Semana tem superquarta com reuniões do BoJ, Fed e Copom
Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*
[29/07/24]
… A semana reserva grande expectativa pelas três principais reuniões de política monetária: Fed, Copom e BoJ na 4ªF, além da reunião do BoE inglês (5ªF). O BoJ está sob crescente pressão para subir o juro, o que ampliaria o rali do iene e pioraria tudo para o real. Em NY, investidores estão apreensivos com os balanços de mais quatro high techs: Microsoft, Meta, Apple, Amazon, que podem trazer nova onda de estresse. A agenda nos EUA ainda tem vários indicadores do mercado de trabalho, incluindo o payroll. Aqui a semana começa com déficit do setor público (8h30), enquanto o mercado espera pelo detalhamento do corte de R$ 15 bilhões nos gastos públicos, em decreto previsto para amanhã. No calendário corporativo, resultados de Gerdau e Ambev, e o relatório de produção da Petrobras, hoje à noite.
… Ainda existe dúvida se o BC japonês realmente optará por um novo aperto esta semana, mas, segundo a Reuters, comenta-se que, no mínimo, vai detalhar um plano para cortar à metade as compras de bônus nos próximos anos.
… O governo de Tóquio estaria desconfortável com o ritmo lento da normalização da política monetária.
… Quanto ao Fed, o consenso entre economistas entrevistados pela Bloomberg é de que já deve deixar engatilhada uma sinalização no encontro de 4ªF para o início do ciclo de relaxamento monetário em setembro.
… O Fomc deve usar o comunicado ou a coletiva de Powell para confirmar a aposta mais do que consolidada de que está chegando a hora da flexibilização. Na 6ªF, o PCE sob controle só confirmou esta convicção (abaixo).
… A inflação comportada não só manteve a precificação de início dos cortes de juros os EUA em setembro, na ferramenta de apostas do CME, como conservou a expectativa de redução acumulada de 75pb até o ano acabar.
… Apesar do pivô dovish contratado pelo Fed, o nosso Copom não deve ter a sorte de surfar no alívio do corte de juro nos Estados Unidos, porque tem pelo menos três focos de risco para administrar: dólar, inflação e fiscal.
… É unânime a aposta entre os departamentos econômicos das grandes instituições financeiras de que a Selic vai continuar estável em 10,50% na superquarta. Mas é muito provável também que o Copom endureça o tom.
… Nos esforços para assegurar a credibilidade, o BC deve preferir adotar uma comunicação conservadora de que o cenário se deteriorou desde a última reunião e que está disposto a reagir contra a piora no quadro econômico.
… Com o recado, o Copom pode deixar uma carta na manga para subir a Selic mais à frente, se necessário.
… Embora esta perspectiva de retomada do aperto monetário não seja cogitada no cenário-base dos analistas, a curva do DI já anda especulando com o risco crescente de o BC reverter a sua estratégia em algum momento.
… A escalada recente do dólar para até R$ 5,70 exige ajustes de linguagem no comunicado do Copom, que até agora tem utilizado uma taxa de câmbio bem menos pressionada, de R$ 5,30, nos seus cenários de referência.
… Cada vez mais depreciado, o real bate diretamente nas expectativas de inflação, que seguem desancoradas e, junto com os desafios fiscais, contribuem para manter no radar a ameaça de uma alta da Selic no curto prazo.
… Na semana passada, o IPCA-15 de julho (+0,30%) subiu mais do que o mercado esperava (0,23%) e mostrou aceleração da média dos núcleos e dos serviços subjacentes, que são acompanhados bastante de perto pelo BC.
… A frustração com o indicador da prévia de inflação pode ser refletida hoje no levantamento Focus (8h25), que semana passada havia dado uma sinalização favorável, com pausa na sequência de altas da mediana do IPCA/25.
… De última hora, na tarde de 6ªF, a Aneel anunciou que vai acionar a bandeira verde para as contas de luz em agosto, contrariando a expectativa do mercado financeiro, de que a bandeira amarela persistiria.
… A surpresa positiva pode aliviar em até 11 pontos-base o IPCA de agosto, segundo os cálculos da economista Andréa Angelo (Warren Investimentos), mas não muda as expectativas para a inflação no acumulado do ano.
… Na Terra Investimentos, Homero Guizzo projeta a volta da cobrança da bandeira amarela em dezembro.
MAIS AGENDA – Pelo lado da inflação, amanhã (3ªF), o IGP-M deve desacelerar para 0,47% em julho (mediana das apostas de pesquisa Broadcast), após alta de 0,81% em junho. Na 5ªF, sai o IPC-S fechado do mês e, na 6ªF, o IPC-Fipe.
… Já do lado da atividade, tem a produção industrial de junho (6ªF). Ainda o emprego está no foco na semana, com a Pnad contínua (4ªF), além do Caged, amanhã (3ªF), que deve acelerar a criação de vagas para 165 mil (junho).
… No fiscal, sai hoje (8h30) o resultado do setor público consolidado de junho.
… As projeções, todas deficitárias, variam de R$ 104,20 bilhões a R$ 45,0 bilhões, com mediana de R$ 73,90 bilhões.
… O saldo negativo de quase R$ 40 bilhões do Governo Central, anunciado na última 6ªF e puxado pelas despesas previdenciárias em junho, deve sustentar a expectativa de déficit no setor público consolidado no período.
… Apesar do resultado negativo, o déficit do Governo Central em junho foi inferior aos R$ 45,0 bilhões verificado no mesmo mês do ano passado, sendo esta melhora de 17,3% reais. Enquanto a receita líquida avançou 5,8%, a despesa teve crescimento de apenas 0,3%.
… Os benefícios previdenciários pagos em junho foram 7% inferiores aos de junho/23, com o adiantamento do calendário do 13º do INSS, mas o Benefício de Prestação Continuada foi 16% maior, por conta da valorização do salário-mínimo e maior número de beneficiários.
… Houve desembolso de R$ 1,3 bilhão em Créditos Extraordinários, sendo R$ 1,1 bilhão relativo à calamidade no RS, e as discricionárias registraram aumento de 26,3%, o que provavelmente se relaciona ao retorno do gasto mínimo da Saúde vinculado a arrecadação.
… A Warren acredita que a meta fiscal será cumprida em seu limite inferior de R$ 28,8 bilhões. Porém, diz que serão necessários cortes adicionais de R$ 13,5 bilhões em gastos discricionários, já que as receitas líquidas devem desacelerar no segundo semestre.
