PIB forte reforça apostas em alta da Selic
Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*
[04/09/24]
… Novas evidências de desaceleração da economia dos EUA, com dados muito fracos da atividade e da construção, resgataram o medo de recessão e elevaram a expectativa para o payroll, na 6ªF, que deverá ser decisivo para o tamanho do corte de juro pelo Fed. Hoje, o relatório Jolts (11h), com a abertura de vagas de emprego, já pode dar uma ideia do mercado de trabalho. Às 15h, o Livro Bege também é importante. Enquanto em NY cresceram as apostas em queda de 50pbs em setembro, aqui o PIB acima do esperado levou o mercado a reforçar sua perspectiva de alta mais forte da Selic. Na agenda, a produção industrial de julho (9h) é o destaque, com estimativa de recuo de 0,9% na mediana de pesquisa Broadcast. Logo cedo, Fernando Haddad concede entrevista ao vivo à GloboNews (8h30).
… O ministro deve abordar o crescimento surpreendente do PIB/2Tri, de 1,4%, bem acima do consenso (+0,9%), com um plus adicional na revisão do 1Tri, de 0,8% para 1%. O resultado desencadeou uma série de revisões no mercado, com o PIB do ano perto de 3%.
… A mediana para 2024 subiu de 2,5% para 2,8%, em comparação ao levantamento antes do dado, com projeções entre 2,4% e 3,3%.
… Após a divulgação do IBGE, diversos bancos e instituições revisaram para cima suas estimativas para o PIB/2024, como Goldman Sachs (de 2,5% para 3%), Citi (de 2% para 3%), Barclays (2,7% para 2,9%), Bradesco (2,3% para 2,6%) e BTG Pactual (de 2,4% para 2,7%).
… Em novo levantamento após o PIB, o Broadcast apurou que a mediana para 2024 avançou de 2,5% para 2,8%.
… Também o governo vai revisar sua projeção para o PIB deste ano, que está em 2,5%. À CNN, Haddad disse que, “muito provavelmente”, a projeção será reestimada – “para algo próximo dos 2,9%”, segundo Dario Durigan, secretário-executivo da Fazenda.
… “A atividade se consolidou ainda mais no 2Tri, impulsionada pela demanda interna final robusta, sustentada pelo aumento da renda das famílias e pelos fluxos de crédito mais firmes”, disse Alberto Ramos (Goldman Sachs), em relatório aos clientes.
… A expectativa do banco é que a atividade continue se beneficiando dos estímulos fiscais, aumento do salário mínimo, virada no ciclo de crédito e crescimento da renda real. Contudo, diz ele, a demanda mais forte elevou significativamente as chances de alta de Selic.
… Ramos cita clara deterioração do cenário inflacionário e, ainda, o mercado de trabalho apertado, o hiato do produto positivo, a política fiscal e parafiscal expansionista e o real pressionado para reforçar a cautela do Copom nas próximas decisões.
… Já o Citi avalia que a força da demanda segue como principal motor da economia no ano. “No geral, o PIB do segundo trimestre de 2024 reforçou a visão de um descompasso entre a expansão da demanda e da oferta”, destacam seus analistas.
… No seu relatório, o banco prevê que o Copom deve iniciar um ciclo de aperto da Selic em 25 pontos-base nas próximas quatro reuniões.
… Ainda a economista e coordenadora do boletim macro do Ibre-FGV, Silvia Matos, elevou a sua projeção para o PIB do ano, de 2,3% para 2,7%, afirmando que a economia brasileira tem crescido acima do seu potencial, o que tende a gerar pressão inflacionária.
… Já o Itaú adicionou um viés de alta à projeção de 2,5% do PIB/24, mas, embora o banco tenha mantido a previsão da Selic em 10,5% até o fim do ano, a economista Julia Gottlieb reconhece a possibilidade de uma eventual alta nos juros.
… Na curva dos juros, o PIB/2Tri levou o mercado a reforçar as apostas em uma elevação de 50pbs da Selic em setembro, com chances em 80%, seguida de altas da mesma magnitude em novembro e dezembro, além de um último ajuste de 25pbs em janeiro (abaixo).
MAIS AGENDA – Às 14h30, o BC divulga os dados semanais do fluxo cambial e o Tesouro faz uma divulgação referente ao Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2024, seguido de entrevista coletiva à imprensa, às 15h.
… Analistas consideram que o PAF possa ser revisado, tirando o pé das LFTs, diante da potencial alta da Selic.
LÁ FORA – Nos EUA, além do relatório Jolts e do Livro Bege, saem a balança comercial de julho (9h30), que deve aprofundar o déficit para US$ 78,5 bilhões, e as encomendas à indústria (11h), com previsão de alta de 4,8%.
… Na zona do euro, saem o PPI de julho e a leitura final de agosto do PMI/S&P Global composto (5h), que será divulgada também na Alemanha (4h55) e no Reino Unido (5h30). O BC do Canadá decide juro às 10h45.
CHINA HOJE – A leitura final do PMI de serviços medido pelo setor privado (S&P Global/Caixin) recuou de 52,1 em julho para 51,6 em agosto. O indicador veio abaixo do projetado pela FactSet, que era de 51,8.
… O PMI composto chinês, que engloba serviços e indústria, permaneceu em 51,2. As leituras acima do nível de 50 indicam que a atividade econômica da China segue em território de expansão.
O CALL DO CONSERVADORISMO – A surpresa com o “Pibão” veio se juntar às expectativas de inflação desancoradas e desprestígio da política fiscal para jogar para 80% na curva a termo a aposta de alta de 0,5pp da Selic em setembro.
… O DI, como se viu, precifica ainda mais duas doses de meio ponto de aperto monetário nas reuniões seguintes (novembro e dezembro) e elevação adicional de 0,25pp no primeiro encontro do Copom do ano que vem (janeiro).
… Assim, os contratos futuros dos juros curtos se mantiveram ontem perto dos ajustes da véspera, enquanto os longos caíram, dentro da interpretação de que, se o BC for mais agressivo agora, pode aliviar a barra lá na frente.
… No fechamento, o DI para Jan/25 ficou em 10,975% (de 10,998% no pregão anterior); Jan/26 subiu a 11,925% (de 11,886%); Jan/27 cedeu a 11,960% (de 11,977%); Jan/29, a 12,130% (de 12,166%); e Jan/31, a 12,120% (de 12,159%).
… No câmbio, as apostas consolidadas pelo PIB/2Tri de que o ciclo de alta da Selic será retomado chegaram a atrair capital estrangeiro, derrubando o dólar na primeira reação. Mas, à tarde, a moeda norte-americana virou para alta.
