BoE decide juro no day after do Fed e Copom

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*

[19/09/24]

… O consenso é que o BC inglês (BoE) não seguirá hoje (8h) os passos do Fed e optará por manter os juros em 5%, deixando eventualmente para cortar a taxa básica na reunião de novembro. À noite, os BCs da China (22h30) e do Japão (1h) também têm decisões de política monetária. O pregão desta 5ªF continua reservado às repercussões do Fed e do Copom, que seguiram o script esperado, com corte de 50 pb logo de largada nos EUA e alta de 0,25 pp da Selic por aqui, mas vieram com abordagens mais cautelosas para as duas últimas reuniões do ano (novembro e dezembro). Tanto aqui como lá, no entanto, a percepção majoritária é de que as próximas decisões estão em aberto.

… A Selic passou de 10,50% para 10,75% ao ano, em decisão unânime, com Galípolo e Campos Neto votando juntos.

… No comunicado, o Copom disse que a alta da Selic é resultado de um cenário marcado por resiliência na atividade econômica doméstica, por pressões no mercado de trabalho e expectativas “desancoradas” para a inflação.

… Mais uma vez, o BC não se comprometeu com guidance, indicando que o pace dependerá da dinâmica inflacionária. Alguns disseram que o comunicado foi tão duro, que valeria até para justificar aperto de meio ponto.

… O mercado vai agora buscar na ata, na próxima 3ªF, se o Copom pretende aumentar a dosagem de alta do juro.

… As grandes novidades reveladas pelo comunicado foram o reconhecimento pelo BC de que o balanço de riscos para a inflação agora é assimétrico para cima e que o hiato do produto saiu de perto da neutralidade para positivo.

… Esta sugestão de que a economia doméstica está crescendo acima do seu potencial já estava contratada, em grande medida, depois do PIBão de 1,4% no 2Tri, que projeta expectativas de crescimento de 3% no ano.

… O hiato agora positivo parece ter sido determinante para uma outra surpresa embutida do comunicado:

… Os dirigentes optaram por elevar a projeção de inflação para o 1Tri de 2026, atual horizonte relevante da política monetária, para 3,5% no cenário de referência, agora 0,5 ponto porcentual descolada do centro da meta (3%).

… “Os 3,5% de inflação projetados demandariam um ciclo total de altas até maior que 2 pp [da Selic], mas há alguns atenuantes que são importantes de ser contemplados”, observa o economista Marco Antonio Caruso (Santander).

… Segundo ele, nas reuniões de novembro e dezembro, o Copom vai passar a olhar o 2Tri de 2026. “Suponho que o BC tenha estimativa de inflação menor do que esses 3,5% para lá, o que já pode reduzir o ciclo total projetado.”

… Além disso, até lá, o Copom também ganha tempo para avaliar o câmbio e o impacto do Fed no dólar.

… “O BC rodou os modelos com o câmbio a R$ 5,60. Hoje está em R$ 5,45. Imagino que o câmbio, a partir daqui, vai gostar da combinação de um tom hawk do nosso Banco Central e um Fed que começou com 50”, avalia Caruso.

… Até pouco tempo atrás um aliado improvável do Copom, o câmbio desponta como gatilho de alívio para enfrentar as pressões do ritmo aquecido da atividade doméstica. A briga do Copom promete estar entre estes dois polos.

FED – Confirmando as apostas de um corte mais agressivo, que começaram a rolar no mercado no final da semana passada, o BC americano reduziu a taxa em 50 pb, para a faixa de 4,75%-5,00%, em decisão praticamente unânime.

… Só a dirigente Michelle Bowman votou por redução menor, de 25 pb. Segundo o gráfico de pontos, uma quantidade considerável de integrantes do Fed (sete) espera que a taxa seja reduzida em mais 50 pb até dezembro.

… Mas o mercado “peita” o Fed e pede uma flexibilização maior, apesar de Powell já ter dado o seu recado de que pode não entregar tudo o que Wall St deseja (abaixo) e que os passos futuros estão condicionados aos indicadores.

… A opção pelo “choque” inicial de queda do juro foi vista por analistas como uma estratégia do Fomc para turbinar o mercado de trabalho, que confirma neste momento o seu protagonismo para as decisões de política monetária.

… “Powell anunciou que a luta contra a inflação foi finalmente vencida. Isto significa que o Fed vê agora margem para garantir que o mandato de pleno emprego também seja alcançado”, escreveu um analista do Commerzbank.

… Pelas projeções do Fed, a taxa de desemprego deve continuar subindo, do nível de 4,2% para 4,4% até dezembro. Já a inflação do PCE deve cair do patamar de 2,5% em agosto para 2,3% até o final do ano, perto da meta de 2%.

BANDEIRA TARIFÁRIA – O diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, disse que a tendência é de que a bandeira amarela ou vermelha seja mantida até o final do ano, adiando o retorno da bandeira verde em 2024.

… Já a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) aponta acionamento da bandeira vermelha patamar 2 (o mais elevado) em outubro, o que levaria a cobrança adicional nas tarifas de energia de R$ 7,877 a cada 100 kWh.

… O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apresenta hoje o “plano antiapagão”. O ministro Alexandre Silveira havia determinado a apresentação do plano para assegurar o abastecimento até o final do governo Lula.

MAIS AGENDA – Aqui, saem a segunda prévia do IGP-M (8h) e a arrecadação federal (10h30), que deve atingir R$ 201,200 bilhões em agosto, segundo a mediana de pesquisa Broadcast, após R$ 231,044 bilhões em julho.