… Ainda nesta 2ªF, o Tesouro divulga o relatório mensal da dívida pública de junho, às 14h30.
MAIS FISCAL – A distribuição dos cortes nos gastos públicos entre os ministérios, que somam R$ 15 bilhões, será informada em decreto presidencial amanhã (3ªF) e detalhada em entrevista coletiva de imprensa da equipe econômica.
… O ministro Rui Costa (Casa Civil) informou a repórteres no Planalto, na 6ªF, que nenhuma pasta escapará do bloqueio de verbas apresentado no último relatório bimestral de receitas e despesas.
… A Folha informou na semana passada que o governo tem apenas R$ 65 bilhões de espaço para cortar de verbas não contingenciadas e que os ministros estavam em “guerra” em Brasília para serem poupados dos bloqueios e contingenciamentos.
… Dentro da operação pente-fino em benefícios para combater fraudes e desvios, o governo informou que vai usar biometria para novos pedidos do BPC a partir de 1º /9 e exigirá o recadastramento dos beneficiários.
… Além disso, nos esforços por uma arrecadação maior, a equipe econômica segue à espera das medidas de compensação à desoneração de iniciativa do Congresso. O SFT prorrogou para 11/9 o deadline para um acordo ser alcançado.
… Mas a Fazenda já trabalha com a possibilidade de não chegar a um acerto com o Senado até este prazo. As incertezas complicam a elaboração do Orçamento/2025, que precisa ser enviado ao Legislativo até a próxima 5ªF.
LULA – Em um pronunciamento de sete minutos em cadeia de rádio e televisão, o presidente Lula fez ontem à noite um balanço de seu governo, que completa um ano e meio, quando defendeu enfaticamente o seu compromisso com a responsabilidade fiscal.
… Lula disse que aprendeu com sua mãe, dona Lindu, que não pode gastar mais do que ganha.
BALANÇOS – Semana tem entre os destaques a 3R Petroleum (amanhã, 3ªF), Gerdau (4ªF), Ambev, Cielo e Eztec (5ªF). Hoje, depois do fechamento dos mercados, a CCR e a Telefônica Brasil (Vivo) divulgam resultados.
… Também na noite desta 2ªF, a Petrobras informa seu relatório de produção. O balanço da empresa sai só dia 8/8.
SETE MAGNIFÍCAS – Nos EUA, vêm aí Microsoft (amanhã, 3ªF), Meta (4ªF), Apple e Amazon (5ªF), depois de a decepção com os números da Tesla e da Alphabet ter levantado a lebre de estouro da bolha de tecnologia.
… Hoje, antes da abertura dos negócios, o mercado tem para conferir o balanço trimestral do McDonald´s.
AGENDA LÁ FORA – Além das reuniões do Fed, BoJ, BoE, o investidor tem pela frente o payroll de julho (6ªF). Outro termômetro do mercado de trabalho americano, o relatório Jolts será divulgado amanhã (3ªF). Na 4ªF, tem ADP.
… Na 5ªF, o ritmo da atividade industrial será conferido pelo PMI de julho medido pela S&P Global e pelo ISM.
… Hoje, nos EUA, saem as estimativas de financiamento de reembolso do Tesouro americano, às 16h.
ZONA DO EURO – A leitura preliminar de julho da inflação ao consumidor (CPI) sai na 4ªF e o PIB/2Tri, amanhã (3ªF).
CHINA – Amanhã (3ªF) à noite, vem o PMI composto oficial e, na noite de 4ªF, o PMI/S&P Global industrial de julho.
OPEP – A expectativa é que o cartel mantenha, em reunião na 5ªF, as atuais políticas de produção para o 3Tri.
… Neste domingo, a Ucrânia disse em comunicado que os serviços de segurança de Kiev foram responsáveis por um ataque de drone na região de Kursk, no sul da Rússia, contra um depósito de petróleo usado para atender às necessidades dos militares russos.
VENEZUELA – Ninguém se arriscava a cravar um resultado na eleição presidencial neste domingo, que transcorreu sem incidentes e levou milhares de pessoas às urnas, em um recorde de comparecimento em todos os estados do país.
… A oposição está otimista, acredita que conseguirá derrotar Nicolas Maduro, após 25 anos, mas ontem à noite denunciava restrições para acompanhar a apuração. Não há previsão para a divulgação dos resultados oficiais.
HARRIS VS TRUMP –A vice-presidente Kamala Harris ganhou terreno significativo sobre o ex-presidente Trump nos mercados de apostas eleitorais desde que assumiu o comando da chapa democrata, informou a Fox News.
… O republicano estava neste domingo com 54,6% de chances de vencer a eleição (de 61% em 20/7) e Harris chegou a 39,2% (de 18,2%). Já uma pesquisa eleitoral da AtlasIntel apontou Trump com 50% das intenções de voto e Kamala Harris com 48%.
FICOU NA PROMESSA – Desperdiçando a oportunidade de seguir o alívio externo com a inflação do PCE, o real caiu novamente, prejudicado pela valorização do iene, que provoca o desmonte nas operações de carry trade.
… Em paralelo, também a dinâmica doméstica fiscal frágil ajudou a depreciar o câmbio, diante do déficit primário de quase R$ 40 bilhões em junho. Resistente na faixa de R$ 5,65, o dólar subiu 0,18%, a R$ 5,6579, na 6ªF.
… Terminou a semana com alta acumulada de quase 1%, num período marcado não só pelo rali do iene, como também pela queda dos preços das commodities, diante da expectativa de consumo fraco por causa da China.
… Já a curva do DI ignorou o déficit nas contas públicas e também a pressão do dólar e não perdeu a chance de aproveitar o PCE, que consolida corte de juro pelo Fed em setembro, para devolver prêmio de risco.
… Após os ajustes, o DI/jan25 caiu a 10,755% (de 10,781% na véspera); Jan/26, 11,705% (de 11,762%); Jan/27, 11,955% (de 12,025%); Jan/29, 12,150% (de 12,256%); Jan/31, 12,180% (12,295%); e Jan/33, 12,150% (12,286%).
WELCOME – Pela primeira vez este ano, o Ibovespa pode fechar um mês com fluxo estrangeiro positivo. De quebra, julho pode ainda emplacar o melhor desempenho da série histórica para o mês em entrada da capital estrangeiro.
… Até a última 4ªF, o salto de capital externo estava em R$ 5,37 bilhões. A retomada do apetite dos gringos pelo Brasil, no entanto, ainda é pequena, se comparada às saídas de R$ 34,33 bilhões dos estrangeiros acumuladas no ano.