… O movimento acompanhou a trajetória externa, diante do apelo defensivo provocado pelos dados fracos nos EUA.
… A liquidação das commodities também colaborou nesta 3ªF para depreciar as moedas de países produtores, caso do real. No fechamento, o dólar à vista exibia alta de 0,46%, cotado a R$ 5,6404, perto do nível técnico de R$ 5,65.
REALIZA NO HIGH –Hoje faz uma semana que o Ibovespa estabeleceu seu recorde de fechamento de todos os tempos (137.343,96 pontos) e, de lá para cá, dá para dizer que a bolsa está dando demonstrações de resistência.
… Sem queimar etapas, a correção natural das máximas históricas tem acontecido e o índice à vista completou ontem o quarto pregão consecutivo de queda. Mas o que se vê é que o processo de ajuste tem sido moderado.
… Ontem, apesar de NY ter exibido picos de estresse, de o dólar ter continuado próximo da faixa de R$ 5,65, de o minério ter levado um tombo de 3% e o petróleo ter derretido quase 5%, o Ibovespa manteve o sangue-frio.
… Limitou a queda a 0,41% e conseguiu preservar os 134 mil pontos (134.353,48). A alta firme das ações dos grandes bancos com o PIB refreou parte do impacto da derrocada dos papéis diretamente ligados às commodities.
… Vale figurou entre as maiores quedas do dia (ON, -3,73%, a R$ 56,55), acompanhando o tombo de 4,7% no preço do minério de ferro em Dalian (China). Acionista da companhia, Bradespar caiu 3,86% (R$ 18,42).
… Petrobras ON cedeu 1,05% (R$ 42,31) e PN perdeu 1,21% (R$ 38,53), com o Brent afundando 4,7%, a US$ 73,75 por barril, diante da perspectiva de uma demanda global morna e aumento de oferta da Opep.
… Petroleiras juniores afundaram: 3R Petroleum (-5,28%; R$ 25,47) e Prio (-5,16%; R$ 44,30).
… Na outra ponta, o Itaú subiu 1,62%, a R$ 36,98. Bradesco ON avançou 1,43% (R$ 14,21) e Bradesco PN valorizou 1,09% (R$ 15,75). Banco do Brasil subiu 0,91% (R$ 28,68) e Santander teve alta de 0,19% (R$ 31,46).
… Azul disparou 10,20% (R$ 4,86) com a notícia de que a empresa iniciou rodada de conversas com bondholders para captar recursos.
BACK TO BLUE – A expectativa pelo início do ciclo de queda dos juros nos EUA e de uma bem-sucedida temporada de balanços no 3Tri tem consolidado o retorno do fluxo gringo à B3.
… Dados divulgados ontem pela bolsa mostraram entrada de R$ 10,013 bilhões no acumulado de agosto, reduzindo o saldo negativo de 2024 a R$ 26,557 bilhões.
… Foi o segundo mês positivo no ano. Em julho, entraram R$ 3,552 bilhões. Para analistas, a tendência é de o fluxo externo continuar chegando ao Brasil.
… Segundo o Itaú BBA, a bolsa brasileira está com ‘valuations’ atraentes. O banco prevê o Ibovespa saltando de 145 mil no fim deste ano para 165 mil no fim de 2025, ou um potencial retorno de 27% em relação ao atual nível.
… Na média, o potencial de crescimento do lucro por ação é de 12% ao ano entre o período de 2023 a 2025, com quase 10% em 2024 e avanço de dois dígitos em 2025.
DÉJÀ VU – O mercado em NY voltou do feriado com o pé esquerdo e reviveu os piores momentos do início de agosto, quando um payroll ruim derrubou as bolsas.
… Desta vez, indicadores fracos de atividade nos EUA pesaram sobre o sentimento dos investidores e ativaram a busca por ativos considerados seguros, como Treasuries e dólar.
… Assim como no “crash” do mês passado, as techs tiveram o pior desempenho entre os setores, seguidas por ações de energia, que reagiram ao tombo do petróleo.
… Da mesma forma que há um mês, o Vix, índice do medo, saltou 33,2%, para 20,72 pontos, a maior alta porcentual e o maior nível desde 5 de agosto.
… O índice Philadelphia SE Semiconductor, que reúne ações de empresas de fabricantes de chips, despencou 7,8%.
… Uma dessas companhia é a Nvidia, que caiu quase 10%, perdendo US$ 279 bilhões em capitalização de mercado. Foi o maior declínio em capitalização num só dia para uma companhia americana.
… Suas companheiras no grupo das sete magníficas também foram mal: Alphabet (-3,6%), Apple (-2,7%), Microsoft (-1,8%), Meta (-1,8%), Tesla (-1,6%) e Amazon (-1,3%).
… Como resultado, o Nasdaq levou um tombo de 3,26% (17.136,30 pontos) ontem. Também dragado pelas techs, o S&P 500 recuou 2,11% (5.529,06). O Dow Jones caiu 1,51% (40.936,93).
… Nada fora do script já que, historicamente, setembro costuma ser um dos piores meses para as bolsas.
… Dado responsável por reacender as preocupações em torno da desaceleração do crescimento na economia dos EUA, o PMI industrial medido pelo ISM subiu para 47,2 em agosto, ante 46,8 em julho.
… Mas o resultado, além de continuar indicando contração da indústria, ficou abaixo da previsão de 47,5.
… Outro PMI industrial, medido pela S&P Global, caiu de 49,6 em julho para 47,9 (agosto), abaixo dos 48 esperados.
… Para completar a lista de indicadores negativos, os investimentos em construção nos EUA caíram 0,3% em julho ante junho, quando se esperava alta de 0,2%.
… O conjunto de dados do dia ampliou as apostas de corte de 50 pb nos juros pelo Fed daqui a duas semanas, de 30% para 39%, mas as chances de 25 pb ainda são majoritárias – caíram de 71% para 60%, segundo o CME.
… Os juros dos Treasuries cederam, com a note-2 anos abaixo dos 3,90% (em 3,868%, contra 3,926% antes do Labor Day). O retorno da note-10 anos caiu a 3,833% (de 3,906%) e o do T-bond-30 anos recuou a 4,125% (de 4,193%).
… No câmbio, sinalizações de altas de juros pelo BoJ fizeram o iene avançar 1% sobre o dólar, a 145,448/US$.
