IPCA-15 testa alta da Selic e Vale tem novo CEO

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*

[27/08/24]

… NY cumpre tabela hoje, à espera do balanço da Nvidia (amanhã) e do PCE (6ªF). O único indicador previsto para esta 3ªF nos EUA é o índice de confiança do consumidor (11h), medido pelo Conference Board. Por aqui, a Vale repercute na abertura dos negócios o anúncio, no final da noite de ontem, do novo presidente, Gustavo Pimenta. Às vésperas do envio do orçamento ao Congresso (6ªF), Haddad participa de Conferência Anual do Santander no final da tarde (18h15), quando os mercados domésticos já estarão fechados. O investidor segue ainda na expectativa do anúncio do escolhido para comandar o novo BC. Galípolo corre como favorito e, ontem, já moderou o discurso hawkish. Hoje, o IPCA-15 de agosto (9h) testa a chance de retomada das altas da Selic.

… A desaceleração prevista para os preços de alimentos, energia elétrica e passagens aéreas deve desacelerar a prévia da inflação oficial de 0,30% em julho para 0,19% em agosto, segundo a mediana de pesquisa Broadcast.

… O piso das apostas é de 0,08% e o teto, de 0,29%. Para a inflação em 12 meses, a mediana indica um enfraquecimento dos preços de 4,45% para 4,35%. O intervalo das estimativas vai de 4,23% a 4,46%.

… Se o IPCA-15 não pregar nenhuma surpresa negativa, pode esvaziar as posições mais agressivas entre os economistas e ajustar o call da Selic para manutenção, neste momento em que também o Fed entra na conta.

… O corte de juro (maior ou menor) contratado nos EUA para setembro alivia a pressão inflacionária do câmbio e pode ter ajudado o DI a desviar ontem a atenção da piora nas apostas para o IPCA/25 no levantamento Focus.

… As estimativas para a inflação do ano que vem pararam de desacelerar depois de duas semanas e reforçaram o discurso de Galípolo de desancoragem das expectativas, embora ele tenha pegado mais leve ontem (abaixo).

… O diretor do BC, que passou os últimos dias dedicado a convencer o mercado que não vem para politizar o BC, pode relaxar, porque o mercado está mais que convencido de que Galípolo pode ser bem hawkish se precisar.

… Ministros da área econômica articulam para que Lula anuncie Galípolo como substituto de RCN ainda esta semana, para dar tempo de ser sabatinado semana que vem, a última presencial no Senado antes das eleições.

… Galípolo, que esteve ontem no Piauí, antecipou o seu retorno a Brasília a pedido de Lula, para ficar de “sobreaviso”, caso o presidente decida oficializar a sua indicação à chefia do BC nas próximas horas.

HABEMOS CEO – O Conselho de Administração da Vale escolheu, por unanimidade, Gustavo Pimenta, atual vice-presidente executivo de Finanças e RI, como novo CEO da companhia, para substituir Eduardo Bartolomeo.

… A definição do novo nome encerra meses de indefinição, no processo de sucessão tumultuado pela tentativa fracassada do governo de emplacar o nome de Mantega, alvo de uma chuva de críticas na empresa e mercado.

… Desde o início do processo de escolha do novo presidente, o conselho da Vale perdeu dois integrantes: Vera Marie Inkster e José Luciano Penido, que chegou a afirmar que a empresa sofre de “nefasta influência política”.

… Pimenta assume como presidente a partir de 1º de janeiro. Seu nome foi uma solução caseira para comandar a Vale, a despeito das listas que circularam mencionando executivos da Gerdau, BHP, Caoa e Embraer.

… Formado em Economia pela UFMG e com mestrado pela FGV, Pimenta passou pelo Citigroup e pela AES antes de ingressar na Vale, onde também já foi responsável pelas áreas de Suprimentos e Energia e Descarbonização.

… Bartolomeo se disse “muito otimista” com a escolha. Também o presidente do conselho de administração da Vale, Daniel Stieler, elogiou: “o processo sucessório evidenciou o alto nível de integridade da governança”.

FISCAL – A proposta de elevação da alíquota da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL), que será encaminhada com o Orçamento na 6ªF, deve render cerca de R$ 15 bi em receitas para União em 2025.

… O cálculo foi feito ao Broadcast por técnicos a par do assunto. Na semana passada, Haddad afirmou que, além do aumento na CSLL, o governo deve enviar ainda um projeto de lei com elevação da tributação sobre JCP.

… Na manchete do Estadão, o governo federal ignora o aperto fiscal e, em meio a promessas de revisão de despesas, propôs quadruplicar o gasto com o programa Auxílio Gás, que será rebatizado de Gás para todos.

… O desembolso deve saltar dos atuais R$ 3,4 bi para cerca de R$ 5 bi em 2026, ano de eleição presidencial.

… Na agenda das contas públicas, os dados de julho do Governo Central, que estavam programados para 5ªF, tiveram a divulgação adiada pelo Tesouro Nacional, devido à operação padrão dos servidores do órgão.

… Em outra frente, o governo antecipou para amanhã o anúncio do resultado do Caged de julho. O ministro Luiz Marinho adiantou que o dado virá bom e que o acumulado do ano em sete meses vai superar o total de 2023.

… O resultado forte do emprego tende a reforçar as estimativas de crescimento do PIB do ano – a mediana das estimativas no Focus passou de 2,23% para 2,43%. O IBGE anuncia o PIB/2Tri na semana que vem (3ªF, dia 3).

… Ainda na agenda, Haddad desistiu de ir à reunião do banco do Brics, na África do Sul. Ele embarcaria amanhã à noite. A assessoria do Ministério da Fazenda não confirmou o motivo do cancelamento da viagem.

… A desistência ocorre, porém, em meio à elaboração do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2025.

… O texto será enviado na 6ªF ao Congresso. Três dos gastos obrigatórios que mais preocupam o governo (BPC, pagamentos previdenciários e seguro-desemprego) pressionam o Orçamento, com alta de R$ 75 bi (Broadcast).

MAIS AGENDA – Antes do IPCA-15, sai hoje a terceira prévia da inflação paulistana do IPC-Fipe (5h).