… As estimativas para esta leitura variam de R$ 193,1 bilhões a R$ 246,115 bilhões. A mediana representa um ganho real de 11,75% em comparação com um na antes. A Receita comenta os números em entrevista coletiva às 11h.

… O ministro Rui Costa se reúne, às 15h, com governadores para discutir a crise climática e o combate aos incêndios. Ontem, a Câmara aprovou o PL que dispensa as licitações para contratos em situações de calamidade.

LÁ FORA – Além do BoE, também os BCs da Turquia (8h) e África do Sul (10h) divulgam decisões de juros. Nos EUA, saem o auxílio-desemprego (9h30), com previsão de estabilidade, e as vendas de moradias usadas em agosto (11h).

MUITO AJUDA QUEM NÃO ATRAPALHA – Apontado pelos analistas de mercado como um fator bastante relevante para definir a extensão do ciclo de aperto da Selic, o câmbio vem se apreciando há seis pregões consecutivos.

… Na euforia instantânea à decisão agressiva do Fed de já iniciar o relaxamento monetário com 50 pb, o dólar tocou R$ 5,4130 na mínima intraday e só moderou o ritmo de queda até o fechamento, porque Powell não pegou leve.

… No fim do dia, valia R$ 5,4617 (-0,48%), com o presidente do Fed dizendo que o BC americano não necessariamente adotará o mesmo ritmo de desaperto do juro e que as decisões serão tomadas a cada reunião.

… Diante do diferencial de juros entre o Brasil e EUA, a estrategista de moedas emergentes do Goldman Sachs, Teresa Alves, acredita que a moeda brasileira pode recuperar parte do espaço perdido nos últimos meses.

… O valor do real contra o dólar, diz, está cerca de 8% abaixo do “nível justo”. Seja como for, ela alerta que só o compromisso sério com a âncora fiscal será capaz de garantir a apreciação sustentada da moeda doméstica.

… Na curva do DI, durou pouco o ânimo com o Fed. Os juros futuros chegaram a cair 10 pb logo após a decisão, mas voltaram e terminaram de lado, diante da sinalização de Powell de que os cortes nos EUA podem ser graduais.

… O DI Jan25 fechou a 10,940% (contra 10,945% no pregão da véspera); Jan26 terminou em 11,765% (de 11,780%); Jan27, a 11,800% (de 11,810%); Jan29, 11,960% (11,965%); Jan31, 12,000% (11,990%); e Jan33, 11,970% (11,980%).

NÃO É ÓTIMO, MAS É BOM – Em termos de atratividade de k estrangeiro, o melhor dos mundos seria o Copom ter dado um aperto de meio ponto, para abrir ainda mais o diferencial de juro com o Fed, que mandou bala no corte.

… Mas o quadro não deixa de estar mais vantajoso agora e deve ser capitalizado pelo investidor externo na B3.

… Ontem, o Ibovespa foi derrubado (-0,90%, aos 133.747,69 pontos) pelas blue chips das commodities, em meio aos ruídos sobre a política de preços da Petrobras e o tombo de mais de 4% do minério na volta do feriado na China.

… O metal opera agora no pior nível em quase dois anos, desde novembro de 2022, e pesa à Vale (-1,17%; R$ 57,54).

… Petrobras ON caiu 1,73% (R$ 39,82) e Petrobras PN cedeu 2,40% (R$ 36,15, mínima do dia), reagindo menos ao petróleo, que caiu pouco, e mais intensamente ao rumor, negado pela estatal, de queda no preço dos combustíveis.

… Faltando 1h para a bolsa fechar, a Petrobras desmentiu a notícia veiculada mais cedo pela imprensa de alteração em sua tabela e disse que eventuais ajustes são divulgados imediatamente aos seus clientes nos canais corporativos.

… Ainda segundo a empresa, mudanças são realizadas no curso normal de negócios sem periodicidade definida.

… Mais cedo, fontes informaram ao Valor que a Petrobras estuda reduzir o preço dos combustíveis nos próximos dias para alinhar os valores aos preços internacionais, que estão mais baixos que os praticados pela companhia.

… De acordo com o jornal, os cálculos já estariam sendo feitos e a ideia é que a medida de alívio tenha efeito na inflação calculada pelo IPCA deste ano, que continua próxima do teto da meta do BC, estabelecido em 4,5%.

… A cotação do petróleo Brent (-0,11%, a US$ 69,88), que serve de referência à Petrobras, acumula desvalorização de cerca de 4,50% só em setembro. O último reajuste promovido pela estatal nos combustíveis foi em 9 de julho.

… CSN Mineração teve forte baixa de 8,26%, a R$ 6,33. Usiminas (+2,79%; R$ 6,26) destoou.

… Os bancos ficaram no vermelho: Bradesco ON (-1,16%; R$ 13,62), Santander (-0,85%; R$ 30,40), Bradesco PN (-0,59%; R$ 15,24), Itaú (-0,57%; R$ 36,70) e Banco do Brasil (-0,49%; R$ 28,25).

… Frigoríficos também se destacaram no lado negativo, influenciados pela desvalorização do dólar. Marfrig registrou -5,44% (R$ 13,90); JBS, -4,19% (R$ 32,70); BRF, -3,88% (R$ 24,04); e Minerva, -3,74% (R$ 6,69).

… Liderando as perdas do Ibov, Azul caiu 10,08%, a R$ 5,62. Braskem subiu 4,76% (R$ 19,79), após o UBS BB ter elevado a recomendação do papel de neutra para compra.

