com a meta, a meta é de 3%.”

… Por fim, Galípolo disse que não vê a fala de Campos Neto como um desejo de antecipar a sucessão, mas como um alerta sobre uma questão técnica, que é garantir a sabatina do novo escolhido para o BC ainda neste ano.

MAIS AGENDA – O pior déficit primário da série histórica do governo central em fevereiro (R$ 58,444 bi) deve acentuar o saldo negativo do setor público consolidado no mês para R$ 49 bi, na mediana de pesquisa Broadcast.

… Às 8h, sai o IGP-DI, que tem previsão de queda de 0,39% em março, praticamente igual a fevereiro (-0,41%).

PAYROLL – A previsão é de que os EUA tenham criado 200 mil vagas de trabalho em março, abaixo de fevereiro (275 mil). A taxa de desemprego deve se manter em 3,9% e o salário médio por hora tem estimativa de alta de 0,3%.

… Às 14h, a Baker Hughes informa os poços de petróleo em operação. Às 16h, sai o crédito ao consumidor em fevereiro. No Fed, falam Susan Collins (9h30), Thomas Barkin (10h15), Lorie Logan (12h) e Michelle Bowman (13h35).

MONTANHA-RUSSA – O pregão de ontem no Ibovespa não foi para amadores, sob a intensa volatilidade de todo o barulho em torno da Petrobras e também do Fed, com Kashkari não descartando zero corte (sorte que ele não vota).

… Antes de ser abatido pelas más notícias do dia, o Ibov chegou a subir 1,8%, acima dos 129 mil pontos. Contudo, fechou próximo da mínima, em 127.427,53 (+0,09%). Petrobras movimentou um quarto de todo o giro (R$ 31,1 bi).

… Vale (-1,11%; R$ 60,37) acompanhou a queda de 1,81% do minério em Cingapura, com a China fechada para feriado. A notícia da suspensão da liminar que permitia à mineradora operar a mina de Onça Puma também pesou.

… Entre os grandes bancos, só Itaú registrou queda (-1,32%, a R$ 32,79). BB teve alta de 0,67% (R$ 56,77), Bradesco ON, +0,23% (R$ 12,95); Bradesco PN, +0,62% (R$ 14,56); e Santander unit, +2,46% (R$ 28,71).

… Magazine Luiza (+4,73%; R$ 1,77), Alpargatas (+3,84%; R$ 9,74) e TIM (+3,16%; R$ 18,60) encabeçaram as altas.

… Na outra ponta, ficaram Casas Bahia (-4,37%; R$ 6,78); Arezzo (-2,93%; R$ 57,03) e Grupo Pão de Açúcar (-2,49%; R$ 2,74).

… O dólar voltou aos R$ 5,05 depois de Kashkari alertar sobre a chance de os juros não caírem nos EUA neste ano. A escalada de tensão entre Israel e Irã também fez investidores buscarem alguma proteção na moeda.

… O dólar à vista fechou em leve alta de 0,20%, a R$ 5,0507, perto da máxima do dia (R$ 5,0537).

… Fator que vem sustentando o real nos últimos tempos, o superávit da balança comercial pode ficar bem aquém do projetado no início do ano.

… Com a quebra da safra e a baixa nos preços de algumas commodities, o governo reduziu a projeção do saldo comercial do ano a US$ 73,5 bilhões, 22% menos que a estimativa inicial de US$ 94,4 bilhões.

… O valor também é 25% menor que o saldo recorde de 2023, de US$ 98,8 bilhões.

… Nos juros, o mercado iniciou uma queima de prêmios, mas sucumbiu à tensão externa. Também pesaram questões fiscais domésticas e a forte alta do petróleo, que é um elemento de pressão sobre a inflação global.  

… O juro para Jan25 subiu a 9,970% (de 9,957%) e o Jan26, a 9,990% (9,972%). O Jan27 avançou a 10,320% (10,277%); o Jan29, a 10,890% (10,832%); o Jan31, a 11,160% (11,114%); e o Jan33, a 11,270% (11,213%).

MIX NEGATIVO – Dirigentes do Fed que parecem mais preocupados com a inflação que o próprio Powell, a tensão crescente entre Israel e Irã e mais uma disparada nos preços do petróleo derrubaram as bolsas em NY ontem.

… Tudo isso acontecendo na véspera do payroll, algo que já demandaria cautela por si só.

… Os pedidos de auxílio-desemprego (221 mil) acima do esperado (213 mil) animaram o mercado de início, mas depois ficaram em segundo plano.

… Entre os vários Fed boys que falaram ontem, certamente Neel Kashkari (Minneapolis) foi o mais agressivo.

… Foi o primeiro na atual rodada de declarações a sugerir a possibilidade de não haver corte de juro em 2024 e, pior, que uma alta não estaria descartada.

… Kashkari disse que os CPIs de janeiro e fevereiro “foram um pouco preocupantes” e afirmou que, caso a inflação perdure na faixa atual, com a economia forte, questionaria se cortes de juros seriam necessários neste ano.

… Elevação de juros não é o cenário principal do Fed, disse, mas não está oficialmente descartada. Por enquanto, Kashkari vê dois cortes em 2024.

… As bolsas em NY, que já enfraqueciam por causa das tensões no Oriente Médio, viraram de vez após a fala do dirigente. O Dow Jones caiu 1,35% (38.597,30 pontos); o S&P 500, -1,23% (5.147,26); e Nasdaq, -1,40% (16.049,08).

… Nos Treasuries, contudo, pesou mais a ameaça de retaliação do Irã a Israel, que, segundo as agências internacionais, poderia ocorrer em 48 horas. Embaixadas israelenses em todo mundo acionaram alerta para ataques.