CHINA HOJE – O lucro industrial registrou alta anualizada de 4,1% em julho, acima de junho (3,6%). Foi o quarto mês seguido de alta, em meio ao esforço da indústria de compensar a queda prolongada do setor imobiliário.

MENOS É MAIS – Aliviando a barra contra o tom dos comentários recentes, que despertaram especulações de ruídos internos no BC, Galípolo ajudou a acalmar o DI, que fechou em queda modesta na véspera do IPCA-15.

… A aposta na perda de fôlego da prévia da inflação também contribuiu para manter os juros futuros acomodados, apesar da piora nas expectativas para o IPCA no levantamento Focus, em especial para 2025 (3,91% para 3,93%).

… O máximo que Galípolo se atreveu a dizer, em evento no Piauí, foi que a expectativa de inflação doméstica está desancorada, que a porta segue aberta para um aumento da Selic, mas que o BC está dependente de dados.

… Ele também classificou como “granulares” eventuais divergências entre os diretores do Copom.

… A informação de que Galípolo teria sido chamado por Lula para uma reunião ontem à tarde aumentou a especulação de que ele será o escolhido para o comando do novo BC e também ajudou a curva a se acalmar.

… Além disso, o dólar comportado, em torno da estabilidade, favoreceu o ambiente morno no DI.

… O Jan/25 ficou praticamente estável, em 10,825% (de 10,828% na 6ªF), e o Jan/26 caiu a 11,420% (de 11,485%). O Jan/27, a 11,385%, de 11,469%.

… O DI Jan/29 desceu a 11,495% (de 11,561%) e o Jan/31, a 11,520% (de 11,576%).

… No embalo do exterior, em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio e decepção com a manutenção dos juros na China, o dólar subiu 0,24%, a R$ 5,4928.

… Mas a forte alta do petróleo e do minério de ferro e a elevação da recomendação das ações da Petrobras pelo Morgan Stanley ajudaram a frear o ímpeto da moeda por aqui, trazendo fluxo gringo.

… A tendência para o real é para cima, na visão do Rabobank, que cita o início do corte de juros pelo Fed e a manutenção da Selic em 10,50%, devendo atrair operações de carry trade.

… Na expectativa do banco, a taxa de câmbio vai a R$ 5,20 no fim de 2024 e a R$ 5,18 em dezembro de 2025.

… O que pode atrapalhar a valorização da moeda doméstica é o “lento ajuste das contas públicas”, que deve manter a pressão de incertezas fiscais sobre o real.

NÃO LARGA O OSSO – A escalada de 3% do petróleo e do minério de ferro ofuscou a fraqueza dos bancos e assegurou mais um recorde de fechamento para a conta do Ibovespa: 136.888,71 pontos, em alta de 0,94%.

… Alvo de uma febre compradora, Petrobras disparou com um possível choque de oferta no Brent (nov, +2,83%, a US$ 80,36 por barril), diante do agravamento das tensões no Oriente Médio e da suspensão da produção na Líbia.

… A ação da estatal petrolífera contou ainda com o estímulo adicional da decisão do Morgan Stanley de elevar a recomendação do papel de equal weight (equivalente a neutra) para overweight (equivalente a compra).

… Segundo o banco, a mudança se deve ao foco da companhia na remuneração dos acionistas, com análises de mercado sugerindo a possibilidade de distribuição de dividendos extras de US$ 7 bilhões até o ano que vem.

… Liderando com folga o ranking positivo, Petrobras ON saltou 8,96% (R$ 42,92) e PN, +7,26% (R$ 39,57).

… Cansado de tanto cair, o minério de ferro testou uma reação técnica (+3,45%) e embalou Vale (ON, +1,13%, a R$ 58,05), CSN Mineração (+0,36%), Gerdau PN (+0,66%), Usiminas PNA (+0,76%) e Metalúrgica Gerdau PN (+0,38%).

… Faltando só quatro pregões para agosto acabar, o Ibovespa acumula alta de 7,24% no mês e caminha para estabelecer o melhor desempenho desde novembro (+12,54%) e marcar o terceiro ganho mensal consecutivo.

… Tendo as commodities como motor ontem, a bolsa driblou o desempenho tímido do setor financeiro, depois da festa de 6ªF com Powell. BB (+0,39%, a R$ 28,33) e Itaú (+0,22%, a R$ 36,54) ainda escaparam em alta.

… Já Bradesco ON (-0,49%; R$ 14,13), Bradesco PN (-0,32%; R$ 15,61) e Santander (-0,03%; R$ 31,28) caíram.

… A maior desvalorização do pregão foi da CVC (-8,00%; R$ 2,07), em meio à venda de ações pela gestora WNT.

… Na segunda pior posição do dia, Rumo perdeu 2,92% (R$ 22,92), após anunciar a atualização de suas projeções de investimento para a Ferrovia do Mato Grosso (FMT), com aumento dos recursos.

UM OLHO NO FED, OUTRO NA NVIDIA – O mercado segue feliz com o iminente corte de juros pelo Fed – ontem, dois dirigentes ecoaram Powell –, mas preferiu manter a cautela antes do balanço da Nvidia, na 4ªF.

… Os números trimestrais da big tech têm servido como uma bússola para o potencial de rentabilidade da IA, algo que animou investidores nos últimos meses e levou as bolsas a baterem recordes sucessivos.

… Prevenindo-se de resultados menos estelares que os esperados, investidores resolveram realizar algum lucro sobre as techs.

… A apreensão do mercado com o balanço é justificável. Juntas, as sete magníficas devem registrar um lucro 34% maior no 2Tri, sobre o ano passado, em comparação com os 6% do resto do S&P 500.

… Além da Nvidia (-2,25%), todas as outras seis integrantes das “sete magníficas” caíram ontem.

… O setor foi o principal responsável pela baixa de 0,31% no S&P 500 (5.616,94 pontos) e se sobrepôs aos ganhos dos papéis relacionados ao salto do petróleo. O Nasdaq recuou 0,85% (17.725,77 pontos).

… Na contramão, o Dow Jones subiu 0,16%, o suficiente para um novo fechamento recorde: 41.240,52 pontos, puxado por American Express (+1%) e Caterpillar (+0,8%).

