Semana tem foco em juros e fiscal

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*

[16/09/24]

… Promete muita volatilidade e expectativa a semana dominada pela bateria de reuniões de política monetária do Fed e do Copom, na superquarta, do BoE inglês, na 5ªF, e do BoJ e do PboC chinês, que repercutirão nos mercados na 6ªF. Além disso, o investidor doméstico tem ainda para acompanhar a divulgação do novo relatório bimestral de receitas e despesas do governo federal, na 6ªF, em meio à polêmica de que Dino autorizou o governo a emitir créditos orçamentários fora do arcabouço para combater as queimadas. Quanto às decisões de juros, a única segurança é de que o BoE não vai mexer nas taxas. De resto, o Fed, o Copom e os BCs asiáticos reservam suspense.

… Em uma reviravolta de última hora, na 6ªF, foi colocada em xeque a precificação consolidada de que o BC dos EUA abra o ciclo com um corte de 25pb. Muita gente migrou para as apostas de redução mais agressiva (50pb).

… O estopim para a mudança de lado veio de um artigo no WSJ do jornalista Nick Timiraos, especializado na cobertura de assuntos relacionados ao Fed, revelando que os dirigentes estão indecisos sobre a dose do corte.

… Agora, o cenário se divide meio a meio. A chance de o juro cair 50pb logo de largada praticamente dobrou, de 28% para 50%, disputando neste momento em pé de igualdade com a estimativa de uma queda mais branda.

… Pela reportagem, parte do Fed tem medo de que a manutenção do juro em nível restritivo por tempo demais reduza a chance de um pouso suave e, neste sentido, o melhor seria não economizar no tamanho do corte.

… Também pesa o fato de que vários Fed boys já sinalizaram a intenção de realizar quedas em série do juro, ampliando as esperanças de que o BC americano já possa começar com um passo maior para encurtar o ciclo.

… Na ferramenta das apostas do CME, a chance de redução acumulada de 125 pb até dezembro voltou a ser a mais provável, elevando a expectativa pelo gráfico de pontos do Fed, que será chave para projetar as apostas.

… Na China, a frustração com novos dados atividade divulgados no fim de semana eleva a pressão por estímulos por parte de Pequim, que já na 6ªF renovou o compromisso de baixar juros e custos de empréstimos se preciso.

… A produção industrial chinesa teve alta anualizada de 4,5% em agosto, abaixo do esperado (4,6%). As vendas no varejo avançaram 2,1% na mesma base de comparação, decepcionando o consenso de 2,5%.

… No Japão, dirigentes do BoJ enxergam pouca necessidade de aumento do juro esta semana, segundo a Bloomberg. Mas como o BC japonês já causou uma surpresa hawkish antes, não dá para ter 100% de certeza.

COPOM TAMBÉM É DÚVIDA – Em pesquisa Broadcast, os economistas estão amplamente precificados (53 de 61 instituições) para a retomada gradual do ciclo de aperto (0,25pp). Mas o DI evolui para a ousadia (0,50pp).

… Independente da intensidade do aperto, o BC terá de admitir no comunicado que a estratégia de manter a Selic (10,5%) por um período prolongado não mais assegura a convergência da inflação no horizonte relevante.

… O Copom deve mencionar no documento de 4ªF que novos apertos monetários nas próximas reuniões são prováveis e que a magnitude dependerá da evolução dos principais indicadores para a perspectiva de inflação.

… A perspectiva de retomada do ciclo de alta da Selic ganha força desde julho, como reflexo do descolamento das expectativas de inflação da meta de 3%, do câmbio depreciado (perto de R$ 5,60) e da atividade aquecida.

… Na última 6ªF, o Ministério da Fazenda revisou para cima a projeção para o IPCA deste e do próximo ano.

… De acordo com a nova grade de parâmetros da Secretaria de Políticas Econômicos (SPE), a estimativa para a inflação em 2024 passou de 3,90% para 4,25%, mais próxima do teto da meta no ano (4,5%) e do Focus (4,3%).

… Para 2025, a projeção foi de 3,30% para 3,40%, mais longe do centro do alvo (3%), com tolerância de 1,5pp.

… Na visão de analistas, a leve revisão para o IPCA do ano que vem não chega a ser irrealista, mas pode estar subestimada, diante da atividade mais forte. A Fazenda subiu a projeção do PIB/24 de 2,5% para 3,2%.

… O consenso entre os economistas aponta para quatro altas consecutivas de 0,25pp na Selic até janeiro, quando a taxa deve atingir 11,50%. Mas tem gente prevendo até 12,00%, como é o caso do Deutsche Bank.

… A avaliação no mercado é que a retomada do ciclo de aperto responde aos fundamentos e, de quebra, significa ganho de credibilidade, neste momento de transição no BC, com Galípolo querendo provar autonomia.

ALERTA FISCAL – O ministro Flávio Dino (STF) autorizou neste domingo a abertura de crédito especial fora do arcabouço e da meta de déficit zero para o combate às queimadas causadas pela crise climática no país.

… A autorização dos gastos vale até o final do ano. “Pode-se dizer que as consequências negativas para a responsabilidade fiscal serão muito maiores devido à erosão das atividades produtivas nas áreas afetadas.”

… A decisão de Dino ocorre após a consultoria jurídica do Ministério do Planejamento alertá-lo para os riscos que a emissão dos créditos extras para os efeitos da seca representaria ao equilíbrio das contas da União.

… Na AGU, a investida de Dino foi elogiada e considerada “corajosa” pelo ministro-chefe, Jorge Messias.

… Em entrevista ao Estadão de domingo, o economista Marcos Lisboa (da Gibraltar Consulting) exibiu pessimismo sobre o rumo das contas públicas. “A criatividade na contabilidade está voltando com força.”

… O economista tem visto com preocupação as medidas que melhoram de forma artificial a política fiscal do governo federal e observa que cumprir a meta não faz diferença se a dívida doméstica continua em alta.

… Embora ele reconheça que o momento da economia “é bom”, como mostram os últimos indicadores do PIB, ele diz que os alertas de especialistas sobre as inconsistências do arcabouço fiscal têm se provado verdadeiros.

… Uma fonte nova de preocupação, afirma, são os chamados “truques fiscais” que voltaram a ser notícia.

… Um deles foi motivo de alerta do próprio BC, que se recusa a contabilizar como receita primária (computada no resultado da meta) a apropriação, por parte do Tesouro, de recursos esquecidos em bancos por correntistas.

… Este dinheiro é uma das compensações para a desoneração da folha de pagamentos neste ano.