… Kazuo Ueda, presidente do BC japonês, reiterou durante encontro de autoridades do governo, que a autoridade monetária deve continuar aumentando juros se a economia evoluir conforme o esperado.
… Euro (-0,30%, a US$ 1,1043) e libra (-0,30%, US$ 1,13109) fecharam com queda e puxaram o índice dólar para cima. O DXY subiu 0,17%, a 101,825 pontos.
EM TEMPO… PETROBRAS confirmou emissão de bonds de 10 anos no valor de US$ 1 bilhão.
CPFL. Cinco empresas do grupo devem emitir nas próximas semanas debêntures que totalizam mais de R$ 2,6 bilhões. (Valor)
LIGHT. AGE aprovou aumento de limite de capital autorizado para 1,648 bilhão de ações ON.
LOJAS RENNER. Morgan Stanley atingiu participação de 7,2% das ações ON da companhia.
AMERICANAS informou ao mercado que seus acionistas de referência e afiliados passarão a deter ações de emissão da companhia representativas de um percentual superior a 50% do capital social e votante.
IGUATEMI aprovou o 5º programa de contratos de swap, no valor de até R$ 120 milhões.
RUMO. BlackRock reduziu participação de 5,89% para 4,92%, passando a deter 91.317.192 de ações ON.
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PIB/2Tri no Brasil é destaque na agenda
Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*
[03/09/24]
… NY volta do feriado devolvendo liquidez aos mercados domésticos, com dois indicadores de atividade industrial em agosto: o PMI da S&P Global (10h45) e o PMI medido pelo ISM (11h). A expectativa pelo payroll (6ªF), no entanto, já deve movimentar os negócios como o principal driver da semana. Ainda no exterior, o BC do Chile divulga decisão sobre juros (19h). Aqui, em meio às dúvidas sobre a capacidade de o governo cumprir as metas fiscais, que pressionam o câmbio e os juros futuros, o PIB do 2Tri é o destaque de hoje (9h). Pesquisa do Broadcast junto a economistas aponta para um crescimento de 0,90% na mediana, com estimativas entre 0,4% e 1,6%, após a expansão de 0,8% no 1Tri. Já para 2024, a projeção subiu de 2,4% para 2,5%, enquanto a mediana para 2025 é de um PIB de 1,9%, entre 1,5% e 2,8%.
… O efeito das cheias no Rio Grande do Sul chegou a colocar em xeque a continuidade do dinamismo da atividade, mas o cenário foi sendo revisado pelo mercado financeiro à medida que os indicadores surpreendiam.
… Além da rápida recuperação no Sul, os analistas apontam a expansão fiscal do governo e o mercado de trabalho robusto para explicar o crescimento disseminado entre os setores da economia, resultado do ganho de renda da população.
… O economista do Banco BV Christian Meduna também cita uma “injeção de recursos muito grande” na economia, devido ao pagamento de precatórios da União no período e à regra do reajuste real do salário mínimo.
… Segundo ele, o ganho real de renda da população atingiu cerca de 6% no primeiro semestre deste ano, impulsionando o consumo das famílias, com performances positivas, principalmente, nos serviços e no varejo.
… Já o economista-chefe da G5 Partners, Luis Otávio de Sousa Leal, prevê crescimento de 1% do PIB no segundo trimestre e 2,5% no ano, destacando que “esta é uma projeção conservadora”, porque, até hoje, não houve quedas significativas no mercado de crédito.
… Uma alta da Selic, como o mercado espera, deve contribuir para a desaceleração da atividade à frente, de acordo com Leal. “Se [a taxa de juros] não atrapalhar o segundo semestre, certamente vai atrapalhar o início de 2025.”
… A atividade forte é um dos fatores citados pelos economistas, junto com a recuperação do emprego, a desancoragem das expectativas inflacionárias e os riscos fiscais para justificar a aposta em aumento dos juros, como precifica a curva do DI (leia abaixo).
QUEDA DE BRAÇO – Nesta 2ªF, economistas do mercado que se reuniram com diretores do Banco Central criticaram as comunicações recentes de membros do Copom, avaliando que as falas públicas precisam de “maior alinhamento”.
… “O tom geral foi de muita crítica à comunicação do BC”, disse um dos participantes em relato à Agência Estado, cobrando a diferença de tom entre a ata hawkish e declarações de Galípolo e os recados mais “suaves” de Campos Neto, que estariam gerando “confusão”.
… Na última semana, RCN praticamente enterrou as chances de uma alta de 50pbs da Selic, ao defender um ajuste “gradual”, mas ele não conseguiu reverter as apostas mais agressivas para o Copom de setembro na curva de juros.
… Apesar das reclamações, os economistas estão divididos entre a manutenção do juro em 10,5% e uma alta entre 1,5pp e 2pp, avaliando que houve evolução benigna no cenário externo, com a queda de juros contratada para setembro nos EUA.
… Entre aqueles que projetam alta da taxa básica, a avaliação é que a necessidade seria de um ciclo “não tão longo” de aperto monetário, mas o suficiente para melhorar as expectativas de inflação, que estão desancoradas.
… Havia entre os presentes mais de um cenário em que o teto da meta de inflação, de 4,5%, não será cumprido neste ano.
NÃO CONVENCEU – O detalhamento do PLOA/25 acentuou as dúvidas do mercado sobre o cumprimento das metas fiscais.
… Ao Estadão, a diretora da Instituição Fiscal Independente (IFI) Vilma da Conceição Pinto considera que o Orçamento de 2025 “não está muito realista” e alerta para problemas na sua execução no próximo ano.
… A economista destaca projeções para PIB e inflação mais otimistas que as do mercado, além de incertezas geradas pelo alto volume de receitas extraordinárias e por despesas subestimadas na Previdência Social.
… Vilma também lembra que R$ 245 bilhões em gastos correntes estão condicionados à aprovação, pelo Congresso. Nesse valor estão incluídos, por exemplo, R$ 40,7 bilhões do Bolsa Família e R$ 180,7 bilhões da Previdência.
… Segundo ela, essa conjunção de fatores deve gerar a necessidade de novos bloqueios e contingenciamentos ao longo do próximo ano.
… Para Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos, a meta fiscal dependerá da concretização de receitas novas, como da alta das alíquotas da CSLL e do JCP. Além disso, diz ele, a PLOA inclui estimativas de R$ 168,3 bilhões em receitas incertas.
… “O projeto confirma um quadro fiscal bastante desafiador. Será muito difícil diminuir o déficit público entre 2024 e 2025”, disse Salto.