… A notícia provocou uma fuga do risco em direção aos títulos dos EUA.

… O retorno da note de 2 anos recuou a 4,633%, de 4,671%, o da note de 10 anos cedeu a 4,302% (4,350%) e o do T-bond de 30 anos caiu a 4,465%, de 4,504%.

… Outros dirigentes do Fed seguiram a linha dura estabelecida nas últimas semanas. Austan Goolsbee (Chicago) disse que se a inflação de habitação não ceder, vai ser difícil chegar à meta de 2%.

… Para ele, também sem voto neste ano, a inflação mais alta de janeiro e fevereiro não deve ser simplesmente descartada como um ruído, ao contrário de Powell, que interpretou as altas como um repique sazonal.

… Loretta Mester (Cleveland) disse que mantém a expectativa por corte de juros no horizonte, assim que a inflação entrar em queda consolidada, o que ainda não é o caso.

… Já Thomas Barkin (Richmond) defendeu a paciência, dizendo que o Fed vai levar o tempo que for preciso para iniciar o corte de juros. Ele e Mester votam no Fomc.

… No câmbio, o dólar zerou as perdas ante alguns pares, mas o índice DXY recuou 0,12%, a 104,121 pontos, puxado pela valorização do iene. A moeda subiu 0,32%, a 151,20/US$.

… Em entrevista a um jornal japonês, Kazuo Ueda disse que há possibilidade de o BoJ elevar juros entre o verão e o outono (julho a dezembro). Para isso, seria necessária maior certeza sobre o alcance da meta de inflação de 2%.

… O euro ficou estável em US$ 1,0837. A ata do BCE e o PPI de março na zona do euro reforçaram a expectativa de corte de juro em junho.

… O índice de inflação ao produtor caiu 1% em fevereiro, ante expectativa de -0,7%. Na ata, o BCE apontou que “as justificativas para considerar cortes de juros estão se fortalecendo”.

… A libra também fechou praticamente estável (-0,08%), a US$ 1,2641.

EM TEMPO… ELETROBRAS confirmou que o STF prorrogou por 90 dias o prazo para que a empresa e o governo cheguem a um acordo em relação à disputa arbitral sobre o poder de votos da União na companhia…

… O governo tem 43% das ações e quer aumentar o número de cadeiras, pois seus votos estão limitados a 10% do capital da Eletrobras.

NEOENERGIA. Conselho aprovou assembleia especial para nova avaliação das ações da Cosern e para determinar o valor da oferta pública de ações (OPA), que visa a conversão de registro da companhia da categoria A para B.

ENERGISA. O BNDES reduziu sua participação na companhia de 5,23% para 4,98%, equivalente a 44.153.967 ações ordinárias. 

PETRORECONCAVO. Produção média em março caiu 2% em relação a fevereiro, para 25.645 barris de óleo por dia (boe/dia), devido ao aumento no volume de chuvas, que causou múltiplas interrupções nas redes elétricas.

ENAUTA. Produção total em março alcançou 745,3 mil barris de óleo equivalente (boe), queda de 11% contra fevereiro…

… A empresa informou que a Queiroz Galvão transferiu participação de 26,2% do total de ações para o Bradesco, que se torna agora o maior acionista, seguido por Jive Investments, com 15,5%.

WILSON SONS. Empresa de logística portuária movimentou 103,9 mil contêineres em março, alta anual de 19,6%.

TELEFÔNICA. Pagará no dia 10/07/2024 aos acionistas o valor de R$ 0,90766944153/ON após encerrado o prazo para oposição de credores à redução de capital aprovada em Assembleia Geral Extraordinária em janeiro…

… Será considerada a base acionária de 10/04 e, após essa data, as ações serão consideradas ex-direitos da restituição.

EVEN. Concluiu o programa de recompra de ações, tendo adquirido 2 milhões de ON, que corresponderam a 100%.

MOVIDA. Confirmou ontem à noite que sua subsidiária financeira Movida Europe precificou a emissão de títulos da dívida no mercado internacional no valor total de R$ 500 milhões, remunerados à 7,850% a.a. e com vencimento em 11/04/2029.

LOCALIZA. Conselho aprovou a 39ª emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, de espécie quirografária, com garantia fidejussória adicional da Localiza Rent a Car, no valor de R$ 3,250 bilhões.

SMARTFIT. Conselho da rede de academias aprovou a 9ª emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, de espécie quirografária, em até duas séries, no valor de R$ 1,2 bilhão.

GOL. Conselho de administração aprovou, em reunião no dia 26/03, o aumento de R$ 2,92 milhões do capital da companhia, com emissão de 1.113.917 ações preferenciais, a R$ 2,62/ação. O capital social passará a R$ 4,2 bilhões, dividido em 3,2 bilhões de ações.

VENTURA. CEO da área de private banking do Citibank na América Latina, Eduardo Ventura deixa a instituição para assumir a divisão de ultra high do Bradesco Global Private Bank, reportando-se a Leandro Karam.

AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!

*com a colaboração da equipe do BDM Online

AVISO – Bom Dia Mercado, produzido pela Mídia Briefing, não pode ser copiado e/ou redistribuído.

Câmbio monitora agenda

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*

[04/04/24]

… Sete Fed boys falam hoje, um dia antes do payroll e um dia depois de Powell ter repetido o que havia dito na Sexta-Feira Santa, que vê riscos tanto em corte de juros prematuro quanto em relaxamento tardio. Apesar de o comentário não ter sido novidade, parte do mercado fez uma leitura de alívio, já que o presidente do Fed não veio mais hawkish, mesmo com os últimos indicadores fortes de atividade. As incertezas sobre o início do ciclo de corte do juro, porém, persistem. Em momento de pressão do dólar, a agenda doméstica pode influenciar o câmbio, com os dados de fevereiro das contas externas (8h30), fluxo semanal (14h30) e balança comercial de março (15h), que deve apontar superávit de US$ 6,950 bilhões, ainda forte, apesar da safra menor de soja.