… Na avaliação de Lisboa, as metas fiscais do novo arcabouço estão se mostrando pouco eficazes para controlar a dívida pública, porque excluem da conta vários tipos de despesas. “Cumprir a meta assim não diz muita coisa.”

… O mercado transfere agora toda a expectativa para o relatório bimestral de receitas e despesas na 6ªF. O Tesouro não descarta a apresentação no documento de medidas adicionais de receitas para zerar a meta de déficit fiscal.


… As fontes de receitas extraordinárias listadas pela equipe econômica para garantir o cumprimento da meta de déficit zero em 2024 têm gerado uma arrecadação muito menor do que a esperada pelo governo e pelo mercado.

… A quatro meses do fim do ano, as medidas com maior potencial arrecadatório, como a retomada do voto de qualidade do Carf e as transações tributárias, tiveram até agora desempenho bastante decepcionante.

CSLL/JCP – A Febraban pediu na 6ªF ao ministro Padilha que o governo Lula reveja o projeto encaminhado ao Congresso que prevê o aumento de tributos sobre o lucro das empresas e os rendimentos dos acionistas.

… Pelo texto, a alíquotas da CSLL para bancos subiria de 20% para 22% a partir do ano que vem, enquanto as seguradoras teriam aumento de 15% para 16%. Nas demais empresas, a elevação seria de 9% para 10%.

… O projeto também aumenta de 15% para 20% a alíquota de imposto na distribuição de juros sobre capital próprio (JCP). O governo espera obter arrecadação adicional de R$ 32,56 bi com as medidas entre 2025 e 2027.

MAIS AGENDA – Do lado da inflação, saem o IGP-10/set (amanhã) e prévias do IPC-S (hoje, 8h) e IPC-Fipe (3ªF).  

… Haddad participa hoje à noite (19h30), presencialmente, de evento organizado pelo jornal Valor. Lula deve se encontrar com a ministra Marina Silva para tratar de ações para a questão de emergência dos incêndios.

LÁ FORA – Antes da decisão de juro os EUA, na 4ªF, ainda saem dados de atividade nos EUA, embora o mandato duplo do Fed esteja mais focado no emprego. As vendas no varejo e produção industrial de agosto vêm amanhã.

… Hoje, às 9h30, tem a atividade industrial Empire State, que deve ficar em -5,5 em setembro, de -4,7 (agosto).

… Na zona do euro, a inflação ao consumidor de agosto sai na 4ªF. Lagarde participa de painel em Washington na 6ªF, após ter sinalizado que o BCE está aberto a cortes em outubro, mas dezembro é mais provável.

… Os BCS da Turquia e da África do Sul divulgam as decisão de política monetária na 5ªF.

ELEIÇÕES EUA – Cerca de dois meses após Trump ter sido alvo de atentado em comício na Pensilvânia, o FBI apura nova tentativa de assassinato, após tiros próximos a clube de golfe em que o candidato jogava, na Flórida.

… O republicano foi retirado às pressas, depois de os disparos terem sido ouvidos ao local. O ex-presidente não foi ferido e um suspeito fugiu em um carro, mas foi detido logo em seguida em um condado próximo.

… Divulgada no domingo, nova pesquisa da ABC News/Ipsos indicou que Kamala Harris manteve a vantagem de 52% sobre 46% do ex-presidente em intenção de votos após o debate entre os candidatos semana passada.

FÔLEGO NOVO – O aumento das apostas em um corte mais agressivo pelo Fed na 6ªF, após a matéria do WSJ, contratou queda nos DIs e no dólar e fez o Ibovespa resgatar o sinal positivo no ano, perdido no pregão anterior.

… O índice à vista fechou com alta de 0,64%, perto dos 135 mil pontos (134.881,95). Na semana, subiu 0,23%.

… Na contramão do minério (-1,96% em Cingapura), Vale subiu 0,67% (R$ 58,50) e acumulou alta de 3,21% na semana, que também foi decisiva para o ganho do Ibov no período.

… Petrobras, por outro lado, foi mal no dia, pressionada pela queda do petróleo e por declarações do presidente Lula, de que a estatal “não serve apenas para lucrar, mas para beneficiar a população brasileira”.

… As ações da petroleira chegaram a subir 1,8%, mas no fim da sessão o papel ON caiu 0,30% (R$ 40,37) e o ON recuou 0,46% (R$ 36,70).

… Bancos terminaram a sessão em leve alta: Bradesco ON (+0,07%; R$ 13,95), Itaú (+0,11%; R$ 37,01), Santander (+0,39%; R$ 30,77) e Banco do Brasil (+0,67%; R$ 28,42). Apenas Bradesco PN ficou estável, a R$ 15,55.

… Destaque do dia, Azul disparou 22,52%, a R$ 4,95, com a notícia de que a empresa estaria perto de chegar a um acordo para a reestruturação da dívida com os credores.

… CVC avançou 14,29% (R$ 2,08) e Braskem subiu 7,79% (R$ 19,38).

… No lado negativo, Assaí caiu 2,98% (R$ 8,80) e Carrefour perdeu 2,67% (R$ 9,11), depois de o BofA rebaixar as ações das duas empresas de compra para neutro, reduzindo também os seus preços-alvo.

… Seguindo o bom humor externo, o dólar à vista fechou em baixa de 0,91%, a R$ 5,5673. Na semana, a moeda recuou 0,41%.

… O aumento da demanda por risco também reduziu as taxas dos DIs, deixando em segundo plano as preocupações fiscais domésticas e a atividade resiliente, que pode desembocar em mais inflação.

… O IBC-Br mostrou que a economia brasileira encolheu 0,41% em julho ante junho, mas a retração foi menor que o 0,50% esperado. Na comparação com julho passado, o índice cresceu 5,35%, acima da mediana do mercado (4,50%).

… Para analistas, o dado foi mais um a confirmar a resiliência da economia no início do 3Tri e a expectativa de um PIB perto de 3% em 2024.

… Os agentes de mercado continuam a reestimar a Selic para cima. Em revisão de cenário na 6ªF, o Santander revisou a taxa básica de estabilidade (10,50%) para 11,50% ao fim do ciclo de alta, e o Deutsche Bank previu 12%.

… O DI para Jan/26 caiu a 11,785% (de 11,850%); o Jan/27, a 11,785% (de 11,836%); o Jan/29, a 11,885% (de 11,945%); o Jan/31, a 11,870% (de 11,944%); e o Jan/33, a 11,840% (de 11,916%).

