China repercute antes da ata do Copom

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*

[24/09/24]

… Atendendo aos apelos do mercado, a China apresentou ontem à noite um pacote de estímulos para tentar dar um choque na economia. Nos EUA, à espera do que Powell dirá em discurso pré-gravado na 5ªF, a diretora do Fed, Michelle Bowman, fala hoje (10h) e pode ajudar a projetar o tamanho do ciclo de corte monetário. Por aqui, a ata do Copom (8h) e palestra de Campos Neto (8h30) em evento do banco J. Safra devem indicar as chances de o BC acelerar o ritmo de alta da Selic nas próximas reuniões. Em NY, Lula discursa às 10h na abertura da 79ª Assembleia Geral da ONU e Haddad pode se reunir com representantes da Fitch, em meio à esperança de upgrade em 2025.

… O encontro não está previsto na agenda oficial, mas fontes do Broadcast dizem que há uma reunião programada do ministro com o presidente global da Fitch, Paul Taylor, para hoje, a partir das 14h30 no horário brasileiro.

… Haddad esteve reunido ontem com as equipes da S&P Global e Moody´s e, questionado por Lula sobre um cronograma para o Brasil recuperar o grau de investimento, disse que poderia acontecer até o fim do ano que vem.

… O comentário de Haddad de que o País pode subir na escala de rating ajudou a aplacar parte da tensão nos negócios exibida mais cedo (abaixo) com as manobras do governo para atingir a meta do déficit fiscal zero.

… Atualmente, o País está a dois patamares de recuperar o selo de bom pagador nas três maiores agências de risco, que têm cobrado melhorias no cenário fiscal, considerado uma das principais fragilidade da economia doméstica.

… Na apresentação desta 2ªF às classificadoras de rating sobre as conquistas relacionadas às contas públicas, Haddad vendeu o discurso de que as receitas e despesas estão condizentes com o arcabouço fiscal.

… Ontem, na entrevista coletiva do relatório bimestral de receitas e despesas, o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, prometeu entregar o melhor resultado fiscal dos últimos três ciclos de governo.

… “A despesa primária vai fechar esse ano em torno de 19% do PIB”, estimou, enfatizando que, na comparação com 2023, o governo federal vem reduzindo o déficit primário em mais de 85%.

… Menos convencido sobre a eficácia do aperto de cinto endereçado pelo governo, o mercado desconfia que a equipe econômica está, mais uma vez, superestimando as receitas extraordinárias e subestimando os gastos.

… O consenso entre economistas e analistas é de que, ainda que no limite inferior da banda, a meta fiscal deve ser cumprida este ano, o que não esvazia as queixas de que o governo continua apelando à contabilidade criativa.

… As despesas de combate à calamidade das enchentes no Rio Grande do Sul e às queimadas e o pagamento de valores retroativos ao Judiciário resultarão em um gasto de R$ 40,5 bilhões fora das regras fiscais este ano.

… Com isso, mesmo prometendo um resultado dentro da meta fiscal, que permite déficit de até R$ 28,8 bilhões no ano, o rombo efetivo será de R$ 68,8 bi, aponta reportagem de Idiana Tomazelli e Adriana Fernandes na Folha.

… Segundo a Warren, o relatório bimestral comentado pelo governo na coletiva ontem aponta baixa credibilidade. “Foi preciso encontrar elevado volume de receitas não recorrentes para evitar cortes de despesas discricionárias”.

… “Não é prudente e nem recomendável que se liberem gastos discricionários ou de outra natureza em um contexto de déficit ainda elevado projetado pelo próprio governo”, advertiu o economista-chefe da Warren, Felipe Salto.

… No relatório bimestral, a previsão de economia com a revisão de gastos do INSS no ano foi reduzida em R$ 2,2 bilhões. O governo esperava poupar R$ 9 bilhões com auxílios pagos pelo INSS. Agora, são R$ 6,8 bilhões.

DINHEIRO ESQUECIDO – Em novo capítulo do embate contra o BC, a Fazenda informou que o governo voltará ao STF caso os valores esquecidos em contas não sejam considerados contrapartida válida para compensar a desoneração.

… Não vamos compensar R$ 8,6 bilhões a menos”, afirmou Durigan, durante a apresentação do relatório bimestral.

… Em nota técnica enviada a parlamentares semana passada, o BC afirmou que a incorporação dessas cifras no resultado primário estava “em claro desacordo com metodologia estatística, indo de encontro à orientação do TCU”.

… O texto aprovado pelo Congresso e sancionado por Lula, no entanto, prevê que, mesmo não computada como receita primária pelo BC, a cifra será considerada pelo Tesouro Nacional para fins de cumprimento da meta fiscal.

ATA DO COPOM – O mercado vai buscar no documento detalhes sobre as variáveis que levaram o BC a revisar o hiato do produto para positivo e ter passado a considerar o balanço de riscos para a inflação “assimétrico para cima”.

… A avaliação é que a mudança na estimativa do hiato sugere viés de alta à taxa de juro neutra estimada pelo BC.

… Se de um lado a atividade econômica aquecida pressiona a inflação, de outro, o câmbio (beneficiado agora pelo carry trade) surge como contraponto e, segundo o Citi, deve ter papel relevante em trazer o IPCA de volta à meta.

… De qualquer maneira, analistas antecipam uma linguagem mais dura hoje da ata do Copom, que se confirmada, deverá favorecer as apostas de que o BC vai aumentar o ritmo da dose de aperto da Selic nas próximas reuniões.

… A curva do DI precifica mais de 80% de chance de alta de 50 pontos-base do juro em novembro e dezembro.

… “Não tem nada pior para a questão fiscal do que esse aumento da Selic”, disparou ontem o presidente em exercício, Geraldo Alckmin, em entrevista ao programa Dois Pontos, comandado pela jornalista Roseann Kennedy.

REFORMA TRIBUTÁRIA – Sem acordo, o projeto da regulamentação começou a trancar a pauta do Senado e, pressionado pelos parlamentares, o governo decidiu solicitar a retirada do regime de urgência do texto.

… Com o atraso no ritmo de tramitação, integrantes do Planalto consideram que a conclusão da análise da matéria pode ficar para 2025, esvaziando a esperança do governo de encerrar a votação no Senado e Câmara este ano.

GREVE DE SERVIDORES – Não haverá venda de títulos hoje por meio do Tesouro Direto, por causa da greve dos servidores da instituição. Todos os agendamentos de compra previstos para esta 3ªF serão cancelados, disse o órgão.

