Mercado quer saber o que diz a ata sobre a taxa de câmbio

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*

[06/08/24]

… A balança comercial de junho é o único indicador nos EUA, que teve um dia de cão com as suspeitas de que o Fed errou a mão e jogou a economia na recessão. O movimento irracional disparou a busca por ativos de segurança, afundou as bolsas, os yields dos Treasuries e escalou o dólar sobre as moedas dos emergentes, enquanto o iene, franco suíço e euro avançavam. No fechamento, muita gente já falava em exagero. E a julgar pela abertura de Tóquio, com salto de 9%, e festa nos futuros das bolsas de NY nesta 3ªF, as coisas podem se acomodar. Aqui, o balanço do Bradesco salvou o Ibov de queda maior e preparou o terreno para os resultados de Itaú, hoje à noite. O câmbio abandonou as máximas, a tempo de receber a ata do Copom (8h), que deve tratar dessa variável com mais detalhes do que veio no comunicado.

… Mesmo mantendo no balanço de riscos “fatores em ambas as direções”, a “persistente depreciação da taxa de câmbio” foi incluída no texto como um novo vetor altista, junto com a desancoragem das expectativas “por um tempo mais prolongado”.

… Essa dinâmica levou parte do mercado a avaliar que o balanço de riscos do Copom para a inflação tem um viés para cima, ainda que essa assimetria não tenha sido explicitada. E é sobre isso que o mercado vai se debruçar hoje, quando receber a ata.

… Ao Broadcast, o economista-chefe da G5 Partners, Luis Otávio de Souza Leal, disse que a adição dos novos riscos já são bem latentes no momento atual. “Resta entender se esses riscos indicam algum viés para cima ou se teve alguma divergência nessa discussão.”

… O mercado também espera mais detalhes sobre o cenário para o horizonte relevante da política monetária, agora referente ao 1Tri/26. As projeções de inflação para o período situam-se em 3,4% no cenário de referência e em 3,2% em cenário alternativo.

… Já em relação à desancoragem das expectativas, mais uma pesquisa Focus nesta 2ªF ajustou em alta as projeções do IPCA, com a 2024 subindo de 4,10% para 4,12% e a de 2025, de 3,96% para 3,98%, se aproximando de 4%.

… Refletindo os sinais de risk-off da sessão asiática no domingo à noite, o dólar abriu com gap de alta de 2,74%, atingindo R$ 5,8656, para fechar bem abaixo dessa marca, mas ainda assim em um nível bastante elevado, acima de R$ 5,74 (leia abaixo).

… A reviravolta do cenário em NY subverteu a perspectiva inicial de valorização da taxa de câmbio com a possibilidade de corte dos juros nos EUA em setembro. O otimismo foi subitamente esvaziado pelo risco de uma recessão.

… Para o economista da XP Francisco Nobre, no entanto, o movimento é excessivo e pode ser revertido pelos próximos indicadores.

… Já nesta 2ªF, em meio ao caos, o PMI de serviços, que subiu de 48,8 em junho para 51,4 em julho, para território expansionista, trouxe alívio para o pico maior do estresse, embora tenha sido insuficiente para reverter o tamanho das perdas e a aversão ao risco.

… No CME, as chances de que o Fed reduza o juro em 50 pontos-base na reunião de setembro permanecem em 85,5%. No pior momento, houve rumores até de uma improvável reunião extraordinária do Fomc para cortar os juros.

… No meio da tarde, o presidente do Fed/Chicago, Austan Goolsbee, disse que a função do Fomc não é reagir a dados trabalhistas mais fracos de um mês. À CNBC, acrescentou que os mercados são muito mais voláteis do que as ações do Fed.

… Ele concorda que há “alguns indicadores cautelosos”, como o aumento da inadimplência do consumidor, mas disse que o crescimento continua em “nível razoavelmente estável” e que o emprego mais fraco ainda não parece uma recessão.

… Também Mary Daly, Fed/San Francisco, falou sobre o mercado de trabalho no final do dia, dizendo que “nenhum dos indicadores está indicando alerta vermelho, que o emprego desacelera, mas que é importante que isso não se torne uma crise”.

… Segundo ela, é cedo para dizer se o payroll representa uma desaceleração gradual ou de fraqueza real. Lembrou que o relatório teve efeitos do furacão Beryl e demissões temporárias e que não estão ocorrendo demissões generalizadas nos EUA.

… O fato é que NY continuará mandando nos mercados e quem tem sangue frio e mais experiência diz que a hora é de não fazer nada.

MAIS AGENDA – Além de Itaú, os balanços do GPA, Prio, Iguatemi e Raia Drogasil saem depois do fechamento. Às 15h, tem a balança comercial, com previsão de superávit de US$ 7,792 bilhões em julho (pesquisa Broadcast).

… Nos EUA, é esperado déficit de US$ 73 bi em junho (9h30). Na zona do euro, saem as vendas no varejo (6h).

NÃO SAIU BARATO – É verdade que, se comparado à máxima do dia, quando rompeu R$ 5,86, o dólar freou bastante a pressão até o fechamento, em R$ 5,7414 (+0,56%). Mas ninguém se ilude que esteja fora de perigo.

… O investidor tem batido forte no real, sabotado no momento especialmente pelo pesado desmonte nas operações de carry trade, agora que o iene está na moda, diante da normalização da política monetária pelo BC japonês (BoJ).

… A divisa brasileira ainda acumula a pior performance no ano (-18,30%) na lista das moedas mais relevantes.

… Ao Broadcast, o economista André Galhardo (da Remessa Online) não descarta que o dólar teste a barreira de R$ 6,00, caso as incertezas externas se acentuem, com o medo de recessão nos EUA disparando corrida por segurança.

