Agenda tem Galípolo e dados nos EUA
Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*
[22/08/24]
… Dia cheio por aqui começa com os dados de arrecadação federal de julho (10h30) e, depois, o mercado tem para acompanhar a agenda do BC. Guillen participa de evento da PUC-Rio (11h), Galípolo faz palestras em congressos da Fenabrave (14h30) e FGV (17h00), e Campos Neto participa à noite (21h) do primeiro dia do Simpósio de Jackson Hole. Na véspera da fala de Powell por lá, indicadores nos EUA calibram as expectativas. Destaque para a leitura preliminar de agosto do PMI/S&P Global composto (10h45), que também será divulgado na Europa (junto com a ata do BCE), e para o auxílio-desemprego (9h30), um dia depois de a ata dovish do Fed e a revisão dos dados do payroll terem recuperado apostas de que o ciclo de queda do juro nos EUA pode começar com corte maior (50pbs).
… Esta não é ainda a expectativa majoritária no mercado, mas pode virar, dependendo do tom que Powell assumir amanhã e, particularmente, de como vier o payroll de agosto, diante da cautela explícita do Fed com o emprego.
… A ata mostrou ontem que o BC americano está satisfeito com o progresso no combate à inflação, mas que redirecionou o seu foco de preocupação para o ritmo acentuado de desaceleração do mercado de trabalho.
… O documento revelou que alguns membros do Fed chegaram até mesmo a defender um corte antecipado do juro no último encontro (em julho), indicando que dificilmente o relaxamento monetário deve passar da próxima reunião.
… Parece ser agora questão só de quanto, não de quando. Quem ainda projeta redução de 25pbs, reconhece que a eventual deterioração do emprego no relatório oficial de agosto ampliaria a chance do corte mais agressivo (50pbs).
… Também subiu a chance de o juro cair mais no ano (125pbs), embora a perspectiva de 100pbs continue ganhando.
… A fraqueza observada na revisão dos dados do payroll na base anualizada até março, que veio perto da estimativa mais pessimista (abaixo), também ajudou a manter em cena a chance de maior flexibilização monetária nos EUA.
… Mas a vantagem foi que os números, por piores que tenham vindo, não assustaram a ponto de resgatar o pânico de recessão. Para a consultoria Capital Economics, os dados ainda mostram crescimento “saudável” do emprego.
… Hoje, o auxílio-desemprego tem expectativa de alta de quatro mil pedidos, para 231 mil.
… Embora a inclinação dovish para o Fed tenha derrubado para a mínima do ano ontem o índice DXY, que mede a força do dólar, por aqui, o dólar continuou rondando R$ 5,50. Já o Ibov teve um novo recorde para chamar de seu.
… Será importante conferir a interpretação que o mercado fará hoje dos comentários de Galípolo, que pareceu mais brando na última fala, de que “não há guidance” para o Copom, embora admita que uma alta da Selic está na mesa.
CONGRESSO X STF – Depois de o Supremo ter anunciado o acordo com o governo e os congressistas para manter tudo mais ou menos como estava no pagamento das emendas, a Câmara sinalizou um recuo estratégico.
… A PEC que autoriza o Legislativo a derrubar decisões do STF voltará para a geladeira.
… Mas, segundo a Coluna do Estadão, isso não significa clima de plena harmonia. A outra PEC, que limita decisões monocráticas dos ministros do STF, continuará seu curso e o líder da oposição, Filipe Barros (PL), foi escalado relator.
… O texto foi aprovado no Senado no ano passado e estava na gaveta de Lira desde dezembro. Mas foi resgatado à pauta em tom de retaliação, após Dino suspender as emendas parlamentares impositivas e o STF assinar embaixo.
MAIS AGENDA – Diante do consenso entre os investidores de que as expectativas de receita do governo estão muito otimistas e que os gastos continuam subestimados, a Receita divulga hoje a arrecadação federal do mês de julho.
… A dinâmica positiva da atividade econômica no período e a desvalorização cambial devem impulsionar o resultado para R$ 224,850 bilhões em julho (mediana de pesquisa Broadcast), depois de R$ 208,844 bilhões em junho.
… Haddad participa à tarde (15h) de reunião do CMN e vai com Lula à solenidade de posse de ministros do STJ (17h).
LÁ FORA – A ata do BCE sai às 8h30, horas depois do PMI composto da zona do euro (5h), Alemanha (4h30) e Reino Unido (5h30). Nos EUA, vêm a atividade de julho medida pelo Fed/Chicago (9h30) e as vendas de casas usadas (11h).
JAPÃO HOJE – A leitura preliminar de agosto do PMI composto medido pelo setor privado (S&P Global) melhorou de 52,5 em julho para 53,0. O indicador acima do patamar neutro de 50 indica que a atividade continua em expansão.
… O PMI industrial abandonou a breve contração em julho (49,1) para 50,9 e o PMI/serviços subiu de 53,7 para 54,0.
NON STOP – Agora que rompeu os recordes históricos, o Ibovespa não quer mais parar a brincadeira.
… Bateu ontem, pela terceira vez consecutiva, a melhor marca de todos os tempos de fechamento, com alta de 0,28%, aos 136.463,65 pontos, após ter superado no pico intraday o nível inédito dos 137 mil pontos (137.039,54).
… Estrelas do dia, as ações das metálicas protagonizaram o otimismo na bolsa. Mas tem mais coisa aí.
… Com o corte contratado do juro pelo Fed e os preços defasados do Ibov, o capital estrangeiro tem voltado com força. “Há uma arbitragem super positiva”, resumiu ao Broadcast o CEO da Veedha Investimentos, Rodrigo Marcatti.