… Mas os investidores poderão resgatar normalmente seus investimentos e também fazer agendamentos.  

… Os leilões tradicionais do Tesouro não serão impactados pela mobilização dos servidores.

MAIS AGENDA – Nos EUA, o Conference Board divulga, às 11h, o índice de confiança do consumidor, que deve melhorar para 104 em setembro, de 103,3 em agosto. Às 14h, a Opep divulga relatório sobre perspectivas globais.

… No início da noite de ontem, petroleiras evacuavam plataformas de produção no Golfo do México, enquanto os meteorologistas preveem que o segundo grande furacão em duas semanas pode atingir os campos offshore.

CHINA HOJE – O PBoC adotou uma bateria de medidas para estimular a economia em dificuldades, em meio às preocupações de que a meta oficial de crescimento do PIB, de 5%, pode não ser alcançada este ano.

… As iniciativas incluem a redução da taxa de reserva obrigatória em 50pb, corte de 20pb na taxa de recompra inversa de 7 dias, queda no juro de empréstimos hipotecários já existentes e uma medida contra a crise imobiliária.

… A entrada mínima para a compra de um segundo imóvel no país será reduzida de 25% para 15%.

… O PBoC também anunciou que fará um novo corte no índice de reservas obrigatórias de 25 a 50 pontos-base até o fim deste ano e que pretende lançar novas ferramentas de política monetária para dar suporte ao mercado.

JAPÃO HOJE – A leitura preliminar de setembro do PMI/S&P Global composto caiu para 52,5, contra 52,9 em agosto, mas permaneceu acima do nível neutro de 50, ou seja, indica que a atividade japonesa continua em expansão.

… O PMI industrial saiu do território de contração, de 51,3 para 49,4. O PMI de serviços teve alta de 53,7 para 53,9 na mesma comparação. Segundo a S&P Global, a expansão da atividade empresarial demonstra ímpeto sustentado.

LEI DO MÍNIMO ESFORÇO – Por mais que a esperança de upgrade do rating do Brasil tenha aliviado parte do estresse, foi impossível relaxar com as suspeitas renovadas de que o governo não está levando a sério o rigor fiscal. 

… No auge do nervosismo com a dinâmica das contas públicas, a ponta longa do DI abriu quase 20 pontos-base, o dólar arrancou para perto de R$ 5,60 na máxima (R$ 5,5979) e faltou pouco para o Ibov perder os 130 mil pontos.

… Embora analistas ainda acreditem que o governo cumprirá a banda inferior da meta fiscal (-0,25% do PIB), o objetivo só deve ser alcançado às custas de receitas extraordinárias e sem cortes mais efetivos de gastos.

… Para piorar, ontem, o mercado voltou a elevar as estimativas para a inflação e a Selic no boletim Focus.

… Houve piora na mediana do IPCA 2024 (4,35% para 4,37%), 2025 (3,95% para 3,97%) e 2026 (3,61% para 3,62%). A Selic para o fim deste ano subiu de 11,25% para 11,50% e a de 2025 ficou em 10,50%.

… No sistema de expectativas do BC, a mediana da Selic para o próximo Copom, em 6 de novembro, é de 11,25%, ou seja, de um aumento de 50pb.

… À tarde, o mercado testou alguma melhora, após a visita de Haddad às agências de classificação de risco.

… O dólar à vista acabou fechando com alta apenas moderada, de 0,26%, a R$ 5,5353.

… Mas os DIs subiram acima de 10 pb nos vencimentos médios e longos. O DI Jan26 foi a 12,240% (de 12,190% na 6ªF); Jan27, 12,345% (12,252%); Jan29, 12,475% (12,374%); Jan31, 12,490% (12,382%); e Jan33, 12,450% (12,344%).

… No Ibovespa, os dois maiores pesos foram na contramão de suas respectivas commodities e subiram. 

… Ainda assim, não conseguiram evitar a 5ª queda consecutiva do índice, a 130.568,37 pontos (-0,38%), depois de ter tocado os 130.099 pontos no piso do dia. 

… Vale desafiou a forte baixa do minério de ferro e subiu 0,31%, a R$ 57,53. Deu suporte a notícia de que o atual presidente (Gustavo Pimenta) assumirá o comando no próximo dia 1º, e não mais no início de janeiro.

… A cotação do minério despencou 4,5% em Dalian (a US$ 93,38/t, menor preço de 2024) e cedeu 2,09% em Cingapura (a US$ 89,75), pela primeira vez abaixo dos US$ 90 neste ano.

… Na XP, a avaliação é de que o minério deve seguir sob pressão e o valor de US$ 80/t pode ser visto como “estrutural” no longo prazo por causa da queda da demanda no setor imobiliário chinês e aumento na oferta global.

… Petrobras também não tomou nota da queda moderada do Brent (-0,65%, a US$ 73,21/barril). O papel ON subiu 1,26% (R$ 40,20) e o PN ganhou 1,02% (R$ 36,63).

… Contou a favor a expectativa do mercado sobre os dividendos da empresa, motivada pela geração de caixa e alavancagem relativamente baixa, disse Rafael Passos (Ajax Asset) ao Broadcast.

… Ações mais sensíveis ao ciclo econômico sentiram a alta dos juros futuros: Yduqs (-5,34%, a R$ 9,40), Magazine Luiza (-3,19%, a R$ 10,02), Vivara (-2,61%, a R$ 27,27) e Cyrela (-2,60%, a R$ 20,19).

… Também os bancos caíram em bloco: Bradesco PN (-2,58%; R$ 14,37), Bradesco ON (-2,42%; R$ 12,93); Santander (-2,17%; R$ 28,89), Itaú (-0,58%, a R$ 35,72) e Banco do Brasil (-0,36%, a R$ 27,40).

… Santos Brasil liderou as altas do Ibov, com +16,44% (R$ 14,80), após o anúncio de que o Opportunity vendeu sua participação de 47,55% na companhia para o grupo francês CMA CGM, por R$ 6,33 bilhões.

… Usiminas cedeu 4,76%, a R$ 5,60, após o rebaixamento duplo, de recomendação e preço-alvo, para o papel feito pelo JPMorgan.

PORTEIRA ABERTA – Enquanto aguardam mais pistas sobre o estado da economia americana, os investidores gostaram de ver três dirigentes do Fed dando apoio a mais cortes de juros em 2024.

… Foi o suficiente para o Dow Jones (+0,14%, aos 42.124,19 pontos) e S&P 500 (+0,28%, a 5.718,64) renovarem seus recordes de fechamento. O Nasdaq avançou 0,14% (17.974,27).