… A persistente depreciação do câmbio, que atua como uma força nem um pouco desprezível de contágio inflacionário, limita qualquer ímpeto maior de queda dos juros futuros, como aconteceu no pregão de ontem.

… Assim, embora a curva do DI tenha conseguido baixar a adrenalina provocada pelo pânico de pouso forçado da economia americana, só conseguiu devolver prêmio de risco de forma moderada neste início de semana.

… Jan/26 caiu a 11,200% (contra 11,280% na 6ªF do payroll); Jan/27, a 11,390% (de 11,490%); Jan/29, a 11,650% (de 11,750%); e Jan/31, a 11,740% (de 11,770%). Já o Jan/25 teve leve alta isolada, para 10,575% (de 10,550%).

ESTRELA DO DIA – Protagonizando um salto de 8%, Bradesco amorteceu boa parte do impacto do pessimismo de NY sobre o Ibovespa, que registrou queda branda de 0,46%, a 125.269,54 pontos, com giro de R$ 25,3 bi.

… O investidor reagiu com euforia ao lucro líquido recorrente de R$ 4,716 bi do banco no 2Tri, alta de 4,4% na base anual. O bom desempenho foi atribuído à queda da inadimplência em 12 meses, de 5,7% para 4,3%.

… Bradesco ON disparou 8,30% (R$ 12,27) e Bradesco PN deslanchou 7,59% (R$ 13,61).

… À espera do balanço de hoje, Itaú ficou estável, a R$ 32,95, enquanto os papéis do BB, que divulga seu resultado amanhã, registraram alta discreta de 0,15%, a R$ 26,20, assim como Santander (+0,28%, a R$ 28,33).

… A explosão de otimismo do Bradesco conseguiu equilibrar parte do efeito negativo das blue chips das commodities. Ignorando a alta firme de quase 2% do minério, Vale caiu 1,06% e fechou cotada a R$ 57,02.

… As preocupações com a possibilidade de recessão nos EUA também estimularam vendas em Usiminas (PNA, -2,19%), Metalúrgica Gerdau (PN, -1,67%), Gerdau (PN, -0,63%) e, em menor grau, CSN Mineração (ON, -0,21%).

… Beneficiada por uma melhora gradual do petróleo ao longo do pregão, Petrobras reduziu as perdas. PN conseguiu praticamente zerar a queda (-0,08%), a R$ 35,70, enquanto PN perdeu 0,83%, negociada a R$ 35,70.

… Lá fora, o barril chegou a cair mais de 2% nos piores momentos do dia, mas atenuou o sentimento de aversão a risco quando o indicador de atividade do setor de serviços dos EUA surpreendeu com uma melhora em julho.

… O Brent/outubro abandonou as mínimas e limitou a queda no fechamento a 0,66%, a US$ 76,30. Na noite de ontem, no entanto, os contratos futuros do petróleo subiam acima de 1%, de olho no conflito no Oriente Médio

… Na liderança do ranking positivo do Ibovespa veio o Grupo Pão de Açúcar, com rali de 14,98%, a R$ 3,07.

… Além da expectativa positiva com a divulgação dos resultados trimestrais hoje, os investidores também capitalizaram a perspectiva de que o Casino venda a sua participação no GPA no mercado aos poucos.

DEUS ME FREE! – Intensificando as oscilações violentas da 6ªF do payroll, os mercados em NY colapsaram pela manhã, antes que o dado de atividade de serviços nos EUA em território de expansão aliviasse um pouco a barra.

… No auge da tensão, o Nasdaq acionou tombo superior a 6%, para dar a dimensão da crise que tomou os negócios. À tarde, porém, o índice da bolsa eletrônica conseguiu reduzir as perdas à metade: 3,43% (16.200,08 pontos).

… Ainda assim, a queda exibida no fechamento foi de assustar. Entre ações individuais, Nvidia perdeu 6,36%, em meio a relatos de que a empresa pretende adiar o lançamento de seu chip voltado para inteligência artificial.

… Tem mais essa ainda, o risco de estouro da bolha das techs, para lançar o mercado em preocupações em dobro. Nas piores perdas diárias desde set/22, o Dow Jones caiu 2,60%, a 38.703,27 pontos, e o S&P 500, -3,00% (5.186,33).

… Com todo mundo correndo para vender risco (bolsas) e buscando ativos de proteção, o índice VIX (“termômetro do medo”) registrou uma arrancada de quase 65%, as taxas dos Treasuries afundaram e o iene disparou.

… Momentaneamente, a curva dos títulos do Tesouro americano chegou a “desinverter”, com o papel mais curto (Note de 2 anos) rendendo menos que o mais longo (10 anos), ao antecipar cortes agressivos do juro pelo Fed.

… Mas o alívio com o indicador de serviços mais forte do que se esperava nos EUA devolveu à tarde o retorno da Note-2 anos para o positivo. Subiu a 3,889% (de 3,883% na 6ªF), enquanto o de 10 anos caiu a 3,774% (de 3,801%).

… Moeda de status defensivo, o iene saltou a 143,68/US$ e vem numa fase de ouro, sob o efeito combinado da desmontagem das operações de carry trade e agora do flight to quality com o risco de hard landing nos EUA.

… Também o euro (+0,39%, a US$ 1,0958) subiu. A libra (US$ 1,2770) foi a única moeda da cesta do índice DXY (-0,50%, a 102,689 pontos) que caiu contra o dólar, com protestos violentos da extrema-direita no fim de semana.