CORTOU O BARATO – Como se viu, o Fed decidiu cumprir o roteiro esperado e ser agressivo em seu primeiro corte de juros em quatro anos. Mas Powell não demorou a dar um jeito de telegrafar que este não será o novo normal.

… Apesar de ele ter reconhecido que a dose inicial do ciclo de queda foi “um movimento forte”, alertou que a intensidade da alta não deve ser interpretada como tendência e que as próximas decisões dependem dos dados.

… O gráfico de pontos sinaliza que a maioria do Fed espera queda acumulada de 50pb até o fim do ano, mas o mercado entra na briga e pede que o Fed entregue mais (75pb), segundo a ferramenta de apostas do CME Group.

… Confirmando as evidências de que o BC americano está mais focado agora no emprego do que nos preços, o Fed justificou o corte de ontem alegando estar seguro sobre o processo de desinflação em direção à meta de 2%.

… Sinal de que o mercado de trabalho continuará como o fiel da balança para as reuniões de novembro e dezembro.

… Na reação imediata ao Fed, os mercados em NY assumiram uma carga de ânimo, contida em seguida por Powell.

… O “corte hawkish” reverteu a queda inicial dos juros dos Treasuries, que viraram para alta durante a entrevista de Powell. A taxa da Note de dois anos subiu de 3,615% para 3,629% e a de dez anos avançou de 3,659% para 3,712%.

… Também as bolsas em NY zeraram o otimismo, depois de o presidente do Fed ter melado as esperanças de que o corte de 50pb possa virar padrão e ter sinalizado que não há tanta pressa para buscar o juro neutro nos EUA.

… Mas as quedas foram discretas em Wall Street. O índice Dow Jones cai 0,25%, aos 41.503,10 pontos, o S&P 500 recuou 0,29%, encerrando em 5.618,26 pontos e o Nasdaq marcou baixa de 0,31%, aos 17.573,30 pontos.

… Em meio à notícia de que a gestora de recursos BlackRock vai lançar um fundo de investimento em inteligência artificial de mais de US$ 30 bilhões com a Microsoft, as ações da empresa de Bill Gates cederam 1,00%.

… No câmbio, o dólar tocou as mínimas do pregão assim que o Fed cortou o juro, mas devolveu as perdas contra o iene e o euro depois que Powell falou. Já a libra subiu 0,29%, a US$ 1,3180, porque o BoE não deve seguir o Fed hoje.

… O iene caiu 0,12%, para 142,65/US$, diante das expectativas de que o BoJ traia as esperanças mais hawkish e mantenha os juros nesta madrugada em 0,25% ao ano. O euro fechou praticamente estável (-0,04%), a US$ 1,1103.

… O índice DXY, termômetro do dólar contra outras moedas fortes, fechou com baixa de 0,30%, a 100,596 pontos.

EM TEMPO… ITAÚ emitiu R$ 1 bilhão em letras financeiras subordinadas perpétuas, com opção de recompra a partir de 2029 sujeita à prévia autorização do BC.

VIBRA ENERGIA aprovou a distribuição de R$ 262 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,2341 por ação, com pagamento até 30/12/25; ex em 24/9/24.

HYPERA aprovou a distribuição de R$ 123,6 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,1953 por ação; ex em 24/9; pagamento será feito até o fim do exercício social de 2025, em data a ser definida.

SANEPAR. Ministro do STF Flávio Dino revogou decisão liminar, concedida por ele mesmo, que barrava a licitação de três Parcerias Público-Privadas (PPPs) da companhia; leilão estava marcado para 22 de maio…

… Após a decisão, a empresa anunciou a retomada da licitação, que será realizada amanhã.

AGROGALAXY. Conselho da empresa autorizou entrada com urgência de pedido de recuperação judicial…

… Diretor-presidente, Axel Jorge Labourt, e cinco membros do conselho renunciaram aos cargos; diretor financeiro, Eron Martins, assumirá como CEO.

AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!

*com a colaboração da equipe do BDM Online

AVISO – Bom Dia Mercado, produzido pela Mídia Briefing, não pode ser copiado e/ou redistribuído.

Chegou o grande dia

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*

[18/09/24]

… A probabilidade de corte de 50pbs do juro pelo Fed (15h) e de alta de 0,25pp da Selic pelo Copom (após as 18h30) é o desfecho mais provável. Mas surpresas não podem ser descartadas, já que até poucos dias atrás a aposta majoritária nos EUA era de uma dose de 25pbs e, aqui, Galípolo desafiava o gradualismo. Não vai faltar emoção. Em termos de ganho de credibilidade, o mais importante é que o placar do BC venha unânime para baixar a volatilidade. Nos EUA, a decisão de política monetária do Fomc será seguida de entrevista coletiva de Powell (15h30), o que deve ajudar a projetar o ciclo total de queda do juro. Por enquanto, o consenso é de redução acumulada de 125pbs.

… No equilíbrio dos riscos, o Fed deve optar por preservar o mercado de trabalho sólido, neste momento em que a taxa de desemprego está em 4,2%, contra 3,7% em 2023, e as pressões inflacionárias parecem mais acomodadas.

… O analista do BMO Capital Markets, Ian Lyngen, diz que “os investidores se tornaram desacostumados ao grau de incerteza apresentado pelo Fed”, visto que as últimas decisões estavam todas telegrafadas um dia antes da decisão.

… Para o ING, a decisão entre cortar os juros mais (50pbs) ou menos (25pbs) será “como um cara ou coroa”.