… Também Rafaela Vitória (Inter) considera o PLOA “desafiador”, já que depende da aprovação de novas medidas para fechar a conta. Ela estima que o governo entregará um déficit de R$ 110 bilhões, ou 0,9% do PIB, em 2025, com um resultado “pior que o de 2024”.
… Desafiadora foi igualmente a expressão de Italo Franca (Santander) para a estimativa de chegar a 19% do PIB em receita líquida, com o PIB superestimado. Na sua projeção, o déficit do ano que vem deve atingir R$ 70 bilhões.
… Ítalo Faviano (BuysideBrazil) prevê déficit de R$ 55 bilhões em 2025 e adverte que “o PLOA confirma risco ao arcabouço fiscal”.
… O menor déficit previsto para o ano que vem é da Tendências Consultoria, R$ 32 bilhões, desconsiderando os precatórios.
STARLINK – Pode perder a autorização para prestar serviço no Brasil se não cumprir ordem de bloquear acesso ao X, disse o presidente da Anatel, Carlos Baigorri. A empresa informou que não cumpriria a decisão do STF até suas contas serem desbloqueadas pela Justiça.
… Nesta 2ªF, a Primeira Turma do STF confirmou por unanimidade a suspensão do X decidida por Alexandre de Moraes.
GALÍPOLO – O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Vanderlan Cardoso (PSD-GO), devem se reunir hoje para discutir a data da sabatina de Gabriel Galípolo, indicado à presidência do BC.
… A tendência é que os parlamentares concordem em realizar a sabatina na CAE e a apreciação no plenário no dia 10.
MAIS AGENDA – O IPC-Fipe de agosto abre a agenda doméstica (5h). Sem horário confirmado, a Fenabrave divulga as vendas de veículos em agosto. Tebet defende hoje (15h30) junto ao Congresso a proposta de Orçamento de 2025.
NÃO HÁ MÁGICA – O viés de alta dos juros futuros longos e o dólar ainda em patamar elevado, apesar de ter caído ontem, dão a medida das desconfianças e dos desafios que cercam o ambiente fiscal doméstico.
… De forma geral, analistas não escondem o medo de que a conta não feche. O mercado avalia que o PLOA/2025 veio ambicioso, com receitas superestimadas e despesas subestimadas, em especial da Previdência.
… Outro ponto fraco é o grande volume de arrecadação que depende do Congresso, o que deve exigir grande habilidade do governo em construir consenso, para o projeto de lei não ganhar o carimbo de peça de ficção.
… A espada fiscal sobre a cabeça da equipe econômica potencializa o risco de conservadorismo do Copom, no ambiente já composto pela atividade econômica aquecida, mercado de trabalho apertado e o perigo da inflação.
… No Focus, houve queda apenas marginal na expectativa de inflação para 2025, de 3,93% para 3,92%, enquanto a mediana do IPCA/24 subiu pela sétima semana seguida (4,25% para 4,26%), aproximando-se do teto da meta (4,5%).
… O levantamento continua projetando a chance de a Selic ficar estável e confronta-se com as apostas dos traders na curva do DI, onde a chance de o juro subir meio ponto em setembro, para 11,00%, continua majoritária (60%).
… O descompasso sobre o que se espera do Copom é justificado, em parte, pelos sinais trocados apontados pelo mercado na comunicação interna do BC, diante da falta de sincronia nos recados de Campos Neto e Galípolo.
… A rigor, a adoção pela Aneel da bandeira vermelha patamar 2 em setembro para as contas de luz adiciona nova pressão inflacionária à Selic, mas o mercado ainda conserva a esperança de aumento das chuvas no final do ano.
… Só por isso é que o impacto da energia elétrica mais cara ficou ontem em segundo plano nos negócios.
… Na curva do DI, como se viu, a queda discreta dos contratos de curto prazo não limpou as apostas de aperto da Selic, enquanto os vencimentos mais longos exibiram os ruídos fiscais e inflacionários difíceis de se dissiparem.
… No fechamento, o DI para Jan/25 ficou em 10,985% (de 10,999% no pregão anterior); Jan/26, 11,895% (de 11,851%); Jan/27, 11,980% (de 11,927%); Jan/29 subiu a 12,150% (de 12,089%); e Jan/31, a 12,140% (de 12,096%).
… Diante do fato de que o mercado continua colocando à prova a capacidade de a meta fiscal ser cumprida, o dólar limitou o espaço de correção e se manteve acima da marca de R$ 5,60. Caiu apenas 0,36%, negociado a R$ 5,6148.
… Só conseguiu fechar em queda, porque vinha de cinco altas seguidas, com alta acumulada de quase 3%.
… Lá fora, em meio ao volume de negócios reduzido pelo feriado nos EUA, o índice DXY fechou praticamente estável (-0,05%), em 101,653 pontos.
… PMIs industriais melhores que o esperado na zona do euro e no Reino Unido valorizaram o euro (+0,22%, a US$ 1,1076) e a libra (+0,18%, a US$ 1,3149). Já o iene caiu 0,11%, a 146,92/US$.
PESO DOBRADO – Juntou o tombo de mais de 4% do minério, induzido pela fraqueza da China, com a pressão da ponta longa do DI, sensível à percepção de risco fiscal, e não teve jeito de o Ibovespa bancar os 135 mil pontos.
… Num pregão de baixa liquidez por causa do feriado do Dia do Trabalho nos EUA, o índice à vista abriu setembro com baixa de 0,81%, aos 134.906,07 pontos, e apenas R$ 14 bilhões em negócios.
… Maior peso do Ibovespa, Vale (-1,41%; R$ R$ 58,74) puxou as perdas entre as metálicas com o minério de ferro abaixo de US$ 100/t em Cingapura.
… CSN caiu 0,93% (R$ 11,759), seguida por Usiminas PNA (-1,12%; R$ 6,16) e Metalúrgica Gerdau (-0,57%; R$ 10,43).
… Ainda entre as blue chips, Petrobras ON recuou 0,42% (R$ 42,76) e PN cedeu 0,94% (R$ 39,00), apesar da alta do Brent (+0,77%, US$ 77,52), que reagiu à notícia da Reuters apontando redução na oferta da Opep+ em agosto.
… Azul liderou as baixas, com -18,18% (R$ 4,41), ainda refletindo as dúvidas em relação à situação financeira. Outras quedas fortes foram de BRF (-6,02%; R$ 24,65), Marfrig (-4,26%; R$ 13,94) e Minerva (-3,34%; R$ 7,24).