GO BIG – Quando tudo parecia consolidar as expectativas em um corte de 25 pb esta semana, Wall Street voltou a viver a esperança de um Fed mais agressivo, num otimismo desencadeado pela matéria do WSJ.

… Um alerta do ex-Fed de NY William Dudley endossou o ajuste. De novo, ele disse haver argumentos “fortes” a favor de um corte de 50 bp.

… Dudley já havia defendido que o corte de juros fosse iniciado em julho. Em sua visão, há risco de haver uma recessão nos EUA.

… S&P 500 e Nasdaq, que vinham de dias positivos depois que CPI e PPI não ameaçaram a possibilidade de corte de juros pelo Fed, fecharam em alta pela quinta sessão, em sua melhor semana desde novembro passado.

… Na agenda do dia, outros dados positivos. O sentimento do consumidor americano medido pela Universidade de Michigan subiu para 69, acima do esperado (68,2).

… Na mesma pesquisa, a expectativa de inflação de um ano caiu de 2,8% para 2,7%, embora a de 5 anos tenha subido de 3,0% para 3,1%.

… O S&P 500 avançou 0,54%, aos 5.626,02 pontos. O Nasdaq ganhou 0,65% (17.683,98) e o Dow Jones subiu 0,72% (41.393,78 pontos). Na semana, os índices acumularam ganhos de respectivamente, 4,02% e 5,95% e 2,60%.

… O otimismo em torno de um Fed mais agressivo foi mais evidente no índice Russell 2000, de small caps, que disparou 2,5%.

… Empresas de pequena capitalização são mais sensíveis à política monetária, já que dependem mais de crédito.

… Os retornos dos Treasuries cederam. O da note de 2 anos caiu a 3,584% (de 3,641% no pregão anterior) e o da note de 10 anos recuou a 3,658% (de 3,674%). O juro do T-bond de 30 anos fechou a 3,985% (de 3,987%).

… A revisão das apostas para o Fed fez o dólar perder terreno ante seus pares, com destaque para o iene, que subiu 0,73%, a 140,812/US$, em meio à perspectiva de maior diferencial de juros entre EUA e Japão.

… Euro (+0,09%, a US$ 1,1079) e libra (+0,06%, a US$ 1,3126) tiveram desempenho mais tímido.

EM TEMPO… VALE informou no sábado, em comunicado ao mercado na CVM, que está conduzindo verificações adicionais na barragem Forquilha 3, na mina de Fábrica, em Ouro Preto (MG), após “trincas superficiais”…

… A barragem está em nível de emergência 3, o mais alto na escala de risco, e precisa ser monitorada de forma permanente. A Vale ressaltou que as condições de estabilidade da estrutura seguiam inalteradas.

AZUL informou neste domingo que ainda não há um acordo firmado com os arrendadores de aeronaves para a otimização de sua estrutura de capital…

… Em reunião com executivos da Azul na 6ªF, Haddad prometeu viabilizar em até dois meses o Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac), instrumento de garantia para acesso de crédito com melhores condições. (Broadcast)

CVC informou que a GJP Fundo de Investimento em Ações, por meio de sua gestora Mar Capital Gestão de Recursos, passou a ser titular de 16,32% do capital social total.

BRASKEM. A S&P Global rebaixou a perspectiva dos ratings de crédito do emissor de estável para negativo, indicando que pode reduzir os ratings nos próximos 12 meses.

MARISA LOJAS apresentou prejuízo de R$ 102 milhões no 2Tri, cifra 60,8% pior quando comparada ao resultado negativo de R$ 63,4 milhões apurado no mesmo intervalo de 2023.

… O Ebitda ficou em R$ 5,9 milhões, queda de 87% na comparação anual. Já a receita líquida foi de R$ 320,5 milhões no período de abril a junho, recuo de 34% contra um ano antes.

MULTIPLAN anunciou o lançamento do Lake Eyre, segunda das oito fases do empreendimento residencial Golden Lake, o primeiro bairro privativo de Porto Alegre (RS), cominvestimento previsto deR$ 250 milhões.

TOK&STOK. O BB aprovou o plano de recuperação extrajudicial. Com a adesão do BB, o plano tem 100% de aprovação dos credores com direito a voto, segundo Lauro Jardim/Globo.

ENEVA comunicou aos debenturistas da segunda série da 11ª emissão de debêntures que fará o resgate total antecipado facultativo na próxima 6ªF.

SANTOS BRASIL informou que o crédito referente à redução de capital anunciada um mês atrás será pago no dia 7 de novembro.

ONCOCLÍNICAS pretende captar R$ 190 milhões com debêntures para reforçar caixa.

PLANOS DE SAÚDE. A Prevent Senior está vendendo sua operação no Rio de Janeiro por R$ 1 bilhão. Segundo apurou o Valor, houve conversas informais para sondar o interesse da Hapvida pelo negócio.

AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!

*com a colaboração da equipe do BDM Online

AVISO – Bom Dia Mercado, produzido pela Mídia Briefing, não pode ser copiado e/ou redistribuído.

Mercado volta a apostar em alta maior da Selic

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*

[13/09/24]

… Universidade de Michigan divulga (11h) sua leitura preliminar do índice de sentimento do consumidor em setembro nos EUA, que deve subir para 68,2 (67,9 em agosto), além das expectativas de inflação em 1 ano e 5 anos, que estavam em 2,8% e 3% no mês anterior. No final da noite, a expectativa pelos dados de vendas no varejo e produção industrial da China pode mexer com as commodities. Ainda hoje, o BC da Rússia decide sobre juros (7h30). Aqui, o IBC-Br de julho (9h) tem previsão de recuo e pode aliviar os indicadores fortes da atividade, como comércio, serviços e o PIB/2Tri, que entram no balanço de riscos para justificar a alta da Selic, no Copom da próxima 4ªF. Enquanto economistas esperam um aumento de 25pbs, a curva de juros evoluiu nas apostas para um ajuste maior.

… Na B3, os negócios com o DI futuro fecharam o dia projetando 72% de chances de um ajuste inicial de 50pb contra 28% de uma alta de 25pbs, segundo cálculos do estrategista-chefe da EPS Investimentos, Luciano Rostagno, ao Broadcast.

… Para o fim deste ano, a curva precificava a taxa Selic em 11,71% (leia abaixo).

… O crescimento das apostas em um Copom mais agressivo, no entanto, não evitou a inclinação da curva, em meio ao pessimismo fiscal e às desconfianças sobre o potencial de receitas com as quais o governo conta para cumprir os objetivos do arcabouço.