… Profissionais do mercado ouvidos pelo Broadcast apontam três drivers, em especial, para justificar a volta do interesse em julho: corte do Fed à vista, oferta de privatização da Sabesp e trégua de Lula nos ruídos fiscais.
… “A disparada do dólar a R$ 5,70 convenceu o governo a voltar atrás e moderar o discurso”, observou o economista-chefe da Nova Futura, Nicolas Borsoi. Além disso, ajudou o compromisso com cortes de gastos.
… Embora o estrangeiro ainda não esteja voltando com tudo, o anúncio pelo governo do congelamento de R$ 15 bilhões no Orçamento deste ano e a intenção de cortar R$ 26 bilhões em 2025 contribui para a melhora da percepção fiscal.
… Na 6ªF, o Ibovespa colou no bom humor externo e repercutiu positivamente o balanço da Vale. Primeiro, resgatou os 126 mil pontos e depois foi para a faixa seguinte, fechando em alta firme de 1,22%, aos 127.492,49 pontos.
… O giro somou R$ 22,5 bilhões, próximo das médias recentes. Ação com maior peso individual (12,8%) na carteira teórica do índice à vista, Vale subiu 1,49% (R$ 61,47), repercutindo os dados trimestrais e a alta de 1,5% do minério.
… Sem fôlego, Petrobras ON subiu menos (+0,29%), a R$ 40,85, e PN perdeu 0,11%, a R$ 37,64. Mas foi melhor que o petróleo. O Brent/out caiu 1,36%, a US$ 80,28, antecipando demanda fraca na China, maior importador global.
… Os papéis dos bancos subiram em bloco: Santander (+1,80%; R$ 28,22); Bradesco ON registrou +0,89% (R$ 11,33); Banco do Brasil ON, +0,86% (R$ 27,12); Bradesco PN, +0,81% (R$ 12,45); e Itaú, +0,74% (R$ 34,24).
… JBS saltou 6,72%, a R$ 33,02, depois de ter tido a recomendação elevada para compra pelo JPMorgan, com o preço-alvo subindo de R$ 27 para R$ 37. No pano de fundo, o fim da doença de Newcastle ajudou no otimismo.
… Por outro lado, Usiminas derreteu 23,55% (R$ 6,33). A queda livre foi desencadeada pelo resultado fraco no 2Tri, com um prejuízo líquido de R$ 100 milhões, o que levou a ação a liderar o ranking das piores quedas do dia.
DON´T WORRY, BE HAPPY – NY esqueceu da bolha das techs na 6ªF e foi só alegria com o PCE de junho.
… O indicador dentro do esperado (2,5% no dado cheio e 2,6% no núcleo) manteve em quase 100% no CME a aposta de corte de juro em setembro, embora até lá ainda faltem os dados de inflação de julho e agosto.
… As bolsas deslancharam, os yields dos Treasuries caíram, com a taxa da Note-10 anos furando 4,20% e o retorno do T-Bond-30 voltando à faixa de 4,50%, e o dólar se acomodou em queda, depois do “risco Trump”.
… A única exceção foi o iene (+0,13%, a 153,72/US$), que continuou se valorizando contra a moeda americana e complicando as coisas para o real. O euro avançou 0,10%, a US$ 1,0858, e a libra, +0,14%, a US$ 1,2874.
… Entre os títulos do Tesouro americano, o rendimento da Note de 2 anos caía a 4,386%, de 4,436% na véspera, o de 10 anos recuou para 4,194%, de 4,252%, e o de 30 anos voltou para 4,451%, de 4,496% no dia anterior.
… Em Wall Street, deixando de lado momentaneamente a turbulência do setor de tecnologia, o Nasdaq avançou 1,03%, aos 17.357,88 pontos, o Dow Jones subiu 1,64%, aos 40.589,34 pontos, e o S&P 500, +1,11% (5.459,10).
EM TEMPO… VALE informou que a potencial participação da companhia em qualquer aquisição, desinvestimento, joint venture ou outras oportunidades de negócios é avaliada à luz das suas prioridades estratégicas…
…Posicionamento vem em resposta a rumores sobre possível combinação de negócios com a canadense Teck Resources; segundo a Bloomberg, Anglo American e Vale Base Metals veem a Teck como parceira para fusão.
PETROBRAS vai cumprir todos os requisitos e exigências do Ibama para conseguir a licença ambiental do Ibama para explorar a Margem Equatorial, disse o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (Broadcast)…
… Segundo ele, com a Margem Equatorial, a estatal vai ganhar muito mais valor e poderá investir mais.
ELETROBRAS conversa com o empresário Nelson Tanure para vender sua fatia de 39% da Emae, numa transação estimada em R$ 700 milhões. (Lauro Jardim/O Globo)
ENEVA pagará R$ 150.103.073,47 em dividendos, o equivalente a R$ 0,4505 por ação, com pagamento previsto para 13 de agosto; ex a partir de hoje…
… Companhia realizou a operação de cessão parcial de direitos creditórios, decorrentes da Receita Fixa dos Contratos de Comercialização de Energia no Ambiente Regulado (CCEAR), da Usina Termelétrica Porto de Sergipe I.
SABESP. S&P Global reafirmou classificações de crédito de emissor e nível de emissão em escala global BB e brAAA em escala nacional para a empresa e manteve perspectiva estável…
… BlackRock elevou fatia na empresa para 5,165% do total de ações ON, passando a deter 35.304.942 de papéis.
CARREFOUR anunciou projeções de abertura de lojas do Atacadão até o final do ano…
… Expectativa, que era de 10 a 12 novas lojas, passou para 20, todas conversões de unidades de outros formatos de varejo (12 de hipermercados Carrefour e 8 de supermercados); serão abertas ainda entre 7 e 9 lojas do Sam’s Club.
ZAMP. Acionistas aprovaram aumento do capital de, no mínimo, R$ 268,9 milhões, e no máximo, R$ 450 milhões; operação será feita mediante a emissão de 78.631.580 a 131.578.948 ações ON no valor de R$ 3,42 cada…
… Aumento de capital tem por finalidade a captação de recursos para a expansão orgânica da rede de lojas Burger King e para a aquisição de determinados bens e direitos que integram as operações das lojas Starbucks no Brasil.
TELEFÔNICA atualizou o valor por ação a ser pago de JCP aprovado em 15 de julho, devido às aquisições realizadas pelo programa de recompra de ações da companhia…
… Valor bruto por ação passou de R$ 0,3946 para R$ 0,3956; pagamento será realizado até 30 de abril de 2025, com base na composição acionária de 26 de julho.