… As altas foram modestas, no que pareceu ser um movimento de esperar para ver os dados importantes da semana, que só saem a partir de 5ªF: PIB e auxílio-desemprego e, o mais aguardado, o PCE de agosto, na 6ªF.

… Divulgado ontem, o PMI composto dos EUA medido pela S&P Global caiu a 54,4 em setembro, de 54,6 em agosto, quando se esperava alta a 55,1, chancelando a perspectiva de pouso suave.

… O dado foi enfraquecido pelo PMI industrial (de 47,9 para 47,0), que atingiu o menor nível em 15 meses. Era esperada alta a 48,5. O de serviços recuou de 55,7 para 55,4, mas acima do consenso de 55,0.

… Raphael Bostic, o único dos três Fed boys que falaram a votar no Fomc este ano, disse que se o mercado de trabalho se deteriorar, o Fed terá motivos para adotar um ritmo mais rápido de cortes até chegar ao juro neutro.

… Austan Goolsbee, do Fed de Chicago, espera “muitos mais” cortes de juros ao longo de 2025, com o Fed ampliando o foco no desempenho do emprego. Ele apoiou o corte de 50pb na 4ªF passada.

… Neel Kashkari disse ver mais 50 pb de redução dos juros em 2024, com dois cortes de 25 pb cada, em novembro e em dezembro. “A balança de riscos claramente mudou. Queremos manter o mercado de trabalho forte”, disse.

… A ênfase dos Fed boys na necessidade de o BC americano continuar a cortar juros fez a note de 2 anos destoar das demais no dia, com queda no retorno do título a 3,584%, de 3,605% na 6ªF.

… O juro da note de 10 anos avançou a 3,745% (de 3,740%) e o do T-bond de 30 anos subiu a 4,090% (de 4,081%).

… Uma contração no PMI composto na zona do euro (de 51 em agosto para 48,9 em setembro), que está num ritmo inferior ao dos EUA, contribuiu para desvalorizar a moeda comum em 0,44%, a US$ 1,1118.

… O dado reforçou a expectativa de mais uma redução de juros pelo BCE em outubro ou dezembro.

… Na mão contrária, o PMI composto resistente do Reino Unido – caiu de 53,8 para 52,9, mas ainda ficou em zona de expansão – ajudou a libra a subir 0,22%, a US$ 1,3349. O iene também subiu: 0,23%, a 143,581/US$.

… Ainda assim, o índice DXY fechou em alta de 0,13%, a 100,851 pontos.

EM TEMPO… Conselho de Administração da JBS aprovou um novo plano de recompra para adquirir até 113.396.357 de ações ON, ou 10% do total de 1.133.963.579 de papéis em circulação.

ÂMBAR ENERGIA. A Justiça Federal do Amazonas determinou que a Aneel aprove “imediatamente” a proposta da companhia do grupo J&F de assumir o controle da Amazonas Energia, distribuidora do Estado.

CEMIG e subsidiária Cemig GT retomaram processo para vender quatro usinas hídricas: Machado Mineiro, Sinceridade, Martins e Marmelos. O valor mínimo no leilão, marcado para 5/12, será de R$ 29,1 milhões.

ENGIE aprovou a 13ª emissão de debêntures, no valor de R$ 1,5 bilhão.

ASSAÍ. BlackRock reduziu participação de 10,62% para 9,90%, passando a deter 133.810.504 de ações ON.

REDE D’OR aprovou a distribuição de R$ 350 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,1561 por ação, com pagamento em 4/10; ex em 27/9.

ÂNIMA. Citi rebaixou a recomendação da ação da empresa de compra para neutra e reduziu o preço-alvo de R$ 5,00 para R$ 3,20…

… Banco prevê resultados fracos para o 3TRI, com o crescimento da receita bruta se deteriorando ainda mais, impactado pela fraqueza nos volumes de captação.

CIELO. AGE aprovou resgate compulsório de ações em circulação remanescentes da OPA.

DEXCO. A partir de 1º/10, cargo de diretor de RI será ocupado por Guilherme Setubal Souza e Silva, em substituição a Francisco Augusto Semeraro Neto, atual CFO da companhia.

GRUPO MATEUS aprovou a distribuição de R$ 100,3 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,0454 por ação, com pagamento até 31/12; ex em 27/9.

AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!

*com a colaboração da equipe do BDM Online

AVISO – Bom Dia Mercado, produzido pela Mídia Briefing, não pode ser copiado e/ou redistribuído.

Semana carregada aqui e lá fora

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*

[23/09/24]

… Depois de o Fed ter deixado em aberto os próximos passos, já sai esta semana a primeira rodada de indicadores importantes, com a inflação do PCE de agosto (6ªF) e a leitura final do PIB/2Tri (5ªF). Tem também que ouvir um discurso de Powell pré-gravado para um evento nos EUA na 5ªF. Por aqui, o investidor terá a oportunidade de buscar uma sinalização mais explícita para a Selic na ata do Copom (amanhã) e RTI (5ªF). Além disso, dados de emprego e inflação ajudam a calibrar as expectativas. Hoje, o fiscal domina a cena doméstica, com a entrevista coletiva de imprensa (11h) do Planejamento sobre o relatório bimestral de receitas e despesas, apresentado na noite na 6ªF e que já  repercutirá nos negócios nesta 2ªF sob uma chuva de críticas de economistas de redução do esforço fiscal.

… O bloqueio de só R$ 2,1 bilhões anunciado nos gastos (R$ 11,2 bi em julho para R$ 13,3 bi) foi considerado muito tímido e longe do ideal. Além disso, a equipe econômica reverteu o contingenciamento de R$ 3,8 bi feito em julho.

… Como o bloqueio adicional foi inferior à reversão do contingenciamento, o esforço fiscal para 2024 foi afrouxado em R$ 1,7 bi, enquanto economistas e agentes do mercado financeiro esperavam aumento entre R$ 5 bi e R$ 10 bi.

… Indignados com a “matemágica fiscal”, profissionais criticaram a baixa sensibilidade do governo na revisão das contas públicas, que deve exigir um bloqueio mais forte no último relatório de receitas e despesas do ano (22/11).

… “Está ainda muito aquém daquilo que seria necessário. Vemos a necessidade de o governo reconhecer pelo menos mais uns R$ 5 bilhões e despesas adicionais em previdência neste ano”, disse o economista Tiago Sbardelotto, da XP.