… Os saldos comerciais expressivos vêm ajudando a moderar o déficit em c/c, com previsão de US$ 3,30 bilhões em fevereiro, na mediana de pesquisa Broadcast. As estimativas, todas negativas, vão de US$ 4,7 bi a US$ 2,1 bi.

… Para o Investimento Direto no País (IDP), analistas projetam entrada líquida de US$ 6,900 bilhões.

… O dólar voltou a sofrer ontem picos de estresse, operando na faixa de R$ 5,09 na máxima, antes de aliviar.

… Em evento, Campos Neto confirmou que o leilão extra de swap promovido pelo BC esta semana foi para atender a demanda do vencimento da NTN-A. “Não teve nada a ver com a variação do câmbio, que é flutuante.”

… Confiante, disse que o Brasil tem um volume de reservas “bastante razoável” comparado a outros países da América Latina e aos emergentes em geral, e que o diferencial de juros ainda continua “bastante favorável”.

… Apesar da solidez, ele reconheceu que, se os EUA não cortarem o juro em junho, deve haver reprecificação do mercado e avaliou que o CPI dos EUA que será divulgado na semana que vem (4ªF) pode ser decisivo para o Fed.

… No cenário doméstico para o Copom, disse que as surpresas positivas com o PIB não necessariamente significam pressão inflacionária e que a resiliência dos serviços não indicam que a desinflação está interrompida.

… Mas alertou sobre a conexão entre serviços e mão de obra e aproveitou para mandar um recado a seu sucessor no comando do BC: o mais importante para quem sentar na cadeira é ter firmeza e saber dizer não.

… Ao BDM, o sócio da JFTrust Investimentos, Eduardo Velho, avaliou que o crédito e a massa salarial esvaziam a chance de desaceleração sazonal da inflação de serviços e que o Fed surge como desafio para a Selic terminal.

… Como o próprio Campos Neto sinalizou, se o Fed demorar mais para cortar o juro, também o Copom poderá ser obrigado a assumir uma postura mais cautelosa na política monetária, refreando o ritmo de queda da Selic.

… “Nesse cenário hipotético, avaliamos que o mercado deve ajustar a mediana da taxa terminal para 9,5%, ou mesmo para 9,75%”, disse Velho, apontando ainda as previsões de IPCA superior à meta central de 3% até 2026.

… Para o economista-chefe do Banco Pine, Cristiano Oliveira, a alta recente do CDS de 5 anos do Brasil (12% em um mês) reflete a dúvida sobre os próximos passos do Fed, que “exporta volatilidade para todos os ativos”.

O INFERNO DE PRATES – O presidente da Petrobras pediu uma conversa definitiva com Lula sobre a sua permanência no cargo, depois que os ataques contra ele dentro do próprio governo se intensificaram.

… Contra o fogo amigo que vem sofrendo, Prates tomou a iniciativa definir de uma vez por todas a sua situação na estatal, expondo a Lula as conquistas e os problemas de sua gestão, informa Mônica Bergamo, na Folha.

… Ontem, o ministro Alexandre Silveira (MME) admitiu conflitos com o presidente da Petrobras, mas afirmou que a divergência é “salutar”. Já Rui Costa estaria sondando candidatos que poderiam comandar a empresa.

NÃO LARGA O OSSO – A AGU protocolou pedido ao STF para prorrogar por 90 dias o prazo para a tentativa de conciliação com a Eletrobras no âmbito de ação que pede maior poder do governo sobre a empresa (Broadcast).

… O deadline inicial vence 2ªF. A ação foi ajuizada em maio pela AGU para questionar a limitação do poder de voto da União a 10%. O governo quer poder proporcional à participação na empresa, que é de 43%.

MAIS AGENDA – Apontado como favorito à vaga de RCN no BC, Galípolo palestra em evento da Necton, em SP, no início da noite de hoje (19h). O diretor de Regulação do BC, Otavio Damaso, fala às 18h, em outro evento.

LÁ FORA – Na bateria de dirigentes do Fed, falam hoje Patrick Harker (10h55), Thomas Barkin (13h15), Austan Goolsbee (13h45), Loretta Mester e Neel Kashkari (15h), Alberto Musalem (20h20) e Adriana Kugler (20h30).

… Entre os indicadores econômicos nos EUA, às 9h30, o auxílio-desemprego tem estimativa de queda de mil pedidos, para 209 mil, e a balança comercial deve registrar déficit de US$ 67,0 bilhões em fevereiro.

… A ata do BCE será divulgada às 8h30. Antes, saem na zona do euro a inflação do PPI de fevereiro (6h) e o PMI/S&P Global composto de março (5h), que será informado ainda na Alemanha (4h55) e Reino Unido (5h30).

PATINHO FEIO – Os números não mentem sobre como o Brasil está perdendo a preferência dos investidores estrangeiros. No acumulado do ano, a fuga de capital externo da B3 já se aproxima de R$ 25 bilhões.

… Gestores ouvidos pelo Broadcast em evento do Bradesco BBI dizem que o País está ficando para trás, com participação cada vez menor nas carteiras dos fundos internacionais que investem nos mercados emergentes.

… “O Brasil, que poderia ser uma estrela, está ficando sem narrativa”, afirma Leonardo Linhares (da SPX).