… Quanto ao Fed, dois membros votantes do Fomc foram na mesma linha dovish de Powell em Jackson Hole.

… Mary Daly (San Francisco) afirmou que é apropriado começar a cortar os juros. “O momento para ajustar a política monetária chegou, com riscos mais balanceados”, disse.

… Seu colega de Richmond, Thomas Barkin, ainda vê riscos de alta para a inflação, mas disse apoiar a redução das taxas diante de um mercado de trabalho em declínio.

… Essas falas não foram suficientes para tirar mais prêmios dos Treasuries, que passaram por um ajuste técnico depois da forte queima na 6ªF.

… Além disso, o aumento (+9,9%) bem acima do esperado (+5,0%) das encomendas de bens duráveis nos EUA em julho ante junho foi um lembrete da resiliência da economia americana.

… No fim da tarde em NY, o juro da note de 2 anos subia a 3,937% (de 3,911%) e o da note de 10 anos avançava a 3,819% (de 3,799%). O do T-bond de 30 anos projetava 4,110% (de 4,090%).

… O dado das encomendas ajudou a levantar o dólar e o índice DXY subiu 0,13%, a 100,851 pontos. O euro ainda foi pressionado pela queda do índice Ifo de sentimento das empresas na Alemanha, de 87,0 para 86,6, em agosto.

… Para analistas, é mais um indício de que a recuperação da economia alemã continuará sendo acidentada.

… A moeda comum caiu 0,28%, a US$ 1,1163, e a libra recuou 0,18%, a US$ 1,3188. O iene teve queda de 0,24%, a 144,534 ienes/US$.

EM TEMPO… SABESP aprovou a 32ª emissão de debêntures no valor de R$ 2,5 bilhões.OI. O conselho de administração aprovou um ajuste do programa de ADR da companhia. Com isso, cada ADR ON passará a representar 5 ações ON e cada ADR PN será equivalente a 2 ações PN…

… A medida foi tomada, porque nos últimos anos os ADRs não acompanharam os grupamentos, de modo que os ADRs ON e PN têm preços unitários hoje de apenas US$ 0,06 e US$ 0,03, respectivamente…

… Segundo a companhia, isso traz restrições de liquidez para seus detentores.

TELEFÔNICA alterou valor por ação a ser pago em JCP, de R$ 0,2435 para R$ 0,2441, num total de R$ 400 milhões (valor bruto)…

… Mudança decorreu-se da aquisição de ações emitidas pela empresa, mediante o programa de recompra; dividendo será pago até 30 de abril de 2025, com base na composição acionária de 26 de agosto.

FLEURY encerrou programa de recompra com aquisição de 1,31 milhão de ações, a preços de mercado não especificados pela companhia.

MRV. Real Investor Asset Management atingiu participação de 5,08% na companhia, passando a deter 25.578.800 de ações ON…

… Segundo formulário de referência publicado em 17/7, gestora não detinha participação relevante na empresa.

AES BRASIL. Acionistas aprovaram em AGE aumento de capital social de R$ 24.513.385,05, passando para R$ 2.221.471.251,41, representado por 604.049.682 de ações.

SÃO MARTINHO informou que cerca de 20 mil hectares de cana-de-açúcar da companhia foram atingidos pelos incêndios generalizados que afetaram o setor entre 5ªF (22) e domingo (25)…

… Segundo a empresa, os focos foram combatidos pelas brigadas de incêndio da companhia, sem registro de vítimas ou impactos em outros ativos.

RAÍZEN informou que vem combatendo focos de incêndio que afetaram parte dos canaviais operados pela companhia e de alguns fornecedores de cana-de-açúcar, principalmente no Estado de São Paulo…

… Empresa estima que até agora aproximadamente 1,8 mi de toneladas de cana própria e de fornecedores foram afetadas, representando 2% do total previsto na safra 2024/25, com base no piso da premissa de moagem total.

APPLE repercutiu sem ânimo no after market (-0,29%) o anúncio de troca de executivos…

…  O diretor financeiro, Luca Maestri, deixará a empresa no início de 2025 e será sucedido por Kevan Parekh, atual vice-presidente de planejamento financeiro e análise da empresa, onde está há 11 anos.

AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!

*com a colaboração da equipe do BDM Online

AVISO – Bom Dia Mercado, produzido pela Mídia Briefing, não pode ser copiado e/ou redistribuído.

Semana começa com nova fala de Galípolo

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*

[26/08/24]

… O BC da China manteve os juros de médio prazo (MLF) de 1 ano em 2,3%, voltando a decepcionar com a falta de novos estímulos econômicos. Nos EUA, ainda reverbera o discurso dovish de Powell em Jackson Hole, que abriu a possibilidade de um corte de 50pbs do juro em setembro, mas isso dependerá do payroll de agosto, que só sai no dia 6/9. Até lá, a agenda em NY será movimentada pelo balanço da Nvidia (4ªF à noite), segunda leitura do PIB/2Tri (5ªF) e PCE de julho (6ªF). Aqui, o IPCA-15 de agosto (5ªF) e dados do emprego e fiscais podem influenciar as apostas de retomada de alta da Selic no próximo Copom, que tomaram os mercados no embalo dos sucessivos recados de Galípolo. Hoje, ele volta a falar em evento do Tribunal de Contas de Teresina (10h).

… É a chance que terá o provável sucessor de Campos Neto de mudar o assunto ou, pelo menos, de colocar na mesa outras opções para o BC, que não seja subir a Selic, inclusive, considerando as perspectivas mais favoráveis para o juro americano.

… Powell afundou o dólar contra as moedas pares e emergentes, na 6ªF. Contra o real, a moeda furou a marca de R$ 5,50, tirando pressão inflacionária do câmbio, enquanto a curva de juros na B3 refletia o derretimento dos yields dos Treasuries.

… Ainda assim, naquele mesmo dia, economistas reunidos com diretores do BC defendiam que será necessário elevar a Selic entre 0,75pp e 1,25pp nos próximos meses para preservar a credibilidade e ancorar as expectativas de inflação.