SÃO MARTINHO. Citi manteve recomendação neutra para a ação da empresa, mas reduziu preço-alvo de R$ 37 para R$ 34…
… Companhia deve apresentar aumento no volume de cana-de-açúcar processada no 1TRI da temporada 2024/25 em relação ao ano anterior, impulsionado pelo início antecipado da colheita na região Centro-Sul, diz o banco.
GRUPO SBF registrou lucro líquido de R$ 229 milhões no 2TRI, revertendo prejuízo de R$ 33,6 milhões de um ano antes; Ebitda somou R$ 218,5 milhões, avanço de 46,7% na comparação anual.
PCE e contas do Governo Central fecham a semana
Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*
[26/07/24]
… Após o PCE no 2Tri confirmar a desaceleração da inflação nos EUA, sai hoje o índice de junho (9h30), em meio às expectativas unânimes de que o Fed iniciará o corte dos juros em setembro, com mais duas outras quedas até o final do ano. Investidores já esperam receber uma sinalização mais firme no Fomc da próxima semana, na mesma 4ªF da reunião do Copom. Só que aqui, apesar das apostas de estabilidade da Selic, o mercado se prepara para alertas mais conservadores do BC, depois do IPCA-15 acima do esperado, câmbio depreciado e dificuldades do governo para cumprir as metas do arcabouço fiscal. Na agenda doméstica, destaque para as contas do Governo Central no mês de junho (10h30). No noticiário corporativo, repercute na B3 o balanço de Vale. Hoje, sai Usiminas, antes da abertura.
… O resultado de Vale, ontem à noite, ficou 43% acima do previsto, com lucro líquido de US$ 2,769 bilhões no 2Tri e uma alta de 210% na base anual (2Tri/23). Mas o Ebitda ajustado, de US$ 3,993 bilhões, veio 1,5% abaixo do esperado pelos analistas ao Broadcast.
… No after hours em NY, o ADR da mineradora reagiu em alta aos resultados, fechando os negócios a US$ 10,80 (+0,93%).
… Pouco antes do balanço, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, fez duros ataques à Vale, afirmando que o governo brasileiro pode aplicar “medidas e sanções mais duras” para combater a postura “arrogante” da companhia.
… A escalada das críticas segue as pressões do presidente Lula para que a mineradora e seus parceiros fechem acordo para o pagamento das indenizações pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, em 2015.
… Na véspera, Silveira já havia dito que o governo analisa leis e políticas públicas para possíveis medidas contra a Vale, mas sem entrar em detalhes. Segundo a Reuters, essas medidas envolveriam uma possível mudança na legislação sobre mineração no País.
… Já Eletrobras, privatizada há dois anos, deve ceder às pressões do presidente Lula e propor aos acionistas, até o início do mês de agosto, uma mudança no conselho de administração para aumentar o poder de voto da União.
… Segundo o Estadão, a negociação entre a companhia e o governo para encerrar a briga judicial avançou nos últimos dias e a proposta é aumentar o número de cadeiras no conselho de 9 para 10 e entregar três delas à União, que hoje tem apenas uma.
… Em troca, a AGU retiraria uma ação protocolada no STF contra trechos da lei de privatização da Eletrobras.
DÉFICIT MENOR – O mercado projeta um déficit primário de R$ 37,70 bilhões para o Governo Central em junho, na mediana das previsões de pesquisa Broadcast, pouco mais da metade do saldo negativo de maio (R$ 60,983 bilhões) e 16,3% menor do que em junho/23.
… Segundo economistas, as despesas previdenciárias devem puxar o resultado deficitário nesta leitura, mas o bom desempenho das receitas no período tende a moderar o saldo negativo sobre junho do ano passado.
… Nesta 5ªF, a arrecadação federal de junho divulgada pela Receita somou R$ 208,844 bilhões, com aumento de 2,67% na margem (maio) e 11,02% sobre junho/2023. Foi a maior arrecadação da série histórica para junho e a maior para o período até junho.
… Já as desonerações somaram R$ 9,899 bilhões em junho e no acumulado deste ano, R$ 56,246 bilhões.
DIFÍCIL – A Fazenda já trabalha com a possibilidade de não chegar a um acordo com o Congresso sobre as medidas de compensação para a desoneração da folha de pagamentos de empresas e municípios até o prazo prorrogado pelo STF: 11 de setembro.
… Entre as soluções, a equipe econômica diz que não consegue realizar um corte de R$ 25 bilhões, o impacto estimado do benefício.
… As incertezas complicam a elaboração do Orçamento/2025, que precisa ser enviado ao Legislativo até 31 de agosto. O diagnóstico é que o conjunto de medidas propostas pelo Senado não é suficiente para cobrir os custos da desoneração.
… A Fazenda sugeriu completar as medidas com o aumento da CSLL, mas essa opção enfrenta resistências dos parlamentares. Caso não haja acordo no prazo fixado pelo STF, voltam a valer os efeitos da liminar que suspendeu a prorrogação da desoneração até 2027.
MEU PIRÃO PRIMEIRO – A equipe econômica enfrenta ainda dificuldades para executar o congelamento de R$ 15 bilhões anunciados por Haddad para adequar o Orçamento às regras do arcabouço fiscal. O detalhamento está prometido para a próxima 3ªF, dia 30.
… Na Folha, a jornalista Adriana Fernandes apurou que o governo tem apenas R$ 65 bilhões de espaço para cortar, e que ministros estão numa “guerra” em Brasília para ficarem de fora e não serem atingidos pelos bloqueios e contingenciamentos.
… Com quase oito meses do ano já transcorridos, os ministérios já empenharam boa parte das despesas, o que tem dificultado o trabalho de definição das tesouradas. Empenho é o estágio em que o governo se compromete com o pagamento de determinada despesa.
… O valor de R$ 65 bilhões é o total de despesas discricionárias (não obrigatórias) que ainda não foram empenhadas e onde o corte pode ser feito. Esse espaço pode diminuir porque os ministérios estão correndo para empenhar despesas.
… O clima é de apreensão e movimentação nos bastidores da Esplanada dos Ministérios. Ministros têm procurado integrantes da equipe econômica e auxiliares do presidente Lula para defender seus investimentos e evitar os cortes.
… O Planejamento ainda não repassou aos Ministérios os valores dos cortes, o que está previsto para até 2ªF, na véspera da publicação do decreto com os novos limites orçamentários. Antes, esse detalhamento passará pelo crivo de Lula.