… A notícia de que o governo estuda criar um auxílio emergencial para pescadores atingidos pela seca, que já traz risco para os preços de alimentos, também entrou no radar fiscal do mercado, esvaziando qualquer impacto positivo da aprovação do PL da desoneração.

… Nesta 5ªF, o Itaú anunciou revisão para cima em sua projeção de Selic, de 10,50% para 12%, considerando um ciclo total de 1,50 ponto: 25pbs agora, mais duas altas de 50pbs ainda em 2024 (fechando o ano em 11,75%) e um ajuste final de 25pbs em janeiro.

… Analistas do Itaú argumentaram que, considerando um câmbio de R$ 5,60 e alguma revisão no hiato do produto à frente, o modelo do Copom indicaria uma inflação de 3,4% no horizonte relevante da política monetária, o que justifica o aperto monetário agora.

… Também o BTG Pactual prevê Selic de 12% no final do ciclo, com 25pbs na semana que vem, altas de 50pbs em novembro e dezembro e 25 pbs em janeiro, considerando a atividade forte com o impulso fiscal, o mercado de trabalho resiliente e a depreciação do câmbio.

… Nova pesquisa da Agência Estado realizada ontem apurou que a ampla maioria dos economistas de mercado (53 de 61 casas) espera a retomada do ciclo de altas na reunião do dia 18 de setembro do Copom, com um ajuste de 25pbs.

… A mediana para a Selic no fim de 2024 passou de 10,50% para 11,25%, na comparação com levantamento realizado em 19 de agosto.

… Nos EUA, os investidores mantêm acima de 80% as chances de um corte de 25pbs do juro na próxima superquarta (CME FedWatch). Os dados divulgados nessa 5ªF – a inflação ao produtor e auxílio-desemprego – não alteraram o cenário para o Fomc.

EXAGERO – A Fazenda vê um pessimismo exagerado do mercado e das agências de rating com o fiscal e promete cobrar uma melhora das notas a partir do ano que vem, quando, segundo técnicos da Pasta, o resultado das contas públicas de 2024 terá “surpreendido”.

… Segundo a jornalista Célia Froufe (Estadão), o assunto surgiu em videoconferência de representantes da Moody’s com integrantes do Ministério, incluindo o ministro Fernando Haddad, enquanto a Fitch comandava um evento sobre o tema em São Paulo.

… No evento aberto, a agência disse que seu cenário base não indica aumento de nota para o Brasil, afirmando que o que pode melhorar as expectativas seria a entrega de um resultado primário robusto, mas o que ela espera é um aumento da dívida nos próximos anos.

… Apesar dos discursos otimistas do governo, para a Fitch, o País não será capaz de entregar a meta de déficit de 0,25% do PIB em 2024. A sua expectativa é de um rombo de 0,70% nas contas deste ano, acima da projeção da pesquisa Focus (mediana de 0,60%).

… Além da Fitch, também a Moody’s e a S&P reconhecem a surpresa com o PIB, mas apontam a área fiscal como a pedra no sapato.

MAIS AGENDA – O recuo da produção industrial deve provocar queda de 0,5% para o IBC-Br em julho, após alta de 1,37% em junho. As estimativas em pesquisa Broadcast vão de um baixa de 1,70% a crescimento de 0,40%.

… Na base anualizada, porém, o IBC-Br deve acelerar de 3,18% para 4,45%, segundo as previsões do mercado.

… O ritmo da atividade econômica ainda será testado pelos dados regionais da produção industrial/julho (9h).

… Às 10h, sai o boletim Prisma Fiscal, com as previsões do mercado para as contas públicas.

… Às 14h, a Fazenda solta o Boletim Macrofiscal e grade de parâmetros macroeconômicos, com projeções que vão nortear o próximo relatório bimestral de receitas e despesas, em meio ao receio de arrecadação frustrante.

… A Secretaria de Política Econômica (SPE) divulga hoje a nova estimativa para o PIB do ano. Haddad antecipou esta semana uma taxa de 3% ou “talvez até um pouco mais”. Ontem, o Itaú subiu a previsão de 2,5% para 3,0%.

LÁ FORA – Saem a produção industrial (julho) da zona do euro (6h) e dados de petróleo da Baker Hughes (14h).

ELEIÇÃO NOS EUA – Trump descartou participar de outro debate com a rival Kamala Harris, eliminando a possibilidade de um segundo encontro entre os dois candidatos antes do dia da eleição, em 5 de novembro.

… Pesquisa Ipsos/Reuters mostra a democrata com 47% das intenções de voto contra 42% de Trump.

NÃO ESTÁ PARA PEIXE – Combinada à atividade econômica forte, a história de que o governo quer criar o auxílio emergencial a pescadores atingidos pela seca, na mais nova pressão fiscal, sinalizou Copom com emoção.

… A conta do benefício, que funciona como uma parcela extra do Seguro Defeso, pago a pescadores quando a prática é proibida por questões de preservação ambiental, pode chegar a R$ 430 milhões, segundo o Poder360.

… A piora da percepção fiscal pressionou a ponta longa do DI, enquanto os demais contratos embutiram prêmio de risco com a alta das taxas dos Treasuries e a força da economia doméstica, endossada por mais um indicador.

… As vendas do varejo restrito subiram 0,6% em julho e superaram a mediana das apostas (+0,5%). O varejo ampliado contrariou a previsão de queda de 0,4% na comparação com junho e registrou crescimento de 0,1%.

… Às vésperas do Copom, traders abriram nova onda de especulação e resgataram a aposta de meio ponto de alta da Selic semana que vem, diante da pressão tripla: fiscal + atividade + expectativa de inflação desancorada.

… No fechamento, o DI para Jan/26 subiu a 11,880% (de 11,781% na véspera); Jan/27 avançou a 11,860% (de 11,727%); Jan/29, a 11,960% (de 11,787%); Jan/31, a 11,970% (de 11,764%); e Jan/33, a 11,940% (de 11,736%).

… No câmbio, o real conseguiu cavar espaço de recuperação, diante da queda externa do dólar em escala global com o BCE cauteloso e as altas expressivas das commodities, que favorecem as moedas de países exportadores.

… Mas a piora na percepção de risco fiscal limitou a valorização da divisa brasileira, que não conseguiu competir em pé de igualdade com outras moedas latinas, como o peso mexicano e chileno, que subiram mais de 1%.

… O dólar à vista fechou em baixa de 0,56%, a R$ 5,6182. Apesar do alívio, a persistência da taxa de câmbio acima da linha de R$ 5,60 dá a medida sobre as desconfianças que cercam o mercado sobre a disciplina fiscal.