… A ferramenta do CME Group precifica 65% de chance para um corte mais agressivo, mas gigantes financeiros de Wall Street, como é o caso do Goldman Sachs, BofA, Morgan Stanley e Citi, estão inclinados à opção menos dovish.

… Por aqui, a maioria das apostas, tanto entre economistas como entre traders, é de elevação de 0,25pp da Selic, para 10,75% ao ano. A curva do DI, porém, ainda embute precificação residual (20%) de o BC dar meio ponto.

… Segundo anotou Denise Abarca (Broadcast), o dólar (R$ 5,48) chega ao dia do Copom valendo bem menos do que na última reunião de política monetária (R$ 5,65) e no cenário de referência do comunicado de julho (R$ 5,55).

… O câmbio mais comportado entra como argumento para a avaliação de que a dose menor de alta da Selic pode dar conta do recado neste momento, mesmo porque o corte do juro pelo Fed está contratado e ajuda a aliviar a pressão.

… De qualquer maneira, o BC se vê em corner para retomar o ciclo de aperto, diante do balanço de riscos apresentado pela economia aquecida, pelas expectativas de inflação descoladas da meta e pelo cenário fiscal.

… A seca histórica que atinge o país contamina os preços e entra como fator adicional de cautela às contas públicas.

… Após o sinal verde de Dino, o governo autorizou ontem a abertura de crédito extraordinário de R$ 514 mi com foco na área ambiental e Lula afirmou que eventos climáticos precisam ser levados em consideração no orçamento.

… “A gente não pode continuar com a mesma regra que a gente tinha estabelecido há tantos e tantos anos”, disse o presidente, embora tenha assegurado que nada será executado sem uma discussão prévia com o Parlamento.

… Lula conduziu nesta 3ªF uma reunião no Planalto com os chefes dos três Poderes. Após o encontro, Lira convocou sessão na Câmara para hoje para votar a flexibilização das regras de licitações durante estados de calamidade.

… O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu que o Supremo também conceda uma flexibilização orçamentária para o Cerrado. Ele disse já ter abordado o assunto junto ao ministro Flávio Dino.

… Além do crédito extra para combate às queimadas, o governo pode sofrer derrota no STF com impacto fiscal de R$ 132,6 bi em ações que questionam a reforma da Previdência, segundo nota técnica da AGU obtida pelo Broadcast.

… Embora o julgamento das ações na Corte esteja suspenso por pedido de vista do ministro Gilmar Mendes, outros dez ministros já votaram e formaram maioria para derrubar quatro trechos da reforma.

… Em dois deles, a União deve ser impedida de acionar gatilhos que poderiam reduzir o déficit atuarial (desequilíbrio entre os recursos disponíveis) do chamado Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) em R$ 126,5 bilhões.

… Também foi formada maioria para derrubar o artigo que cria cálculos diferenciados às alíquotas da contribuição paga por mulheres no regime geral e no regime do serviço público, com risco fiscal estimado em R$ 6,1 bilhões.

… O revés para a reforma da Previdência acontece num momento em que os especialistas já defendem a necessidade de um novo endurecimento das regras das aposentadorias, diante do rombo nas contas previdenciárias.

BETS – O governo pode arrecadar até R$ 3,4 bilhões ainda este ano com a regulamentação de sites de bets, caso os 113 pedidos de outorga recebidos na primeira fase de licenciamento sejam aceitos pela Fazenda.

… O cálculo foi feito pelo secretário de Prêmios e Apostas, Regis Dudena, mas é uma estimativa teto, já que ainda não é possível concluir que todas as empresas que fizeram a solicitação estão cumprindo todas as regras para atuar.

BATE-CABEÇA – A Fazenda corrigiu informações prestadas pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) relativas à lei sancionada por Lula que permite ao Tesouro se apropriar do “dinheiro esquecido” em contas bancárias.

… Após repercussão negativa nas redes sociais, a Secom publicou nota em que nega o confisco, afirma que a medida só teria efeito sobre valores esquecidos “por mais de 25 anos” e que não haveria perda de direitos sobre os recursos.

… A Fazenda afirma, no entanto, que há prazos para a recuperação desses valores: 30 dias após a publicação da lei (16 de setembro) ou após a publicação de edital pela Fazenda; e seis meses no caso da via judicial.

MAIS AGENDA – O BC divulga às 14h30 os dados semanais do fluxo cambial. No Senado, a expectativa é que seja votado hoje em plenário o projeto de lei do Acredita, programa do governo federal de microcrédito.

LÁ FORA – O dia começa com a inflação ao consumidor na zona do euro em agosto (6h). Nos EUA, saem as construções de moradias iniciadas no mês passado (9h30) e os estoques de petróleo do DoE, às 11h30.

… A Câmara americana vota projeto de gastos provisórios que estende financiamento do governo por seis meses.

ALÍVIO ANTECIPADO – Mesmo sem saber em qual intensidade o Fed vai cortar o juro e o Copom vai subir a Selic, só a convicção de que o diferencial das taxas será ampliado já tem derrubado o dólar por cinco pregões seguidos.

… Com queda acumulada de quase 3% em setembro, a moeda americana furou R$ 5,50 ontem, fechando em baixa de 0,41%, a R$ 5,4882.

… Outras moedas emergentes que apanharam bastante recentemente também se valorizaram, como os pesos mexicano e colombiano e o rand sul-africano.

… A preocupação com o cenário fiscal, diante da MP que vai liberar recursos para o combate das queimadas, não chegou a prejudicar o desempenho do câmbio.