EM TEMPO… Citi tem recomendação neutra para a ação da PETROBRAS, sem mencionar preço-alvo; para o banco, política de preço e dividendos da estatal no curto e médio prazo não deve passar por mudanças significativas.

PRIO. Produção de petróleo atingiu 67.666 barris de óleo equivalente por dia (boepd) em julho, recuo de 24,7% em relação a junho, segundo dados preliminares.

BRADESCO. Itaú BBA elevou recomendação da ação do banco para outperform (equivalente a compra), com preço-alvo de R$ 15,60…

… Revisão veio após o balanço do 2TRI do Bradesco, que, para o Itaú BBA, mostrou sinais de recuperação.

LOJAS MARISA. Acionistas controladores se tornaram titulares de 92,93% do total das ações, por meio do exercício dos direitos de subscrição e integralização de novas ações da companhia no âmbito do aumento de capital.

GAFISA. Conselho aprovou aumento de capital mediante emissão de até 90 milhões de ações ON, a R$ 3,20.

TEGMA registrou lucro de R$ 63,2 milhões no 2TRI, alta de 59,2% na comparação anual; Ebitda somou R$ 85,2 milhões, avanço de 46,8% em relação ao mesmo período de 2023.

IOCHPE-MAXION registrou lucro de R$ 36,9 milhões no 2TRI, queda de 37,8% na comparação anual; Ebitda somou R$ 388,9 milhões, alta de 7% em relação ao mesmo período de 2023.

PAGUE MENOS registrou lucro de R$ 32,5 milhões no 2TRI, revertendo prejuízo de R$ 37,3 milhões apresentado um ano antes; Ebitda ajustado somou R$ 176,9 milhões, alta de 15,7% na comparação anual…

… Companhia atualizou projeção de captura de sinergias com Extrafarma até fim de dezembro, passando à faixa de R$ 195 mi a R$ 260 mi em Ebitda incremental, em bases anuais, ante a faixa anterior de R$ 180 mi a R$ 275 mi…

… Empresa também revisou projeção de índice de endividamento líquido, medido pela razão entre dívida líquida e Ebitda ajustado acumulado em 12 meses, saindo de “até 1,7 vez” para “até 2,0 vezes” ao final do ano.

OI vai retomar hoje a audiência do processo competitivo para a venda da Oi Fibra, que será meramente protocolar, com o objetivo de pontuar o fim da primeira rodada do processo.

LIGHT. Assembleia de credores abrangidos pelo procedimento de scheme of arrangement será em 4/9, de forma virtual; convocação foi autorizada pela Justiça do Reino Unido.

EQUATORIAL. Volume de energia distribuída aumentou 8% no 2TRI ante mesmo período de 2023, para 14.120 GWh; montante injetado na rede cresceu 7,9% na mesma base de comparação, para 17.116 GWh

NEOENERGIA aprovou a 14ª emissão de debêntures simples, no valor de R$ 500 milhões.

AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!

*com a colaboração da equipe do BDM Online

AVISO – Bom Dia Mercado, produzido pela Mídia Briefing, não pode ser copiado e/ou redistribuído.

Semana promete risk-off ampliado

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*

[05/08/24]

… O terremoto que sacudiu os mercados globais na última 6ªF ameaça se estender. No final da noite deste domingo, os futuros das bolsas em NY ampliavam o pânico de recessão e Tóquio operava em queda livre. Um número melhor de atividade divulgado na China, onde a semana ainda tem a inflação de julho, deve ser insuficiente para enfrentar a onda de estresse com um hard landing nos EUA. Aqui, Petrobras e os bancos soltam balanços (hoje, tem Bradesco antes da abertura dos negócios). Amanhã, sai a ata do Copom, que pode favorecer no mercado a leitura de Selic estável, especialmente agora que o risco de um pouso forçado voltou à cena na economia americana. Embora a agenda em NY seja fraca nos próximos dias, o investidor ficará de olho em todo e qualquer sinal de recessão nos EUA, diante dos receios de que o Fed demorou demais para cortar os juros.

… A consultoria Pantheon foi categórica ao afirmar, em nota na última 6ªF, que o BC dos EUA “errou” e agora está “terrivelmente atrás da curva” [de inflação] com a última decisão de política monetária, de manter os juros.

… O fantasma da recessão, que havia começado a abalar os mercados na 5ªF com indicadores de atividade econômica mais fracos que o previsto, se intensificou na 6ªF depois do payroll de julho bem abaixo do esperado.

… A economia dos EUA criou 114 mil vagas de emprego em julho, contra as 135 mil postos que o mercado imaginava. A taxa de desemprego subiu a 4,3%, nível mais alto em quase três anos, e superou a projeção (4,1%).

… Cinco dias atrás, antes do payroll, Powell havia dito na coletiva de imprensa do Fed que olhava com atenção o risco de enfraquecimento do mercado de trabalho. Mas praticamente descartou queda de 50pb do juro.

… “Não quero ser realmente específico sobre o que faremos, mas não é algo em que estamos pensando agora”, disse ele na última 4ªF, embora tenha consolidado a expectativa de corte em setembro, só que menor (25pb).

 … Desafiando o recado, no entanto, a fraqueza inesperada do payroll apressou o mercado a recalcular a rota.

… Em rápida e imediata reavaliação das expectativas, a ferramenta das apostas do CME passou a precificar de forma majoritária um corte de 50pb em setembro (essa expectativa saltou de 22,0% para 73,5% em 24h).

… Também é consenso agora que o ajuste total de queda do juro no ano será de 1,25pb, ao invés de 75pb.