… Bancos fecharam sem direção única. Bradesco ON caiu 0,85% (R$ 14,02), Bradesco PN perdeu 0,26% (R$ 15,60) e Itaú baixou 0,79% (R$ 36,39). Santander ficou estável, a R$ 31,40, e Banco do Brasil avançou 1,07% (R$ 28,42).
… Assaí subiu 2,40%, a R$ 9,80, em meio à notícia de que o Grupo Mateus planeja fazer uma oferta aos acionistas de referência pelo controle da empresa. Mas ambas as companhias negaram a informação.
ABRINDO OS TRABALHOS – Eletrobras ON (+0,36%, R$ 41,90) vai captar entre US$ 750 milhões e US$ 1 bilhão com títulos de dívida no exterior nesta semana, a primeira da fila de emissões de setembro.
… Segundo o Broadcast, a expectativa é de que a operação seja levada ao mercado para precificação na 5ªF. As conversas com investidores começaram ontem em Londres.
… Segundo a Moody’s, que atribuiu nota ‘Ba2’ aos títulos, os recursos servirão para a Eletrobras pagar antecipadamente parte de um empréstimo de R$ 4 bi com um sindicato de bancos e notas comerciais de R$ 2 bi.
… Setembro deve ser a segunda janela mais movimentada do mercado de dívida externo no ano, após janeiro.
… É o retorno das férias no Hemisfério Norte e mais empresas brasileiras devem anunciar emissões após a decisão de juros do Fed, no dia 18.
… Especialistas esperam o anúncio de quatro a seis operações de companhias brasileiras até meados de outubro, com captações de até US$ 4 bilhões.
EM TEMPO… VALE reiterou que segue buscando potenciais parceiros para a Aliança Geração de Energia…
… Segundo a companhia, neste momento, não há qualquer instrumento vinculante ou decisão tomada a respeito de quem será o potencial parceiro ou sua estrutura de capital.
AZUL inicia hoje diversas rodadas de conversas com bondholders (detentores de dívida no exterior) para tentar captar mais recursos no mercado usando sua subsidiária de logística, a Azul Cargo, como garantia, segundo o Valor…
… As conversas vão acontecer durante toda a semana. Entre os grupos agendados, estão detentores de dívidas de 2028, 2029 e 2030…
… A S&P Global rebaixou rating da companhia de B- para CCC+, com perspectiva negativa.
ITAÚ fez a 1ª emissão de certificado de operações estruturadas (COE) referenciado em risco de crédito, no valor de R$ 500 mil.
ASSAÍ. Conselho de Administração aprovou, por unanimidade, a eleição de José Roberto Müssnich, ex-CEO do Atacadão, para membro independente do colegiado; executivo entrou na vaga de Luiz Nelson Guedes de Carvalho…
… Müssnich ainda será membro de dois comitês: financeiro e de investimentos, e de gente, cultura e remuneração.
AMERICANAS informou que, a partir desta 2ªF (2), o executivo Fernando Dias Soares assumiu o cargo de vice-presidente de Operações (COO) da companhia…
… Dias fez carreira na Ambev, onde foi presidente da divisão de bebidas não alcoólicas e liderou unidades de negócio na Colômbia, Peru e México; em 2020, ele assumiu a posição de CEO da Domino´s Pizza.
WEG fechou acordo de R$ 630 milhões com a Kroma Energia para a construção de um complexo de geração de energia por meio de painéis solares no parque Arapuá, localizado no município Jaguaruna (CE)…
… Operação, que tem previsão para começar no primeiro semestre de 2026, terá capacidade instalada de 250 megawatts-pico (MWp) e produção anual estimada de 537 gigawatts-hora (GWh).
VAMOS realizará a 2ª emissão de Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) em até duas séries, para distribuição pública, no valor de, inicialmente, R$ 685 milhões.
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Payroll é expectativa da semana, que começa com feriado em NY
Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*
[02/09/24]
… A semana começa com os mercados fechados hoje em NY para o feriado do Dia do Trabalho, mas termina com força total, diante do payroll de agosto (6ªF), esperado com muita expectativa porque deve definir o tamanho do corte de juro pelo Fed no ciclo que começa este mês. Será mais uma superquarta no dia 18, com reunião do Fomc e do Copom. Na 6ªF, Campos Neto praticamente enterrou a chance de uma alta de 50pbs da Selic em setembro, mas a curva do DI continua medindo força com o BC, cobrando maior agressividade diante da atividade aquecida (amanhã sai o PIB/2Tri), dos ruídos fiscais (Planejamento faz coletiva às 11h sobre o PLOA/25), das expectativas inflacionárias (tem Focus novo às 8h25), e, ainda, da pressão do dólar, que resgatou as intervenções do Banco Central no câmbio.
… Depois de dois leilões na 6ªF, que não conseguiram conter a volatilidade e a alta da moeda diante das grandes saídas de recursos para o ajuste da carteira do MSCI, o BC anunciou para hoje (9h30) mais uma oferta extraordinária de swap cambial.
… O montante é de até US$ 735 milhões, exatamente o valor restante no último leilão de swap, quando foi ofertado US$ 1,5 bilhão nesses papéis, mas o mercado só levou a metade, depois de ter comprado US$ 1,5 bilhão em dólares à vista na primeira atuação.
… Nos juros, RCN não apenas reiterou o gradualismo em um eventual ajuste na Selic, mas deixou claro que o BC depende dos dados para qualquer decisão, colocando em dúvida até mesmo a convicção do mercado de que haverá um novo ciclo de aperto.
… Campos Neto insistiu que o ajuste dos juros, “se houver, será gradual” e tentou botar freio nas apostas mais agressivas, afirmando que o prêmio de risco na ponta curta do DI “é incompatível com a mensagem da ata do Copom”.
… Este trecho da curva parou de subir, mas ainda embute pelo menos 0,50pp de alta do juro até dezembro (abaixo), mesmo com o corte contratado pelo Fed. De última hora, ainda surgiu uma pressão inflacionária adicional.
… Diante do clima seco de agosto e da perspectiva de chuvas muito abaixo da média em setembro, a Aneel anunciou no fim da noite de 6ªF que, pela primeira vez em mais de três anos, voltará a acionar a bandeira vermelha patamar 2.
… O anúncio deve resultar em custo maior, de R$ 7,877 por 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos, à conta de luz.
… A energia elétrica mais cara adicionará 0,52pp ao IPCA do mês, calcula o economista Homero Guizzo, da Terra Investimentos, que elevou a sua projeção de inflação do ano de 4,35% para 4,87%, acima do teto da meta (4,5%).