… Só este mês, já entraram quase R$ 8 bilhões em k externo na B3 e, como contra o fluxo não há argumento, o Ibovespa tem enfrentado os desafios com mais facilidade, como a chance de retomada das altas da Selic.
… Até mesmo este risco de o ciclo de aperto voltar à tona tem sido visto sob lentes cor de rosa, com o mercado interpretando a abordagem mais hawkish de Galípolo como um ganho de credibilidade para o novo BC.
… Nesta 4ªF, o rali de 4,5% do minério bombou os papéis de siderurgia e mineração: Gerdau (+3,83%), CSN Mineração (+3,80%), CSN (+3,70%), Metalúrgica Gerdau (+3,70%) e Usiminas (+2,95%). Vale subiu 1,92% (R$ 58,30).
… Animaram os rumores de que a China pode anunciar medidas para reaquecer o setor imobiliário.
… No lado negativo do índice, Petrobras engatou novo dia de queda, na esteira do quarto recuo seguido do petróleo (Brent/out -1,49%; US$ 76,05), puxado pela revisão do payroll, que reduz a perspectiva de consumo nos EUA.
… O papel ON registrou recuo de 0,88% (R$ 40,73) e o PN caiu 0,60% (R$ 38,06).
… Bancos também ficaram no vermelho, depois de fortes altas nas duas sessões anteriores, sugerindo realização.
… Bradesco PN cedeu 0,45% (R$ 15,63), Banco do Brasil caiu 0,44% (R$ 29,13), Itaú baixou 0,40% (R$ 37,08) e Bradesco ON recuou 0,14% (R$ 14,04). Santander unit foi exceção. Fechou estável, em R$ 31,07.
SÓ ASSISTIU – O real não conseguiu faturar a queda acentuada do dólar lá fora, onde o índice DXY furou a linha dos 101 pontos, no menor patamar do ano, após a ata dovish do Fed e revisão em baixa do payroll de um ano até março.
… O que se comenta entre os especialistas é que o câmbio assume por aqui alguma postura defensiva com o risco ainda presente de recessão nos EUA e que faltam gatilhos que encorajem o dólar a aprofundar o alívio recente.
… Ao Broadcast, o superintendente da Mesa de Derivativos do BS2, Ricardo Chiumento, observa que, depois de a moeda americana ter escalado até a faixa de R$ 5,74 no início do mês, passa agora por um período de acomodação.
… O profissional vê o dólar rodando entre R$ 5,40 e R$ 5,50, sem estímulos suficientes para voltar a R$ 5,30.
… De qualquer maneira, Powell vem aí amanhã para calibrar as expectativas para o Fed. Ontem, a moeda americana fechou estável (-0,02%), a R$ 5,4821.
… A baixa no rendimento dos Treasuries, via ata e revisão do payroll, até apoiou um recuo nas taxas curtas dos DIs, mas o fato de eles terem devolvido parte da queda no fim da sessão limitou queima mais forte de prêmios por aqui.
… No fechamento, o DI para Jan/25 caiu para 10,750% (de 10,801% na véspera), o Jan/26 recuou a 11,450% (de 11,538%) e do Jan/27 cedeu a 11,430% (de 11,538%).
… Certo ajuste nas apostas para a Selic, com o mercado devolvendo parcialmente as chances de alta de 0,50pp, também seguiu reduzindo as taxas curtas.
… A ponta longa da curva pegou a contramão, mas ficou próxima dos ajustes da véspera. O Jan/29 subiu a 11,500% (de 11,484%); e Jan/31, a 11,520% (de 11,498%).
… Os riscos de aperto da Selic continuam no radar, até porque a atividade econômica segue firme e forte. Ontem, o PicPay elevou a projeção do PIB em 2024, de +2,3% para +2,5%. Mas reduziu 2025, de +2,0% para +1,8%.
… Embora não veja a economia superaquecida, a LCA Consultoria revisou o crescimento deste ano para 2,6% ante previsão inicial de 2% e projeta PIB de +0,9% na margem no 2Tri. Antes, esperava +0,5%.
… Apesar disso, ainda espera Selic estável de 10,50% até o fim de 2024.
AGORA É PRA VALER – O tão aguardado pivô do BC americano pode finalmente vir em setembro, a julgar pela ata do Fed e a forte revisão do payroll até março, o que sustentou as bolsas em NY e derrubou juros e dólar.
… A tradicional revisão do Escritório de Estatísticas Trabalhistas (BLS) não costuma gerar muita expectativa.
… Mas os sinais de que o mercado de trabalho dos EUA está enfraquecendo e os riscos para um dos pontos do mandato duplo do Fed – o emprego – reacenderam o interesse nos números.
… No fim das contas, a revisão foi grande, a maior desde 2009. A criação de empregos nos 12 meses até março foi 818 mil menor do que os números originais apontavam, ficando bem perto da projeção mais pessimista (-1 milhão).
… Mas em vez em renovar o medo de recessão, o mercado embarcou no sentimento de que o dado dá mais força ao início do corte de juros em setembro, num cenário de pouso suave.
… O que foi reforçado depois pela ata, que trouxe a surpreendente revelação de que alguns membros do Fed cogitaram corte de juro ainda em julho, mas que a “vasta maioria” viu uma redução em setembro como apropriada.
… Olhando em retrospecto, o Fed poderia ter cortado as taxas de juros em julho, dada a forte revisão do payroll, segundo o economista-chefe da Comerica, Bill Adams.