… Horas depois do payroll, ainda na 6ªF, dois Fed boys (Austan Goolsbee e Thomas Barkin) tentaram baixar a adrenalina, indicando que o movimento de cortar o juro em 50pb logo de saída não está nos planos do Fomc.

… Mas as declarações não conseguiram amenizar o estresse agudo dos mercados globais (abaixo).

… Thomas Barkin, presidente do Fed de Richmond, disse que o payroll não mudou nada em seu cenário-base e observou não estar pronto para apoiar a possibilidade de um corte de meio ponto nos juros do Fed em setembro.

… “Reduções mais significativas estariam normalmente associadas a uma economia em rápida deterioração. E 114 mil empregos, embora não seja tão bom quanto os resultados que temos tido, no longo prazo, é razoável”, disse.

… Segundo ele, apesar da surpresa negativa, o Fed ainda tem muitos indicadores até setembro. “Duas rodadas completas de relatórios de emprego, duas rodadas completas de leituras de inflação e muitas métricas de atividade.”

… De seu lado, Austan Goolsbee (Fed/Chicago) alertou contra reações exageradas a apenas um dado (payroll) e evitou responder se o próximo corte de juros deve ser de 50pb, condicionando a decisão aos indicadores.

… As especulações de uma flexibilização monetária mais agressiva foram tão longe, que a Capital Economics chegou a cogitar até mesmo uma reunião extraordinária do Fed antes de setembro para enfrentar o risco de esfriamento.

… Parte do mercado continua achando prematuro apostar em um corte mais pesado já de largada, mas alguns players importantes, como o Citi e o JPMorgan, já estão projetando -50pb nas duas próximas reuniões.

… Se payroll de agosto também vier fraco, o Goldman Sachs não descarta que o indicador dê o combustível para um início bem dovish (corte de 50pb) do ciclo do Fed. Esta semana, a agenda econômica nos EUA é mais fraca.

… Mas do jeito que NY anda sensível, todo cuidado é pouco. Hoje, saem a leitura final de julho do PMI/S&P Global composto (10h45) e o PMI/ISM de serviços (11h). Às 18h, Mary Daly (Fed/São Francisco) participa de evento público.

MAIS AGENDA – O PMI composto também será divulgado nesta 2ªF na Alemanha (4h55), no Reino Unido (5h30) e na zona do euro (5h), onde tem ainda para conferir o índice de inflação ao produtor (PPI) de junho, às 6h.

… Quatro BCs decidem juro ao longo da semana: Austrália (amanhã), além de Índia, México e Peru, na 5ªF.

CHINA HOJE – O PMI de serviços avançou de 51,2 em junho para 52,1 em julho, segundo pesquisa do setor privado (S&P Global com a Caixin). O resultado ficou acima da expectativa de analistas, de leve alta para 51,3.

… O PMI composto chinês, que engloba serviços e indústria, caiu de 52,8 para 51,2 no mesmo período. As leituras acima do nível de 50 indicam que a atividade econômica da China segue em território de expansão.

… Na virada de 4ªF para 5ªF, sai a balança comercial de julho e, na noite de 5ªF, a inflação do CPI e PPI do período.

JAPÃO HOJE – O PMI/S&P Global de serviços avançou de 49,4 em junho para 53,7 em julho.

AQUI – A onda de risk-off no exterior tende a esvaziar ainda mais o risco de retomada da alta da Selic, que já havia perdido força depois de o comunicado do Copom ter pegado bem mais leve do que se supunha nos alertas hawkish.

… Além da ata (amanhã), a agenda da semana reserva o IPCA (6ªF) e IGP-DI (4ªF) de julho, além das prévias de agosto do IPC-S (5ªF) e IPC-Fipe (6ªF). Hoje, a Focus (8h25) se ajusta às novidades do comunicado do Copom.

… A nova projeção do BC para o câmbio é de R$ 5,55 (contra R$ 5,30 em junho). A estimativa para a inflação do ano foi revisada em alta, de 4,0% para 4,2%, e a de 2025, de 3,4% para 3,6% no cenário de referência e no alternativo. 

… Na 6ªF, o BC informou que as reuniões periódicas com economistas, que antes eram trimestrais e depois viraram mensais, agora serão semanais, em um “esforço de transparência”. Além disso, foram estabelecidas novas regras.

… Reuniões privadas serão realizadas pessoalmente, não poderão ser gravadas e terão limite de 15 participantes. Quando o número for superior, a audiência deverá ser obrigatoriamente aberta à imprensa por meio de transmissão.

… Parece ser uma tentativa do BC de contornar a insatisfação do mercado com ruídos provocados por RCN em dois encontros fechados (abril/24 em Washington e out/23 no Marrocos), com mudança de sinalização do juro.

… Ainda na agenda da semana, a balança comercial de julho sai amanhã, com previsão de superávit de US$ 7,792 bi.

BALANÇOS – Ganha ritmo a temporada de resultados trimestrais por aqui, com especial destaque para os números da Petrobras e B3, na 5ªF, além dos bancos: Bradesco hoje, antes da abertura; Itaú amanhã; e BB na 4ªF.

 … Ainda nesta 2ªF, saem BB Seguridade, pela manhã, e Taesa e Vamos, depois do fechamento dos mercados.

… Outros highlights da semana: GPA, Prio, Iguatemi, Movida, Raia Drogasil e Vibra, amanhã. Na 4ªF: Eletrobras, Inter, Braskem, Casas Bahia, Cogna, CVC, Dexco, Energisa, Engie, Minerva, Oi, Qualicorp, Tenda, Totvs e Ultrapar.