… Mas foi um dos fatores que pesaram nos DIs mais longos, assim como a alta dos rendimentos dos Treasuries, após dados de atividade (indústria e varejo) mais fortes que o esperado nos EUA.

… Já próximos aos 12%, o Jan/29 subiu a 11,965% (de 11,960%) e o Jan/31, a 11,990% (de 11,965%). O Jan/33 avançou a 11,980% (de 11,932%).

… Com ligeira queda, os juros curtos tiveram algum alívio com a queda do dólar. O DI para Jan/26 caiu a 11,780% (de 11,833%) e o Jan/27 cedeu a 11,810% (de 11,859%).

… É possível que neste ano o governo entregue o limite inferior da meta fiscal por causa de receitas extraordinárias e do PIB mais forte, na avaliação do BTG Pactual. Mas os anos seguintes são mais incertos.

… O banco revisou a projeção de resultado primário do governo central para 2024 de déficit de R$ 62 bilhões para R$ 48 bilhões (ou R$ 28 bilhões excluindo os gastos com o socorro ao Rio Grande do Sul, não computados na meta).

… Mas em 2025, o orçamento conta com R$ 178 bilhões em receitas incertas. O déficit primário deve chegar a R$ 110 bilhões em 2025 (ou R$ 66 bilhões se excluídas as despesas com precatórios).

… Incerteza fiscal e atividade também são os motivos que devem levar a Selic a 12% em janeiro de 2025, diz o BTG, que estima crescimento de 3,1% do PIB em 2024.

NA CORDA BAMBA – Não foi nada demais o que caiu o Ibovespa ontem (-0,12%), mas foi o suficiente para entregar os 135 mil pontos (134.960,19), em dia de giro de negócios (R$ 16,2 bi) de novo bem abaixo do que de costume.

… De nada adiantou o petróleo ter voltado à faixa de US$ 73, porque Petrobras ON recuou 0,61% (R$ 40,52) e PN, -0,46% (R$ 37,04). Tampouco a alta firme de 1,38% do minério em Cingapura segurou a Vale (-0,48%; R$ 58,22).

… Os bancos completaram as perdas entre as ações das blue chips. Bradesco ON caiu 0,72% (R$ 13,78); Bradesco PN cedeu 0,65% (R$ 15,33); BB, -0,63% (R$ 28,39); e Itaú, -0,24% (R$ 36,91). Só Santander subiu: +0,10%, a R$ 30,66.

… CSN Mineração também destoou do minério (-2,82%, a R$ 6,90) e liderou as perdas do dia no Ibov, seguida por Braskem (-1,87%; R$ 18,89) e Embraer (-1,61%; R$ 48,39).

… Azul estendeu os ganhos da véspera, com a expectativa por um acordo com credores, e avançou 13,84%, a R$ 6,25. Também se destacaram Petz, com +3,74%, a R$ 4,72, e Cogna, +2,76%, a R$ 1,49.

MUITA CALMA NESSA HORA – S&P 500 e Dow Jones até alcançaram novos recordes intraday ontem, mas no fim das contas os investidores preferiram a cautela antes da decisão do Fed hoje.

… Embora o BC americano esteja com foco no mandato do emprego, dois dados de atividade acima do esperado podem ter deixado o mercado com a pulga atrás da orelha sobre o tamanho do corte do juro americano.

… As vendas do varejo tiveram um crescimento inesperado de 0,1% em agosto ante julho, quando se estimava queda de 0,2%. Na indústria, a produção aumentou 0,8% no mesmo período, quatro vezes mais que o 0,2% esperado.

… Os dados, contudo, não alteraram as apostas majoritárias de corte de 50pbs pelo Fed logo mais à tarde.

… S&P 500 (+0,03%, a 5.634,58 pontos) e Dow Jones (-0,04%, a 41.606,18) ficaram estáveis. O Nasdaq subiu 0,20% (17.628,06 pontos).

… Microsoft ganhou 0,88% após aprovar um novo programa de recompra de US$ 60 bilhões em ações e aumentar seu dividendo trimestral em 10%.

… Intel avançou 2,68%. A empresa anunciou que pretende separar a divisão de fabricação de chips e torná-la uma subsidiária, entre outras medidas para cortar custos.

… O Russell 2000, de small caps, que os investidores veem como uma das maiores beneficiárias do corte de juros, superou os três principais índices, com alta de 0,74%.

… Com a atividade econômica mostrando força, os retornos dos Treasuries avançaram antes do Fed. O movimento também foi influenciado pelo leilão de US$ 13 bilhões em T-Bonds de 20 anos, com demanda abaixo da média.

… O juro da note de 2 anos subiu a 3,598% (de 3,553%), o da note de 10 anos avançou a 3,645% (de 3,619%) e o do T-bond de 30 anos foi a 3,960% (de 3,929%).

… Depois de três quedas consecutivas, o índice DXY subiu 0,13%, a 100,894 pontos, apesar das apostas para o corte de juros hoje.

… O dólar recuperou terreno ante o iene, subindo 1,2%, a 142,357/US$, depois de ter tocado a mínima abaixo de 140 ienes na sessão anterior.

… Na Reuters, o ministro das Finanças do Japão, Shunichi Suzuki afirmou que o governo continuará a avaliar o impacto da valorização da moeda na economia e tomará as medidas necessárias.

… Com queda de 0,39%, a libra respondeu ao aumento das apostas num corte de juros pelo BoE na 5ªF, conforme informou o Financial Times.