… Hoje, a pesquisa Focus (8h25) pode fazer a diferença se trouxer novo recuo das estimativas para o IPCA de 2025, que têm desacelerado há duas semanas e estão em 3,91%. Mesmo ainda acima da meta, a continuidade da queda pode sugerir uma inflexão na tendência.

… Galípolo não gostou de comentários do mercado dizendo que ele havia colocado o Copom “em corner” e que, agora, a Selic vai ter que subir. Mas é isso mesmo. O mercado reagiu à comunicação que recebeu daquele que deve comandar o novo BC.

… Foi importante Galípolo ter se desdobrado para provar seu rigor técnico, mas a coisa tomou outro rumo e pede cautela.

… Campos Neto e Diogo Guillen já mostraram desconforto com as apostas exageradas do mercado. Falta Galípolo ajustar seu discurso. Na prática, a curva do DI ainda não limpou a perspectiva de elevação da Selic em setembro. A dúvida permanece no radar.

… Amanhã (3ªF), o IPCA-15 de agosto tem desaceleração prevista para preços de alimentos, energia elétrica e passagens aéreas. Deve aliviar o resultado da prévia da inflação oficial para 0,19% em agosto (mediana do Broadcast), contra 0,30% em julho.

… O anúncio oficial de Gabriel Galípolo para o Banco Central pode ser revelado ainda nesta semana.

… A equipe econômica negocia com Pacheco a sabatina do nome que vai suceder a Campos Neto na primeira semana de setembro, antes do próximo Copom (dias 17 e 18), para aproveitar o esforço concentrado no Senado.

… Segundo a imprensa, Pacheco sinalizou que irá colaborar com o calendário desejado pelo governo para aprovar o indicado e também os novos diretores do BC antes das eleições e da reunião de política monetária.

… Neste domingo, o colunista Lauro Jardim (O Globo) informou que o economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato, é o nome mais cotado para assumir a vaga de Galípolo na diretoria de Política Monetária do BC.

… Corre ainda por fora para o cargo estratégico o nome do chefe da tesouraria do Bradesco, Roberto Paris.

MAIS AGENDA – Além do IPCA-15, o IGP-M de agosto (5ªF) e dados de emprego, com o Caged de julho (na mesma 5ªF) e a Pnad Contínua (6ªF), também são importantes para projetar a urgência da retomada do ciclo de aperto monetário pelo Copom.

… O mercado estará de olho ainda nas contas do Governo Central (5ªF) e no resultado consolidado do setor público (6ªF).

… O câmbio confere hoje (8h30) as transações em c/c em julho, que podem mostrar déficit de US$ 4,350 bilhões (mediana do Broadcast), após o saldo negativo de US$ 4,029 bilhões em junho. As estimativas são todas deficitárias: variam de US$ 5,8 bilhões a US$ 3 bilhões.

… Para o Investimento Direto no País (IDP), a mediana indica entrada líquida de US$ 6,0 bilhões em julho, pouco abaixo do saldo positivo de US$ 6,269 bilhões em junho. As expectativas vão de US$ 4,700 bilhões a US$ 10,200 bilhões.

… O mercado cambial será ainda influenciado esta semana pela disputa em torno da formação da ptax (6ªF).

ORÇAMENTO EM BRASÍLIA – O governo encaminha até 6ªF ao Congresso o Projeto de Lei Orçamentário Anual (PLOA) de 2025. O projeto trará revisão de gastos que vão garantir a economia de R$ 25,9 bilhões, segundo Haddad.

… Junto ao projeto, serão encaminhadas as propostas prevendo o aumento das alíquotas da CSLL e JCP, como garantia caso as propostas aprovadas pelo Senado não sejam suficientes para compensar a desoneração.

… Poucos dias antes do envio do Orçamento, o TCU alertou para riscos ao déficit zero no ano que vem.

… Segundo os auditores, existe a possibilidade de frustrações de receitas e aumento das despesas obrigatórias.

… O TCU considera “otimistas” as estimativas para a receita primária líquida, que estariam de R$ 35,6 bilhões a R$ 50,7 bilhões acima das projeções feitas com base em dados do mercado, sinalizando decepção com as receitas.

… A equipe técnica do TCU também observa que a projeção do governo federal de aumento das despesas primárias totais ultrapassa o limite de crescimento real de 2,5% ao ano permitido pelo novo arcabouço fiscal.

HADDAD – Viaja na noite de 4ªF para a África do Sul, onde participa de evento do banco dos Brics.

LULA – Presidente se reúne hoje com líderes dos partidos da base aliada para conversar sobre as votações prioritárias do 2º semestre e tratar do acordo fechado entre os três Poderes para as emendas.

… Lula também acompanha hoje (9h) a reunião extraordinária do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e deverá assinar atos relacionados ao setor de energia. Alexandre Silveira (MME) fala à imprensa em seguida.

… O decreto que o governo federal prevê editar hoje com uma reformulação no setor de gás natural, com a finalidade de reduzir o preço do produto, pegou o setor de surpresa, que aponta intervenção.

… De maneira geral, o segmento entende que o governo está quebrando contratos e enterrando planos de negócios e de exploração e produção das petrolíferas. Além disso, o decreto seria uma afronta à Lei do Gás.

LÁ FORA – Antes do payroll de agosto, semana que vem, que será decisivo para o Fed de setembro, o mercado confere o PCE de julho, na próxima 6ªF, que deve afastar o risco da inflação, substituído agora pelas preocupações com o mercado de trabalho.

… Na fala curta e muito direta da última 6ªF, Powell contratou uma queda do juro na próxima reunião de política monetária (“Chegou a hora”), mas logo avisou que não iria antecipar o ritmo e o tamanho do ciclo de desaperto.

… O presidente do Fed disse que o foco do mandato duplo mudou, deixando claro agora que vê maiores riscos de perda de dinamismo do mercado de trabalho do que de reversão do processo de desinflação nos EUA.

… Na ferramenta do CME, as apostas em um corte de 25 pontos ainda estão ganhando, mas caíram (de 76,0% para 63,5%), enquanto a chance de uma redução mais agressiva, de 50 pontos, cresceu de 24,0% para 36,5%.