… O governo Lula decidiu rever o contingenciamento (congela despesas quando há frustração de receitas), após projetar uma melhora na arrecadação do ano, mesmo com frustrações na entrada de receitas extraordinárias.

… Haddad dourou em pílula em palestra na USP, na 6ªF. “Notícias são boas: contingenciamento menor é porque estamos performando melhor, arrecadação federal continua vindo e despesas estão acomodadas no teto”.

… Neste domingo, o ministro insistiu que “só temos boas notícias de receita e despesa” e se queixou que o mercado “nem esperou” as explicações que serão dadas na coletiva hoje sobre a queda no volume congelado no orçamento.

… A melhora na receita levou o governo a diminuir a projeção de déficit para 2024, para dentro da banda permitida.

… A estimativa para as contas públicas passou de um rombo de R$ 32,6 bilhões para R$ 28,3 bilhões, cerca de R$ 500 milhões menor do que o limite inferior da meta (R$ 28,8 bilhões) e, portanto, dentro do intervalo de tolerância.

… O governo federal espera arrecadar R$ 33,740 bilhões de setembro a dezembro deste ano com o pacote das medidas arrecadatórias aprovadas no Congresso no ano passado. O Planejamento conta com R$ 847 mi do Carf.

… Na 6ªF, horas antes da divulgação pela equipe econômica do relatório bimestral de gastos e receitas, os mercados domésticos correram para posições mais defensivas, diante das desconfianças de leniência fiscal (abaixo).

… Comenta-se que a reação do mercado pode piorar hoje com as surpresas negativas trazidas pelo relatório.

… Na manchete do Estadão de hoje, o governo tem ampliado o uso de fundos públicos e privados para turbinar a concessão de crédito mais barato e elevar os gastos, driblando as limitações impostas pelo arcabouço fiscal.

… Na semana passada, a Câmara aprovou projeto de lei, motivado pela calamidade no RS, que autoriza a União a aumentar em até R$ 4,5 bilhões a sua participação no Fundo de Garantia de Operações (FGO).

… Trata-se de fundo privado, atrelado ao BB, que garante eventuais inadimplências em crédito a setores específicos, como pequenos negócios. Na pandemia, os aportes no FGO também se deram fora das regras fiscais.

… À época, o compromisso era de que os valores retornariam aos cofres do Tesouro Nacional após um determinado período. Mas os prazos foram sendo renovados pelo Congresso e o dinheiro jamais retornou.

AUXÍLIO-GÁS – O projeto de lei que o governo enviou ao Congresso para ampliar o auxílio-gás será modificado, devido aos altos custos projetados para o programa, informou o colunista Lauro Jardim (O Globo) no domingo.

… Hoje, o programa custa R$ 3,4 bi e o valor deve aumentar para R$ 5 bi no ano que vem e R$ 13,6 bilhões em 2026.

… Segundo a matéria, Haddad teria convencido Lula de que as consequências no Orçamento seriam desastrosas se o texto fosse mantido no modelo atual e já teria o OK do presidente para encontrar solução que corrija a proposta.

ATA DO COPOM – Partindo para cima, o mercado pressiona o BC a acelerar a dose de aperto da Selic em novembro.

… Todo mundo quer ver na ata os detalhes que levaram o BC a revisar o hiato do produto de “próximo à neutralidade” para positivo e ter passado a considerar o balanço de riscos para a inflação “assimétrico para cima”.

… No último parágrafo do comunicado, o Copom escreveu que o ritmo de ajuste e a magnitude total do ciclo dependerão da dinâmica da inflação, “em especial dos componentes mais sensíveis à atividade e política monetária”.

… Só faltou especificar que componentes são estes, abrindo margens para especulações e dúvidas nos negócios.

… Será muito importante tentar descobrir que variáveis podem pesar mais para o Copom na próxima reunião, se a atividade econômica aquecida (que pressiona a inflação) ou o alívio do dólar, na queda de braço que dá jogo no DI. 

LULA NA ONU – Como de costume, o Brasil será o primeiro a discursar na 79ª Assembleia Geral da ONU, que começa amanhã. O presidente está acompanhado em NY do ministro Haddad, que mantém o seu discurso de otimismo.

… Em conversa com jornalistas neste domingo, Haddad reafirmou que espera que o Brasil avance mais um degrau em 2025 em seu rating pelas agências de classificação de risco, na busca pela retomada do grau de investimento.

… O País está a dois patamares de distância de recuperar o selo de bom pagador pela Moody´s, S&P e Fitch Ratings.

… Integrantes da Fazenda avaliam que a viagem do ministro aos EUA ganha força com o corte de juro do Fed.

… O início do ciclo de desaperto nos EUA coloca o Brasil em situação atrativa para o fluxo externo e vem a calhar para Haddad apresentar o cenário macroeconômico brasileiro e reforçar as entregas feitas pelo atual governo.

HORÁRIO DE VERÃO – Governo decide esta semana ou, no máximo, na próxima se adota a medida recomendada pelo ONS, diante da gravidade da situação hídrica, com o menor índice de chuvas para o período seco desde 1950.

MAIS AGENDA – O ritmo aquecido do mercado de trabalho no Brasil, que pressiona a atividade econômica e a inflação, poderá ser confirmado esta semana pelos dados de agosto do Caged (5ªF) e da Pnad contínua (6ªF).

… O investidor também estará de olho no IPCA-15 de setembro (4ªF). Saem ainda o IGP-M de agosto (6ªF) e as prévias do IPC-S (hoje, às 8h) e do IPC-Fipe (4ªF). Do lado fiscal, a 6ªF reserva as contas do Governo Central (agosto).

… O câmbio confere na 4ªF os dados das transações em conta corrente e IDP em agosto.

LÁ FORA – Três Fed boys falam hoje: Raphael Bostic (9h), Austan Goolsbee (11h15) e Neel Kashkari (14h).

… Entre os indicadores econômicos, saem nesta 2ªF nos EUA o índice de atividade nacional de agosto medido pelo Fed de Chicago (9h30), além da leitura preliminar de setembro do PMI/S&P Global composto (10h45). 

… Este mesmo dado também será conhecido na Alemanha (4h30), zona do euro (5h) e Reino Unido (5h30).

… Ainda entre os destaques da semana, na 5ªF, Lagarde discursa em conferência e o BC do México decide juro.

CHINA HOJE – O BC China surpreendeu neste domingo ao reduzir a sua taxa de recompra de 14 dias em 10 pontos base, poucos dias depois de ter frustrado os investidores ao não cortar as taxas de juro de longo prazo.