… O euro ficou praticamente estável (-0,09%). Dirigentes do BCE (inclusive Lagarde) têm sinalizado que a probabilidade de um corte de juros em outubro é pequena.

EM TEMPO… PETROBRAS assinou dois novos contratos com TechnipFMC, no valor de R$ 2,9 bi, para equipamentos submarinos e dutos flexíveis; contrato busca viabilizar produção de Búzios, Libra, Tupi, Atapu, Sépia e Roncador.

BRASKEM reiterou que não conduz eventuais negociações de acionistas a respeito de suas participações acionárias e esclareceu que não tem conhecimento de que os credores estariam novamente tentando vender a petroquímica…

… Posição respondeu aos questionamentos da CVM sobre notícias de que Bradesco, Itaú, Santander, Banco do Brasil e BNDES estariam estudando criar um fundo, no qual os créditos seriam convertidos em ações da empresa.

SANTANDER firmou acordo com o Banco Central após falhas em controles internos de prevenção à lavagem de dinheiro e deverá pagar R$ 19,4 milhões de compensação.

CEMIG aprovou a distribuição de R$ 472,6 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,1652 por ação, com pagamento em 2 parcelas (30/6/25 e 30/12/25); ex em 24/9/24.

TIM aprovou a distribuição de R$ 300 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,1239 por ação, com pagamento até 23/10; ex em 24/9.

IGUATEMI concluiu a aquisição da participação no Shopping RioSul pela Combrashop, via Parshop…

… Negócio faz parte de acordo firmado em julho entre Iguatemi, que passa a deter 16,6% do empreendimento, e BB Premium Malls (BBIG FII), com 33,3%; Combrashop segue titular, com 50,1%.

IOCHPE-MAXION aprovou a 14ª emissão de debêntures, no valor de R$ 750 milhões.

HYPERA. Capital International Investors reduziu participação na companhia de 9,56% para 5,01%.

Dados reforçam volatilidade em véspera de Fed e Copom

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*

[17/09/24]

… Os mercados na China seguem fechados para feriado, sinalizando que não é daí que vem o perigo. Na véspera da Superquarta, sem certeza absoluta do que esperar amanhã do Fed e Copom, as especulações sobre os juros continuarão rolando soltas. A agenda dos indicadores pode reforçar o ambiente de volatilidade. Por aqui, sai o IGP-10 de setembro (8h). Nos EUA, o ritmo da atividade em agosto é destaque, com as vendas no varejo (9h30) e a produção industrial (10h15), embora o foco do BC americano esteja concentrado no emprego. As apostas de corte do juro nos EUA, que estavam empatadas entre 25pbs e 50 pbs, inclinam-se agora para a flexibilização mais agressiva, dando um alívio para o dólar em escala global, convergindo aqui para perto da marca de R$ 5,50.

… Em NY, virou majoritária (67%) na ferramenta do CME a precificação de que o juro já vai começar caindo em dose maior (50pbs). Para o ciclo todo, a chance de redução acumulada de 125pb segue como opção mais provável.

… Tem gente querendo exigir até mais do Fed: três senadores democratas enviaram correspondência ontem a Powell pedindo que o BC americano já dê logo um corte de 75pb para não colocar a economia em recessão.

… Para o Copom, um aperto mais brando é consenso no mercado, mas não se descarta zebra. Só o que não pode é um placar rachado, com efeito “desastroso” nas expectativas, alerta o economista André Perfeito ao Broadcast.

… A piora nas expectativas de inflação no boletim Focus deixa algum dúvida no ar sobre a abordagem gradualista adotada por Campos Neto nas falas recentes, quando passou a impressão de alta de 0,25pp da Selic.

… No Focus, subiram as medianas para o IPCA deste ano (4,30% para 4,35%, cada vez mais perto do teto da meta, de 4,50%), para 2025 (de 3,92% para 3,95%) e para 2026 (de 3,60% para 3,61%), que conta como horizonte relevante.

… A estimativa da Selic foi mantida em 11,25% este ano, mas a projeção para 2025 subiu de 10,25% para 10,50%.

… Ajustando-se ao Focus, o Bradesco elevou a previsão para o juro em 2024 de 10,50% para 11,25%.

… Também puxou a estimativa para o PIB deste ano, de 2,3% para 3,0%, agora mais otimista do que o próprio boletim Focus, em que a projeção de crescimento econômico do Brasil saltou de 2,68% para 2,96% em 2024.

… O Bradesco também elevou projeção do IPCA de 4,3% para 4,4% em 2024 e de 3,7% para 3,9% em 2025. Para o dólar em 2024, a instituição financeira subiu a expectativa para R$ 5,40, de R$ 5,30; para 2025, segue em R$ 5,10.

… O Pine aposta que o Copom vai surpreender amanhã com alta de meio ponto do juro. O banco projeta um ajuste total de 1,5pp (três doses de 0,50pp), considerado compatível para acomodar a inflação na meta de 3% em 2026.

… Também a XP aposta em 1,5pp neste ciclo, para 12%, mas começando com 0,25pp. Ainda o BTG Pactual avalia que o BC vai iniciar o processo de aperto de forma menos intensa (0,25pp), mas com comunicação mais dura na 4ªF.

… De acordo com relatório assinado pelo economista Alvaro Frasson, a avaliação considera as surpresas altistas nos dados de atividade, desaceleração marginal na inflação corrente e os efeitos na taxa de câmbio depreciada.

… O cenário-base do BTG é de Selic terminal de 11,75%. “Entendemos, contudo, que uma taxa de câmbio potencialmente mais apreciada (seja pelo carry, seja pelas commodities) possa reduzir o tamanho do ciclo.”