… Os mercados mantêm a aposta em queda de 100 pontos-base no juro americano até o fim do ano (44%), mas houve um avanço na precificação de um ciclo mais agressivo de cortes, de 125 pontos-base (de 18% para 26%).

… O recado de Powell desencadeou forte entusiasmo nos mercados globais (abaixo).

… Além do PCE (6ªF), ganha importância na agenda nos EUA a segunda leitura do PIB/2Tri (5ªF), que não pode vir muito fraca ou resgata o medo de um hard landing, e o balanço trimestral da Nvidia, na noite de 4ªF, aguardado como grande sinalizador da bolha da IA.

… Hoje, saem as encomendas de bens duráveis nos EUA (9h30), com previsão de +8,6% em julho. Na Alemanha, tem o índice Ifo de sentimento das empresas em agosto (5h). Os mercados no Reino Unido fecham para feriado.

… Na zona do euro, a leitura preliminar de agosto da inflação ao consumidor (CPI) vem na 6ªF. Durante participação no simpósio de Jackson Hole, Martins Kazaks (BCE) antecipou espaço para mais dois cortes de juros.

“THE TIME HAS COME” – Eliminada qualquer dúvida de que o pivô dovish do Fed virá em setembro, o investidor deve continuar se dedicando a adivinhar quão rápido e quão longe o BC dos EUA irá nos cortes das taxas de juro.

… Powell esclareceu em Jackson Hole que o mercado de trabalho norte-americano esfriou “consideravelmente” e que parece improvável que a mão de obra seja uma fonte de pressões inflacionárias elevadas em breve.

… Esvaziando o fantasma de recessão, observou ainda que o aumento do desemprego não foi resultado de demissões elevadas, como normalmente acontece quando uma crise econômica é deflagrada no país.

… “Em vez disso, o aumento reflete principalmente um aumento substancial na oferta de trabalhadores e uma desaceleração do ritmo frenético de contratações anteriormente”, avaliou, durante seu rápido discurso.

… Declarações de outros integrantes do Fed também reforçaram o otimismo do mercado.

… Austan Goolsbee (Fed de Chicago) disse que há um amplo acordo no Fomc de que haverá múltiplos cortes de juros em 2024 e 2025, embora ele (como Powell) tenha evitado se comprometer com o tamanho da redução.

… Patrick Harker disse que o Fed deve começar com corte de 25 pb, mas depois, o ritmo será ditado por dados.

… O mercado sextou com alegria. Em NY, teve rali nas bolsas, as taxa dos Treasuries de curto prazo rodaram abaixo de 4% e o dólar renovou a mínima do ano, com o DXY (-0,78%) de volta à linha dos 100 pontos (100,718).

… Diante do tombo da moeda americana, o euro chegou a rondar US$ 1,12 na máxima intraday e fechou perto desta marca, no melhor nível em mais de um ano (desde julho de 2023), em alta de 0,71%, cotado a US$ 1,1194.

… O Rabobank passou a prever quatro cortes consecutivos dos juros nos EUA, o que motivou uma revisão em alta da projeção para o euro em 3 meses, de US$ 1,09 para US$ 1,12, e em 6 meses, de US$ 1,09 para US$ 1,11.

… Com Powell e sinalização do presidente do BC inglês, Andrew Bailey, de que o BoE não tem pressa em cortar novamente o juro, a libra saltou 0,90%, a US$ 1,3212, para o patamar mais elevado em quase dois anos e meio.

… O iene subiu a 144,19/US$ e contou com impulso adicional do comentário do presidente do BoJ, Kazuo Ueda, de que planeja continuar elevando o juro, após comunicações recentes confundirem os próximos passos.

… Em Wall Street, o Dow Jones (+1,14%) resgatou os 41 mil pontos perdidos com o payroll de julho e fechou aos 41.175,08 pontos. O S&P 500 subiu 1,15%, a 5.634,61 pontos, e o Nasdaq avançou 1,47%, a 17,877,79 pontos.

… Incentivados pela confirmação de que o corte de juro nos EUA tem data para começar e pela esperança de que o ciclo pode começar com desaperto maior, de 50pbs, o juro da Note-2 anos caiu a 3,912%, de 4,011%.

UMA ESCOLHA MUITO DIFÍCIL? – Na sinuca de bico do Copom, nem todo o mercado acredita que a única saída é uma alta da Selic. Depois de Powell, o câmbio ajuda a confrontar a aposta de retomada no ciclo de aperto.

… A 6ªF de Jackson Hole restabeleceu o apetite pelo risco e na onda global de alívio, o dólar furou por aqui o suporte psicologicamente importante dos R$ 5,50. Se ficar abaixo disso, vai tirar uma pressão importante do BC.

… Na festa para o real, a moeda americana fechou em queda firme de 1,99%, negociada a R$ 5,4794.

… Embora Powell tenha deixado no ar quanto o juro vai cair em setembro, as taxas dos DIs queimaram prêmios junto com o derretimento do dólar. A curva a termo, no entanto, não esgotou as apostas de um Copom hawkish.

… No fechamento, o DI para Jan/25 caiu para 10,810% (contra 10,860% no pregão anterior); Jan/26, a 11,465% (de 11,621%); Jan/27, a 11,450% (de 11,629%); Jan/29, a 11,555% (de 11,703%); e Jan/31, a 11,560% (11,703%).

… Diante da queda dos juros futuros, as ações mais sensíveis ao ciclo econômico lideraram as altas do Ibovespa: Cogna disparou 7,52%, seguida por Lojas Renner (+7,32%), Eztec (+6,93%), Yduqs (+6,51%) e MRV (+5,30%).

… O Ibov terminou a sessão em alta moderada de 0,32%, aos 135.608,47 pontos, e giro de R$ 20,7 bi. O índice à vista entra na última semana de agosto caminhando para o melhor mês (+6,23%) desde novembro (+12,54%).

… Agosto ficará marcado na memória pelo rompimento das marcas inéditas acima dos 136 mil pontos pelo Ibov.