… No monitoramento do CME, cresceram (a 36%) as apostas de corte de 50pbs em setembro, mas uma redução de 0,25pp ainda é majoritária (64%).
… Para Christian Thorgaard (Skopos), a ata mostrou que os riscos de inflação baixaram e os do emprego subiram. “Alguns diretores notaram que desaceleração adicional arrisca uma piora mais consistente no mercado de trabalho.”
… O tom da ata, aliado ao payroll de julho, bem como a revisão de ontem, justificariam o começo de um ciclo de cortes em setembro com queda de 50pbs no juro, avalia Thorgaard.
… A bola agora está com o payroll de agosto, que se vier fraco, pode chancelar de vez os 50pbs.
… Com esse combo ata-revisão dos dados de emprego, as bolsas em Wall Street fecharam em alta moderada, já que os investidores ainda esperam o discurso de Jerome Powell amanhã, em Jackson Hoje.
… O Nasdaq liderou os ganhos, com alta de 0,57%, aos 17.918,99 pontos. O S&P 500 ganhou 0,42% (5.620,82) e o Dow Jones subiu 0,13% (40.889,96).
… Nos Treasuries, os juros desceram bem, especialmente após a ata, mas devolveram parte da queda, justamente por causa da cautela antes das palavras do presidente do Fed.
… A expectativa é que ele chancele o corte mês que vem, mas sem se comprometer com o futuro, reforçando a dependência de dados para tomar decisões.
… Mais atado aos passos da política monetária, o rendimento da note de 2 anos se afastou um pouco mais dos 4%. Caiu de 3,983% na véspera para 3,930%. O da note de 10 anos cedeu a 3,794%, de 3,806%.
… Na contramão, o juro do T-bond de 30 anos subiu a 4,068%, de 4,061%.
… O dólar seguiu apanhando dos pares. O índice DXY chegou a perder os 101 pontos na mínima do dia (100,923) e fechou no menor nível desde dezembro passado, em 101,039 (-0,40%).
… Euro e libra, que aceleraram logo depois da revisão do payroll, alcançaram o maior patamar desde julho passado.
… A moeda comum subiu 0,26%, a US$ 1,1155, e a britânica avançou 0,44%, a US$ 1,3091. O iene ficou perto da estabilidade (-0,02%), em 145,144/US$.
EM TEMPO… Conselho de Administração aprovou o aumento de capital da OI no valor de R$ 1,39 bilhão, por meio da emissão de 264.091.364 novas ações ON.
NATURA. BlackRock reduziu participação na companhia de 5,05% para 4,99% do capital social, passando a deter 69.296.739 de ações ON.
BRASKEM. Em manifestação após a sentença que condenou sua controladora, Novonor, a indenizá-la em R$ 8 bi, a empresa disse à Justiça que receber esses recursos ou crédito a coloca em risco e “piora sua situação”…
… Isso ocorreria em razão de compromissos assumidos nos acordos de leniência firmados no Brasil, Suíça e EUA e que seriam descumpridos com o recebimento, segundo reportagem do Valor.
JHSF adquiriu participação de controle na empresa italiana Tavolara Bay, situada na região da Sardenha, com o objetivo de desenvolver o projeto de um Hotel Fasano na ilha; valor da operação não foi divulgado.
VIBRA ENERGIA antecipou a aquisição dos 50% da Comerc, no valor de R$ 3,52 bilhões; Comerc foi avaliada em R$ 7,05 bilhões em julho/2024, com 2,1 GW em operação.
ENERGISA aprovou a 21ª emissão de debêntures, no valor de R$ 975 milhões.
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Revisão do emprego nos EUA concentra expectativas
Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*
[21/08/24]
… Com a agenda esvaziada de indicadores, lá fora e aqui, os mercados esperam hoje pela ata da última reunião do Fomc (15h) e, com mais expectativa, pela revisão dos dados do mercado de trabalho nos EUA pelo Escritório de Estatísticas Trabalhistas (BLS), que pode sugerir enfraquecimento maior do emprego. Já nesta 3ªF, estimativas de que os números indicariam até um milhão de vagas a menos justificaram cautela em NY e o crescimento da apostas em corte maior do juro. Às vésperas do seminário de Jackson Hole (6ªF), esses dados podem moldar o discurso de Powell e influenciar fortemente os ativos. Depois do susto com o payroll, que colocou na pauta o risco de um hard landing, economistas passaram a acreditar que a economia desacelera de modo saudável, afastando o fantasma da recessão.
… A revisão preliminar do BLS, no entanto, pode resgatar os piores receios se confirmar que o emprego nos 12 meses até março foi muito menos robusto do que o estimado inicialmente, realimentando preocupações de que o Fed esteja ainda mais atrás na curva de juros.
… Na Bloomberg, economistas do Wells Fargo calculam que as revisões podem mostrar que o emprego no período foi pelo menos 600 mil mais fraco do que o divulgado, com expurgo de 50 mil empregos por mês.
… Já analistas do JPMorgan Chase preveem um declínio de cerca de 360 mil e do Goldman Sachs indicam que pode chegar a um milhão.
… Uma revisão para baixo de mais de 501.000 seria a maior em 15 anos e indicaria que o mercado de trabalho está esfriando há mais tempo, e talvez mais do que se pensava.
… A projeção de referência preliminar será seguida por revisões finais incorporadas ao relatório de janeiro para divulgação em fevereiro.