… Na 5ªF, é a vez de Alpargatas, Assaí, CPFL Energia, Cyrela, Fleury, Hapvida, JHSF, Lojas Renner, Magazine Luiza, Petroreconcavo, Sabesp, Suzano e Yduqs. Fechando a semana, na 6ªF, Embraer e M.Dias Branco soltam balanços.

… Nos EUA, o único resultado corporativo mais relevante é o da Walt Disney, na 4ªF.

VALE – No Estadão, nomes ligados a Silveira e Haddad entram no páreo para chefiar a mineradora.

… Segundo apurou a reportagem, circulam dois potenciais candidatos vinculados ao governo na corrida paralela: Dario Durigan, nº 2 de Haddad, e o executivo da Vale Marcelo Spinelli, que teria Silveira como padrinho político.

… Procurados, os dois apontados não se manifestaram. Também a Previ estaria avaliando o currículo de um nome.

LULA – A Secretaria de Comunicação informou que o presidente deve realizar reunião ministerial na 5ªF.

… Pesquisa Datafolha divulgada no sábado revelou um cenário de estabilidade para a popularidade do presidente da República na comparação com a sondagem imediatamente anterior, realizada cerca de dois meses atrás.

… Lula é aprovado por 35% dos brasileiros, reprovado por 33% e considerado regular por 30%.

… Com a crise da Venezuela no radar, Lula está no Chile, onde cumpre agenda extensa de compromissos até amanhã. Hoje, tem reunião privada com o presidente chileno, Gabriel Boric. Às 12h30, faz declaração à imprensa.

SOANDO OS ALARMES – A desconfiança de que o Fed demorou demais para baixar o juro e pôs a economia americana à beira do precipício desencadeou forte turbulência na 6ªF, afundando os mercados no mundo inteiro.

… Por aqui, na primeira reação de nervosismo ao payroll, o investidor correu para a segurança do dólar e disparou a moeda para quase R$ 5,80 no auge do estresse (R$ 5,7936, +1,02%), ao nível mais caro em mais de dois anos e meio.

… Ao passar das horas, no entanto, a divisa americana colou no exterior, zerou toda a pressão, virou e passou a cair, para fechar em queda de 0,45%, a R$ 5,7092. A magnitude da baixa foi, porém, menor do que a do DXY (-1,15%).

… Segundo analistas, a forte alta do iene, de quase 2%, continua a provocar movimento de desmonte de operações de carry trade com moedas como o real e os pesos mexicano (que caiu 1,5% na 6ªF) e chileno (que recuou 0,17%).

… No rastro da queda do dólar e das taxas dos Treasuries, diante do possível pouso forçado na economia americana, a curva do DI queimou prêmio de risco e tornou majoritária a aposta de Selic estável no Copom em setembro.

… No fechamento, o DI para Jan/25 caiu a 10,550% (contra 10,691% no dia anterior); Jan/26, a 11,225% (de 11,575%); Jan/27, 11,430% (de 11,831%); Jan/29, a 11,690% (de 12,048%); e o Jan/31, a 11,770% (de 12,074%).

EFEITO DOMINÓ – Com o payroll tocando o terror nos EUA de uma recessão, o Ibovespa também não parou em pé. Fechou em queda firme de 1,21% e entregou os 126 mil pontos (125.854,09). O volume financeiro foi de R$ 23,8 bi.

… O medo de que uma desaceleração econômica nos EUA e também na China se traduza em menor consumo de commodities derrubou o petróleo e, como uma bola de neve, envolveu as ações da Petrobras em ordens de vendas.

… Petrobras ON afundou 3,04% (R$ 38,64) e Petrobras PN mergulhou 3,01%, para a mínima do dia, a R$ 35,73. A empresa perdeu 24 bilhões em valor de mercado, para R$ 487,7 bi, com o petróleo na pior cotação em seis meses.

… Apesar do dólar fraco e dos riscos geopolíticos de uma guerra mais ampla no Oriente Médio, o Brent para outubro caiu 3,41%, a US$ 76,81, na ICE londrina. A consultoria Capital Economics prevê o barril a US$ 70 até o fim do ano.

… Vale (ON, -1,39%, a R$ 59,41) e as siderúrgicas também acabaram atropeladas pela fuga global de ativos de risco. Gerdau registrou um tombo de 4,62%, Usiminas PNA exibiu queda pesada de 3,10% e CSN ON perdeu 0,79%.

… Tampouco as blue chips financeiras foram poupadas: Itaú, -1,26% (R$ 32,95); BB, -0,80% (R$ 26,16); e Santander, -3,12% (R$ 28,25). Só Bradesco escapou (PN, +0,64%, a R$ 12,65; e ON, -0,09%, a R$ 11,33), à espera do balanço hoje.

… A maior desvalorização da sessão foi de Embraer (-6,59%, R$ 39,25), em movimento de realização. No campo oposto, Magalu liderou o ranking positivo, avançando 7,13%, a R$ 11,57, beneficiada pelo alívio dos juros futuros.

O URSO RUGE – Com o payroll voltando a abrir pânico no mercado na 6ªF, o índice Nasdaq (-2,43%, a 16.776,16 pontos) entrou em território de correção, acumulando uma queda de mais de 10% desde o pico mais recente.

… Para piorar o que já estava ruim, as encomendas à indústria americana despencaram 3,3% em junho, frustrando a previsão de +0,5%. Além disso, o mercado ainda tem tido que lidar com o risco de estouro da bolha de tecnologia.

… As ações da Intel derreteram 26,06%, depois de a empresa informar prejuízo no 2Tri. Os papéis da Amazon desabaram 8,78%, com preocupações quanto ao crescimento dos gastos para bancar a inteligência artificial.