… “O mercado já sabe que o governo não cumprirá as metas fiscais. Com esse quadro, o dólar só cairá de forma sustentável se o BC der um choque nos juros (até 0,75pp), o que não vai ocorrer”, diz Eduardo Velho (JF Trust).

… Em evento da Fitch, o economista-chefe do BTG , Mansueto Almeida, disse que o governo Lula terá déficits até o fim do mandato, mas se demonstrar compromisso fiscal, poderá cortar juros já no 1º semestre/25.

… “As expectativas de inflação se afastaram das metas e é difícil saber se este vai ser um ciclo de 1,5 ponto ou de 2 pontos de alta da Selic. Devemos ter altas de juros em setembro, novembro, dezembro e janeiro”, afirmou.

EFEITO COLATERAL – A perspectiva de Selic maior e o desconforto com a gastança do dinheiro público, reforçado pela potencial criação do auxílio emergencial aos pescadores, também não poupou o Ibov, descolado da alta em NY.

… O índice à vista fechou em queda de 0,48% e esteve a um triz de perder os 134 mil pontos (134.029,43), com giro de R$ 16,5 bilhões. No acumulado do ano, zerou os ganhos e voltou ao vermelho (-0,12%).

… O rali de quase 4% do minério de ferro na China deu gás à Vale (ON, +0,90%; R$ 58,11). Na mesma linha, CSN Mineração subiu 3,27% (R$ 6,31)

… Mas o impulso foi insuficiente para sustentar a bolsa, porque as demais blue chips não esconderam a cautela.

… Petrobras ignorou a alta de quase 2% do Brent (a US$ 71,97/barril), provocada pela tempestade Francine no Golfo do México. O papel ON caiu 1,17% (R$ 40,49) e o PN, -1,13% (R$ 36,87).

… Logo pela manhã, as ações bateram nas mínimas, depois que o Goldman Sachs cortou o preço-alvo para os ADRs da estatal, de US$ 18,10 para US$ 15,40, mas a recomendação de compra foi mantida.

… Para os papéis ON, o valor caiu de R$ 48,30 para R$ 43,40 e, para os PN, de R$ 41,90 para R$ 39,40. O banco avalia que a queda acumulada de 20% nos preços do petróleo desde junho vai ter efeitos negativos para a companhia.

… Também no início da sessão, a negociação das ações da petroleira foi suspensa para divulgação de fato relevante. A empresa teve sentença favorável em processo que tramita na Câmara de Arbitragem do Mercado (CAM), da B3.

… Com peso importante no Ibov, o setor bancário foi mal: Banco do Brasil (-1,12%; R$ 28,23), Itaú (-1,10%; R$ 36,97), Santander (-0,97%; R$ 30,65), Bradesco ON (-0,64%; R$ 13,94) e Bradesco PN (-0,45%; R$ 15,55).

… Raízen avançou 2,34% (R$ 3,06) após emitir US$ 1 bilhão em bonds sustentáveis de 10 anos.

… Natura, na contramão da maioria das varejistas, liderou as altas: 3,65% (R$ 14,47). Analistas apontaram otimismo com o processo de recuperação judicial nos EUA da Avon e alguma melhora da operação após venda de ativos.

CICLO FECHADO – Divulgado o último dado de inflação antes do Fomc, investidores consolidaram as apostas de corte de 25pb na próxima semana e foram às compras em NY.

… Novamente liderado pelas techs, o S&P 500 subiu pela 4ª sessão consecutiva. Ganhou 0,75%, aos 5.595,76 pontos. O Nasdaq avançou 1,00% (17.569,68) e o Dow Jones ganhou 0,58% (41.096,77).

… Warner Bros (+10,37%) foi o destaque positivo do dia com a renovação do acordo de distribuição com a Charter Communications. Moderna, por outro lado, despencou 12% depois de anunciar corte de investimentos em pesquisa.

… Números do varejo e da produção industrial dos EUA em agosto ainda serão divulgados na 3ªF, primeiro dia de reunião do Fed, mas não devem mexer com as expectativas para o BC americano, focado no mandato do emprego.

… Ontem, o PPI cheio de agosto veio dentro do esperado, com alta de 0,2%, mas o núcleo, com variação +0,3%, superou a expectativa de 0,2%, o que acabou pressionando os retornos dos Treasuries.

… Para a corretora Stifel, o dado se junta ao núcleo do CPI também acima do esperado para transmitir a necessidade de uma abordagem gradual no corte de juros pelo Fed.

… Segundo economistas, os componentes do PPI usados para o cálculo do PCE vieram neutros. O índice preferido do Fed só sai dia 27.

… No fim do dia em NY, o juro da T-note de 2 anos subiu a 3,653% (de 3,639%) e o da note de 10 anos aumentou a 3,680% (de 3,653%). O do T-bond de 30 anos avançou a 3,993% (de 3,967%).

… Outro indicador da 5ªF, os pedidos de auxílio-desemprego não surpreenderam, com 230 mil solicitações na semana passada. A chance de o Fed cortar o juro em 25pb foi a 85% no FedWatch, do CME, após o PPI e o auxílio.

… No câmbio, o dia foi de euro forte depois que o BCE cortou a taxa de depósitos em 25pb, para 3,50% ao ano.

… Após a decisão, Christine Lagarde reiterou a postura cautelosa do BC europeu ao alertar sobre um possível repique da inflação no final do ano.

… Ela espera juro em 2% só no 2º semestre de 2025 e não deu pistas sobre qual poderia ser o próximo passo do BCE.

… Ao fim da sessão em NY, o euro subia 0,45%, a US$ 1,1069. A libra avançava 0,58%, a US$ 1,3117, e o iene registrava valorização de 0,33%, a 141,846/US$.

EM TEMPO… PETROBRAS vai renomear o Polo Gaslub como Complexo de Energias Boaventura e vai inaugurar a unidade hoje, com visita do presidente Lula.

PRIO. Goldman Sachs atingiu participação acionária de 5,01%, passando a deter 44.6999.422 de papéis ON.

BRASKEM convocou AGE para 3/10 para votar a substituição de Paulo Roberto Britto Guimarães, membro efetivo do Conselho de Administração indicado pela Petrobras, por Olavo Bentes David, também indicado pela estatal.

VALE reiterou que mantém discussões com o Ministério dos Transportes sobre condições gerais para otimizar planos de investimentos nos contratos de concessão da Estrada de Ferro Carajás e da Estrada de Ferro Vitória a Minas.