… Uma vez por ano, o BLS compara o nível de emprego de março ao Censo Trimestral de Emprego e Salários (QCEW), que se baseia em registros de impostos estaduais de seguro-desemprego e cobre quase todos os postos de trabalho dos EUA.
… A divulgação do relatório mais recente do QCEW em junho já indicava abertura de vagas mais fracas no ano passado.
… No momento, os dados do BLS mostram que a economia criou 2,9 milhões de empregos nos 12 meses até março/2024, ou uma média de 242 mil por mês. Mesmo que a revisão seja de até um milhão, os ganhos de emprego mensal seriam, em média, de 158 mil.
… Este ainda é considerado um ritmo saudável de contratações, mas em desaceleração em relação ao pico pós-pandemia.
… Uma grande revisão negativa não só elevaria os riscos para o mandato duplo do pleno emprego do Fed, mas pode reacender o debate sobre se a desaceleração no mercado de trabalho arrisca uma retração mais abrupta na economia.
… Nesta 3ªF, a expectativa pela revisão do BLS elevou de 24% para 32,5% as chances de um corte de 50pbs do juro em setembro no CME, com recuo das apostas em 25pbs de 76% para 67,5%, enquanto o ajuste total para este ano subia de 75pbs para 100 pontos-base.
… A Note-2 anos, que melhor projeta os próximos passos da política monetária, voltou a projetar taxa abaixo de 4%, enquanto o dólar caía ante rivais e subia ante as moedas emergentes. O Ibov se descolou e renovou a máxima histórica.
… Já nos juros futuros, as declarações de Gabriel Galípolo e Campos Neto corrigiram as apostas mais agressivas em aumento da Selic e os contratos intermediários e longos voltaram a adicionar prêmios, com a inclinação da curva (leia abaixo).
DESONERAÇÃO – Mesmo com a retirada do aumento do IR sobre os Juros sobre o Capital Próprio (JCP), de 15% para 20%, do projeto que estabelece a compensação da desoneração da folha, Haddad considerou que a aprovação “é um avanço”.
… “Vamos trabalhar diligentemente para o melhor resultado possível com as propostas do Senado”, disse o ministro, explicando que, “se houver necessidade de compensação adicional, vamos levar à consideração do STF e do presidente Rodrigo Pacheco”.
… Haddad lembrou que Pacheco se comprometeu a retomar a negociação para garantir a compensação de 2025 em diante se as medidas aprovadas pela Casa se mostrarem insuficientes para cobrir os custos da desoneração, que acabará gradualmente em 2028.
… O aumento da alíquota sobre JCP era uma proposta da Fazenda para garantir o compromisso do Senado com a compensação, mas não representaria receitas para este ano, já que a medida exigiria um período de noventena para valer só a partir do ano que vem.
… Na reta final das negociações, o relator Jaques Wagner também abriu mão em seu parecer do dispositivo que delegava o julgamento do Imposto Territorial Rural (ITR) para os municípios que optarem por essa medida.
… As medidas aprovadas – atualização de bens no IR, repatriação de ativos do exterior, renegociação de multas por agências reguladoras, pente-fino no INSS e programas sociais, entre outras – devem gerar de R$ 25 bilhões a R$ 26 bilhões para cobrir os custos de 2024.
… No novo parecer, o relator também definiu que as empresas serão obrigadas a manter ao menos 75% dos empregados para driblarem a taxação sobre a folha. Na primeira versão do parecer, o porcentual era de 100%.
… Depois, foi reduzido para 90%, mas ainda assim enfrentou resistência. O PL da desoneração segue à Câmara.
EMENDAS – Lula conseguiu, ao menos parcialmente, o seu principal objetivo na rediscussão das emendas parlamentares.
… O acordo, possibilitado pela suspensão imposta pelo Supremo Tribunal Federal ao repasse de emendas impositivas e firmado entre os Três Poderes nesta 3ªF, inclui o uso de parte dos recursos para obras estruturantes, como queria o presidente.
… Mas, segundo o Broadcast Político, o governo seguirá com dificuldades para trocar verbas por apoio político e ficará quase impossível reduzir o volume de dinheiro destinado a emendas parlamentares no futuro. Ou seja, o Congresso seguirá poderoso.
… Luís Roberto Barroso (STF) afirmou que as autoridades decidiram manter as “emendas pix”, mas que as “transferências livres” acabaram, para que haja maior rastreabilidade e transparência sobre o uso das verbas.
AGENDA FRACA – Aqui, o BC divulga o fluxo cambial semanal, às 14h30. Nos EUA, os estoques de petróleo do DoE (11h30) têm previsão de queda de 1,5 milhão de barris. À noite (22h), o BC da Coreia do Sul decide juro.
MANSO – A ponta curta do DI devolveu os exageros da aposta em 0,50pp de alta da Selic nas próximas reuniões do Copom, após Campos Neto ter pedido “calma” e “cautela” aos investidores, em entrevista ao jornal O Globo.
… Ainda nesta 3ªF, durante participação em evento do BTG Pactual, o presidente do BC pareceu mais dovish quando disse que a redução do desemprego no Brasil ainda não promoveu “perturbações inflacionárias”.
… Segundo ele, a inflação aqui, no México e Chile se deve basicamente à pressão dos alimentos e energia.
… O mercado também fez uma releitura das últimas declarações de Galípolo e viu o copo meio cheio, concentrando-se no recado de que “não há guidance”, apesar de ele admitir que uma alta do juro está na mesa.