… O Dow Jones caiu 1,51%, aos 39.737,26 pontos, e o S&P 500 recuou 1,84%, para 5.346,56 pontos. O índice VIX, apelidado de “termômetro do medo” em Wall Street, disparou 25,82% perto do fechamento das bolsas em NY.

… Se até pouco tempo atrás indicadores mais fracos eram interpretados como positivos, por sinalizarem que a inflação cairia e o caminho para cortes do Fed estava aberto, agora o mercado só está vendo o copo meio vazio.

… A turbulência nos negócios afundou os juros dos Treasuries, antecipando que o Fed vai ter que correr atrás do prejuízo e cortar o juro com maior força e mais cedo. A taxa da Note-2 anos afundou a 3,883%, de 4,166% na 5ªF.

… Também numa espiral de vendas, a de 10 anos saiu de 3,987% para 3,801%, nível mais baixo desde dezembro.

… No ataque vendedor contra o dólar, o índice DXY registrou desvalorização de 1,16%, a 103,208 pontos. O iene (+2%, a 146,58/US$) e o euro (US$ 1,0912) foram as moedas que melhor absorveram a fuga da divisa americana.

… Em menor medida, a libra esterlina (US$ 1,2805) também capitalizou o cenário, mas o movimento de alta foi limitado pelo recente corte das taxas de juros do Reino Unido pelo BoE, na última 5ªF, e chance de novas reduções.

EM TEMPO… PETROBRAS confirmou que Conselho de Administração aprovou a alteração pontual ao regimento interno do Comitê de Auditoria Estatutário (CAE) para prever que maioria dos membros seja independente…

… Comunicado respondeu a questionamentos da CVM sobre notícia de destituição do conselheiro independente Francisco Petros da presidência do CAE, cujo mandato terminaria em abril, e nomeação de Jerônimo Antunes…

… Ainda no noticiário da Petrobras, a companhia incluirá ao menos um parceiro em sua tentativa de adquirir participação em bloco da Galp Energia na Namíbia, disseram fontes…

… A diretora de exploração e produção Sylvia dos Anjos disse à Reuters que a estatal fez oferta não vinculante por fatia que a tornaria operadora do bloco Mopane, mas não detalhou quanto dos 40% a Petrobras estava buscando…

… Ainda de acordo com fontes, a licitação não deve afetar o pagamento de dividendos pela empresa.

PETRORECÔNCAVO. Atmos Capital aumentou participação acionária na companhia para 5,06%, passando a deter 14.836.400 de papéis ON.

IGUATEMI. Oceana Investimentos passou a deter 44.793.262 de ações PN emitidas pela companhia, o que representa 10,11% do total dos papéis do tipo…

… Gestora, atualmente, detém 2,89% das ações ON do grupo, ou 22.396.631 de ativos.

TENDA informou que realizou o pré-pagamento de R$ 141.816.965,01, referente ao total do principal e dos juros relativos ao resgate antecipado da 7ª emissão de debêntures simples.

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Tombo das high techs e payroll movimentam NY

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*

[02/08/24]

… Se o payroll nos Estados Unidos (9h30) surpreender com números mais fracos em julho, tende a reforçar o medo de um hard landing da economia, que estressou os mercados nesta 5ªF e elevou as apostas em doses maiores de corte do juro, com o Fed correndo atrás do prejuízo. Wall Street tem ainda os tombos de Amazon (-7,26%) e Intel (-19%) no after hours, após a decepção com os balanços de ontem à noite. A aversão ao risco que dominou os negócios atingiu em cheio os emergentes e bateu forte no real, com o dólar disparando até a máxima de R$ 5,74, um dia depois de o Copom sinalizar que prefere esperar a acomodação da taxa de câmbio e das expectativas antes de decidir se vai ou não subir o juro. Na agenda dos indicadores domésticos, destaque para a produção industrial de junho (9h).

… A mediana indica avanço de 2,5% na produção da indústria na margem, após recuo de 0,9% em maio, e de +1,7% na comparação anual. A retomada na fabricação de automóveis após as enchentes no Rio Grande do Sul deve contribuir para o resultado de junho.

… Meia hora depois (9h30), o relatório de emprego dos EUA deve mostrar a criação de 180 mil vagas em julho, abaixo de junho (206 mil), com a taxa de desemprego mantida em 4,1% e aumento de 0,30% do salário médio (3,7% na base anual, de 3,9% no mês anterior).

… Nesta 5ªF, apenas um dia depois que Powell fez a festa do mercado confirmando as expectativas de corte do juro a partir de setembro, os investidores foram surpreendidos por dados da atividade e do emprego bem mais fracos que o esperado.

… O PMI/ISM industrial de julho caiu a 46,8, de 48,5 (consenso era de 48,8), detonando um movimento de aversão ao risco que derrubou as bolsas em NY, os juros dos Treasuries com a demanda defensiva e disparou o dólar, como ativo de proteção.

… Ainda os pedidos de auxílio-desemprego nos EUA atingiram o maior nível em um ano, com desaceleração nas contratações, reforçando a evidência de que o mercado de trabalho pode estar esfriando mais que o desejado.

… Na ferramenta do CME Group, os investidores aumentaram a aposta num corte de 0,50pp pelo Fed (11,8% para 18,5%) em setembro. A aposta majoritária ainda é de um corte de 25pbs, que está agora em 81,5%, de 88,1% na véspera.

… Entre os emergentes, a alta do dólar foi generalizada, mas o real teve a pior performance, enquanto os juros futuros de curto prazo se ajustavam em queda ao Copom, reduzindo as apostas em uma alta de 100pbs do juro neste ano (leia abaixo).