RAÍZEN confirmou emissão de US$ 1 bilhão em títulos representativos de dívida no mercado internacional (green notes); segundo a companhia, os bonds têm vencimento em janeiro de 2035 e taxa de juros de 5,70% ao ano.

GPA realizou operação de aquisição facultativa de debêntures da 1ª série da 18ª emissão, com vencimento programado em duas parcelas, a 1ª em maio de 2025 e a 2ª em maio de 2026, seguindo preços de mercado…

… Preço de aquisição foi inferior ao valor nominal unitário atualizado da emissão, desembolso total foi de R$ 101 milhões para a aquisição de 100.000 debêntures, equivalente ao valor nominal total atualizado de R$ 104 milhões…

… Aquisição representa 6,8% das debêntures em circulação desta emissão.

AZUL inicia hoje a operação do avião A330-200, mais recente aeronave incorporada à frota da companhia, em voos para EUA e Europa.

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BCE deve reduzir juro na zona do euro para 3,5%

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*

[12/09/24]

… O BCE deve anunciar nesta 5ªF (9h15) um corte de 25pbs do juro na zona do euro, para 3,5%, mas Lagarde não deve dar pistas sobre os próximos passos na entrevista que concederá às 9h45. Nos EUA, após o núcleo do CPI vir acima do previsto e consolidar as apostas de queda de 25pbs no Fomc do dia 18, que subiram para 85%, hoje sai a inflação ao produtor, o PPI (9h30). No mesmo horário, o balanço dos pedidos de auxílio-desemprego confere o mercado de trabalho. Aqui, as vendas do varejo restrito em julho (9h) devem reagir à queda de 1% em junho, mostrando expansão de 0,50%, na mediana de pesquisa do Broadcast. O mercado ainda repercute o alívio com a aprovação do projeto de desoneração da folha, ontem à noite, na Câmara, com medidas para compensar o impacto fiscal do benefício.

… A novela da desoneração finalmente chegou ao fim, sem que o governo tivesse de recorrer ao STF pedindo prazo maior para o acordo entre Legislativo e Executivo, em relação às fontes de recursos para cobrir os custos da isenção tributária a empresas e municípios.

… O acerto veio no final do dia quando o ministro Fernando Haddad conseguiu “contornar”, nas palavras do líder do governo na Câmara, José Guimarães, as ponderações feitas pelo Banco Central sobre os recursos esquecidos.

… A saída foi a apresentação de emenda de redação para resolver as dúvidas jurídicas apresentadas pelo BC.

… A relatora do projeto de lei da desoneração, deputada Any Ortiz (Cidadania), trocou o trecho sobre como serão usados os recursos esquecidos em instituições financeiras.

… O ajuste foi feito de utilização das verbas “para todos os fins das estatísticas fiscais” para “fins de verificação do cumprimento da meta de resultado primário prevista na respectiva lei de diretrizes orçamentárias”.

… A mudança foi feita porque o BC não considera as verbas como receita primária, mas como receita financeira.

… A emenda de redação incluída pela relatora no texto corrigiu a preocupação do BC sem alterar o conteúdo e, portanto, sem a necessidade de o texto voltar ao Senado, indo direto para a sanção presidencial.

… Pouco mais de meia hora depois de incluir os ajustes no texto, Any Ortiz desistiu da relatoria do texto e fez críticas na tribuna do plenário ao governo, por ter recorrido ao STF para colocar fim à desoneração da folha.

… José Guimarães foi designado novo relator do projeto, aprovado por 253 votos a favor e 67 contrários, três minutos antes da meia-noite, quando vencia o deadline determinado pelo STF para um acordo sobre a matéria.

… A votação dos destaques, contudo, ultrapassou o limite do prazo e se estendeu pela madrugada, o que levou a AGU a pedir uma prorrogação de três dias para a conclusão do acordo sobre a desoneração da folha.

DÍVIDA DOS ESTADOS – O projeto de lei de renegociação só será votado pela Câmara depois do primeiro turno da eleição municipal, em outubro, porque o governador do Rio, Claudio Castro (PL), pediu alterações no texto.

TCU – Pouco antes, Fernando Haddad havia saído de uma reunião com o Tribunal de Contas da União, que tem feito alertas sobre o risco de o governo mirar o limite inferior da meta fiscal como referência para o resultado primário.

… À saída, o ministro disse aos jornalistas que mirar o centro da meta fiscal de déficit zero não depende apenas do esforço do Executivo.

… “É a mesma coisa quando o CMN pede ao Banco Central mirar o centro da meta de inflação. O BC busca o centro da banda. Mas você deve ouvir que não depende apenas do Executivo o cumprimento da meta, e sim de uma série de considerações.”

… Haddad disse ainda que, no encontro com o TCU, a equipe econômica traçou um plano de voo aos técnicos, envolvendo sobretudo as discussões em torno da compensação da prorrogação da desoneração da folha de pagamentos.

… Já o presidente do Tribunal, Bruno Dantas, reforçou que “a única certeza que nós temos é que a equipe econômica atua com firmeza e com muita boa fé e está em busca de cumprir o arcabouço fiscal, a meta definida e está aberta para fazer os ajustes necessários”.

… No último relatório que analisa o PLDO de 2025, o TCU concluiu que as projeções do governo para a meta fiscal de 2025, de déficit zero, apresentam “duplo risco”, devido à possibilidade de frustrações de receitas e aumento das despesas obrigatórias.

… Segundo apurou o Estadão, no encontro com Bruno Dantas, Haddad disse ao TCU que vai revisar a projeção de arrecadação com Carf, após a entrada frustrando de receitas – menos de R$ 90 milhões. A Fazenda ainda está recalculando os novos números.

EMENDAS SEM CONSENSO – Congresso e Planalto continuam sem se entender em relação à distribuição das emendas parlamentares no ano que vem. Deputados e senadores não aceitam as sugestões feitas pelo governo – e vice-versa, segundo o Broadcast Político.

MAIS AGENDA – A expansão do crédito e o recuo na inflação dos alimentos em julho devem puxar a alta do varejo restrito.

… O economista da Pezco Helcio Takeda estimou ao Broadcast alta de 0,4%, afirmando que o desempenho deve refletir a recuperação no desempenho da abertura de supermercados e hipermercados em relação a junho, quando houve recuo de 2,1% na margem.

… Takeda também aguarda nova expansão na venda de artigos farmacêuticos e, por outro lado, perspectiva de queda para a venda de combustíveis, que tende a moderar o desempenho do varejo como um todo em julho.

… A mediana da pesquisa (0,50%) foi obtida a partir de estimativas de queda de 0,8% a expansão de 1,1%.