DEBANDADA – O fim de uma semana difícil aos mercados domésticos foi marcado pela fuga do risco provocada por motivos internos e externos. Lá fora, a 6ªF foi de alguma realização de lucro e cautela com os novos passos do Fed.

… Aqui, gerou apreensão o rumor de que a equipe econômica anunciaria um bloqueio inferior a R$ 5 bilhões no Orçamento. Resultado: juros e dólar em disparada e Ibovespa tocando os 130 mil pontos na mínima do dia.

… Nos juros, a zeragem de posições aplicadas de estrangeiros elevou os vencimentos longos em mais de 20pb. Na máxima do dia, chegaram a abrir 30pb. A ponta curta seguiu se ajustando à expectativa de um aperto maior da Selic.

… No fechamento, o DI Jan25 subiu a 11,025% (de 10,984% no dia anterior), o DI Jan26, a 12,155% (12,044%); Jan27,  a 12,210% (12,014%); Jan29, a 12,310% (12,092%); Jan31, a 12,330% (11,098%); e Jan33, a 12,310% (12,070%).

… Na semana, os vencimentos a partir do Jan27 acumularam alta de mais de 40pb.

… Fator a estressar a curva, o dólar superou os R$ 5,50, encerrando a sequência de sete baixas consecutivas.

… Além dos perrengues domésticos, o mercado cambial absorveu as decisões de política monetária do BC chinês, que não mexeu nos juros, frustrando as esperanças de que Pequim anunciasse algum estímulo à economia.

… No mercado à vista, a moeda subiu 1,78%, a R$ 5,5209, mas na semana ainda acumulou baixa de 0,83%.

… Já o Ibovespa baixou 1,55%, aos 131.065,44 pontos. Na semana, o recuo foi de 2,83%. O volume financeiro foi mais robusto, R$ 33,1 bilhões, em dia de vencimento de opções sobre ações.

… Nenhum setor se salvou no dia e nem ações defensivas foram bem, como as do setor financeiro, que costumam ter bom desempenho em momentos de aperto monetário.

… Santander (-2,15%; R$ 29,53), Bradesco ON (-1,71%; R$ 13,25), Bradesco PN (-1,86%; R$ 14,75), Banco do Brasil (-1,47%; R$ 27,50) e Itaú (-1,21%; R$ 35,93) ficaram no vermelho.

… Papéis sensíveis ao ciclo econômico, como Magazine Luiza (-7,26%; R$ 10,35) e CVC (-6,97% R$ 1,87), também foram destaques negativos.

… Metálicas recuaram, em linha com o minério de ferro (-1,21% em Cingapura). Vale caiu 1,51%, a R$ 57,35. Maior desvalorização do pregão, CSN registrou -7,63%, a R$ 11,13.

… Petrobras ON fechou estável em R$ 39,70 e Petrobras PN (-0,03%) em R$ 36,26, melhores que a queda de 0,52% no Brent/nov, a US$ 74,49.

… Entre as poucas altas do dia estiveram Raízen (+2,28%), Embraer (+1,60%) e TIM (+1,30%).

RECALIBRAGEM – Numa 6ªF de agenda vazia, investidores em NY realizaram algum lucro depois do rali pós-Fed. Visões divergentes de dois membros do Fomc contribuíram para a dose de cautela sobre os próximos passos.

… Enquanto Christopher Waller deu indicações dovish, Michelle Bowman, única dissidente da decisão de 4ªF passada que chancelou o corte ‘jumbo’ de juros e se disse desconfortável com a postura agressiva do Fed.

… Em entrevista à CNBC, Waller afirmou que foram os dados favoráveis ​​de inflação que o convenceram a apoiar a decisão de uma baixa de 50pb nos fed funds.

… Disse ainda que se a economia se deteriorar, ou a inflação cair mais rapidamente, ficará confortável com mais um relaxamento monetário mais agressivo.

… Já Bowman acha que há risco de que a ação mais recente do Fed possa ser interpretada como uma declaração prematura de vitória no mandato de estabilidade de preços. A inflação, disse ela, ainda é uma preocupação.  

… Patrick Harker (Filadélfia), que não vota no Fomc, reiterou que o próximo movimento dependerá da evolução dos dados, mas alertou que o Fed não vai reagir a leituras individuais de indicadores.

… Ainda há a questão do pouso suave, que segue gerando dúvidas. Cético em relação a essa possibilidade, o CEO do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, vê muita incerteza pela frente, inclusive sobre as eleições nos EUA.

… Seja como for, a ferramenta FedWatch, da CME, indicava 51,4% no fim da tarde de 6ªF chances de um corte de 50pb pelo Fed em novembro.

… Único a fechar positivo, o Dow Jones subiu 0,09%, aos 42.063,36 pontos, o suficiente para renovar pelo segundo dia seguido o recorde de fechamento.

… S&P 500 recuou 0,19% (5.702,55) e Nasdaq caiu 0,36% (17.948,32). Houve volatilidade acima do normal por causa do “quadruple witching”: vencimento de opções de ações, opções de índices, futuros de índices e futuros de ações.

… Na semana, os índices acumularam ganhos de, respectivamente, 1,62%, 1,36% e 1,49%.

… No mercado de Treasuries, os retornos ficaram sem direção única. O da note de 2 anos, mais influenciado pelas decisões de política monetária, teve uma baixa bem discreta, a 3,584% (de 3,581% no dia anterior).

… O da note de 10 anos avançou a 3,731% (de 3,711%) e o do T-bond de 30 anos subiu a 4,078% (de 4,047%).

… Entre as moedas, o euro ficou estável (+0,02%), em US$ 1,1167, e a libra subiu 0,29%, a US$ 1,3319.

… Mas o dólar avançou forte sobre o iene (-0,88%, a 143,911/US$), após Kazuo Ueda dizer que não tem pressa para elevar mais o juro. É preciso mais tempo para observar como a economia vai absorver o aperto já feito, disse ele.

… Com isso, o índice DXY, que mede a variação da moeda americana ante uma cesta de pares, fechou em alta de 0,11%, a 100,723 pontos. Mas na semana teve baixa de 0,39%.