… Na 6ªF, Itaú (-0,76%, a R$ 36,46) foi exceção entre os bancos, que exibiram vigor: Santander (+1,03%; R$ 31,29), Bradesco ON (+1,21%; R$ 14,20), Bradesco PN (+0,90%; R$ 15,66) e Banco do Brasil (+0,75%; R$ 28,22).

… Não fossem as blue chips das commodities, o Ibovespa poderia ter registrado maior força. Vale (ON, -1,68%, a R$ 57,40) seguiu à risca o pessimismo do minério de ferro (-2,24%), que reflete a atividade fraca na China.

… Descolada do petróleo em alta (Brent para novembro, +2,09%, a US$ 78,15), Petrobras ON (-0,98%, a R$ 39,39) figurou entre as maiores perdas do Ibov. O papel PN da estatal registrou queda de 0,62% (R$ 36,89).

EM TEMPO… SABESP. Carlos Piani, presidente do conselho do Grupo Equatorial, será indicado para ser presidente-executivo da companhia nesta semana (fontes do Broadcast)…

… Empresa concluiu, conforme previsto no Contrato de Concessão 01/2024, a antecipação dos pagamentos aos Fundos Municipais de Saneamento Ambiental e Infraestrutura (FMSAIs), no montante total de R$ 2.590.500.000,00…

… Pagamentos foram feitos às cidades de Barueri, Botucatu, Diadema, Franca, Guarulhos, Osasco, Praia Grande, Santo André, Santos, São Bernardo e São Paulo.

BANCO DO BRASIL aprovou a distribuição de R$ 1,065 bilhão em JCP (R$ 0,1866/ação), com pagamento em 27/9; ex em 12/9.

ITAÚ concluiu a venda da totalidade das ações Classe A que possuía da XP Inc; banco permanece ainda com 8.285.060 de ações Classe B da XP, que representam 1,54% de seu capital social total.

CVC. WNT Gestora de Recursos reduziu para 3,34% sua participação acionária no capital social da empresa na 6ªF, três dias depois de ter informado que detinha fatia de 5,01%; valor atual é equivalente a 17.558.300 de ações ON.

AMERICANAS. BTG Pactual reduziu participação acionária na companhia para 3,62%, passando a deter 714.588.713 de ações ON.

GRUPO MATEUS inaugurou nova unidade de atacarejo, na cidade de Caruaru, sendo esta sua décima loja em Pernambuco.

RUMO, em conjunto com a Rumo Malha Paulista, fará o resgate antecipado facultativo total da primeira série da 3ª emissão de debêntures simples, no próximo dia 29.

LIGHT informou foi adiada para o dia 13 de setembro, às 14h (horário de Londres), a assembleia de credores (Bondholders) abrangidos pelo procedimento de scheme of arrangement; anteriormente, a assembleia estava marcada para 4 de setembro…

… Convocação foi autorizada pela Justiça do Reino Unido; empresa reiterou que o encontro ocorrerá exclusivamente de forma virtual.

SÃO MARTINHO informou que incêndios de origem desconhecida atingiram áreas de canavial da companhia…

… As causas do fogo estão sendo investigadas e os focos de incêndio foram prontamente identificados e estão sendo combatidos por equipes de brigada da empresa, sem relatos de danos materiais ou vítimas.

RAÍZEN confirmou enfrentar incêndios no estado de SP, que afetam, além de suas áreas de produção, as de fornecedores de cana e de outros grupos sucroenergéticos; origem dos incêndios ainda é desconhecida…

… Todo efetivo da brigada de incêndios da empresa está mobilizado no combate aos focos.

AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!

*com a colaboração da equipe do BDM Online

AVISO – Bom Dia Mercado, produzido pela Mídia Briefing, não pode ser copiado e/ou redistribuído.

Powell fala às 11h em Jackson Hole

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*

[23/08/24]

… A fala de Jerome Powell no seminário de Jackson Hole (11h) é o único interesse dos mercados globais nesta 6ªF, quando os investidores esperam que ele não apenas confirme o início dos cortes do juro nos EUA em setembro, mas também sinalize a magnitude da primeira queda e, com alguma sorte, dê uma ideia do ciclo total. O caminho das pedras poderá ser dado pela preocupação que Powell mostrar com o mercado de trabalho. Na véspera do evento, um forte ajuste das apostas mais agressivas elevou a 75% as chances de uma redução de 25pbs. O movimento disparou os juros dos Treasuries, o dólar e derrubou as bolsas, na reprecificação reproduzida pelos ativos brasileiros. Galípolo achou que tinha ajudado na pressão, quis se explicar. Não precisava, o mercado já entendeu que ele é confiável.

… O provável substituto de RCN, que deve ser anunciado em breve, não se cansa de dizer que o Copom está pronto para subir os juros, se for necessário, fazendo questão de revelar que, para ele, o balanço de riscos é assimétrico, com mais riscos para a alta da inflação.

… Aí vai o mercado e faz o quê? Exagera, apostando em altas de 50 pontos-base da Selic em cada uma das últimas três reuniões do ano.

… Vem, então, Campos Neto e faz uma advertência contra a rápida intensificação das expectativas de aumento da taxa Selic, e vem Diogo Guillen e critica o “excesso de ênfase dado ao balanço de riscos”. Ambos tentando baixar um pouco o poeira.

… Galípolo insiste na mensagem de alta da Selic, mas não quer que o mercado tome suas avaliações sobre o balanço de riscos assimétrico como “guidance”, ao mesmo tempo em que diz estar contente com a interpretação que o mercado faz de suas palavras.

… O mercado começa a achar que eles não estão falando a mesma linguagem e parte para o vaivém das taxas na curva do DI.

… Galípolo ouve falar em posições dissonantes e faz um mea culpa, dizendo que se explicou mal na palestra na Fenabrave e queria corrigir na palestra da FGV. Não tinha a menor necessidade. Falar o mercado fala, mas isso estava bem longe de ser uma crise.

… O candidato ao comando do BC já provou que realizará uma condução técnica quando assumir em janeiro de 2025, que não terá medo de subir a Selic, que não se intimidará com Lula, que respeitará a meta de 3% e que o mercado pode acreditar.