IFI – Em entrevista ao Poder360, o diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente do Senado, Marcus Pestana, disse que o governo precisará promover um congelamento adicional de mais R$ 14 bilhões para chegar a um déficit de 0,25% do PIB.
… O cálculo considera que, sem nenhum congelamento, haveria um déficit primário de 0,50% do PIB este ano, excluindo os gastos com o socorro ao RS. O cenário-base da IFI é de um PIB nominal de R$ 11,5 trilhões; 0,25% do PIB equivale a R$ 28,8 bilhões.
MAIS AGENDA – Aqui, o BC divulga a nota de crédito de junho às 8h30. Lula participa às 10h de cerimônia, no Palácio do Planalto, para divulgação dos resultados do novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
LÁ FORA – Nos EUA, as projeções apontam que o núcleo do PCE (indicador de inflação predileto do Fed) deve acelerar de 0,1% em maio para 0,2% em junho, mas o dado anualizado deve perder ritmo, de 2,6% para 2,4%.
… O investidor ainda confere as expectativas inflacionárias de 1 e 5 anos embutidas no sentimento do consumidor (Michigan), às 11h. A Baker Hughes informa às 14h os poços de petróleo em operação.
… O BC da Rússia divulga decisão de política monetária às 7h30.
OFICINA DE VOLATILIDADE – Caro do jeito que está, o dólar se consolida como um canal importante de contaminação das expectativas inflacionárias e já desperta na curva do DI apostas especulativas de alta da Selic.
… Talvez isso seja um exagero. Mas parece bastante provável que o Copom assuma um tom mais agressivo no comunicado da semana que vem, quando poderá citar o câmbio, a inflação e o fiscal no balanço de riscos.
… A curva do DI registrou ontem uma arrancada em todos os trechos. O impulso veio da surpresa do IPCA-15 de julho (+0,30%) acima da previsão (+0,23%). Em 12 meses, a inflação de 4,45% encosta no teto da meta (4,50%).
… Traders se valeram da pressão do indicador para especular que o BC possa desafiar a expectativa unânime entre os economistas de manutenção da política monetária e que resolva subir o juro na próxima 4ªF.
… Este tipo de hedge de última hora é bastante comum às vésperas do Copom contra a aposta de graça (Selic estável). Vale o registro de que a chance de um aperto monetário subiu de 16% para 24% na curva a termo.
… Operadores do mercado financeiro também puxaram nesta 5ªF a estimativa para o juro terminal, de 11,35% para 11,60% no final do ano, segundo cálculos do Banco Bmg veiculados pelo Broadcast.
… Depois do IPCA-15, a Warren Investimentos elevou a projeção de inflação do ano de 4,1% para 4,2%. Já o Bradesco manteve em 4,1%. O Santander e a ASA informaram que devem subir a projeção do IPCA de julho.
… Para o Itaú, como reflexo do câmbio, os preços de serviços e bens industriais devem seguir pressionados.
… Ontem, antes de fechar em leve queda, o dólar se aproximou de R$ 5,70 na máxima (R$ 5,6904). No fechamento (-0,15%, a R$ 5,6478), devolveu só marginalmente o que subiu nos dois pregões anteriores (1,54%).
… Ou seja, continua no high, o que ajudou a pressionar os contratos futuros dos futuros nesta 5ªF.
… O vencimento do DI para Jan/25 subiu a 10,790% (contra 10,683% no pregão anterior), Jan/26, 11,770% (de 11,590%); Jan/27, 12,030% (de 11,840%), Jan/29, 12,230% (de 12,130%); e Jan/31, 12,260% (de 12,180%).
REBOBINANDO – Esticado depois de passar a primeira metade do mês curtindo ganhos em linha reta (11 pregões seguidos em alta), o Ibov agora absorve lucro. Do último pico até aqui, já queimou quase 3,5 mil pontos.
… Furou ontem os 126 mil pontos (125.954,09), fechando em baixa moderada de 0,37%, na terceira queda consecutiva. O volume financeiro de R$ 17,5 bilhões continuou dentro do padrão para lá de inexpressivo.
… A surpresa negativa do IPCA-15 ajudou a compor o ambiente de falta de apetite por risco, que derrubou os bancos e levou a Petrobras a operar descolada da alta do petróleo. Vale operou engessada antes de seu balanço.
… A mineradora fechou estável (-0,05%), cotada a R$ 60,57, e neutralizou o efeito sobre a bolsa do brilho das siderúrgicas: Usiminas, +2,10% (R$ 8,28); Gerdau, +2,06% (R$ 18,32); e Metalúrgica Gerdau, +1,81% (R$ 10,66).
… Na contramão do petróleo, Petrobras ON perdeu 0,42% (R$ 40,73) e Petrobras PN caiu 0,13% (R$ 37,68). Lá fora, o barril da commodity virou para o positivo com a leitura mais forte que a esperada do PIB/2Tri dos EUA.
… O Brent para outubro subiu 0,71%, a US$ 81,39. Mais cedo, havia engatado recuo superior a 1% com a China.
… Ao invés de o investidor ter visto pelo viés positivo o inesperado corte de juro de médio prazo promovido por Pequim durante a madrugada, o mercado interpretou que a iniciativa foi tomada porque a economia vai mal.
… Entre os bancos, Santander recuou 2,43%, a R$ 27,72, entre as piores baixas do Ibov. Bradesco PN caiu 1,59% (R$ 12,35), Bradesco ON cedeu 1,23% (R$ 11,23) e Itaú, -0,44% (R$ 33,99). BB fechou estável (+0,07%; R$ 26,89).
NA CORDA BAMBA – Mesmo após o tombo de quase 4% no dia anterior, o Nasdaq ampliou ontem a queda (-0,93%; 17.181,72 pontos) e ainda o S&P 500 renovou o pior desempenho desde 2022 (-0,51%; 5.399,22 pontos).
… No day after da liquidação das techs, tudo o que o Dow Jones subiu foi 0,20%, fechando em 39.935,07 pontos.
… O índice VIX de volatilidade só conseguiu testar uma reação parcial (+3,27%), depois de ter explodido 22% na véspera, com o pico de estresse em NY, que continua tendo que administrar focos importantes de incerteza.
… Não dá para saber ainda quem vai ganhar a eleição à Casa Branca e nem se a bolha das gigantes de tecnologia já está estourando, no quadro de dúvidas que ofusca o alívio à aposta segura em corte do Fed em setembro.