… Até a semana passada, o levantamento Focus indicava IPCA de 4,25% no ano e, após algumas semanas de alívio, revelou nova piora nas expectativas de inflação para o ano que vem, de 3,91% para 3,93%.
… Amanhã (3ªF), o PIB/2Tri também pode ser importante para projetar as apostas dos próximos passos do Copom.
… A economia brasileira deverá apresentar um desempenho igual ou superior aos primeiros três meses do ano, quando cresceu 0,8%. A mediana das estimativas em pesquisa Broadcast aponta para um crescimento de 0,9%.
… Além de efeitos menos intensos das enchentes no RS, a expansão fiscal e a força do mercado de trabalho garantiram ganho de renda à população e fôlego disseminado entre os setores da economia, avaliam analistas.
… O mercado espera agora um PIB de 2,5% no ano. Em evento na 6ªF, Haddad disse que o País está crescendo perto de 3% e manterá esse ritmo. “Não podemos nos conformar em crescer menos do que a média mundial”.
… Além do PIB, a produção industrial de julho testa a força da atividade econômica, na 4ªF. Ainda na agenda da semana, saem a balança comercial de agosto (5ªF), o IGP-DI (6ªF), o IPC-Fipe (amanhã) e o IPC-S (hoje, às 8h).
… O recuo previsto para alimentos e energia elétrica deve desacelerar o IPC-S de 0,54% em julho para 0,15% em agosto.
PLOA – Enviado pelo governo ao Congresso na noite de 6ªF, o Projeto de Lei Orçamentária (PLOA) de 2025 eleva a alíquota da CSLL em um ponto porcentual para empresas e em 2pp para instituições financeiras, neste caso, o dobro do esperado.
… Também aumenta de 15% para 20% a alíquota do IR retido na fonte incidente sobre JCP.
… O governo espera arrecadar R$ 20,94 bilhões em 2025 com as medidas. Mas, no sábado, durante evento da XP em SP, Lira frustrou a expectativas e considerou “quase impossível” um aumento de CSLL e JCP ser aprovado na Câmara.
… Além destes quase R$ 21 bilhões em receitas projetadas com a CSLL e o JCP, o PLOA prevê ainda outros R$ 25,8 bilhões da compensação da desoneração da folha de pagamento, que também está condicionada à aprovação do Congresso.
… Ou seja, uma boa parte da arrecadação esperada pelo governo está nas mãos da boa vontade do Legislativo.
… Além disso, para chegar na meta fiscal zero prevista pelo PLOA, o governo também conta com a efetivação da economia de R$ 25,9 bilhões dentro do processo de revisão de gastos, que foi detalhado semana passada.
… No PLOA/25, o governo cortou o orçamento de programas sociais (Bolsa Família, Farmácia Popular e Auxílio Gás).
… Mas, paralelamente, o Poder Executivo já encaminhou um projeto de lei para turbinar o benefício que banca a compra do botijão de gás para famílias carentes, levantando a lebre de drible ao limite de despesas do arcabouço.
ESFORÇO CONCENTRADO – Esta última semana presencial no Congresso antes do recesso branco das eleições municipais será dominada pela pressão do governo junto aos parlamentares para aprovação de projetos relevantes.
… O governo ainda tinha esperança de a sabatina de Galípolo ocorrer amanhã, mas após sinalização de Pacheco, a Secretaria de Relações Institucionais informou que o novo presidente do BC só será sabatinado na semana que vem.
… Entre os diretores do Copom, Diogo Guillen participa de palestra na 5ªF, em NY, em evento do UBS BB. Hoje, Paulo Picchetti detalha na LiveBC (14h) o Relatório de Riscos e Oportunidades Sociais, Ambientais e Climáticos (RIS) 2024.
FORA DO AR – O ministro Alexandre de Moraes liberou para análise da Primeira Turma do STF o julgamento da decisão que suspendeu o acesso ao X, antigo Twitter, após reiterados descumprimentos de ordens judiciais pela plataforma do bilionário Elon Musk.
… O julgamento será em sessão virtual extraordinária e os magistrados terão até as 23h59 de hoje para se manifestarem.
… Além de Moraes, compõem a Primeira Turma a ministra Cármen Lúcia e os ministros Luiz Fux, Cristiano Zanin e Flávio Dino.
… Em mais um ataque contra Alexandre de Moraes no fim de semana, Musk o chamou de “falso juiz” e o acusou de interferir nas eleições presidenciais de 2022 no Brasil, pedindo aos seus seguidores que postem exemplos ou evidências.
… No sábado, o megainvestidor de Wall Street Bill Ackman (Pershing Square) chamou de ilegal a suspensão do X no Brasil e o bloqueio das contas na Starlink e alertou para o risco de o País perder investimentos, como, segundo ele, aconteceu na China.
… Também Lira criticou o bloqueio das contas da Starlink e Musk repostou a mensagem e agradeceu o apoio do presidente da Câmara.
LÁ FORA – Depois do pânico com o payroll de julho, que despertou o risco de recessão nos EUA, o mercado chega bem mais tranquilo para o relatório de emprego de agosto, confiando que, desta vez, não vai ter susto em NY.
… Se os números não pregarem surpresas, a percepção é de que o Fed decidirá por um ajuste mais gradual da política monetária, com um corte inicial de 25pb, opção que conta com quase 70% de chance nas apostas do CME.
… O cenário mais provável ainda é de um orçamento total de 100pb no ciclo, mas cresce a precificação de apenas 75pb.
… Na última 6ªF, o PCE de julho dentro do consenso reforçou as apostas mais moderadas (leia mais abaixo).
… Antes do payroll, outros dois dados de emprego preparam o espírito do mercado: o relatório Jolts de julho, que sairá na 4ªF, e ADP de agosto (5ªF), que aponta a criação de vagas de trabalho no setor privado americano.
… Ainda na agenda dos EUA, vale o destaque para o Livro Bege (4ªF) e para o PMI industrial (3ªF) e de serviços (5ªF).
… Hoje, a leitura final do PMI/ S&P Global industrial de agosto sai na Alemanha (4h55), zona do euro (5h) e Reino Unido (5h30). Os BCs do Chile (amanhã, 3ªF) e do Canadá (4ªF) anunciam suas decisões de política monetária.
CHINA HOJE – Divulgado ontem à noite, o PMI industrial da S&P Global/Caixin subiu para 50,4 agosto, da previsão de 49,7 e de 49,4 em julho, voltando para o terreno da expansão. O resultado também ficou acima do mesmo dado medido pelo setor privado, de 49,1 em agosto.