… Mas, a cada vez que ele volta ao assunto, acaba dando margem a interpretações, porque é disso que o mercado vive, de interpretar os fatos e antecipar cenários. Galípolo está falando demais, e dando muita importância ao que pensa o mercado.

… Nesta 5ªF, por exemplo, a alta generalizada dos juros futuros na B3 refletiu a disparada dos yields americanos, que também corrigiram os exageros recentes, antes que Powell chegue e jogo um balde de água fria no mercado hoje.

… Do mesmo modo, o dólar se ajustou lá fora e aqui, em um pregão de expectativas que não autoriza tendências até as 11h.

DESONERAÇÃO – Haddad chamou a imprensa ontem à tarde para informar que projetos de lei prevendo aumento das alíquotas da CSLL e da tributação sobre JCP serão encaminhados junto ao Orçamento, semana que vem.

… De acordo com o ministro da Fazenda, as medidas servirão como uma espécie de garantia caso as propostas aprovadas pelo Senado não sejam suficientes para compensar a desoneração da folha no ano que vem.

… Faltando uma semana para o envio pelo Executivo ao Congresso da peça orçamentária de 2025, os auditores do TCU alertaram que as projeções do governo para o resultado primário em 2025 apresentam um “duplo risco”.

… Segundo eles, existe a possibilidade de frustrações de receitas e aumento das despesas obrigatórias.

… O TCU considera “otimistas” as estimativas para a receita primária líquida, que estariam de R$ 35,6 bilhões a R$ 50,7 bilhões acima das projeções feitas com base em dados do mercado, sinalizando decepção com as receitas.

… A equipe técnica do TCU também observa que a projeção do governo federal de aumento das despesas primárias totais ultrapassa o limite de crescimento real de 2,5% ao ano permitido pelo novo arcabouço fiscal.

ESTOUROU – Reportagem no Valor apurou que a alíquota média do IVA pode ficar em 28%, acima do limite de 26,5% definido pelo grupo de trabalho da reforma tributária.

… O estouro é consequência das várias concessões a setores beneficiados por isenções e regimes especiais.

… A Fazenda tentará ajustar a alíquota na tramitação da PEC no Senado, definindo compensações a benefícios concedidos. Se a alíquota de 28% se confirmar, o Brasil terá o maior imposto sobre o consumo do mundo.

MAIS AGENDA – Aqui, só sai a prévia do IPC-S (8h). Nos EUA, as vendas de casas novas (11h) têm previsão de +2,1% em julho. Às 14h, saem os dados de petróleo da Baker Hughes. O BoE solta às 12h a fala de Bailey em Jackson Hole.

DEU RUIM – O flerte do dólar com R$ 5,60 e a escalada dos juros futuros responderam ao esfriamento das apostas em um corte de juro mais agressivo pelo Fed e ao “bate-cabeça” em relação aos recados que Galípolo tem passado.

… Logo cedo, a moeda americana rompeu um nível importante (R$ 5,55), seguindo o ajuste lá fora, e a partir daí foi só ladeira acima, com o investidor procurando abrigo em meio à interpretação de discursos sem coesão no BC.

… Ao Broadcast, Nicolas Borsoi (Nova Futura) disse que as declarações recentes de Campos Neto e dos diretores do BC não combinam com a percepção anterior de que o Copom estava unido na avaliação sobre a condução do juro.

… “O Comitê parece agora não ter uma mensagem harmônica. Essa mudança é ruim e adiciona mais volatilidade.”

… No mercado à vista, o dólar fechou com alta de 1,98%, em R$ 5,5904, bem próximo da máxima intraday de R$ 5,5955. A mínima foi de R$ 5,4813.

… O cenário de incerteza do BC e do Fed apareceu também na curva dos DIs, achatada, com as taxas dos vencimentos mais curtos próximas aos longos. Ontem, a diferença entre o Jan26 e o Jan33 era de apenas 0,06pp.

… O DI para Jan/25 subiu para 10,845% (de 10,75% no pregão anterior); o Jan/26 avançou a 11,590% (de 11,45%); o Jan/27 foi a 11,590% (de 11,415%); o Jan/29 pagou 11,665% (de 11,485%); e Jan/31, 11,670% (de 11,520%).

… A Quantitas revisou para cima o call da Selic, de manutenção para alta de 0,25pp em setembro, e projeta agora  ciclo total de aperto de 1,5pp, com duas doses de meio ponto depois da próxima reunião e mais 0,25pp em janeiro.

… A casa cita o desconforto dos diretores do BC com a desancoragem das expectativas de inflação. Mas outras instituições financeiras ainda estão confiantes de que o Copom vai resistir a tirar o juro de onde está (10,50%).

… O Barclays reconhece que há chance de aperto de 1,50pp à frente, mas ainda mantém a aposta em Selic estável, mesmo antecipando uma economia mais aquecida e tendo subido a projeção para o PIB do ano de 2,2% para 2,7%.

… Do mesmo modo, o Banco Inter confia em manutenção da taxa de juro até o primeiro semestre do ano que vem, embora ressalve que o risco é de alta, diante das revisões nas estimativas de inflação e de crescimento econômico.

… O banco elevou a projeção de IPCA de 4,2% para 4,4% e a do PIB de 2,1% para 2,5%.

… Para o Bradesco, a Selic está restritiva o suficiente para garantir a convergência do IPCA à meta. O banco diz que estimativas próprias apontam uma meta implícita na atual condução da política monetária muito próxima de 3,0%.

TRÊS É DEMAIS – A reprecificação para o Fed, antes de Jackson Hole, facilitou o ajuste em baixa do Ibovespa, que entrou em bom ponto de venda, depois da sequência de três pregões nas máximas históricas de fechamento.

… Deixando na promessa a conquista dos 137 mil pontos, o índice à vista fechou em baixa de 0,95%, aos 135.173,39 pontos, com giro de 22 bi. Mas não quer dizer que a bolsa vá estacionar. Pode ter sido só uma parada estratégica.

… Entusiasmado com a força do crescimento econômico doméstico neste ano, o JPMorgan elevou a projeção para o Ibovespa de 135 mil para 143 mil pontos no fim do ano. A XP Investimentos não duvida de até mais: 147 mil pontos.