… Na curva a termo, a chance de uma elevação de meio ponto da Selic em setembro caiu de 20% para 12%, segundo cálculos do banco Bmg ao Broadcast, levando os juros futuros de curto prazo a se ajustarem em baixa.
… O DI Jan/25 caiu a 10,795% (contra 10,844% no pregão anterior) e Jan/26 recuou a 11,480% (de 11,550%).
… Já o trecho longo inclinou para cima, de olho no salto do dólar para perto de R$ 5,50, em correção técnica, após ter caído muito nos últimos dias. Jan/29 subiu a 11,450% (de 11,380%) e Jan/31, a 11,460% (de 11,370%).
… O câmbio não deixou de repercutir o tom mais brando de RCN, porque se a Selic não subir ou subir menos (0,25pp), o real deve ter menor espaço para se apreciar. O dólar escalou 1,31%, negociado a R$ 4,4831.
… A arrancada teve contribuição do novo rali do iene e da manutenção da taxa de juro pelo BC da China.
… A moeda norte-americana já abriu num gap de alta, diante da expectativa frustrada de um corte pelo PBoC, que poderia estimular a fragilizada economia chinesa, um dos principais mercados de exportação do Brasil.
MONSTRO – A China não cortou juro e o petróleo e as bolsas em NY não subiram. Mas nada disso foi barreira para o Ibov bancar nova marca inédita de fechamento, provando que recordes existem para serem quebrados.
… O índice à vista da bolsa doméstica subiu pouco ontem, só 0,23%, mas o suficiente para terminar no pico (136.087,41 pontos) pelo segundo pregão consecutivo, depois de tocar 136.329,79 pontos na máxima intraday.
… A nova investida do índice à vista para os níveis históricos, acima dos 136 mil pontos, contou com a alta em bloco dos bancos e o avanço da Vale (ON, +0,39%, a R$ 57,20), em linha com a reação do minério (+1,21%).
… Mas analistas no Broadcast apontam que a commodity metálica, que atingiu recentemente a mínima em quase três anos, deve demorar para se recuperar, com dúvidas sobre a demanda e sem estímulos de Pequim.
… Esta mesma preocupação, de consumo global menor, derrubou o petróleo Brent/out (-0,59%; US$ 77,20).
… O barril abaixo de US$ 80 pode engatilhar pressões por queda dos preços dos combustíveis pela Petrobras, que ampliou as perdas. O papel ON registrou recuo de 0,36% (R$ 41,09) e o PN caiu 0,39% (R$ 38,29).
… No contraponto positivo, o corte de juro contratado pelo Fed e o ajuste de posições para a Selic, com o investidor esfriando a expectativa de alta mais agressiva do juro, puxou uma valorização do setor financeiro.
… Bradesco PN subiu 0,38%, a R$ 15,70; Banco do Brasil ON, +0,45%, para R$ 29,26; Itaú ganhou 0,73%, a R$ 37,23; e Santander, +1,04%, a R$ 31,07. Apenas Bradesco ON tomou a direção oposta, caindo 0,21%, a R$ 14,06.
OS FALCÕES SE DOBRAM – Considerada a diretora mais hawkish do Fed, Michelle Bowman admitiu ontem, às vésperas de Jackson Hole, que a desinflação nos EUA pode abrir espaço para um corte cauteloso do juro.
… “Se os dados seguirem indicando desaceleração inflacionária sustentável, será apropriado reduzir gradualmente a taxa dos Fed Funds para evitar política excessivamente restritiva à atividade e emprego.”
… A expectativa mais dovish nos mercados em NY também respondeu à reportagem da Bloomberg de que a revisão do payroll pode mostrar até 1 milhão de empregos a menos no período de 12 meses até março.
… O dólar e os juros dos Treasuries aceleraram a queda, com a taxa da Note-2 anos voltando para baixo de 4%.
… O rendimento do bônus de curto prazo do Tesouro norte-americano caiu para 3,996% no fechamento dos negócios, contra 4,069% no pregão anterior. O retorno da Note-10 anos recuou de 3,867% para 3,813%.
… O Goldman Sachs acredita que Powell vá expressar um pouco mais de confiança nas perspectivas de inflação e colocar mais ênfase nos riscos ao mercado de trabalho em seu discurso esta semana em Jackson Hole.
… Em relatório ao mercado, a instituição financeira observa que declarações nesse sentido viriam em linha com a previsão do banco de três cortes consecutivos de 25pb do juro pelo Fed (setembro, novembro e dezembro).
… Na esperança de que Powell confirme o início do ciclo no mês que vem, o índice DXY, do dólar, seguiu nas mínimas desde janeiro (101,441 pontos, em queda de 0,44%) e o euro e a libra investiram às máximas do ano.
… A moeda do bloco europeu subiu 0,38%, a US$ 1,1126, a libra avançou 0,34%, a US$ 1,3033, e iene foi mais longe (+0,93%), a 145,41/US$, cobrando o seu preço do real e das moedas emergentes, como se viu nesta 3ªF.
… Em Wall Street, as bolsas frearam as perdas com Bowman. Mesmo assim, o S&P 500 (-0,20%, aos 5.597,12 pontos) e o Nasdaq (-0,33%, a 17.816,94 pontos) interromperam a sequência de oito pregões seguidos no azul.
… Os dois índices de ações pararam para tomar fôlego antes da participação de Powell em Jackson Hole e da revisão dos dados de emprego nos EUA. O Dow Jones também caiu de leve (-0,15%), a 40.834,97 pontos.