… Divulgada ontem, a leitura forte do PIB/2Tri dos EUA, de 2,8%, acima da previsão de 2,1%, não abalou a projeção amplamente precificada de que o ciclo de relaxamento monetário vai começar daqui a dois meses.
… Mesmo porque, a inflação trimestral do PCE veio comportada, desacelerando de 3,4% no 1Tri para 2,6%. Se o dado mensal de hoje confirmar a perda de fôlego dos preços, só vai consolidar a percepção do Fed dovish.
… Apesar disso, as taxas curtas dos Treasuries subiram. O movimento, porém, não parece estar associado a qualquer convicção de que o PIB forte encurte o ciclo de queda do juro (o consenso ainda é de -75pb no ano).
… O retorno da Note-2 anos avançou a 4,436%, de 4,424% na véspera, mas o yield de 10 anos caiu para 4,252%, de 4,285%, com o investidor em compasso de espera pelo PCE, dado mais importante da semana nos EUA.
… O iene se acalmou (-0,15%; 153,84/US$), mas chamou a atenção a queda firme da libra (-0,43%; US$ 1,2858).
… Estrategistas do ING entendem que a divisa britânica não é a melhor porta de entrada para os investidores aproveitarem a fraqueza do dólar contra o iene, porque o Banco da Inglaterra (BoE) deve cortar juros em agosto.
… O euro fechou praticamente estável (+0,04%, a US$ 1,0853), assim como o DXY (-0,03%), a 104,355 pontos.
… À margem do G-20, no Rio, o presidente do BC alemão, Joachim Nagel, disse que se os próximos indicadores econômicos não trouxeram surpresas negativas, o BCE poderá cortar mais o juro “em uma ou outra reunião”.
… Ele reconheceu que a “fera da inflação” não assusta mais, mas que a volta à meta de 2% será irregular.
EM TEMPO… VALE vai distribuir R$ 8,940 bilhões em JCP (R$ 2,0937/ação), com pagamento em 4/9; ex em 5/8.
BRASKEM. ADR saltou 2,53% no after hours, após a companhia ter informado que as vendas de produtos químicos no Brasil subiram 3% no 2TRI, na comparação anual, para 627 kton.
MULTIPLAN registrou lucro líquido de R$ 281,7 milhões no 2TRI, alta de 14% na comparação anual; Ebitda somou R$ 389,6 milhões, aumento de 5,5% em relação ao mesmo período de 2023.
JHSF registrou R$ 1,286 milhão em vendas no 2TRI, alta de 16,1% na comparação anual, segundo prévia operacional.
HYPERA registrou lucro de operações continuadas de R$ 491,8 milhões no 2TRI, queda de 2,5% na comparação anual; Ebitda das operações continuadas somou R$ 755 milhões, recuo de 4,5% contra o mesmo período de 2023.
AMERICANAS. Conselho de Administração homologou aumento de capital da companhia, aprovado em AGE em 21/5, com montante total de emissão de R$ 24,46 bilhões…
… Capital social da empresa passou a ser de R$ 39.918.251.652,38.
COTEMINAS. Justiça deferiu pedido de recuperação judicial da companhia.
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*com a colaboração da equipe do BDM Online
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Wall Street liquida techs e iene derruba real
Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*
[25/07/24]
… A China promoveu corte inesperado nas taxas das linhas de empréstimo, três dias após ter reduzido os juros de referência. Resta saber se desta vez vai empolgar. Nos EUA, o PIB/2Tri (9h30) deve desacelerar para 2,1%, na mediana das previsões, após 2,9% no trimestre anterior, mas os investidores em Wall Street estão mais preocupados com os sinais de que a bolha das techs pode ter estourado. S&P 500 e Nasdaq tiveram as maiores quedas em quase dois anos, nesta 4ªF, com uma aguda liquidação das Sete Magníficas depois da decepção com os balanços da Alphabet e Tesla. Aqui, o Ibov se conteve, mas o câmbio foi muito castigado, com o dólar escalando para R$ 5,65, em consequência da forte valorização do iene, moeda de funding para operações de carry trade com o real. Entre os indicadores, são destaques na agenda doméstica os dados do setor externo (8h30), IPCA-15 de julho (9h) e arrecadação de junho (10h30). Após o fechamento, Vale divulga resultado.
… O lucro da mineradora no 2Tri deve mais do que dobrar na comparação com o mesmo período de 2023, segundo estimativa do Prévias Broadcast, que calculou a média das projeções de oito casas: Itaú BBA, Santander, BTG, Citi, XP, BofA, Genial e Ágora.
… Essa média aponta para um lucro de US$ 1,923 bilhão para a Vale, uma alta de 115,6% sobre o mesmo período do ano passado.
… Já as estimativas para o IPCA-15 apontam para uma mediana de 0,23% em julho (pesquisa Broadcast), com desaceleração sobre junho (0,39%), entre o piso de 0,11% e o teto de 0,35%. Em 12 meses, o IPCA-15 deve subir de 4,06% para 4,37% na mediana.
… A normalização da produção de alguns itens após as cheias do Rio Grande do Sul deve permitir o recuo esperado para os alimentos. Já a volta da pressão das passagens aéreas deve conter o movimento, segundo economistas consultados pela Agência Estado.
… Também a média dos núcleos tem expectativa positiva e deve arrefecer para 0,27% (de 0,34% em junho), com desaceleração dos preços livres (0,39% para 0,15%), bens industriais (0,31% para 0,09%) e deflação em alimentação no domicílio (1,13% para -0,41%).
… Sobem os preços administrados (0,40% para 0,47%) e serviços (0,10% para 0,42%). Serviços subjacentes devem repetir junho (0,40%).
… Pouco antes, as contas correntes devem mostrar déficit de US$ 3,3 bilhões em junho, após saldo negativo de US$ 3,4 bilhões em maio. Para o Investimento Direto (IDP), a mediana indica entrada líquida de US$ 3,3 bilhões em junho (de US$ 3,0 bilhões em maio).
… Será o 12º déficit consecutivo mensal das transações correntes, com deterioração sobre junho de 2023 (déficit de US$ 842,1 milhões).
… Nesta 4ªF, o Banco Central informou que o fluxo cambial total na semana passada (15 a 19/7) ficou positivo em US$ 395 milhões, com saídas de US$ 70 milhões pela conta financeira e entradas de US$ 464 milhões pela conta comercial.