… Para Felipe Campos (da Navi Capital), a situação doméstica fiscal delicada torna o País talvez o mais dependente entre os seus pares do corte de juro do Fed para recuperar o fluxo de capital.

… Segundo ele, além dos ruídos nas contas públicas, o governo “passou do ponto” com os episódios de interferência na Vale e Petrobras e o resultado é o Brasil cada vez menos representado no portfólio global.

… Some-se a isso ainda a possível frustração com a intensidade de corte da Selic.

… Se o BC vai reduzir o ritmo dos cortes, nem seus diretores têm muita clareza disso, segundo Paulo Picchetti.

… Em entrevista ao Broadcast, o diretor de Assuntos Internacionais e Gestão de Riscos Corporativos do BC afirmou que a mudança do guidance dá maior flexibilidade e pode ajudar o juro a chegar a menor nível no fim do ciclo.

… A ideia é “ir devagar para chegar mais longe”, disse. Seja como for, as revisões em alta para a Selic terminal prosseguem. Ontem, o Santander Asset elevou a projeção de 8,5% para 9% e o UBS BB subiu de 8% para 8,5%.

… No mercado, o pé atrás do capital gringo rebate no câmbio e ontem ainda teve minério de ferro em queda expressiva e o efeito ADP (abaixo) para levar o dólar para mais perto de R$ 5,10 na máxima do dia (R$ 5,0918).

… Depois, a moeda virou e fechou com queda moderada de 0,35%, a R$ 5,0405, acompanhando a perda de terreno do dólar no exterior após as declarações de Powell.

… Entre os DIs, o movimento foi parecido ao da moeda. Os vencimentos mais longos chegaram a subir em torno de 10 pb depois do relatório da ADP, mas cederam depois de Powell manter viva a aposta de 3 cortes de juro pelo Fed.

… O alívio não foi suficiente para as taxas virarem para baixo, como ocorreu com os Treasuries. Por aqui, o fiscal pesa, com a expectativa de revisão das metas de primário e atritos entre o governo e Legislativo.

… A queda de 0,3% na produção industrial de fevereiro ante janeiro, segundo o IBGE, contra uma expectativa de alta de 0,3%, não chegou a influenciar o mercado. O PicPay elevou a aposta do PIB do ano de 1,8% para 2,0%.

… O juro para Jan25 subiu a 9,960% (de 9,947%). O DI Jan26 avançou a 9,980% (9,968%). O Jan27, a 10,285% (10,263%); o Jan29, a 10,845% (10,814%); o Jan31, a 11,120% (11,081%); e o Jan33, a 11,220% (11,180%).

NÃO DECOLOU – No mercado de ações, o Ibov até esboçou melhora no meio da tarde, mas com a baixa nas blue chips e nas ações sensíveis a juros fechou em queda de 0,18%, aos 127.318,39 pontos, com giro de R$ 22,0 bilhões.

… Vale (-1,44%; R$ 61,05) sentiu o tombo de 2,54% do minério de ferro em Dalian. Em Qingdao (China), a tonelada foi negociada abaixo de US$ 100 pela primeira vez desde maio de 2023.

… Já a Petrobras não teve força para seguir mais uma sessão de alta no Brent (+0,48%), em meio a novos ruídos sobre troca do comando da estatal.

… Voltaram a circular nos bastidores novos nomes para possível substituição de Prates, entre os quais Bruno Moretti e Magda Chambriard. Petrobras ON caiu 0,78%, a R$ 39,30; e PN cedeu 0,52%, a R$ 38,42.

… Outro ponto de atenção é a defasagem dos preços praticados pela petroleira ante o mercado externo.

… Segundo a Warren Investimentos, a diferença chegou a 19% na gasolina ontem, diante da alta dos preços do petróleo e da depreciação cambial. Na média dos últimos 30 dias, a defasagem está em 16%.

… A gestora observa que cada 10% de alta do preço da gasolina nas refinarias eleva em 0,18 pp a projeção para o IPCA de abril, que está em 0,36%.

… Grandes bancos terminaram o dia sem direção única. Itaú Unibanco caiu 0,75% (R$ 33,23), enquanto Bradesco PN (+1,97%; R$ 14,47) e Banco do Brasil (+0,39%; R$ 56,39) ficaram no azul.

… PetroRecôncavo (+4,60%; R$ 22,04) ficou entre as maiores altas com a notícia de que a 3R (+3,78%; R$ 34,60) ainda mantém interesse em retomar as conversas com a empresa, apesar das negociações com a Enauta (+2,53%).

 … Na ponta negativa do índice, houve uma concentração de empresas de vestuário, educação e construção.

… Na lista: Soma (-6,85%; R$ 6,93), Arezzo (-6,18%; R$ 58,75), Cogna (-5,53%; R$ 2,22), Yduqs (-4,05%; R$ 16,84), Eztec (-5,11%; R$ 15,40) e MRV (-3,53%; R$ 7,37).

DÉJÀ VU – Depois da recente rodada de indicadores econômicos fortes, Powell manteve a linha e repetiu a mensagem de que deve haver redução de juro “em algum momento” este ano, a depender dos dados.

… Também reiterou que as leituras mais recentes de inflação “não mudaram materialmente” o quadro geral de desaceleração dos preços, mas que ainda é preciso ter confiança de que a meta de 2% será alcançada.

… Para um mercado que anda arisco a qualquer sugestão de maior conservadorismo do Fed, o bis nas declarações foi recebido com certo alívio.

… Porém, não ajudou as bolsas em NY a terem uma alta mais firme num dia de dados mistos, mas em geral bons na economia americana.

… O S&P 500 teve alta tímida de 0,11% (5.211,59 pontos) e o Nasdaq ganhou 0,23% (16.277,46).