… Diante do PIB aquecido e da piora da percepção de risco quanto à inflação, os juros futuros ignoraram ontem o alívio do dólar (abaixo) e repercutiram ainda com cautela os dribles do governo em relação à meta fiscal.

HADDAD – Em premiação promovida na noite de ontem pelo Valor, o ministro da Fazenda disse que a utilização de créditos extraordinários para enfrentamento de eventos climáticos não enfraquece o arcabouço fiscal.

… Segundo ele, o governo precisará levar cada vez mais as catástrofes climáticas para dentro do orçamento federal. “Em algum momento vai ter que entrar, talvez o extraordinário não seja tão extraordinário daqui para frente.”

… Haddad disse não ter a intenção de mudar meta fiscal do governo e reiterou que a alteração do alvo de resultado primário em 2025, de um superávit de 0,5% do PIB para zero, foi reflexo de uma derrota no Congresso de R$ 40 bi.

… Em agosto do ano passado, a Câmara rejeitou uma emenda parlamentar aprovada pelo Senado que abriria um espaço de R$ 32 bilhões a R$ 40 bilhões no Orçamento para crédito adicional ao governo federal.

… Ainda no evento desta 2ªF, o ministro assegurou o caráter técnico das indicações ao BC e, ao comentar a escolha de Galípolo para o comando do BC a partir de janeiro, disse que ninguém está lá para fazer o que Lula quer.

DESONERAÇÃO DA FOLHA – Lula sancionou com vetos o projeto de lei que mantém a desoneração da folha de pagamento de 17 setores da economia e municípios este ano e prevê a reoneração gradual a partir de 2025.

… Entre os dispositivos vetados, está o que trata de recursos esquecidos em contas bancárias. O projeto direciona os valores para os cofres públicos, como forma de reforçar o caixa da União, em contabilidade contestada pelo BC.

… O texto original estabelecia dois prazos para que o dinheiro esquecido fosse reclamado: 30 dias após a publicação da lei e 31 de dezembro de 2027. Este segundo prazo, o mais longo, foi vetado, para evitar conflito de data.

… Também foi vetado o item que obriga o Executivo a indicar, em até 90 dias, o responsável pelos custos de desenvolvimento, disponibilização, manutenção, atualização e gestão administrativa de créditos não tributários.

… Para o Palácio do Planalto, esse dispositivo viola a Constituição ao criar tal obrigatoriedade.

… Foi vetado ainda o artigo que definia a destinação à AGU e Fazenda dos recursos prioritários ao desenvolvimento de sistemas de cobrança e de soluções negociáveis de conflitos para a Procuradoria-Geral Federal e Receita.

… “O dispositivo contraria o interesse público, pois restringe a órgãos específicos a destinação de recursos prioritários”, diz a justificativa. Nenhum dos vetos alterou trechos relevantes da proposta sancionada.

MAIS AGENDA – A mediana do mercado em pesquisa Broadcast indica que o IGP-10 (8h) deve desacelerar a 0,10% em setembro, após registrar alta de 0,72% em agosto. As projeções variam de queda de 0,04% a alta de 0,21%.

… Antes, sai a prévia do IPC-Fipe (5h). Alckmin participa do 9º Congresso da Abimaq, em São Paulo, às 8h30.

NOS EUA – As vendas no varejo têm previsão de queda de 0,2% em agosto e a produção industrial deve registrar elevação de 0,2%. Sai ainda o índice NAHB de confiança das construtoras (11h), que deve vir em 41 em setembro.

MENOS É MAIS – Quanto menor o juro ficar nos EUA amanhã, tanto maior a chance de o dólar furar suportes por aqui, como já ensaiou ontem, quando chegou a operar abaixo de R$ 5,50 na mínima intraday, cotado aos R$ 5,4980.

… No Broadcast, um profissional de mercado não descarta que a moeda americana venha abaixo de R$ 5,40 se der a combinação perfeita: corte de 50pb pelo Fed e um “choque de juros” aqui, com uma elevação da Selic em 0,50pp.

… Mas este mesmo executivo (Ricardo Chiumento, superintendente da mesa de derivativos do BS2) alerta que o dólar pode voltar a subir com força caso o Fed não entregue uma queda na intensidade esperada e frustre com 25pb.

… A apreciação do real ontem também esteva atrelada nesta 2ªF à força do petróleo e a relatos de fluxo positivo.

… O dólar à vista fechou em forte baixa de 1,02%, a R$ 5,5106, refletindo também rumores de uma grande operação de emissão de dívida externa a ser fechada e de instituições envolvidas na operação se antecipando nos ingressos.

… Essa nova emissão se somaria ao US$ 1 bilhão anunciado na 6ªF pela Raízen, que emitiu títulos representativos de dívida no mercado internacional.

… A descompressão no dólar não ajudou os DIs, pressionados pela piora nas expectativas de inflação no Focus.

… O cenário fiscal também continuou a pesar sobre as taxas, com a decisão de Dino (STF) autorizando o governo a usar crédito fora da meta fiscal para combater queimadas no país.

… Segundo a CNN Brasil a conta deve ficar em pelo menos R$ 500 milhões.

… O DI para Jan/26 subiu a 11,830% (de 11,815% na sessão anterior); o Jan/27, a 11,855% (de 11,809%); o Jan/29, a 11,970% (de 11,901%); o Jan/31, a 11,970% (de 11,884%); e o Jan/33, a 11,940% (de 11,852%).