… O fluxo total em julho, até dia 19, está negativo em US$ 834 milhões, resultado de saída de US$ 2,139 bilhões pelo financeiro e entrada de US$ 1,304 bilhão pelo comercial. No acumulado do ano, até 19/7, o fluxo total está positivo em US$ 11,438 bilhões.
… Mas, se o PIB nos Estados Unidos não deve influenciar as expectativas de cortes do juro americano a partir de setembro, no Brasil, os riscos também não estão associados à agenda, e sim ao comportamento do câmbio, que pode resgatar pressões inflacionárias.
… O real tem sido atingido em várias frentes, com o fortalecimento do dólar em caso de uma vitória de Trump, diante das dúvidas sobre a demanda da China, que pesa para os países exportadores de commodities, e finalmente, pela valorização do iene.
… O iene é uma das moedas de funding mais utilizadas nas operações de carry trade com o real e a virada na tendência de baixa da divisa japonesa, seja por rumores de intervenção ou expectativa de alta do juro pelo BoJ, leva à desmontagem dessas posições.
… O BC do Japão realiza reunião de política monetária na próxima semana e autoridades têm dado indicações de que podem subir o juro.
… Nesta 4ªF, o dólar caiu mais de 1% ante o iene, negociado na faixa de 153 ienes, enquanto frente ao real, subiu para R$ 5,6562, na pior performance entre as moedas dos emergentes, seguida de perto pelo peso mexicano (leia abaixo).
HADDAD – Em entrevista concedida à GloboNews, ontem à noite, o ministro da Fazenda foi questionado se a alta do dólar poderia levar o Copom a subir a Selic e respondeu fazendo uma firme defesa do esforço do governo para equilibrar as contas públicas.
… Haddad lembrou que a meta de zerar o déficit teria sido alcançada sem problemas se não tivesse havido a frustração com a desoneração da folha de pagamentos das empresas e dos municípios, que tem um impacto em torno de R$ 25 bilhões.
… O ministro disse ainda que, somando os custos do benefício ao setor de eventos (Perse), o impacto se eleva a R$ 40 bilhões. “Eu acredito que o Banco Central vai fazer as contas e entender que estamos fazendo de tudo para conseguir o equilíbrio fiscal.”
… Ele anotou que, além dos desafios internos, há também os desafios externos, com os problemas nos EUA, na China e agora no Japão.
… Outros temas da economia foram tratados por Haddad, como a dívida dos Estados. Segundo Haddad, o indexador da dívida merece uma revisão, porque 4% de juro real (além do IPCA) tornaria a dívida impagável. Mas não antecipou o que seria aceitável.
… Em relação à reforma tributária, o ministro entende que o Senado queira estender o prazo de discussões para a regulamentação, o que pode levar o governo a retirar a urgência do projeto, mas está confiante que seja aprovado até o final do ano.
… Haddad voltou a repetir que a reforma tributária é fundamental para elevar o PIB potencial do Brasil, que hoje está entre 2,5% e 3%.
MAIS HADDAD – No G20, onde Lula lançou uma aliança para a erradicação da fome no mundo, o ministro voltou a defender que os super-ricos paguem mais impostos. Para ele, incluir o pobre no Orçamento é um ótimo investimento em termos econômicos e sociais.
… “Se os bilionários pagassem a taxa, o resultado seria de US$ 200 bilhões a US$ 250 bilhões/ano, cinco vezes mais do que os dez maiores bancos multilaterais dedicaram ao enfrentamento à fome e à pobreza em 2022.”
MAIS AGENDA – O mercado prevê arrecadação federal de R$ 205,550 bilhões em junho (alta anual de 9,3%), na mediana de pesquisa do Broadcast. As estimativas entre analistas variam de R$ 193,70 bilhões a R$ 218,20 bilhões.
… A prévia do IPC-Fipe sai à primeira hora do dia (5h). Hypera e Multiplan divulgam balanços após o fechamento.
LÁ FORA – Nos EUA, o auxílio-desemprego tem previsão de queda de 4 mil pedidos, a 239 mil, e as encomendas de bens duráveis devem subir 0,5% em junho. Os dois indicadores saem às 9h30. Lagarde participa de cúpula às 12h.
AFTER MARKET – As ações da IBM saltaram quase 3%, depois de divulgar lucro líquido de US$ 1,83 bilhão no 2Tri.
CHINA HOJE – Na tentativa de conter a frustração do mercado com os estímulos econômicos pouco agressivos lançados até aqui, o PBoC reduziu a taxa da linha de empréstimo de médio prazo (MLF) de 1 ano de 2,5% para 2,3%.
… A taxa permanecia inalterada desde agosto do ano passado. A mudança pegou os investidores de surpresa, já que os anúncios relacionados às taxas MLF costumam ocorrer na metade de cada mês e não na reta final.
… No último domingo, o PBoC já havia promovido corte inesperado nas taxas de juros de referência para empréstimos de 1 ano e 5 anos, para 3,35% e 3,45%, respectivamente. Mas o alívio foi considerado insuficiente.
EFEITO COLATERAL – Apesar de o petróleo ter testado uma recuperação, o real continuou se depreciando, porque a escalada do iene tem sido protagonista dos negócios, roubando toda a atratividade da nossa moeda.
… O câmbio reflete a reversão observada nas operações de carry trade, que ganham no diferencial de juro. Por muito tempo, foi bem mais vantajoso aplicar no Brasil do que no Japão, que tinha política monetária ultrafrouxa.
… Mas a virada relativamente recente na estratégia do BoJ, que pode continuar subindo o juro na reunião da semana que vem, além dos relatos de intervenção no câmbio para sustentar o iene, têm mudado a dinâmica.
… Não só o real, mas outras moedas têm sofrido com esta alternância de forças no câmbio. O peso mexicano, por exemplo, caiu 1,13% ontem contra o dólar, que por sua vez, subiu 1,25% por aqui, para R$ 5,6562.
… Há três semanas, a divisa americana não ficava tão cara, depois de ter experimentado um alívio recente com a sinalização de Haddad de que Lula autorizou corte de R$ 26 bilhões nas despesas obrigatórias no ano que vem.
… Bem que a curva do DI tentou resistir ontem à pressão do câmbio, mas acabou engatando movimento de alta à tarde, quando não deu mais para ignorar a escalada do dólar e nem o fôlego das taxas dos Treasuries-10 anos.
… O Jan/25 ainda ficou perto dos ajustes, a 10,675% (de 10,680% no pregão anterior), mas o Jan/26 subiu a 11,570% (de 11,510%); Jan/27, 10,820% (de 11,770%), Jan/29, 12,110% (12,080%); e Jan/31, 12,180% (12,160%).