EM TEMPO… PAGBANK teve lucro líquido recorrente de R$ 542 milhões no 2TRI24, alta anual de 31%; receita líquida cresceu 19%, para R$ 4,6 bilhões no período…
… Volume em maquininhas cresceu 34%, para R$ 124,4 bilhões; carteira de crédito subiu 11% em um ano, para R$ 2,9 bilhões.
CVC. WNT Gestores de Recursos atingiu participação acionária de 5,01% no capital social da empresa, passando a deter 26.333.100 de papéis ON; gestora não detinha anteriormente quantidade relevante de ações da companhia.
AMERICANAS. Santander reduziu participação para 4,87% das ações ON, passando a deter 960.714.956 de papéis do tipo, além de 459.388.618 de bônus de subscrição…
… Justiça revogou mandado de prisão contra o ex-CEO Miguel Gutierrez.
COGNA fará resgate antecipado facultativo total das debêntures da 2ª série da 7ª emissão nesta 6ªF (23); a 7ª emissão foi realizada em julho de 2021, com valor principal de R$ 1,250 bilhão.
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AVISO – Bom Dia Mercado, produzido pela Mídia Briefing, não pode ser copiado e/ou redistribuído.
Haddad e Campos Neto falam em evento do BTG Pactual
Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*
[20/08/24]
… O banco central da China (PBOC) manteve os juros das LPRs de 1 anos e 5 anos estáveis em 3,35% e 3,85%, respectivamente, nesta 3ªF, em meio à grande expectativa de que Powell confirme em Jackson Hole a inflexão da política monetária nos EUA, na 6ªF. O mercado já antecipa a aposta de uma sinalização mais firme do primeiro corte em setembro derrubando o dólar em escala global. Aqui, as chances de alta da Selic, novamente admitidas por Galípolo, ampliaram a atratividade do carry trade, provocando forte apreciação do real. O dólar chegou a furar R$ 5,40 no intraday, enquanto a curva de juros perdia inclinação e o Ibov marcava recorde histórico, a um triz de vencer os 136 mil pontos. Em dia sem indicadores importantes, o Macro Day do BTG Pactual movimenta hoje os mercados.
… O evento terá a participação de Fernando Haddad (9h10), Campos Neto (10h) e do presidente da Câmara, Arthur Lira (17h20).
… No exterior, as atenções se voltam para as declarações do dirigente do Fed/Atlanta, Raphael Bostic (14h35). Mais cedo, a zona do euro divulga a inflação do consumidor de julho (6h) e o BC da Turquia anuncia decisão sobre juros (8h).
… Em discurso à noite em NY, o presidente do BC finlandês, Olli Rehn, destacou o aumento dos riscos de retração da economia na zona do euro para defender que reforçam o argumento da favor de um corte nas taxas de juro do BCE em setembro.
… Os mercados globais iniciaram a semana no pico de animação, na contagem regressiva para Jackson Hole, que tradicionalmente é palco do anúncio de mudanças na política do Fed. As pistas já estão dadas, mas a mensagem de Powell fará toda a diferença.
… Depois das ondas de estresse e volatilidade diante dos riscos de um hard landing, os investidores já acreditam em um pouso suave, com um processo tranquilo de queda dos juros, acompanhado de desinflação. Esse também é o melhor cenário para os emergentes.
… Um quadro de recessão da economia americana, que exigiria mão mais pesada do Fed, seria muito negativo para o resto do mundo.
… Na ferramenta do CME, a probabilidade de um corte de 25 pontos-base do juro nos EUA em setembro passa dos 70%, enquanto menos de 30% ainda acreditam em uma queda maior, de 50 pontos. Powell deve ajustar as apostas até o fim do ano.
… No Brasil, o cenário externo mais favorável soma-se à confiança recuperada na condução da política monetária do novo Banco Central a partir de janeiro para projetar a continuidade da valorização do real. Galípolo deu conta desse primeiro desafio.
… Cotado para ser o substituto de Campos Neto, o diretor de Política Monetária endureceu suas falas nas últimas semanas, convencendo o mercado de que não haverá concessões políticas e nem cavalo de pau em sua provável gestão.
… Galípolo voltou a dizer que, na opinião dele, o balanço de riscos está assimétrico, com mais riscos pendentes para a alta da inflação, mas insistiu que isso não pode ser tomado como um guidance, que o BC está dependente de dados e todas as opções estão na mesa.
… A mensagem já começou a ter efeitos nas expectativas de inflação de 2025, que voltaram a ser reduzidas na pesquisa Focus, de 3,97% a 3,91%, embora ainda estejam acima da meta de 3%. Além disso, o expurgo da pressão cambial é outra boa notícia.
… Resta saber se, para o Copom, esses alívios serão suficientes para manter a Selic estável em 10,5%, quando a curva do DI ainda precifica aumentos de 50 pontos-base nas três últimas reuniões deste ano, já a partir de setembro.
… Também algumas casas, como o BTG Pactual, revisam em alta a sua projeção para os juros, passando a esperar aumento inicial de 25pbs em setembro, seguido de duas altas de 50pbs em novembro e dezembro, além de mais 25pbs em janeiro, com a Selic a 12%.
CHÁ DE CADEIRA – Após uma série de desentendimentos com Haddad, Pacheco descarta realizar a análise do escolhido pelo presidente Lula ao comando do BC antes das eleições municipais, em outubro, segundo apuração do Valor, nos bastidores.
… O Palácio do Planalto planeja fazer a indicação nas próximas duas semanas e Lula já vinha dizendo que, antes, teria de negociar com o presidente do Senado para incluir a sabatina e votação no próximo período de esforço concentrado, no início de setembro.