PREMIADA – Sob o efeito combinado da alta firme de 1,5% do petróleo e de mais uma melhora de recomendação (desta vez pelo Itaú BBA), as ações da Petrobras brigaram ontem para que o Ibovespa não virasse para queda.

… Em leve alta de 0,18%, o índice à vista conseguiu preservar os 135 mil pontos (135.118,22). O volume financeiro de negócios inexpressivo, de R$ 15,7 bi, praticamente na metade das médias recentes, respondeu aos feriados na Ásia.

… Além do Itaú BBA, mais 11 instituições já recomendaram a petroleira, o que fez a empresa atingir o maior número de chancelas de compra de grandes bancos desde o início do governo Lula, segundo o Broadcast.

… São elas: BofA, Banco do Brasil, BTG Pactual, Bradesco, Goldman Sachs, HSBC, Morgan Stanley, Santander, Scotiabank, UBS e XP Investimentos. Já o Citi, Jefferies, JPMorgan e Safra mantêm classificação neutra.

… Somadas todas as instituições, quase 75% recomendam compra e 25% estão neutras. No início do governo, 67% estavam neutras, 27% indicavam compra e 7%, venda.

… Ainda no Ibov, Vale ficou estável, em R$ 58,50, sem a referência do minério de ferro, com a China em feriado.

… Com exceção do BB, que subiu 0,53%, a R$ 28,57, os principais bancos terminaram no vermelho. Bradesco PN caiu 0,77% (R$ 15,43) e ON, -0,50% (R$ 13,88). Santander cedeu 0,45% (R$ 30,63). Itaú ficou estável (-0,03%), a R$ 37,00.

… Embraer liderou as perdas, com -5,30% (R$ 49,18), em reação ao acordo de arbitragem da companhia com a Boeing, no qual a empresa irá receber US$ 150 milhões da fabricante americana.

… A indenização foi considerada aquém das expectativas por analistas.

… Petz perdeu 4,21% (R$ 4,55) e Brava Energia teve baixa de 3,81% (R$ 21,23). No lado positivo, os destaques foram Azul (+10,91%; 5,49), CSN Mineração (+6,93%; R$ 7,10) e Santos Brasil (+3,94%; R$ 13,71).

ESPERAR PRA VER – Um reforço nas apostas de um corte de juros mais agressivo pelo Fed jogou rendimentos dos Treasuries e dólar para baixo em NY ontem e, com exceção das techs, valorizou as ações.

… No fim da tarde em NY, o juro da note de 2 anos cedia a 3,561%, de 3,585%, e o da note de 10 anos caía a 3,622%, de 3,653%. O do T-bond de 30 anos recuava para 3,933%, de 3,981%.

… Desvalorizando pela terceira sessão seguida na expectativa pelo Fed, o índice DXY caiu 0,35%, a 100,763 pontos. A divergência de política monetária continuou a elevar o iene (+0,13%), que fechou em 140,632/US$.

… O euro subiu 0,45%, a US$ 1,1129, e a libra avançou 0,66%, a US$ 1,3213.

… Nas bolsas, o Nasdaq destoou dos demais, num movimento de realização de lucros nas techs, o setor que mais subiu neste ano. O índice da bolsa eletrônica fechou em queda de 0,52%, a 17.592,13 pontos.

… Apple caiu 2,78%, com vendas menores que a esperada no primeiro fim de semana de venda do iPhone 16.

… “Investidores quiseram levantar dinheiro com a venda de ações muito líquidas como Nvidia, Amazon e Microsoft para ter algum recurso disponível que possa ser colocado para trabalhar após o Fed”, comentou um estrategista.

… Com novo fechamento recorde, o Dow Jones subiu 0,55%, aos 41.622,08 pontos. O S&P 500 ganhou 0,13% (5.633,09 pontos).

EM TEMPO… JBS projetou receita líquida de R$ 409,418 bilhões e Ebitda entre R$ 33,433 bi e R$ 36,233 bi no ano.

ELETROBRAS aprovou a captação de até R$ 5,4 bilhões por meio de três emissões de debêntures…

… Comitê independente especial da Eletropar recomendou troca de 1 ação da empresa por 0,80 ação da Eletrobras em incorporação.

COPEL concluiu venda de participação, correspondente a 51% do total, na Cia Paranaense de Gás (Compagas).

NEOENERGIA COSERN aprovou resgate de 909 mil ações remanescentes de leilão de oferta pública.

ITAÚSA aprovou a distribuição de R$ 500 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,0484 por ação, com pagamento até 30/4/25.

LOCALIZA. Conselho de Administração homologou aumento de capital no valor de R$ 359,2 milhões.

IGUATEMI aprovou a 13ª emissão de debêntures, no valor de R$ 300 milhões.

COSAN. Moove protocolou na Nyse pedido para IPO, que será coordenado por JPMorgan, BofA Securities, Citi, Itaú BBA, BTG Pactual e Santander.

INTERCEMENT. Plano de recuperação extrajudicial protocolado pela empresa foi deferido por juiz de São Paulo (fontes do Broadcast)…

… Companhia apresentou plano com passivo total reestruturado de quase R$ 22 bilhões; empresa afirmou à Justiça que teve adesão de 45,67% dos créditos sujeitos…

… Pedido não englobou dívidas da Mover; Mover e Bradesco BBI chegaram a solução consensual envolvendo suas obrigações.

AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!

*com a colaboração da equipe do BDM Online

AVISO – Bom Dia Mercado, produzido pela Mídia Briefing, não pode ser copiado e/ou redistribuído.