… Mas mantém um posicionamento ainda cauteloso, diante da volatilidade e riscos fiscais e políticos do País.  

… Ontem, as apostas no gradualismo do Fed e a percepção de sinais trocados dentro do Copom abriram uma onda de correção no Ibov, que poupou só 13 papéis, entre eles, as duas maiores blue chips de commodities (Vale e Petro).

… Já os bancos realizaram em bloco parte das altas recentes. BB puxou a fila do setor: -2,44% (R$ 28,01). Itaú caiu 0,92% (R$ 36,74); Bradesco PN, -0,70% (R$ 15,52); Bradesco ON, -0,07% (R$ 14,03); e Santander, -0,32% (R$ 30,97).

… CVC (-6,52%) apagou metade dos ganhos conquistados no dia anterior, após a gestora WNT ter elevado sua fatia.

… A alta do DI cobrou seu preço de papéis mais sensíveis ao ciclo econômico. MRV (-5,28%), Magazine Luiza (-4,84%), Eztec (-4,68%), Yduqs (-4,63%) e Cogna (-4,32%) figuraram entre as maiores perdas do Ibovespa.

… Vale resistiu à queda de 1,14% do minério de ferro e virou para leve alta na reta final: ON, +0,14%, a R$ 58,38. O papel, porém, ainda acumula queda de 18,50% este ano, abalado pelo cenário de fragilidade econômica da China.

… Com tombo de 3,46%, Usiminas PNA continuou refletindo os receios com o ritmo de consumo de commodities pelos chineses. CSN perdeu 1,62%; Metalúrgica Gerdau PN caiu 1,41%; CSN Mineração, -1,10%; e Gerdau PN, -0,81%.

… Petrobras subiu de leve (ON, +0,10%, a R$ 39,78; e PN, +0,13%, a R$ 37,12), de olho no petróleo, que reagiu após quatro quedas seguidas. No fechamento, o Brent para outubro subiu 1,54%, a US$ 77,22 por barril, na Ice londrina.

VAI DE ESCADA – A percepção de que o discurso de Jerome Powell em Jackson Hole, logo mais, vai indicar que o Fed pegará a escada em vez do elevador na descida dos juros levou os investidores a ajustarem suas posições em NY.

… Mohamed El-Erian comentou que o mercado estava exagerando nas apostas de corte de 50 pb e, de fato, no fim dos negócios ontem, o CME indicava 75% de chance de -25 pb, contra 62% na véspera.

… Discursos de vários Fed boys foram na linha da cautela. Jeffrey Schmid (Kansas City) disse que quer ver mais dados antes de apoiar qualquer corte.

… Sua contraparte de Boston, Susan Collins, também precisa de mais informações e disse que “um ritmo gradual e cauteloso” de redução é mais apropriado.

… Patrick Harker (Filadélfia) defendeu um corte em setembro, mas deixou a magnitude em aberto.

… Mistos, os indicadores do dia prescreveram cuidado. O PMI composto dos EUA veio em agosto (54,1) um pouco acima do esperado (54,0) graças aos serviços, que subiram de 55,0 para 55,2, contrariando previsão de queda a 54,1.

… Mas a indústria marcou o pior nível do ano: 48, ante 49,6 em junho. A expectativa era de estabilidade.

… As vendas de moradias usadas em julho subiram 1,3% ante junho, de uma previsão de +0,8%, segundo a NAR. Foi o primeiro aumento em cinco meses.

… Os pedidos de auxílio desemprego (232 mil) na semana passada vieram um pouco abaixo do esperado (233 mil).

… Em NY, as techs – sensíveis à política monetária – lideraram as perdas, com o Nasdaq em forte baixa de 1,67%, aos 17.619,35 pontos.

… “Os investidores estavam tentando ajustar posições antes da divulgação do balanço da Nvidia, na semana que vem, e diminuir risco antes do discurso de Powell”, disse Scott Ladner (Horizon Investments), à Reuters.

… O profissional vê o presidente do Fed sinalizando um corte em setembro. “Powell será discreto quanto à magnitude do corte, mas tentará colocar o mercado na direção dos 25pbs”, disse.

… No S&P 500, o bloco de tecnologia também comandou as baixas. O índice cedeu 0,89%, a 5.570,64 pontos. O Dow caiu 0,43%, a 40.712,78 pontos.

… Esse ajuste de posições para o corte do Fed em setembro levou a note de 2 anos de volta aos 4%, em 4,011% (de 3,933% na véspera.

… O resto da curva também subiu. O juro da note de 10 anos avançou a 3,858% (de 3,801%) e o do T-bond de 30 anos foi a 4,130% (de 4,078%).

… Depois de cravar a mínima do ano na véspera, o dólar avançou sobre a maioria dos pares. O DXY subiu 0,46%, a 101,508 pontos. O iene devolveu parte dos ganhos recentes, com queda de 0,76%, a 146,252/US$.

… Apesar do PMI composto em terreno de expansão no bloco europeu (51,2), o euro caiu 0,39%, a US$ 1,1111.

… Já a libra fechou praticamente estável (-0,03%), a US$ 1,3087, porque respondeu melhor ao dado positivo do PMI composto do Reino Unido, que teve alta inesperada, para 53,4 em agosto, maior nível em 4 meses.

EM TEMPO… ITAÚ emitiu R$ 3,1 bilhões em letras financeiras subordinadas nível 2, com vencimento em 2034.

ENERGISA. Problema externo no SIN gerou interrupção no sistema que abastece Acre e Rondônia.

EVEN concluiu a venda de 9.800.000 ações de emissão da Melnick, representativas de 4,75% do capital social; valor representa a totalidade das ações até então aprovadas pelo conselho de administração da companhia…

… Empresa ainda detém 29.983.107 ações da Melnick, representativas de 14,54% do capital social; venda foi feita na bolsa de valores.

ALLOS. Guepardo Investimentos passou a deter 27.356.400 de ações ON de emissão da companhia, o equivalente a 5,04% do capital social.

AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!

*com a colaboração da equipe do BDM Online

AVISO – Bom Dia Mercado, produzido pela Mídia Briefing, não pode ser copiado e/ou redistribuído.