EM TEMPO… VALE informou, por fato relevante, que o Conselho de Administração aprovou a data de 1º de outubro para início do mandato do próximo presidente, Gustavo Pimenta…

… Dessa forma, o mandato de Eduardo Bartolomeo será encerrado no próximo dia 30 de setembro…

… Colegiado também aprovou a nomeação, em caráter interino, de Murilo Muller, atual diretor global de Controladoria, para a posição de vice-presidente executivo responsável pelas áreas de Finanças e RI…

… Ainda foram aprovadas as indicações de dois executivos para os assentos vagos no conselho: os economistas Heloisa Belotti Bedicks e Reinaldo Castanheira Filho…

… Mineradora, BHP, Samarco, juntamente com entes públicos, pediram que a Justiça suspendesse todas as ações coletivas relacionadas ao desastre de Mariana (MG), em sinalização de que um acordo está perto de se concretizar…

… O juiz federal substituto Vinicius Cobucci, da 4ª Vara Federal Cível e Agrária de Belo Horizonte, analisou quatro ações “guarda-chuva” e concordou com a suspensão de duas delas.

PETROBRAS. Magda Chambriard se reuniu com o ministro de Petróleo e Gás Natural da Índia, Hardeep Singh Puri, e sua comitiva para discutir possibilidades de cooperação entre as empresas, mas nenhuma decisão foi tomada…

… Ainda no noticiário da estatal, uma plataforma da companhia localizada na Bacia de Campos (RJ) sofreu uma inclinação acidental durante a realização de uma manobra de estabilidade, no início da tarde do sábado…

… Petroleira informou que a estrutura está estável e em segurança, que não houve feridos e que uma comissão foi instalada para investigar as causas da ocorrência.

BANCO DO BRASIL está levantando em torno de R$ 5 bilhões em uma nova rodada de captações em NY para financiar a agenda de sustentabilidade no Brasil (Estadão)…

… Dos recursos levantados, US$ 800 milhões serão captados junto à Agência Multilateral de Garantia de Investimentos (MIGA), do Banco Mundial; recursos devem ser destinados ao financiamento climático.

… BB também levantou US$ 50 milhões com o Citi, em NY, para emprestar para projetos sustentáveis no Brasil…

… É a primeira vez que dois bancos, um americano e um brasileiro, se unem em linha de financiamento que prevê juros menores caso compromissos da agenda ESG sejam alcançados…

… No mercado de capitais, essa operação é chamada de “sustainability linked loans”.

BRASKEM informou que o leilão a ser realizado até o fim desse mês envolve ativos mapeados em 2018 e 2019 que foram descomissionados…

… Trata-se de equipamentos que não estão sendo usados em função de modificações de projeto que otimizaram as operações da companhia.

AZUL. Moody’s rebaixou rating da empresa para Caa2; perspectiva mudou para negativa.

EMBRAER. Fitch elevou a empresa de BB+ para BBB-, primeira nota da escala de grau de investimento…

… Gestora Brandes reduziu participação na companhia de 14,96% para 9,99% do capital social.

SANEPAR. Acciona, Iguá e Saneamento Consultoria (grupo formado por Aegea, Perfin e Kinea) foram os vencedores dos três lotes ofertados no 2º leilão de parcerias público-privada (PPP) para serviços de esgotamento sanitário…

… Além das vencedoras, os consórcios GS Inima-Traçado e Sacyr-Cembra Águas do Paraná participaram das disputas.

GAFISA. M Asset elevou participação na companhia de 9,52% para 16,49% do capital social.

HYPERA. Capital Research and Management reduziu participação na companhia de 5,24% para 4,99% do capital social, passando a deter 31.570.147 de ações ON.

LOCALIZA aprovou a distribuição de R$ 423,8 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,3995 por ação, com pagamento em 14/11; ex em 26/9.

XP. AGE aprovou a prestação de aval para a 4ª emissão de notas comerciais escriturais, em série única, no valor de R$ 1 bilhão.

AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!

*com a colaboração da equipe do BDM Online

AVISO – Bom Dia Mercado, produzido pela Mídia Briefing, não pode ser copiado e/ou redistribuído.

Fiscal ganha destaque com relatório bimestral

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*

[20/09/24]

… O BC chinês (PBoC) manteve inalteradas as taxas básicas de empréstimos (LPRs) de 1 ano (3,35%) e 5 anos (3,85%) e também o BoJ optou por deixar o juro estável, em 0,25%, preferindo adiar um aperto monetário. Do lado do BCE, Lagarde participa de painel em Washington (12h), depois de ter sinalizado que um corte do juro em dezembro é mais provável. Nos EUA, é dia de vencimento triplo nas bolsas em NY (triple witching), o que deve acentuar a volatilidade, em meio à euforia com o Fed. Aqui, o DI pressiona o Copom a acelerar a dose de aperto da Selic para enfrentar a inflação desancorada e ruídos fiscais. O governo divulga hoje o quarto relatório bimestral de receitas e despesas.

… Ao Broadcast, o secretário do Tesouro, Rogério Ceron, disse que o documento consolidará “de vez” o cenário de cumprimento da meta fiscal, “ainda que mais próximo do limite inferior” (tolerância de 0,25 pp em relação ao PIB).

… Questionado sobre como as frustrações com as receitas do Carf serão cobertas, ele manteve o suspense e afirmou que as explicações serão dadas pela equipe econômica hoje de forma “serena” na divulgação do relatório.

… Disse também que mantém a “aposta” de que não há no horizonte uma pressão de despesas obrigatórias (como aposentadorias) tão relevante que obrigue o governo a bloquear um valor expressivo do orçamento neste momento.

… “[Valor] Não elevado significa algo mais próximo de R$ 5 bilhões do que de R$ 10 bilhões”, explicou.

… Ceron disse que a publicação vai incorporar a compensação recém aprovada para desoneração da folha (cuja renúncia já estava integralizada no relatório de julho) e a revisão para cima no PIB do ano pela Fazenda (para 3,2%).

… “Há outras medidas que podem ser incluídas aí [no relatório bimestral], como dividendos. Tem um pacote lá.”

… Dias atrás, integrantes da equipe econômica anteciparam ao Estadão que fatores novos podem compensar as frustrações e que R$ 10 bilhões em dividendos extraordinários do BNDES seriam incluídos no relatório bimestral.

… Há pouco mais de uma semana, Ceron também havia dito que, se fosse necessário para fins de cumprimento da meta de resultado primário, o governo apresentaria medidas adicionais de receitas no novo relatório bimestral.

 … O mercado suspeita que o cobertor é curto e que as fontes de receitas extraordinárias listadas pela equipe econômica para garantir o cumprimento do déficit zero têm gerado arrecadação muito menor do que a esperada.