… Já o PMI de serviços avançou de 50,2 em julho para 50,3 em agosto, melhor que o esperado pelos analistas, que previam queda para 50,1. Amanhã (3ªF) à noite, sai o PMI composto de agosto medido pelo setor privado.
JAPÃO HOJE – A leitura final do PMI industrial medido pelo setor privado subiu de 49,1 em julho para 49,8 em agosto, acima da expectativa dos analistas, de 49,5, e cada vez mais perto do território de expansão (acima de 50).
PROTESTO EM ISRAEL – Dezenas de milhares de israelenses saíram às ruas neste domingo após mais seis reféns terem sido encontrados mortos em Gaza, exigindo que o primeiro-ministro do país, Benjamin Netanyahu, chegue a um cessar-fogo com o Hamas.
… O maior sindicato de Israel, o Histadrut, convocou para hoje uma greve geral com o objetivo de fechar ou interromper os principais setores da economia, incluindo bancos, assistência médica e o principal aeroporto do país.
PAGANDO PRA VER – As duas intervenções do BC não acalmaram totalmente o dólar e o alerta de RCN, de que o mercado está exagerando na expectativa de alta da Selic, não tirou do DI a aposta de aumento de 0,5pp este mês.
… Depois do leilão de US$ 1,5 bilhão no câmbio à vista pela manhã e da oferta de US$ 1,5 bilhão em novos contratos de swap, em que colocou metade da oferta (US$ 765 milhões), o dólar ainda fechou em alta (+0,21%, a R$ 5,6350).
… Foi a quinta valorização consecutiva.
… Logo pela manhã, Campos Neto afirmou em evento em SP que o BC poderá fazer mais intervenções no câmbio, já que tem “reservas suficientes”. Mas não conseguiu frear a alta do dólar, em dia de fechamento da ptax do mês.
… Na máxima, a moeda americana flertou com R$ 5,70, cotada a R$ 5,6919. Na semana, acumulou alta de 2,84%, mas em agosto recuou 0,36%.
… Já em relação aos DIs, apesar dos alertas de RCN, prevaleceu na curva a aposta de aumento de 0,50pp na Selic, ainda que o Jan25 tenha ficado praticamente estável, em 10,995% (de 10,991% no pregão anterior). O Jan/26 subiu a 11,880% (de 11,815%).
… Em cálculo para o Broadcast, Carlos Lopes (BV) apontou que a precificação no fim da tarde era de aumento de 42,6 pb na taxa básica, nível que sugere 70% de chance de aumento de 0,50pp no Copom deste mês.
… Os contratos médios e longos dispararam, pressionados pelo receio com as contas públicas e pressão das taxas dos Treasuries. Jan/27 pagou 11,980% (de 11,775%); Jan/29, 12,165% (11,854%); e Jan/31, 12,170% (11,847%).
… Ao longo de vários discursos na 6ªF em viagem ao Nordeste, o presidente Lula reiterou a disposição de ampliar o Auxílio Gás, que deve custar R$ 13,6 bilhões até 2026.
DA ÁGUA PARA O VINHO – Na gangorra que foi agosto, o mês começou com o susto do payroll de julho, que ativou o medo de recessão nos EUA, mas terminou como o melhor desempenho mensal do ano (6,54%) para o Ibovespa.
… Na 6ªF, o Ibovespa chegou a ficar abaixo dos 135 mil na mínima do dia, em uma sessão marcada pela cautela, mas fechou estável (-0,03%), a 136.004,01 pontos, e zerou as perdas da semana, com alta de 0,29% no período.
… Em dia de ajuste de final de mês, de carteira de fundos, de carteira teórica do Ibov e do MSCI Brazil, o volume de negociação na bolsa disparou para R$ 45,8 bilhões.
… A recuperação do Ibovespa na hora final do pregão teve a participação de Vale, o maior peso do índice, que saiu de queda para alta de 0,47% (R$ 59,58).
… Petrobras driblou a forte queda do Brent (-2,40%; US$ 76,93) com o papel ON em +0,37% (R$ 42,94) e o PN em +0,10% (R$ 39,37). O petróleo foi atingido pelos relatos de aumento da oferta pela Opep+ a partir de outubro.
… O avanço dos juros futuros prejudicou as ações cíclicas, que ficaram entre as maiores quedas: Petz (-5,81%; R$ 4,86), Magazine Luiza (-5,66%; R$ 12,16) e Azzas (-3,39%; R$ 49,00).
… Bancos, que chegaram a recuar em bloco, fecharam sem direção única: Santander, -0,16% (R$ 31,40); Banco do Brasil, -0,64% (R$ 28,12); e Itaú, -0,70% (R$ 36,70).
… Na outra ponta, Bradesco ON subiu 0,28% (R$ 14,14) e Bradesco PN ganhou 0,06% (R$ 15,64).
… CPFL Energia (+3,74%; R$ 34,09), Dexco (+3,01%; R$ 8,21) e Engie (+2,31%; R$ 45,16) lideraram as altas.
PÁGINA VIRADA – O PCE e gastos com consumo se juntaram aos sinais de pouso suave dos EUA e animaram os investidores em NY. Pelo menos em relação à inflação, o mercado virou a página até a próxima decisão do Fed.
… A bola agora está com o payroll de agosto nesta semana. Mas depois da forte desaceleração de julho por motivos sazonais, não se espera uma grande queda agora. A ver.
… O fato de o PCE ter elevado a aposta em corte de apenas 25pb pelo Fed em setembro foi visto pelo lado positivo: a economia e os consumidores vão bem o suficiente para que o ciclo de afrouxamento comece em forma gradual.
… Índice de inflação preferido do Fed, o PCE subiu 0,2% em julho, ante junho, e avançou 2,5% na leitura anual. A taxa mensal veio em linha, mas a anual veio abaixo dos 2,6% esperados.
… O núcleo do índice subiu 0,2%, dentro das expectativas, e teve alta anualizada de 2,6%, abaixo da previsão (2,7%).
… Logo após a divulgação dos dados, a ferramenta CME FedWatch indicava 69,5% de probabilidade de um corte de 25pb pelo Fed, com um orçamento total de 100pb no ano (44,8%). A chance de 75pb subiu para 29,7%.
… Outra boa notícia é que a expectativa de inflação de curto prazo (12 meses) entre os consumidores caiu de 2,9% em julho para 2,8% em agosto. A de cinco anos ficou estável em 3%, segundo apuração da Universidade de Michigan.