… Na terceira baixa consecutiva, o Dow Jones perdeu 0,11% (39.127,21), desta vez puxado pela Intel (-8%). A empresa informou na véspera resultados ruins em sua divisão de semicondutores.

… Nos Treasuries, primeiro houve um susto com os fortes números do emprego privado. Depois, as declarações de Powell e dados do setor de serviços ajudaram a aliviar as taxas.

… O retorno da note de 2 anos recuou a 4,671% (de 4,693%) e o da note de 10 cedeu a 4,346% (4,356%). Mas o juro do T-bond de 30 anos seguiu em alta, a 4,503% (4,499%).

… A ADP informou que o setor privado criou 184 mil vagas em março, bem acima da previsão de 150 mil. O dado de fevereiro foi revisado de 140 mil para 155 mil.

… Embora o relatório da ADP não tenha mais tanta correlação com o payroll, os números colocaram uma pulga atrás da orelha para o dado oficial do mercado de trabalho que será divulgado amanhã.

… Já o PMI de serviços dos EUA medido pelo ISM caiu a 51,4 em março, de 52,6 em fevereiro e expectativa de 52,5. O setor continuou a crescer, mas menos.

 … Entre os diversos dirigentes do Fed que falaram na 4ªF, Raphael Bostic (Atlanta) voltou a dizer que espera apenas um corte de juro em 2024, e no 4Tri.

… Adriana Kugler disse que o Fed deve cortar juros neste ano, mas não falou sobre prazos e tamanho da redução.

 … Nada que desse força ao dólar. O índice DXY cedeu 0,54%, a 104,249 pontos.

… Mesmo com o CPI (2,4%) da zona do euro abaixo do esperado (2,6%) em março, o euro subiu 0,64%, a US$ 1,0836.

… Dois dirigentes do BCE voltaram a falar em junho como chance do primeiro corte de juros. Robert Holzmann disse que “em princípio” não se opõe a esse timing. Pablo Hernández de Cos afirmou que “parece uma boa referência”.

… A libra teve alta de 0,58%, a US$ 1,2651. O iene caiu 0,07%, a 151,68/US$.

EM TEMPO… VALE está em negociações avançadas com o Ministério dos Transportes sobre os contratos de concessões ferroviárias para otimizar os planos de investimentos dos contratos de Concessão da Estrada de Ferro Carajás e da Estrada de Ferro Vitória a Minas…

… Segundo antecipou no início de março o ministro Renan Filho, o governo estaria próximo de alcançar um acordo com a mineradora pela cobrança de R$ 25,7 bilhões em outorgas não pagas na renovação antecipada dos contratos das suas ferrovias.

PETROBRAS. Minoritários pediram substituição de dois candidatos para vaga no Conselho Fiscal. Novos nomes indicados são Ronaldo Dias e Ricardo Martins Gimenez.

AEGEA. Maior empresa privada de saneamento básico está montando um consórcio em parceria com fundos de investimentos para comprar 15% da Sabesp e se tornar acionista de referência, informou o CEOI, Radamés Casseb, em evento do Bradesco BBI.

BTG PACTUAL confirmou a emissão de US$ 500 milhões em senior notes.

CAIXA. Iniciará em 8 de abril as contratações de financiamento imobiliário que contam com complemento do FGTS Futuro, para garantir a compra de imóveis novos e usados do Minha Casa, Minha Vida a trabalhadores com renda mensal de até R$ 2.640.

BANCO DO BRASIL. Começará a enviar alertas de oportunidades de ações negociadas na B3 para todos os seus clientes do Estratégia Radar BB (que permite realizar ordens de compra e venda de ativos), com base em análises do BB Investimentos.

VOA BRASIL. Ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, disse que o programa, que prevê passagens aéreas a um custo inferior a R$ 200, começará a operar ainda neste mês de abril, após sucessos adiamentos.

SANTOS BRASIL. Movimentou 339,4 mil contêineres no 1Tri, alta de 29,3% sobre o 1Tri/23; só em março, o crescimento anual foi de 28,9%.

ODONTOPREV. Aprovou em assembleia o pagamento de R$ 427,2 milhões em dividendos (R$ 0,77/ação) em duas parcelas: a primeira em 21 de agosto e a segunda, em 18 de dezembro. A distribuição será com base na posição acionária de 12 de abril.

KEPLER WEBER. Fará a distribuição de dividendos referentes ao exercício social de 2023 no valor de R$ 74.869.867,30, correspondentes a R$ 0,42356737 por ação ordinária. Ações serão negociadas ex-dividendos a partir desta 5ªF…

… Hoje, assume a presidência da Kepler Werber Bernardo Osborn Gomes Nogueira, com mais de 21 anos de experiência no agronegócio (ex SGS, Monsanto e Bayer). Piero Abbondi continuará como membro do Conselho de Administração.

ELETRONUCLEAR. Alexandre Caporal (ex Enel, Abengoa, Eneva e Neoenergia) assume o cargo de diretor financeiro da estatal; entre os desafios, estão a extensão da vida útil de Angra 1 e a conclusão das obras de Angra 3.

ELETROBRAS. Contrata negociador para fechar o primeiro Acordo Coletivo de Trabalho depois da privatização, com o objetivo de acabar com distorções e adequar a relação trabalhista ao novo perfil de companhia privada.

SERENA ENERGIA. Tarpon reduziu sua participação na companhia de 31,76% (em 27/3) para 19,15% do total do capital social.

GAFISA. MAM Asset Management atingiu participação de 14,89% do capital social.

TESLA avaliará locais na Índia para implantar uma fábrica de carros elétricos de US$ 2 bilhões a US$ 3 bilhões, apurou o Financial Times.

AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!

*com a colaboração da equipe do BDM Online

AVISO – Bom Dia Mercado, produzido pela Mídia Briefing, não pode ser copiado e/ou redistribuído.

Dia tem Powell, emprego nos EUA e ruídos em Brasília

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*

[03/04/24]

… Às vésperas do payroll, sai o relatório ADP de emprego do setor privado em março nos EUA (9h15) e Powell discursa em evento (13h10), depois de ter dito na última 6ªF que só quer cortar o juro quando estiver mais confiante com a inflação. NY já se prepara para o pior, que o ciclo de relaxamento comece mais tarde e dure menos. Aqui, a agenda conta com a produção industrial de fevereiro (9h) e participação de Campos Neto em evento do Bradesco BBI, em SP (10h). Na defensiva, o dólar continua rodando na faixa de R$ 5,05. O BC não chamou outro leilão extra de swap para hoje, mas é provável que ainda entre de novo no câmbio nos próximos dias para suprir demandas técnicas, enquanto o cenário doméstico fiscal rende uma novela atrás da outra.

… A polêmica da vez é a desoneração da folha de pagamento dos municípios, que ameaça estremecer a relação entre o governo e Pacheco, principal aliado de Lula no Congresso, pondo em risco a agenda reformista.

… Causou mal-estar a decisão de Pacheco, tomada dois dias atrás, de derrubar da MP 1.202 o trecho específico da reoneração da alíquota previdenciária de municípios de até cerca de 140 mil habitantes.

… Nos bastidores, a avaliação é de que o movimento do presidente do Congresso dificulta a aprovação do projeto de lei que trata do assunto, apresentado na semana passada, após ter sido negociado junto à Fazenda.

… Haddad reclama ter sido pego de surpresa pela decisão de Pacheco de revogar a reoneração das prefeituras, com impacto fiscal de aproximadamente R$ 10 bi, e defende um pacto entre os Poderes para garantir o ajuste.

… Pacheco disse que “não há nenhum tipo de afronta ou irresponsabilidade fiscal” e nem “necessidade de reação” da Fazenda, já que teria avisado previamente o ministro Padilha, responsável pela articulação política.

… O recado foi dado em um almoço na residência oficial do Senado na semana passada, quando Pacheco avisou que não haveria tempo suficiente para aprovar o projeto de lei que desonera a folha dos municípios.

… Por isso, Pacheco indicou que teria de tomar uma decisão até esta semana caso o governo não fizesse nada para impedir a volta da alíquota previdenciária de 20% para essas prefeituras, com impacto direto nas eleições.

… Desde o final de fevereiro, quando fez um pronunciamento no Senado, Pacheco já havia antecipado publicamente que não permitiria o aumento na alíquota dos municípios pela medida provisória.

… Apesar disso, o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, confirmou que o governo estuda judicializar o tema e recorrer ao STF para manter as alíquotas previdenciárias em 20% e não em 8%.

… A eventual decisão pela via judicial, no entanto, é um risco que terá de ser muito bem calculado politicamente. Lula deve decidir pessoalmente o que fazer, para não criar um desgaste perigoso.

… Os ruídos em torno da reoneração gradual da folha e do Perse são decisivos para o debate da meta fiscal.

… A ministra Simone Tebet chegou a dizer a repórteres ontem que a rediscussão da meta do ano estaria na mesa, mas se corrigiu, afirmando que o alvo fiscal está sendo avaliado mês a mês, com peso especial em maio.

… Até lá, quando sai o segundo relatório bimestral de receitas e despesas, o Planejamento terá uma avaliação mais clara sobre a aprovação de medidas propostas ao Congresso e fará um nova análise do Orçamento.

… Além disso, o Executivo poderá verificar se as receitas estão surpreendendo, a ponto de liberar um crédito de gastos extra para o governo, que pode ser de R$ 15 bilhões ou menor, de R$ 10 bilhões ou R$ 12 bilhões.

… O primeiro relatório bimestral, divulgado no final de março, revelou um déficit de 0,1% do PIB, admitido dentro da banda do arcabouço fiscal. “Lá para maio vamos ter uma visão real do que vai acontecer em 2024″, disse Tebet.

… Em relação a 2025, a ministra disse que a meta de superávit de 0,5% do PIB vai depender, principalmente, das medidas de arrecadação, que devem ser apresentadas hoje pela Receita para o Ministério do Planejamento.

… “Se a conta não der 0,5% do PIB, vamos levar para a JEO (Junta de Execução Orçamentária) decidir o que fazer”, disse. Tebet quer se reunir com sua equipe na 6ªF para que um encontro da JEO seja marcado para semana que vem.

REFORMA TRIBUTÁRIA – Haddad deve encaminhar a regulamentação sobre consumo até dia 15 e prevê que o texto chegue a Lula na próxima semana. O ministro reafirmou que a reforma será neutra em termos de arrecadação.

… “Vejo disposição de Lira e Pacheco para aprovar a regulamentação da reforma tributária neste ano”, disse.

MAIS AGENDA – Reforçando o otimismo com o ritmo da atividade econômica, a produção industrial em fevereiro medida pelo IBGE deve apontar crescimento de 0,3% (mediana no Broadcast), após queda de 1,6% em janeiro.

… O intervalo das projeções do analistas de mercado vai de contração de 0,7% a expansão de 1,5%.

… Às 5h, o IPC-Fipe deve desacelerar para 0,35% em março, contra 0,46% em fevereiro.

… Campos Neto se reúne às 13h30, por videoconferência, com representantes da Fitch Ratings.