… Segundo aliados de Pacheco, no entanto, Haddad merece um “chá de cadeira” diante do desgaste na relação por causa do projeto de renegociação da dívida dos Estados, de autoria do presidente do Senado e rejeitado pela Fazenda em muitos pontos.
DESONERAÇÃO – O Senado deve votar hoje o parecer de Jaques Wagner sobre o projeto da desoneração da folha de pagamentos.
… A proposta prevê a reoneração progressiva para as empresas dos 17 setores da economia até 2027. Durante a transição, a alíquota seguirá zerada este ano, passando a 5% em 2025, 10% em 2026, 15% em 2027, chegando ao patamar de 20% em 2028.
… Já os municípios seguirão com a cobrança de 8% em 2024, 12% em 2025, 16% em 2026 e 20% em 2027.
… O relator incluiu no parecer uma série de medidas de compensação, sendo a principal delas o aumento da taxação do JCP de 15% para 20%, a pedido da Fazenda. A expectativa de arrecadação não foi informada nem por Wagner, nem pela equipe econômica.
… O texto prevê a atualização do valor dos bens imóveis, com a tributação incidindo sobre a diferença entre o valor de mercado e o custo de aquisição, com alíquota de 4% no caso das pessoas físicas e, para as empresas, de 6% de IR e 4% de CSLL.
REVISÃO DE GASTOS – O secretário-executivo do Planejamento, Gustavo Guimarães, disse que, se não houver uma decisão do Congresso sobre a compensação da desoneração até o envio do PLOA (30/8), a equipe econômica trabalhará com o cenário “prudente”.
… Isso significa que será considerada uma compensação não suficiente para cobrir o rombo fiscal.
… Em live promovida pelo Bradesco Asset, explicou que o Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2025 vai trazer um anexo específico para detalhar a agenda de revisão de gastos, de modo a dar maior transparência e mostrar o tamanho do esforço fiscal do governo.
… Guimarães citou três eixos da agenda de revisão de gastos: um vertical, que avalia as fraudes e usos indevidos de benefícios e propõe a redução nas distorções; um mais estrutural, que busca modernizar as vinculações no Orçamento; e outro com foco nos subsídios.
… O secretário defendeu ainda a redução do gasto com precatórios até 2027, quando a despesa precisará ser acomodada no Orçamento.
STF – Luiz Roberto Barroso reúne-se hoje com Lira e Pacheco para buscar acordo sobre a execução das emendas impositivas, suspensas por decisão do ministro Flávio Dino e referendada de forma unânime pela Corte.
… Encontro terá a presença de outros ministros do Supremo Tribunal Federal e dos ministros Rui Costa (Casa Civil) e Jorge Messias (AGU).
AGENDA FRACA – A segunda prévia do IGP-M é o único destaque doméstico desta 3ªF.
O BODE FORA DA SALA – Em um ganho importante de credibilidade e reputação do novo BC, os comentários conservadores de Galípolo têm agradado pelo senso técnico. O mercado está gostando de ver a política fora dessa.
… A sinalização de que, se preciso, o Copom será mais duro no curto prazo para aliviar as coisas lá na frente, já tem surtido efeito nas expectativas de inflação e ontem provocou queda no juros futuros de médio e longo prazo.
… Só a ponta curta teve alta isolada, porque é a reação natural e esperada, diante de uma alta da Selic na mesa.
… Faltando quatro semanas para o próximo Copom, Galípolo lembrou ontem que todas as opções estão no radar do BC, porque ainda há indicadores de inflação e de emprego para sair na agenda doméstica, além do Fed lá fora.
… No fechamento, o DI para Jan/25 subiu para 10,845% (de 10,839% no pregão anterior). Já o Jan/26 caiu a 11,580% (de 11,650%); Jan/27, a 11,410% (de 11,560%); Jan/29, a 11,380% (de 11,500%); e Jan/31, a 11,370% (de 11,490%).
… Segundo pesquisa do Broadcast, a mediana do mercado continua a indicar Selic estável, em 10,50%, no final do ano, mas cresceu de 2% no início do mês para 42% agora a expectativa de uma retomada do aperto monetário.
… Entre 61 instituições consultadas, 25 (ou 41%) anteveem uma elevação da taxa de juro já no próximo Copom, em setembro. Para a maioria (36 casas, ou 59%) porém, o colegiado deve manter juro inalterado no próximo encontro.
… Influenciado pela expectativa de Selic alta por mais tempo e pela fraqueza global do dólar antes de Jackson Hole, o real ostentou ontem o segundo melhor desempenho entre as moedas latinas, atrás apenas do peso chileno.
… O dólar operou abaixo de R$ 5,40 na mínima intraday (R$ 5,3770). Fechou em queda firme de 1,02%, a R$ 5,4120. Desde o auge do nervosismo no início do mês, quando quase bateu R$ 5,75, a moeda já devolveu 5,73%.
… Nem a alta expressiva do iene nesta 2ªF, que poderia influenciar o câmbio, conseguiu melar o avanço do dólar.
IBOV GRITA GOL – Desbancando o recorde do fim do ano passado, o índice à vista da bolsa doméstica estabeleceu a mais nova máxima de todos os tempos, perto da marca dos 136 mil pontos: subiu 1,36%, a 135.777,98 pontos.
… Também renovou o pico histórico intraday, os 136.179,21 pontos. O giro financeiro foi de R$ 25,5 bilhões na sessão. Desde que o mês começou, o Ibovespa acumula ganho de 6,37% e já virou para o positivo no ano (+1,19%).