… O índice de sentimento do consumidor subiu de 66,4 em julho para 67,9 em agosto, praticamente em linha com a previsão de 67,8.
… Com liquidez reduzida, às vésperas do feriado do Dia do Trabalho, nesta 2ªF, as bolsas ficaram incialmente mistas depois do PCE e dos dados de Michigan, mas emplacaram um rali no final do pregão.
… Num dia positivo para as ações de tecnologia – seis das sete magníficas subiram, a exceção foi Apple -, o Nasdaq avançou 1,13%, aos 17.713,62 pontos, e o S&P 500 ganhou 1,01%, aos 5.648,40 pontos.
… No acumulado de agosto, avançaram 3,30% e 3,90%, respectivamente.
… Puxado pelo salto de 9,49% em Intel, o Dow Jones engatou o segundo fechamento recorde consecutivo e o 26º do ano, em 41.563,08 pontos (+0,55%). No mês, ganhou 2,01%.
… Segundo a Bloomberg, a Intel estaria avaliando opções como a separação dos negócios de fundição e o cancelamento de planos para construir novas fábricas para superar sua atual crise.
… No ajuste ao PCE, dólar e juros dos Treasuries subiram, em meio à expectativa de um início gradual de flexibilização pelo Fed.
… O retorno da note de 2 anos avançou a 3,926% (de 3,892%) e o da note de 10 anos aumentou a 3,925% (de 3,861%). O do T-bond de 30 anos subiu a 4,209% (de 4,146%).
… No câmbio, o índice dólar (DXY) registrou alta de 0,35%, aos 101,698 pontos. O iene caiu 0,79%, a 146,176/US$, e a libra cedeu 0,33%, a US$ 1,3125.
… O euro caiu 0,24%, a US$ 1,1052 após a leitura preliminar do CPI de agosto do bloco europeu ter desacelerado a 2,2%, de 2,6% em julho, nível próximo da meta de 2%. O núcleo cedeu de 2,9% para 2,8%. Ambos vieram em linha.
… A inflação tem cedido, apesar do mercado de trabalho apertado na zona do euro. Em julho, a taxa de desemprego caiu inesperadamente à mínima recorde de 6,4%, de 6,5% em junho, que também era a expectativa dos analistas.
… Na sequência dos dados, vários dirigentes do BCE – o francês François Villeroy de Galhau, o finlandês Olli Rehn, o letão Martin Kazaks e o estoniano Madis Muller – sinalizaram disposição em cortar o juro neste mês.
… De linha mais dura, a alemã Isabel Schnabel defendeu uma postura cautelosa, mas admitiu uma abordagem “gradual” na redução dos juros.
EM TEMPO… Técnicos da ELETROBRAS investigam as causas do desligamento da subestação Guarulhos, que provocou um apagão em áreas atendidas pelas distribuidoras Enel SP e EDP-SP em São Paulo, principalmente nas regiões Leste, Norte e Central…
… O apagão durou quase 2h30 no final da tarde de sábado, com a interrupção no fornecimento de 870 megawatts (MW) de carga, afetando 292,5 mil clientes da EDP em Guarulhos e 650 mil clientes da Enel São Paulo, que atende a capital paulista…
… As empresas informaram que a interrupção no fornecimento foi provocada por problemas na subestação Guarulhos, da Eletrobras.
SETOR ELÉTRICO. Ministro Alexandre Silveira (MME) disse que o PL de Reforma do Setor Elétrico vai propor que a abertura do mercado livre de energia ocorra “no máximo” até 2030. Com isso, os consumidores passarão a poder escolher seu fornecedor de energia…
… Ele afirmou que o texto já está pronto e que os debates na Casa Civil já começaram. “Estamos à beira do precipício do setor como um todo”, disse Silveira. Para ele, se nada for feito, a União terá de desembolsar recursos para sustentar o setor.
GOL teve prejuízo de R$ 221 milhões em julho, segundo dados preliminares e não auditados; Ebitda ficou em R$ 415 milhões.
SUZANO concluiu a operação de compra da participação minoritária de 15% na Lenzing, empresa austríaca de fibras especiais; transação havia sido anunciada em junho por 230 milhões de euros…
… Com isso, a companhia brasileira poderá indicar até duas pessoas ao conselho de administração da Lenzing e terá a opção de comprar mais uma participação de 15% na companhia até o fim de 2028.
AUREN ENERGIA conclui a aquisição da Esfera Energia; operação foi anunciada em junho e valor não havia sido divulgado.
EQUATORIAL aprovou o aumento do seu capital social no valor de R$ 45.436.959,98, mediante a emissão de 2.461.717 novas ações ON…
… Com o aumento do capital, a quantidade de ações de emissão passará das atuais 1.168.690.504 de ações para 1.171.152.221; além disso, o capital social da empresa passará dos atuais R$ 9.933.599.044,80 para R$ 9.979.036.004,78.
ULTRAPAR, por meio da subsidiária Ultrapar Logística, informou sua intenção de exercer seu direito de preferência na subscrição das ações a serem emitidas pela Hidrovias do Brasil, em razão do aumento de capital de até R$ 1,5 bilhão.
TELEFÔNICA aumentou o valor máximo de recursos que poderão ser utilizados em seu programa de recompra de ações de R$ 1 bilhão para R$ 1,5 bilhão; operação, que teve início em março, prevê a aquisição de até 30,3 milhões de ações ON.
AMERICANAS. Shopping Iguatemi entrou com ação de despejo na Justiça contra a varejista, para reaver dívidas de aluguéis; ação envolve a loja na Avenida Brigadeiro Faria Lima, zona oeste da capital paulista, e seu valor é de R$ 2.978.737,80…
… Companhia disse que a unidade do shopping permanece aberta e que já apresentou a sua defesa na ação de despejo.
SHOPPING CENTERS tiveram recuo nominal médio de 0,8% nas vendas em julho, na comparação anual, segundo relatório da Abrasce. (fontes do Broadcast)
BANCO DO BRASIL. Everton Luís Kapfenberger renunciou ao cargo de diretor de agronegócios e agricultura familiar; executivo será substituído por Alberto Martinhago Vieira, que até então atuava como diretor comercial de alto varejo.
LUFTHANSA. O CEO da companhia aérea alemã, Carsten Spohr, vai se encontrar com autoridades do governo português hoje para iniciar negociações sobre a possível aquisição de cerca de 20% da TAP, aérea estatal de Portugal.
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