LÁ FORA – A aposta para o relatório ADP é de criação de 150 mil vagas de empregos no setor privado em março.  

… Saem ainda o PMI/S&P Global composto (10h45), PMI/ISM de serviços (11h). Além de Powell, falam quatro membros do Fed: Michelle Bowman (10h45), Austan Goolsbee (13h), Michael Barr (14h10) e Adriana Kugler (17h30).

… A Opep+ deve manter os cortes de produção em reunião hoje. Nos EUA, saem os estoques de petróleo do DoE (11h30), com previsão de queda de 1,2 milhão de barris. Na zona do euro, tem a inflação do CPI de março (6h).

… A secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, viaja hoje para a China, onde deve permanecer uma semana, para uma série de reuniões diplomáticas para estreitar as relações comerciais entre os dois países.

… Ontem, Biden e Xi Jinping se falaram por telefone e concordaram em manter comunicações regulares.

CHINA HOJE – O PMI de serviços medido pelo setor privado avançou para 52,7 em março, dentro da previsão.

JAPÃO HOJE – O PMI do setor de serviços medido pela S&P Global avançou de 52,9 em fevereiro para 54,1 em março. O valor ficou abaixo da leitura preliminar, que era de 54,9, mas foi o mais forte desde agosto.

DURO NA QUEDA – Não parece um bom sinal o dólar ter resistido ontem próximo da estabilidade, se existiam pelo menos dois drivers de queda: o leilão extra de US$ 1 bi em swap e o recuo da moeda em escala global.

… O fato de ter destoado do comportamento externo e de o real ter tido a pior performance entre as divisas dos países emergentes dá bandeira de que o câmbio pode estar contaminado por problemas domésticos.

… É verdade que a incerteza do Fed continua impondo estresse. Mas não parece ser só isso.

… Operadores ouvidos pelo Broadcast listam a piora da percepção de riscos domésticos, no ambiente de políticas intervencionistas e risco de populismo fiscal em ano eleitoral e em meio à queda de popularidade de Lula.

… Nem a forte valorização do petróleo e do minério deu fôlego para o real. O dólar à vista fechou em leve baixa de 0,02%, a R$ 5,0583.

… A pressão dos Treasuries longos, que atingiram ao longo do dia os maiores retornos desde novembro passado, diante da percepção de que o Fed pode esperar mais para cortar juros, puxou a curva do DI.

… O juro para Jan25 subiu a 9,945% (de 9,920%). O DI Jan26 avançou a 9,975% (9,930%). O Jan27, a 10,270% (10,218%); o Jan29, a 10,810% (10,743%); o Jan31, a 11,070% (11,012%); e o Jan33, a 11,180% (11,117%).

… No Focus, a mudança do guidance do Copom e o tom do RTI não alteraram as projeções para a Selic (9% em 2024 e 8,50% em 2025) e o IPCA deste ano (3,75%) e do ano que vem (3,51%), ambos acima do centro da meta de 3%.

… A única novidade do levantamento foi o ajuste em alta na expectativa para o PIB deste ano, de 1,85% para 1,89%. Otimista, Haddad disse que o País tem condições de crescer mais para 3,0% ou 2,5% do que para 2,0% ou 1,5%.

… No Ibovespa, se as commodities não ajudaram o dólar, salvaram o índice à vista de um dia ruim. Ignorando a queda das bolsas americanas, o Ibov fechou em alta de 0,44%, aos 127.548 pontos, com giro de R$ 21,4 bilhões.

… Petrobras ON (+2,72%; R$ 39,61) e PN (+2,58%; R$ 38,62) ficaram entre as maiores altas do dia, na esteira da nova disparada do petróleo.

… Pressionado por um combo de fatores (tensão geopolítica, expectativa de que a Opep+ mantenha os cortes de produção e redução de exportações da mexicana Pemex), o Brent/junho subiu 1,72%, a US$ 88,92.

… Vale (+1,18%, a R$ 61,94) pegou carona no salto de 3,09% do minério de ferro na chinesa Dalian.

… Os grandes bancos tiveram ganhos tímidos, depois das fortes quedas da véspera. Itaú Unibanco subiu 0,12% (R$ 33,48), Bradesco PN avançou 0,57% (R$ 14,19) e Banco do Brasil teve alta de 0,16% (R$ 56,17).

… Lojas Renner (+3,80%, a R$ 17,48) liderou as altas após recomendação elevada de venda para compra pelo BofA.

… Na outra ponta do índice, PetroRecôncavo afundou 9,02% (R$ 21,07), após a 3R (+0,73%; R$ 33,34) suspender as negociações de fusão com a empresa, priorizando agora a proposta da Enauta (-11,09%; R$ 25,73).

… Azul (-2,85%; R$ 12,60), Vamos (-2,66%; R$ 8,06) e CSN (-2,48%; R$ 15,33) completaram as maiores baixas.

MAIS É MENOS – Wall Street tem tido um revival do mote “boas notícias são más notícias” neste início de trimestre.

… Novos e bons dados da economia americana mais uma vez reforçaram a percepção dos investidores de que o Fed pode demorar mais para cortar os juros. Mary Daly e Loretta Mester deram mais motivos para esse temor.

… Em discursos ontem, as duas dirigentes do Fed, que votam este ano, disseram achar até razoável o orçamento de três cortes neste ano, mas apontaram para o risco de reduzir as taxas prematuramente.

… Na véspera de mais um discurso de Powell, elas bateram de novo na tecla de que o BC é dependente de dados e por isso não há pressa em reduzir os fed funds.

… Na agenda de dados, o relatório Jolts apontou que os EUA tinham 8,756 milhões de vagas de emprego abertas em fevereiro, pouco mais que os 8,748 milhões em janeiro.