… Embalado pelo bom humor externo e pelo esvaziamento da percepção de que o novo Copom será politizado, quase 90% da carteira teórica do Ibov fechou no azul. Só não foi ainda melhor, porque Petrobras sentiu o petróleo.
… Petrobras ON cedeu 0,77% (R$ 41,24), na mínima do dia, e PN caiu 0,16% (R$ 38,44). Os papéis registraram queda mais limitada do que o Brent para outubro (-2,54%), a US$ 77,66, que reagiu às negociações de cessar-fogo em Gaza.
… O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, disse que Israel aceitou a proposta de paz. Porém, ainda não está claro se os líderes do Hamas concordarão com o acordo para impedir a escalada dos conflitos no Oriente Médio.
… Ainda entre as commodities, o minério deu um tempo nas baixas em série e teve uma recuperação parcial (+0,71%), animando a Vale (ON, +1,60%, a R$ 56,98), Usiminas (PNA, +6,91%), CSN (ON +6,19%) e Gerdau (+2,50%).
… Sinal positivo também entre os bancos. Bradesco puxou os ganhos no setor, com salto de 5,62% (ON; R$ 14,09) e de 4,48% (PN; R$ 15,64), depois de o Goldman Sachs ter elevado a recomendação dos papéis de neutro para compra.
… Itaú ganhou 0,60%, a R$ 36,96, Santander teve elevação de 1,69% (R$ 30,75) e BB ON subiu 2,68%, a R$ 29,13.
… Petz disparou 23,87%, a R$ 23,87, ainda repercutindo a conclusão da combinação de negócios com a Cobasi. Em seguida, Marfrig avançou 13,19% (R$ 14,58), beneficiada pela elevação do preço-alvo do papel pelo BofA.
… Com o alívio dos juros futuros em grande parte da curva do DI, ações cíclicas se destacaram no ranking positivo, como foi o caso de LWSA (+12,74%; R$ 5,22%), CVC (+12,04%; R$ 2,14) e Magazine Luiza (+10,65%; R$ 13,92).
SUAVE NA NAVE – Os números não mentem sobre a melhora da percepção de risco em NY, reforçada ontem pela esperança de cessar-fogo em Gaza e expectativa de que Powell confirme o início dos cortes de juros em setembro.
… Contando os dias para Jackson Hole, o Nasdaq e o S&P 500 completaram oito pregões consecutivos de alta, na melhor sequência do ano, e o índice DXY, que mede o apelo defensivo pelo dólar, caiu à mínima desde janeiro.
… O mercado também vai monitorar a participação do presidente do BoJ, Kazuo Ueda, em Jackson Hole, já que o grande desmonte das operações de carry trade após a alta surpresa do juro do Japão em julho continua a repercutir.
… O diferencial da política monetária entre as economias americana e japonesa favorece o iene, que continuará ganhando terreno no curto prazo, acredita a Capital Economics. Ontem, a moeda asiática subiu 0,68%, a 146,62/US$.
… Com a guerra que pode acabar e Powell que tem tudo para vir dovish, o investidor saiu das posições de proteção no dólar, beneficiando o euro (+0,52%), que chegou a US$ 1,1084, e a libra esterlina (+0,36%, cotada a US$ 1,2994).
… O índice DXY, que compara o dólar a outras seis divisas fortes, caiu 0,56% e furou os 102 pontos (101,886).
… Diante da menor procura pela segurança dos Treasuries de curto prazo, o juro da Note-2 anos subiu de 4,058% para 4,069%. Já o de 10 anos caiu de 3,885% para 3,867% e o do T-Bond de 30 anos recuou de 4,141% para 4,117%.
… Em Wall Street, as bolsas pegaram ritmo. O índice Dow Jones subiu 0,58%, aos 40.896,53 pontos; o S&P 500 avançou 0,97%, aos 5.608,25 pontos; e o Nasdaq fechou em alta firme de 1,39%, aos 17.876,77 pontos.
… AMD (+4,52%) se sobressaiu no campo positivo, após anunciar a aquisição da fabricante de servidores ZT Systems.
… O Goldman Sachs reduziu a estimativa de recessão nos EUA de 25% para 20%, à medida que novos dados do mercado de trabalho e de vendas no varejo provocaram uma mudança recente de humor para melhor.
… Economistas do banco observam que várias economias menores, incluindo o Canadá, tiveram aumentos consideráveis na taxa de desemprego no ciclo atual sem embarcar em um processos recessivo.
… De seu lado, o Wells Fargo reconhece o risco de recessão nos EUA, mas ainda espera um cenário de pouso suave e projeta um relaxamento monetário mais agressivo do Fed, com corte de 50pb nos juros em setembro e novembro.
EM TEMPO… MINERVA anunciou a aquisição de 98% das ações ON da Irapuru II Energia S.A., subsidiária da Elera Energia S.A; valor da compra é de R$ 20 milhões…
… Com a transação, a companhia visa implementar um projeto de autoprodução de energia por fonte fotovoltaica na cidade de Janaúba (MG).
BRASKEM. Citi elevou recomendação da ação da companhia para compra/alto risco e reduziu preço-alvo de R$ 23,50 para R$ 22,50; revisão ocorreu após dados do 2TRI da empresa virem ligeiramente acima das estimativas do banco.
ENERGISA. Controladas de Mato Grosso, Paraíba, Sul-Sudeste e Mato Grosso do Sul aprovaram a realização de novas emissões de debêntures, que totalizam R$ 680 milhões.
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