… A quatro meses do fim do ano, as medidas com maior potencial arrecadatório, como a retomada do voto de qualidade do Carf e as transações tributárias, tiveram desempenho muito inferior ao que era projetado.

… Segundo o Infomoney, o governo já precifica nova negociação com Congresso sobre as desonerações da folha em 2025, já que as medidas de compensação aprovadas não representam o “pacote dos sonhos” da equipe econômica.

… O governo entende que o nível de arrecadação não responderá como espera o Congresso em 2025 e 2026.

… A avaliação é de que há grandes chances de frustração de receitas com medidas como a nova rodada de repatriação de recursos mantidos no exterior e a própria regularização de bens imobiliários.

… O acordo celebrado entre o governo Lula e o Congresso sobre a desoneração da folha de pagamento tem sido tratado por integrantes da equipe econômica como o entendimento “possível”.

… Internamente, a avaliação é de que a sanção com vetos das novas regras, com medidas de compensação para a renúncia de receitas, não evitará a necessidade de novas negociações em um futuro próximo.

ABRIU A PORTEIRA – Em meio ao quadro de fragilidade fiscal, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, disse que novos créditos extraordinários serão liberados pelo governo federal para auxiliar o combate aos incêndios nos Estados.

… Em um primeiro momento, o governo federal já liberou R$ 514 milhões para o combate às queimadas.

… Questionado sobre qual seria o valor dos próximos créditos, o ministro respondeu que depende da demanda dos governadores, mas sinalizou a intenção do governo de atender aos pedidos. “Tudo que for necessário será liberado.”

… Os créditos extraordinários podem ser abertos para demandas consideradas urgentes e imprevisíveis e ficam fora da meta fiscal, por autorização do ministro Flavio Dino (STF), e fora do limite de gastos do novo arcabouço fiscal.

HORÁRIO DE VERÃO – Em meio à seca de proporções históricas no Brasil, o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) recomendou nesta 5ªF ao Ministério de Minas e Energia (MME) a volta do horário de verão.

… A orientação agora será debatida por outros órgãos do governo, mas se for implementada, não virá antes das eleições (27/10). O ministro Alexandra Silveira disse que um definição deve sair em dez dias. Depende de Lula.

… Pelos cálculos do MME, a economia potencial com o eventual retorno do horário de verão seria de R$ 400 mi.

MAIS AGENDA – Já com o mercado fechado, Haddad palestra (18h30) na USP sobre desafios da economia. Nos EUA, o Fed boy Patrick Harker fala em evento (15h). Baker Hughes informa às 14h os poços de petróleo em operação.

VAI PRA CIMA – O mercado nem quis saber de esperar a ata do Copom (3ªF) para já ir colocando o BC na parede para uma aceleração do ritmo de cortes da Selic daqui para frente. Meio ponto em novembro vira piso na curva.

… Esta probabilidade já está mais do que consolidada (80%) e divide espaço agora com a dose de 0,75 pp (20%), diante da percepção entre os investidores de um ciclo total de 2pp de alta da Selic para acomodar a inflação.

… Com o comunicado do Copom, que não aliviou a barra, os juros futuros superaram os 12% ontem em toda a extensão do DI, que ignorou o alívio do dólar e ainda embutiu certa cautela antes do relatório fiscal da Fazenda.

… O DI Jan26 deu um salto de 280pb, a 12,050% (de 11,769% na véspera), enquanto os mais longos subiram menos. Jan27 foi a 12,010% (11,816%); Jan29, 12,080% (11,958%); Jan31, 12,090% (11,982%); e Jan33, a 12,060% (11,967%).

… Pesquisa feita pelo Broadcast mostrou que, depois do comunicado hawk do Copom, a maioria – 23, ou 56%, de 41 instituições – espera alta de 50pb do juro em novembro.

… Outras 18 casas (44%) preveem 25pb na próxima reunião. Já a mediana para a Selic no fim deste ano caminhou de 11,25% para 11,75%. Para o fim de 2025, a mediana se manteve em 10,50%.

… No primeiro trimestre de 2026 – horizonte relevante do BC – a mediana do juro básico passou de 9,75% para 10%.

… Para o JPMorgan, o Copom vai elevar a Selic em 25pb por reunião até atingir 11,50%, mas a depender dos próximos IPCAs, o aperto pode ser maior.

… O banco nota que o câmbio e gestão da política fiscal serão cruciais para o balanço de riscos e apostas de inflação.

… Logo no início dos negócios ontem, o dólar à vista tocou a mínima na casa dos R$ 5,39 (em R$ 5,3958), já que era mesmo esperada uma apreciação do câmbio depois dos movimentos de Fed e Copom.

… Ao longo da sessão, a moeda se recompôs parcialmente, mas ainda fechou com baixa de 0,69%, a R$ 5,4242, na sétima sessão consecutiva de valorização do real.

… Marcelo Vieira, head da mesa de renda variável da Ville Capital, vê o dólar caindo a R$ 5,30/5,20 por causa do diferencial entre juros brasileiros e americanos, que deve atrair fluxo gringo.

… Mas as contas públicas desafiadoras podem atrapalhar a festa, diz ele. “A questão fiscal vem mostrando desdobramentos preocupantes com práticas obscuras por parte do governo”, disse Vieira ao Broadcast.

… Até por isso, a arrecadação federal recorde em agosto (R$ 201,6 bilhões) não fez preço ontem.

O COPOM MEIO VAZIO – Apesar da promessa de que a Selic em patamares competitivos fique atraente ao k estrangeiro, trazendo dinheiro para cá, o Ibov sentiu o baque da pressão dos juros futuros no day after do Copom.

… Assim, nem as altas firmes do minério de ferro (+1,69%) e petróleo (Brent/nov, +1,67%, a US$ 74,88) conseguiram impedir que o índice à vista da bolsa doméstica registrasse a terceira queda seguida, descolado da euforia em NY.

… O Ibovespa caiu 0,47%, a 133.122,67 pontos, na mínima do dia, com volume de R$ 21,9 bilhões. Hoje, o giro de negócios pode ser reforçado pela volatilidade entre comprados e vendidos no exercício das opções sobre ações.

… Bancos caíram em bloco: Bradesco PN (-1,38%; R$ 15,03), Bradesco ON (-1,03%; R$ 13,48), Banco do Brasil (-1,20%; R$ 27,91), Santander (-0,72%; R$ 30,18) e Itaú (-0,27%; R$ 36,60).