O DRIBLE – Comparado com os tombos das bolsas em NY, o Ibovespa resistiu bravamente, limitando a queda a 0,13%, aos 126.422,73 pontos. O volume financeiro continuou abaixo das médias e somou R$ 18,2 bilhões.
… Se no pregão anterior, as blue chips das commodities sentiram as incertezas sobre a demanda da China, já ontem, foram justamente estas ações que conseguiram conter a contaminação negativa de Wall Street por aqui.
… Na véspera de seu balanço, Vale descolou da queda de 1,65% do minério e avançou 0,61%, a R$ 60,60.
… Já os papéis da Petrobras conseguiram surfar na recuperação do petróleo e capitalizaram ainda a estimativa do Goldman Sachs de que a empresa pode anunciar até US$ 19 bi em dividendos até o 1Tri do ano que vem.
… A ação ON registrou +1,01% (R$ 40,90) e PN, +0,80% (R$ 37,73). O petróleo interrompeu três quedas seguidas, sustentado pelos estoques dos EUA, que caíram menos que o esperado. O Brent/out subiu 0,94%, a US$ 80,82.
… Santander teve alta moderada de 0,35%, apesar do melhor lucro trimestral em quase dois anos (R$ 3,332 bi).
… O tom foi predominantemente negativo entre os papéis dos demais bancos. Bradesco PN fechou estável (+0,08%, a R$ 12,55), mas Bradesco ON caiu 0,18% (R$ 11,37), Itaú PN recuou 0,15% (R$ 34,14) e BB, -0,41% (R$ 26,87).
A PONTA DO ICEBERG? – Logo de largada, a temporada dos balanços das gigantes de tecnologia já acendeu o sinal de alerta sobre o entusiasmo com a Inteligência Artificial, catalisador do rali em Wall Street no primeiro semestre.
… “Os investidores do mercado financeiro estão finalmente acordando para todos esses gastos com IA e percebendo que isso é muito mais uma despesa do que um gerador de receita”, escreveu Peter Boockvar no The Boock Report.
… Reportagem da Bloomberg avalia que o choque de realidade dos resultados frustrantes da Alphabet e Tesla alimenta preocupações de que o frenesi com a IA foi exagerado e serve de gatilho para uma liquidação em NY.
… Em clima de fim de festa, o Nasdaq afundou 3,64%, a 17.342,41 pontos, pior queda porcentual em quase dois anos, desde out/22. O S&P 500 (-2,31%, a 5.427,13 pontos) teve a maior baixa desde dezembro do mesmo ano.
… Também o Dow Jones não escapou do risk-off e perdeu 1,25%, fechando em 39.853,87 pontos. O estresse acentuado levou o índice VIX, “termômetro do medo”, a disparar mais de 22% no fechamento dos negócios.
… Nenhum das “sete magníficas” foi poupada da onda vendedora. Tesla despencou 12,33%; Alphabet derreteu 5,04%; Nvidia levou um tombo de 6,80%; Meta, -5,61%; Microsoft, -3,59%; Apple, -2,88%; e Amazon, -2,99%.
… Diante da aversão a risco, o apelo pelos Treasuries de mais curto prazo aumentou, derrubando o juro da Note de dois anos para 4,424%, de 4,493%. A queda foi atribuída ainda a mais um indicador fraco do setor imobiliário.
… As vendas de casas em junho tiveram recuo inesperado de 0,6%, para o menor nível em sete meses, contrariando a previsão de alta de 2,6%. O dado só reforça a aposta consolidada de corte do juro em setembro.
… Surpreendeu ontem que o ex-Fed William Dudley, notório defensor de juros mais altos por mais tempo, tenha mudado de ideia e recomendado que o ciclo de flexibilização monetária comece na reunião da semana que vem.
… Segundo ele, dados recentes levantam o temor de que a economia esteja caminhando para uma recessão.
… Na ponta mais longa dos Treasuries, a taxa da Note de dez anos ganhou fôlego, a 4,285%, de 4,249%, com os receios de uma política fiscal mais expansionista em caso de vitória de Trump na disputa para a Casa Branca.
… Em meio ao baque nas bolsas em NY, houve fuga ao iene, que tem status defensivo. Mas a arrancada da moeda japonesa não é de hoje, já tem semanas, e leva o índice DXY a acumular queda de quase 1,3% no mês.
… Matéria da agência Reuters informa que, além de avaliar uma alta da taxa de juro na reunião da próxima semana, o BoJ detalhará um plano para reduzir pela metade as suas compras de bônus nos próximos anos.
… O iene (+1,10%) ampliou a alta para 153,96/US$, mas o índice DXY fechou praticamente estável (-0,06%), a 104,391 pontos, porque o euro recuou 0,13%, a US$ 1,0843, reagindo a sinais de atividade fraca no bloco.
… O PMI composto (indústria + serviços) da zona do euro caiu de 50,9 em junho para 50,1 em julho, tocando a mínima em cinco meses e bem próximo da marca de 50,0, que separa expansão de contração econômica.
… No Reino Unido, o mesmo dado veio em 52,7 e superou a previsão de 52,2. Mas não empolgou a libra (-0,03%; US$ 1,2908). A Capital Economics aposta que o BoE inglês relaxará o juro acima do projetado no ano.
EM TEMPO… INTER & CO comunicou a conclusão da aquisição, por sua subsidiária indireta Banco Inter, de 50% do capital social da Granito Instituição de Pagamento, que pertencia ao Banco BMG…
… Aquisição tinha sido anunciada em maio, por R$ 110 milhões; com o fechamento da operação, o Inter se tornou titular de 100% das ações da Granito.
BANCO DO BRASIL iniciou oferta de crédito via Proced 360, programa do governo federal voltado a microempresas e microempreendedores individuais (MEIs).
AES BRASIL. Conselho de Administração aprovou aumento de capital no valor de R$ 24.513.385,05, mediante a emissão de 17.108.039 novas ações ON, ao preço de R$ 1,4328 por papel…
… Dessa forma, o capital social da empresa passará de R$ 1.799.261.667,36, representado por 2.014.441.535 de ações ON, para R$ 1.823.775.052,41, representado por 2.031.549.574 de ações ON.
ENEVA fechou contrato para fornecimento de gás natural com a Copergás (Companhia Pernambucana de Gás) para seus projetos de redes locais, localizadas nos municípios de Petrolina e Garanhuns (PE).
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