… Apesar de ligeiramente abaixo dos 8,77 milhões esperados, o número é robusto e ratifica a solidez do mercado de trabalho dos EUA.

… Outro dado forte, as encomendas à indústria americana em fevereiro cresceram 1,4% ante janeiro e acima do consenso de +1,0%.

… A combinação de mensagens e dados hawkish afundou as bolsas e fez os juros dos Treasuries de 10 e 30 anos atingirem níveis não vistos desde novembro passado, em 4,40% e 4,54% nas máximas, respectivamente.

… No fim da tarde em NY, os retornos reduziam um pouco a alta com a note de 10 anos subindo a 4,353% (de 4,315%) e o retorno do T-bond de 30 anos a 4,486% (de 4,447%). O juro da note de 2 anos caiu a 4,695% (4,703%).

… Ao longo do dia, a curva dos Treasuries chegou a precificar redução de 65 pb nos juros em 2024, ante os 75 pb sinalizados pelo Fomc em março, com investidores numa posição mais conservadora que o próprio BC americano.

… “Achei que seria difícil para o mercado desafiar o Fed pelo lado hawkish, mas aparentemente ele está disposto a fazê-lo, diante de algumas evidências”, disse Benoit Gerard, estrategista de taxas do Natixis, à Bloomberg.

… Correndo por fora, a forte alta do preço do petróleo nas últimas semanas – com o Brent se aproximando de US$ 90 o barril – se tornou um risco adicional para a inflação global.

… Nas bolsas, o noticiário corporativo também não ajudou. A informação de que as seguradoras do Medicare vão receber um reembolso menor em 2025 derrubou os papéis do setor.

… A ação da UnitedHealth Group, maior seguradora de saúde dos EUA, caiu 6,4%. Seus pares, Humana Inc (-13,4%) e CVS (-7,2%), também foram mal.

… Tesla caiu 4,90% depois de informar queda de 8,5% nas entregas de veículos no 1Tri.

… No fechamento, o Dow Jones caiu 1,00% (39.171,55 pontos); o S&P 500 recuou 0,72% (5.205,90); o Nasdaq perdeu 0,95% (16.240,45).

… Na contramão dos juros, o dólar perdeu terreno ante os rivais, num movimento de realização de lucros. O índice DXY cedeu 0,19%, a 104,816 pontos.

… O euro subiu 0,23%, a US$ 1,0767, apesar da queda do PMI industrial na zona do euro em março (a 46,1) e da desaceleração do CPI da Alemanha, a 2,2% em março, de 2,5% em fevereiro.

… O ING considera que a inflação alemã pode tocar a meta de 2% já em maio e o banco de investimentos Berenberg vê o CPI do país abaixo de 2% no 3Tri deste ano.

… A libra também subiu 0,24%, a US$ 1,2578, apoiada pelo aumento expressivo do PMI industrial do Reino Unido, de 47,5 em fevereiro para 50,3 em março, máxima em 20 meses. O iene ficou estável (+0,05%), em 151,58/US$.

EM TEMPO… A fritura do presidente da PETROBRAS reacende com novos nomes. Começaram a circular, novamente, em Brasília potenciais substitutos a Prates, segundo o Painel SA/Folha

… Entre eles, está Bruno Moretti, hoje Secretário Especial de Análise Governamental da Presidência da República. Assessores do Planalto afirmam que Moretti é uma indicação do ministro Rui Costa…

… Magda Chambriard é outra opção. Engenheira química, ela atuou na Petrobras antes de migrar para a ANP, que ela presidiu entre 2012 e 2016.

ELETROBRAS estuda alternativas para sair da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae), que será privatizada em leilão no próximo dia 19, segundo apurou a Coluna do Broadcast

… A Eletrobras tem 39% do capital da Emae, uma fatia que pode render pelo menos R$ 761 milhões à companhia.

ENEL. Do total de R$ 320,8 milhões de multas aplicadas pela Aneel e Arsep em seis anos, a companhia pagou apenas R$ 59,1 milhões…

… A Enel deve outros R$ 386,2 milhões em compensações financeiras aos consumidores.

COPEL. BlackRock reduziu participação para 4,96% e Radar atingiu fatia de 4,98% das ações PNB.

BRF. Encerrou o programa de recompra de ações anunciado no dia 7/12/23, após ter atingido o número máximo de ações ordinárias a serem adquiridas pela companhia: 14 milhões de sua emissão, que serão mantidas em tesouraria.

MULTIPLAN. Adquiriu participação remanescente de 9% do shopping center ParkJacarepaguá, por R$ 66 milhões.

RUMO. Presidente da Cosan, Nelson Gomes, assume cargo no conselho de administração após renúncia de José Leonardo Martin Pontes.

BELOTI. Grupo agrícola que atua na produção de soja e milho em Mato Grosso entrou com pedido de recuperação judicial.

APROSOJA. Produtor rural Maurício Buffon foi eleito para presidir a Associação Brasileira dos Produtores de Soja no triênio 2024/2027.

ANTAQ. Agência Nacional de Transportes Aquaviários publicou aviso de leilão de concessão de seis terminais portuários a ser realizado no dia 23 de maio, na B3. O valor total a ser investido soma R$ 89,7 milhões, por um prazo de dez anos.

INTEL. Unidade de fabricação de chips ampliou o prejuízo operacional de US$ 5,2 bilhões em 2022 para R$ 7 bilhões em 2023, segundo documento protocolado na SEC. No after hours em NY, a ação caiu 4,16%.

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AVISO – Bom Dia Mercado, produzido pela Mídia Briefing, não pode ser copiado e/ou redistribuído.