… Vale subiu 1,20% (R$ 58,23). Acionista da companhia, Bradespar registrou +0,81% (R$ 18,70). Outras metálicas também foram bem, na esteira do minério: CSN Mineração, +1,26% (R$ 6,41); e CSN, +1,35% (R$ 12,05).

… Petrobras ficou sem direção, com o papel ON em queda de 0,30%, a R$ 39,70, e o PN em alta de 0,33%, a R$ 36,27. Prio teve a terceira maior valorização da sessão, com +1,90%, a R$ 44,01.

… Brava Energia recuou 9,40%, a R$ 18,89, reagindo ao anúncio da companhia de que a retomada da produção no campo de Papa Terra só deve ocorrer em dezembro.

EUFORIA – Um dia depois da reação morna ao corte de 50pb nos juros, o mercado resolveu surfar na postura agressiva do Fed, na expectativa de que o BC americano vai ser capaz de induzir um pouso suave da economia.

… O recado de Powell na 4ªF dizendo que os 50pb não são tendência continuou a ser desafiado pelas apostas no FedWatch, que apontam um orçamento total de -125pb em 2024.

… Contribuiu para animação do dia a inesperada queda nos pedidos de auxílio-desemprego, para o menor nível desde maio, sinalizando que o mercado de trabalho continua saudável, apesar da desaceleração nas contratações.

… Foram 219 mil pedidos, 12 mil a menos que na semana anterior e abaixo dos 230 mil estimados. Com o mercado de trabalho no foco do Fed, os números de emprego continuarão a calibrar as expectativas para os fed funds.

… Em dia de altas expressivas, o Dow Jones alcançou pela primeira vez os 42 mil pontos (+1,26%, aos 42.025,45) e o S&P 500 estreou os 5.700 (+1,70%, aos 5.713,67), marcando o 39º recorde de fechamento em 2024.

… De novo, as techs lideraram e o Nasdaq (+2,51%) voltou à marca de 18 mil pontos (18.013,98). Tesla disparou 7%, Apple, Meta e Nvidia subiram em torno de 4%, AMD saltou 6% e Alphabet, 1,5%.

… Historicamente, o mercado de ações tem boa performance em períodos posteriores a corte de juros e numa economia sem recessão. “Desta vez não deve ser diferente”, disse Solita Marcelli (UBS Global WM) à Bloomberg.

… O cenário base do UBS WM é que o S&P 500 alcance 5.900 pontos até o fim deste ano e avance a 6.200 até junho de 2025. As techs devem continuar a liderar o índice.

… Ainda sob o peso da decisão do Fed, o retorno da note de 2 anos caiu a 3,587% (de 3,6192% na véspera). Mas os Treasuries longos avançaram.

… O juro da note de 10 anos subiu a 3,721% (de 3,701%) e o do T-bond de 30 anos avançou a 4,054% (4,024%), de olho nos dados do auxílio-desemprego.

… No câmbio, o dólar ganhou terreno ante o iene (142,644/US$) antes da decisão do BoJ. A libra avançou bem  (+0,76%, a US$ 1,3280), depois de o BoE manter o juro em 5%, como esperado.

… No comunicado da decisão, o BC britânico avisou que a taxa básica deve seguir restritiva por “tempo suficientemente longo”, até que a inflação dê mostras que vai chegar à meta de 2%.

… Cauteloso, Andrew Bailey disse que o BoE não pode cortar o juro rápido demais.

… O euro também subiu (+0,55%), a US$ 1,1164. O DXY ficou praticamente estável (+0,04%), a 100,639 pontos.

EM TEMPO… VALE confirmou que negociações sobre acordo para compensação do desastre de Mariana estão avançadas e espera chegar ao fim do processo de mediação em outubro.

BRADESCO aprovou a distribuição de R$ 2 bilhões em JCP intermediários, o equivalente a R$ 0,1795 por ação ON e R$ 0,1975 por ação PN, com pagamento até 30/4/25; ex em 1º/10…

… O vice de tecnologia do banco, Rogério Câmara, vai para conselho do banco; Câmara substituirá Milton Matsumoto, que se aposenta após 67 anos.

B3 aprovou a distribuição de R$ 326 milhões em JCP (R$ 0,0512 por ação) e de R$ 190 milhões em dividendos (R$ 0,0351 por ação), com pagamento em 7/12; ex em 25/9.

LOJAS RENNER aprovou a distribuição de R$ 161,3 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,1687 por ação, com pagamento em 8/10; ex em 25/9.

MULTIPLAN informou que venda de 18,52% da participação da Ontario (OTPP) no capital social vai à AGE em 21/10.

FRIGORÍFICOS. JPMorgan revisou as estimativas de Ebitda para BRF e JBS em 2024; banco citou a expectativa positiva em relação ao desempenho no 2º semestre, especialmente no 3TRI…

… Estimativa para o Ebitda da BRF em 2024 foi elevada em 6%, para R$ 11 bilhões; com isso, o preço-alvo para dezembro de 2025 foi ajustado para R$ 30 por ação…

… No caso da JBS, a estimativa subiu para R$ 35,5 bilhões, 8% acima do consenso do mercado; banco manteve o preço-alvo de R$ 43 por ação para dezembro de 2025.

AGROGALAXY informou em fato relevante que foi suspenso o segredo de justiça no âmbito da recuperação judicial.

EQUATORIAL. Conselho de Administração elegeu ontem Eduardo Parente Menezes para assumir a presidência do colegiado, após a renúncia de Carlos Augusto Leone Piani, que agora é diretor-presidente da Sabesp.

ENERGISA. Consumo de energia subiu para 3.430 GWh em agosto, aumento de 4% ante o mesmo mês de 2023.

COPEL. Copel Geração e Transmissão fará a 9ª emissão de debêntures, no valor de R$ 1,6 bilhão.

VIBRA ENERGIA corrigiu valor a ser pago por ação na distribuição de JCP anunciada ontem; valor passou de R$ 0,2341 para R$ 0,2349; total permanece em R$ 262 milhões; pagamento será realizado até 30/12/25.

BRAVA ENERGIA. Citi tem recomendação de compra para a ação da empresa, com preço-alvo de R$ 50; banco disse que foi exagerada a reação negativa do mercado por conta da interrupção na produção no campo Papa Terra.

GRUPO MATEUS vendeu quatro imóveis para o fundo de investimentos imobiliários TRX Real Estate por R$ 122,8 milhões; imóveis estão localizados em Russas (CE), São Luís (MA), Ananindeua (PA) e Marituba (PA).

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