INTEL – O prejuízo líquido de US$ 1,6 bilhão no 2Tri (US$ 0,02/ação) reverteu lucro de US$ 1,5 bilhões no mesmo período de 2023, melhor do que a expectativa de analistas à FactSet (US$ 0,10), mas a queda da receita (US$ 12,8 bilhões) superou as projeções.

… A companhia ainda anunciou um plano de demitir perto de 15 mil funcionários.

AMAZON – A receita de US$ 147,98 bilhões no 2Tri também ficou abaixo do esperado pelo mercado, assim como a previsão de receita e dos lucros no 3Tri, o que neutralizou o lucro acima do previsto (US$ 13,49 bilhões, ou US$ 1,26/ação, da projeção US$ 1,03/ação).

APPLE – Das três big techs que divulgaram balanço, só ela escapou da decepção, com lucro líquido de US$ 21,45 bilhões no 3Tri fiscal, alta 8% ante o mesmo período do ano passado, e acima da projeção de US$ 20,65 bilhões de analistas consultados pela FactSet.

… Diluído por ação, o lucro foi de US$ 1,40, acima dos US$ 1,27 do mesmo período de 2023, e maior do que os US$ 1,34 previstos.

… A receita da Apple no trimestre encerrado em junho foi de US$ 85,78 bilhões, alta de quase 5% em comparação ao ano anterior, acima do esperado. Já as vendas de Iphones desaceleraram no período, embora ainda tenham ficado acima das expectativas.

… No after hours, a ação fechou em alta de 0,58%, após oscilar entre perdas e ganhos.

MAIS AGENDA – Nos EUA, saem os balanços da Chevron e ExxonMobil, antes da abertura. As encomendas à indústria (11h) têm previsão de +0,5%. Às 14h, a Baker Hughes solta os poços de petróleo em operação.

… Aqui, saem o IPC-Fipe (5h), que deve desacelerar a 0,09% em julho, e os dados da Fenabrave (sem horário).

SPIKE – Não bastasse o real ter o rali do iene no script de suas perdas recentes, ontem teve que lidar também com a pressão defensiva do dólar no exterior, diante do movimento de risk-off detonado pelo medo de recessão nos EUA.

… A queda foi generalizada entre as moedas emergentes, mas o real teve a pior performance. O dólar rompeu a resistência psicológica dos R$ 5,70 e voou até R$ 5,7430 na máxima, para fechar perto disso, a R$ 5,7350 (+1,41%).

… A moeda norte-americana não ficava tão cara desde dezembro de 2021. Agora quase sempre sob ataque vendedor (apesar do Fed dovish), a divisa brasileira continua complicando a dinâmica da inflação para o Copom.

… Apesar de o dólar ter escalado e de o fantasma de recessão ter voltado à cena nos EUA, os juros futuros curtos e intermediários ainda caíram, embora tenha freado o ritmo de queda ao longo da segunda metade do pregão.

… Os contratos se ajustaram em queda à baixa nas taxas dos Treasuries, despertada pelo risco de hard landing, e também ao consenso que o comunicado do Copom não pegou tão pesado como se temia nos alertas de cautela.

… Só os DIs longos subiram, em movimento de compensação, diante do risco de que, se o BC não subir a Selic no curto prazo, possa ter que apertar lá na frente, no caso de o câmbio, inflação e fiscal assustarem demais.

… No fechamento, o DI Jan/25 caiu a 10,685% (contra 10,724% no dia anterior); Jan/26, a 11,560% (de 11,620%); e Jan/27, a 11,810% (de 11,840%). Já o Jan/29 subiu a 12,020% (de 11,980%); e Jan/31, a 12,060% (de 11,960%).

… Na curva, a precificação de alta de 1pp da Selic perdeu força, mas novos apertos não estão fora do radar.  

… Já entre os economistas, à espera da ata, na próxima 3ªF, a aposta para a taxa Selic segue em 10,5% até o final do ano, segundo pesquisa do Broadcast. Essa é a expectativa de 39 de 43 economistas (90,6%), sendo que 24 entre 41 (58,5%) projetam cortes em 2025.

PROVA DE RESISTÊNCIA – Em demonstração de força nesta 5ªF, apesar da liquidação das bolsas em NY, o Ibovespa limitou a queda a quase nada (-0,20%) e bancou os 127 mil pontos (127.395), com giro de R$ 23,6 bi.

… Operou também à prova de balas de três blue chips – Vale (ON, -2,24%, a R$ 60,25), Petrobras (ON, -1,85%, a R$ 39,85; PN, -1,52%, a R$ 36,84) e Itaú (-1,45%, a R$ 33,37) – desafiando com ousadia os focos negativos.

… BB caiu 0,68%, para R$ 26,37. As perdas no índice à vista da bolsa foram amortecidas pelo desempenho favorável de Bradesco (ON, +1,07%, a R$ 11,35; e PN, +1,29%, a R$ 12,59) e de Santander (+1,78%; R$ 29,16).

… Outros três papéis que também possuem forte peso no Ibov exibiram ganhos expressivos: Telefônica (4,31%), considerada boa pagadora de dividendos; Weg (4,30%); e Marfrig (3,71%), à espera de seu balanço (dia 14).

… Impulsionada pelo resultado trimestral considerado “bom” pelo BofA, Ambev registrou valorização de 1,38%.

… Animada pela temporada de balanços melhor no 2Tri, a XP elevou a projeção do Ibovespa de 145 mil pontos para 147 mil no final do ano. Os fundamentos das empresas permanecem saudáveis no Brasil, avalia a corretora.