HADDAD – Será entrevistado (8h) no programa “Bom dia, ministro”, transmitido pelo canal do governo no YouTube. Às 11h, o ministro da Fazenda tem reunião virtual com vice-presidente da Moody´s, Samar Maziad.

… Haddad disse que a revisão do crescimento do PIB neste ano deve prever uma taxa de 3% ou “talvez até um pouco mais”. A nova projeção deve ser divulgada nesta semana pela Secretaria de Política Econômica (SPE).

… Segundo ele, a revisão do crescimento tem impacto em arrecadação, com aumento além do esperado.

EM NY – O PPI de agosto tem previsão de +0,2% para o núcleo, levando a inflação em 12 meses nessa medida a subir de 2,4% para 2,5%. Também o índice cheio deve ter alta de 0,2% e, neste caso, com recuo da base anual de 2,2% para 1,8%.

… Para a gestora Navellier, os dados da inflação ao produtor dos EUA devem sinalizar progresso no processo desinflacionário, visto que os serviços de atacado e os custos de bens “têm sido particularmente fracos”.

… Nesta 4ªF, o núcleo do CPI, que exclui itens mais voláteis como alimentos e energia, avançou 0,3% em agosto, acima do esperado (0,2%), reduzindo significativamente a parcela dos investidores que ainda aguardavam o dado para apostar em um corte maior do juro.

… “A conclusão mais relevante foi que o ritmo do núcleo da inflação não parece estar desacelerando muito rapidamente e, portanto, não requer urgência por parte dos formuladores de políticas monetárias para retornar ao juro neutro”, avaliou o BMO Capital Markets.

… Após a leitura, as chances de uma redução de 25 pontos-base pelo Fed na próxima semana saltaram da casa de 70% para mais de 80%, segundo monitoramento do CME FedWatch (85% no final do dia), enquanto as chances de 50pbs caíram para 14%.

… A consolidação das apostas por cortes de juros menos agressivos pelo Fed impulsionou a ponta curta dos rendimentos dos Treasuries (leia abaixo).

… Ainda na agenda externa, a AIE divulga, às 5h, relatório mensal de petróleo. À noite (20h), o Peru decide juro.

JAPÃO HOJE – O conselheiro do BoJ Naoki Tamura acredita que é necessário elevar os juros para a taxa neutra de 1% gradualmente, porque o BC japonês tem preocupação com efeitos dos riscos de alta nos preços.

GRADUALISMO DÁ CONTA – Depois do PIBão do 2Tri, mais um indicador veio provar a resiliência da atividade econômica doméstica, embora não tenha mudado a aposta de que a Selic deve subir 0,25pp, ao invés de 0,50pp.

… Divulgado pelo IBGE, o resultado de serviços de julho (+1,2%) superou o teto das previsões (1,1%), devido a um ruído na captação de dados, com correção para cima nas receitas de um grande participante da pesquisa.

… O BC tem estado especialmente sensível à inflação do setor de serviços e, por isso, o indicador chegou a desencadear pressão na curva do DI pela manhã, ainda que depois as taxas tenham abandonado as máximas.

… A avaliação dominante entre os operadores ainda é de que o ajuste gradual da Selic sinalizado recentemente por Campos Neto e Guillen dará conta do recado. Começou ontem o período de silêncio do Copom.

… Embora o economista-chefe do Itaú, Mario Mesquita, ainda não tenha mexido na previsão de Selic estável (10,50%), admite que o risco é de elevação do juro e que a revisão de cenário deve ser feita nos próximos dias.

… Ele aponta que a maior preocupação não é com a inflação corrente, mas sim com a “decolagem” das expectativas do mercado sobre o comportamento dos preços, que aproximam o BC de um ciclo de aperto.

… Para Mesquita, existe uma “chance razoável” de o Copom subir os juros “no futuro não muito distante”, não apenas porque as expectativas estão subindo, mas também porque o mercado de trabalho segue apertado.

… Além disso, a taxa de câmbio está pressionada e a economia doméstica está crescendo acima do potencial.

… Em encontro com jornalistas nesta 4ªF, o economista-chefe do Itaú, Mario Mesquita, disse que se estivesse sentado numa cadeira do Copom neste momento, optaria por um início mais rápido do ciclo de alta da Selic.

… “Se vai ser mais curto ou não vai, vai respondendo ao longo do processo [de aperto]”, afirmou.

… No fechamento dos negócios, as taxas dos DIs operavam perto da estabilidade, com viés de alta, depois do indicador de serviços do IBGE e do CPI nos EUA, que reforçou as apostas de corte menor (25pb) do juro pelo Fed.

… O contrato de DI para Jan/26 subiu a 10,790% (de 10,761% na véspera); o Jan/27, a 11,755% (de 11,731%); o Jan/29, a 11,835% (de 11,812%); o Jan/31, a 11,810% (de 11,802%); e o Jan/33, a 11,790%, de 11,761%.

… No câmbio, depois do salto de 1,32% da véspera, o dólar fechou de lado (-0,10%) e continuou colado a R$ 5,65, em R$ 5,6498, diante da avaliação de que o Fed comece o ciclo promovendo uma redução mais moderada.

… O real não conseguiu faturar a alta de 2% do petróleo, que pode não vir para ficar, com a China fraquejando.

… O BC informou que o fluxo cambial na semana passada ficou negativo em US$ 1,010 bi, com saída de US$ 451 mi pela conta comercial e fuga de US$ 559 mi pela via financeira. No ano, o fluxo está positivo em US$ 9,814 bi.

JANELA DE OPORTUNIDADE – Sob o inferno astral da China, que tem deixado muito a desejar no ritmo de crescimento, o minério de ferro segue abaixo de US$ 100 a tonelada. Mas ontem testou reação e ajudou a Vale.

… Em ajuste a perdas recentes, o metal avançou quase 2,5% em Cingapura e pouco mais de 1% em Dalian. A mineradora brasileira não desperdiçou a chance de recuperação e saltou 2,95%, à máxima do dia (R$ 57,65). 

… Diante da ofensiva de alta, em 24h, o papel reduziu quase à metade as perdas acumuladas no mês, de 6% para 3,24%. Além da ajuda do minério, a ação contou com a estimativa de melhora da produção pela empresa.

… A companhia atualizou para cima o guidance de produção de minério este ano, para uma faixa entre 323 milhões e 330 milhões de toneladas, na comparação com o intervalo anterior de 310 milhões a 320 milhões de t.

… O bom desempenho da Vale garantiu alta moderada para o Ibovespa (+0,27%), aos 134.676,75 pontos, e com volume financeiro de R$ 18,7 bilhões.

… Petrobras foi mista. O papel PN caiu 0,11% (R$ 37,29) e o ON subiu 0,44% (R$ 40,97), mas longe da alta de 2,05% do Brent (US$ 70,61), que reagiu ao furacão Francine no Golfo do México.

… A tormenta, que passou de tempestade tropical para furacão de categoria 1, atingiu as principais zonas produtoras de petróleo da região, que teve 25% da produção interrompida.

… Bancos também fecharam sem direção única. Bradesco ON caiu 1,54% (R$ 14,03) e o PN cedeu 1,14% (R$ 15,62). Santander perdeu 0,90% (R$ 30,95). Banco do Brasil ficou estável (+0,03%; R$ 28,71) e Itaú subiu 0,19% (R$ 37,38).

… Educação liderou as altas do Ibov ontem. Yduqs subiu 8,03% (R$ 10,49) e Cogna ganhou 6,72% (R$ 1,43).

… IRB recuou 4,61% (R$ 45,98), após o JPMorgan rebaixar a recomendação do ativo de neutra para underweight (equivalente a venda). BRF (-2,68%; R$ 23,97) e Caixa Seguridade (-2,58%; R$ 15,12) também foram mal.

25 PB CRAVADOS – As techs salvaram o dia pela segunda sessão seguida em NY, tirando as bolsas do vermelho depois de certa decepção com o núcleo do CPI em agosto.

… Acima do esperado (0,3% contra 0,2%), o núcleo da inflação americana consolidou as apostas em um corte de 25pb pelo Fed na semana que vem, que chegaram a 85%, segundo o FedWatch do CME.

… Não interessou tanto que o CPI cheio anual (2,5%), abaixo do esperado (2,6%), tenha sido o menor desde fevereiro de 2021. O mensal ficou dentro da expectativa, de 0,2%.

… Para analistas, os dados em si não foram terríveis, mas o mercado não queria ver um núcleo mais salgado.

… O Citi, que vinha mantendo uma previsão de -50pb, mudou a aposta para -25pb após a divulgação do indicador. A resiliência nas métricas de habitação foi citada como outro dos motivos.

… Mesmo assim, o banco ainda prevê que o mercado de trabalho seguirá no foco do Fed e, por isso, espera uma baixa acumulada de 125 pontos-base nos juros em 2024.

… O balde de água fria do CPI derrubou as bolsas, antes que elas entrassem numa recuperação comandada pela Nvidia, que saltou 8%, com rumores de que os EUA podem facilitar a venda de chips avançados da empresa à Arábia.

… A afirmação do CEO, Jensen Huang, de que a demanda por chips da companhia segue alta e que há “uma fila de clientes”, também ajudou.

… No S&P 500, o setor de tecnologia avançou 3,25%, puxando a alta de 1,07% no índice, a 5.554,13 pontos. O Nasdaq disparou 2,17% (17.395,53) e o Dow Jones subiu 0,31% (40.861,71).

… Com a perspectiva de um corte menos agressivo pelo Fed, o juro dos Treasuries de curto prazo subiu. O da note de 2 anos avançou a 3,646%, de 3,598% na véspera.

… Menos pressionado, o retorno da note de 10 anos aumentou a 3,654% (de 3,646%). O do T-bond de 30 anos caiu a 3,963% (de 3,967%).

… Logo depois do CPI, o dólar engatou uma alta ante seus pares, mas o fator eleição americana também pesou.

… Pela manhã, o ING antecipava que o resultado do debate Kamala Harris/Donald Trump na noite anterior, com vitória da democrata, limitaria o ímpeto da moeda.

… “No câmbio, uma vitória de Trump [na eleição] está associada a um dólar mais forte”, disse a instituição.

… No fim da sessão, o índice DXY ficou estável (+0,05%), em 101,684 pontos. Também fecharam perto da estabilidade o iene (+0,07%; 142,318/US$) e o euro (-0,08%; US$ 1,1020), na véspera da decisão do BCE.

… A expectativa dos analistas é de que Lagarde insistirá que a política monetária continua “dependente de dados”.

… A libra recuou 0,35%, a US$ 1,3042, em meio ao resultado ruim da produção industrial britânica, que caiu 0,8% em julho/junho, ante expectativa de alta de 0,3%.

EM TEMPO… VALE informou que negociações para acordo de Mariana estão avançadas, com previsão de acordo para outubro…

… Ativa tem recomendação neutra para a ação, com preço-alvo de R$ 75; avaliação é de que a evolução das operações no Pará será a chave para a companhia elevar projeções.

USIMINAS. Fitch reafirmou rating da companhia em BB, com perspectiva estável.

B3 informou que Câmara Baixa do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) proferiu decisão “parcialmente favorável” à companhia…

… Órgão exonerou empresa de multas de R$ 268 mi, no mérito de auto de infração da Receita que questionou amortização de 2017, para fins fiscais, do ágio gerado em 2008 por incorporação de ações da Bovespa Holding…

… Por outro lado, pelo voto de qualidade, Carf manteve o questionamento do saldo de prejuízos fiscais no valor de R$ 782 milhões, na data-base de 30 de junho de 2024, em decisão não definitiva…

… Sobre a exoneração das multas, a Procuradoria Geral da Fazenda poderá submeter Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais do Carf; quanto ao mérito, a B3 disse que apresentará recurso no prazo regulamentar…

… Volume médio do mercado de ações cresceu 10,9% em agosto, na comparação anual, para R$ 28,191 bilhões…

… Citi tem recomendação neutra para a ação, com preço-alvo de R$ 12,50; banco considerou que o volume diário médio negociado em agosto mostra mais um mês de receitas sólidas da companhia.

ELETROBRAS vai pedir nova prorrogação ao STF, contada a partir de 16/9, para negociações da participação da União na empresa…

… Empresas informou que foram liquidados os US$ 750 milhões em títulos (bonds) emitidos no mercado internacional; recursos serão utilizados para o refinanciamento de dívidas da companhia; taxa de retorno foi 6,75%.

COPEL aprovou a distribuição de R$ 485,1 milhões em proventos intercalares (extras), com pagamento em 29/11…

… Serão R$ 202,1 milhões em dividendos, o equivalente a R$ 0,06 por ação ON e R$ 0,07 por PN, e R$ 283 milhões em JCP, ou R$ 0,09 por ação ON e R$ 0,10 por PN.

MRV aprovou a emissão de R$ 221 milhões em certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) da classe sênior.

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