… Em sua estreia depois da concretização da fusão entre Arezzo e Grupo Soma, o papel da Azzas (nome da nova empresa) se destacou no ranking positivo da bolsa doméstica e registrou valorização de 3,58%, cotado a R$ 50,39.

… A B3 divulgou a primeira prévia da carteira teórica do índice à vista com a saída dos papéis da Dexco (-4,38%) e a inclusão de Auren, Caixa Seguridade e Santos Brasil. Até o final do mês, a bolsa informará mais duas prévias.

FESTA CURTA – Mal deu tempo de NY curtir o momento de Powell (corte de juro em setembro), porque menos de 24h depois já foi atropelada pela inesperada volta à tona do debate de hard landing, que andava adormecido.

… Bateu o medo de que o payroll venha fraco e, ao invés de animar as apostas do Fed dovish, eleve o perigo de uma desaceleração mais severa da economia americana. O temor acionou uma espiral de estresse ontem.

… Na corrida pelo apelo defensivo dos Treasuries, pela primeira vez desde fevereiro, a taxa da Note-10 anos furou 4% e foi parar em 3,987%, contra 4,050% no pregão anterior. O retorno do título de 2 anos caiu a 4,166%, de 4,253%.

… As bolsas em NY também operaram no susto. O índice Dow Jones caiu 1,21%, para 40.347,97 pontos, o S&P 500 recuou 1,37%, aos 5.446,68 pontos, e o Nasdaq foi pior ainda, em queda de 2,30%, aos 17.194,15 pontos.

… Priorizando a busca por segurança, o investidor comprou dólar, puxando o índice DXY (+0,31%) para 104,421 pontos. A libra (US$ 1,2746) foi pior que o euro (US$ 1,0797), após o BoE dar início ao seu ciclo de flexibilização.

… Em decisão apertada (5 a 4), o BC inglês decidiu cortar o juro em 25pb, para 5%. No BCE, o dirigente Yannis Stournaras previu a chance de mais dois cortes no ano, caso o processo de desinflação continue como o esperado.

… Firme e forte, o iene (+0,38%, a 149,74/US$) não interrompeu o entusiasmo com a decisão hawkish do BoJ.

… O cenário de cautela ontem também foi intensificado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio, conforme o Irã e o Hezbollah prometem retaliação a Israel após o assassinato de um líder militar do grupo extremista.

… O risco de a violência aumentar, no entanto, não foi computado pelo petróleo, porque a preocupação com a demanda falou mais alto, diante do risco de que a desaceleração econômica nos EUA possa virar um agravante.

… O contrato do Brent para outubro caiu 1,63%, a US$ 79,52 por barril, na ICE. A Opep+ manteve inalterada ontem a política de produção e reiterou os planos de desfazer os cortes gradualmente ao longo do próximo ano.

EM TEMPO… CIELO registrou lucro líquido recorrente de R$ 385,6 milhões, baixa de 20,7% na comparação anual; Ebitda somou R$ 727 milhões no 2TRI, queda de 30,5% em relação ao mesmo período de 2023.

EZTEC registrou lucro líquido de R$ 88,66 milhões no 2TRI, alta de 17,7% na comparação anual…

… Construtora aprovou a distribuição de R$ 21,057 milhões em dividendos intermediários, o equivalente R$ 0,0965 por ação, com pagamento em 30/8; ex em 9/8.

MARCOPOLO registrou lucro líquido de R$ 250,9 milhões no 2TRI, alta de 78,6% na comparação anual; Ebitda somou R$ 382,3 milhões, avanço de 142% em relação ao mesmo período de 2023.

LOG COMMERCIAL PROPERTIES registrou lucro líquido de R$ 91,9 milhões no 2TRI, alta de 108,8% na comparação anual; Ebtida somou R$ 140,8 milhões, o dobro do apurado um ano antes.

AUREN ENERGIA registrou lucro líquido de R$ 91,1 milhões no 2TRI, queda de 50,2% na comparação anual; Ebitda somou R$ 398,1 milhões, recuo de 13,1% em relação ao mesmo período de 2023…

… Empresa prepara caixa para fusão com a AES Brasil, anunciada em maio e que tornará a empresa a terceira maior geradora do País, com expectativa de concluir a operação até o fim de outubro.

AES BRASIL registrou prejuízo líquido de R$ 104,1 milhões no 2TRI, revertendo lucro de R$ 35,9 milhões de um ano antes; Ebitda ajustado somou R$ 373,2 milhões, alta de 7,4% em relação ao mesmo período de 2023.

TOTVS aprovou a distribuição de R$ 136,8 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,23 por ação, com pagamento em 26/8; ex em 7/8.

COPASA fechou contrato no abastecimento de água e esgoto com o município de Visconde do Rio Branco, na Zona da Mata Mineira…

… A forma de regulação foi alterada de discricionária para contratual, sendo a Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento Básico de Minas Gerais (Arisb-MG) a nova responsável pela regulação…

… Vigência contratual foi prorrogada em sete anos, para até julho de 2054.

REDE D’OR concluiu a alienação da totalidade das participações detidas na D’Or Consultoria para a MDS. Aquisição foi aprovada pelo Cade nesta 5ªF; negócio foi fechado em maio e avaliado em R$ 800 milhões.

SANTOS BRASIL movimentou 135.615 contêineres em julho, alta de 18,3% sobre igual mês de 2023.

EMBRAER informou que, em julho, realizou a primeira venda do avião agrícola Ipanema 203 movido a etanol, fabricado pela companhia…

… Comercialização foi viabilizada por financiamento do Programa Fundo Clima (BNDES), na modalidade que prevê aquisição de máquinas e equipamentos relacionados à redução de emissões de gases do efeito estufa.

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