Demora em acordos comerciais desanima

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*

[06/05/25]

… Novos índices PMI de Serviços da atividade global serão divulgados hoje na Alemanha, Zona do Euro e no Reino Unido, após o dado dos EUA medido pelo ISM ter surpreendido com alta de 50,8 em março para 51,6 em abril, reduzindo ainda mais as expectativas de corte antecipado do juro americano. Na China, o PMI/Caixin de Serviços, divulgado ontem à noite, caiu para 50,7 (51,9 em abril) – em mais uma evidência do impacto das tarifas na economia do país. Na agenda em NY, a balança comercial de março (9h30) desperta interesse pelo desempenho das importações, que derrubaram o PIB/1Tri. Aqui, o PMI da S&P Global (10h) é o único indicador previsto. No calendário de balanços: Embraer (antes da abertura), Prio, Carrefour, Raia Drogasil, Vibra, Odontoprev, Vamos e JSL, depois do fechamento. E, em NY, AMD e Super Micro Computers, à noite.

… A semana começou com a aversão ao risco dominando o ambiente dos negócios em reação à demora nos acordos comerciais que estão sendo negociados pelos EUA com seus parceiros e à falta de progressos nas negociações com China.

… Nesta 2ªF, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, reconheceu que Pequim ainda apresenta resistência.

… “Estamos muito próximos de fechar alguns acordos comerciais, alguns talvez ainda nesta semana. Estou confiante de que 17 parceiros comerciais apresentaram propostas comerciais muito boas, excluindo a China”, disse ele em entrevista à CNBC.


… Bessent foi cauteloso sobre a chance de avanços nas conversas com os chineses, admitindo que eles ainda não ofereceram nada de concreto, ao mesmo tempo em que cobrou medidas contra o tráfico de precursores de fentanil. “Isso precisa parar.”

… De seu lado, Trump continua afirmando que a China “quer muito fazer um acordo com os EUA”, enquanto se ocupa das confusões que lançou agora na indústria cinematográfica, anunciando sua intenção de impor tarifa de 100% aos filmes estrangeiros.

… Em sua rede social, o presidente classificou os incentivos para cineastas americanos que produzem seus filmes fora dos EUA como uma “ameaça à segurança nacional”, afirmando que Hollywood está “MORRENDO”. “QUEREMOS FILMES FEITOS NA AMÉRICA!”

… Nas bolsas, as ações da Netflix, Paramount, Warner e outras empresas de entretenimento caíram, acentuando o mal-estar geral, antes que a Casa Branca dissesse que ainda não tem nada certo e Trump se dispusesse a conversar com a indústria do cinema.

… Outra investida veio no final do dia, quando o presidente assinou ordem executiva para reduzir as barreiras à fabricação de produtos farmacêuticos nos EUA. Trump promete anunciar medidas relacionadas ao custo dos medicamentos na próxima semana.

… Por ora, orientou a FDA a melhorar a fiscalização da fonte de ingredientes farmacêuticos ativos por produtores estrangeiros.

… Nos mercados, a forte queda dos preços do petróleo, após a Opep+ decidir aumentar o ritmo de produção em junho, adicionando mais 411 mil barris por dia aos níveis já elevados anunciados para maio, foi o principal driver dos pregões.

… Os contratos futuros da commodity apenas saíram das mínimas em meio a tensões geopolíticas, quando Israel anunciou um plano para capturar toda a Faixa de Gaza, ao mesmo tempo que realizava ataques no Iêmen em retaliação aos Houthis.

… Enquanto o dólar se enfraquecia no exterior, o câmbio dos emergentes se desvalorizou com o tombo do petróleo. Já os juros, na véspera do Copom, ajustaram-se em alta, reagindo aos Treasuries e às notícias de que Lula prepara uma nova medida expansionista.

… Reportagem de O Globo apurou que o presidente negocia com a Caixa e o Banco do Brasil uma linha de crédito para os entregadores de aplicativo, em mais uma investida parafiscal que vai de encontro com o esforço da política monetária do BC (leia abaixo).

FED & COPOM – Os dados recentes da economia americana, com emprego ainda robusto e a atividade se sustentando, não só reduziram as chances de o Fomc sinalizar um corte do juro em junho como também influenciaram as apostas para a Selic.

… A curva de juros, que chegou a projetar a probabilidade de um ajuste de 25pbs no Copom, reforçou a expectativa majoritária de uma alta de 50pbs, com a Selic elevada a 14,75%. A zebra foi deslocada para 75 pontos-base com as tarifas e o cenário fiscal.

… A maioria dos economistas de mercado acredita que o BC não renovará o forward guidance, deixando junho em aberto para ter maior flexibilidade de ação. Uma parcela pequena dos analistas não descarta que o Copom possa indicar o fim do ciclo.

… Mais do que a decisão, o comunicado que acompanhará a reunião será determinante. Se a ideia do Copom for promover um ajuste residual em junho, o texto deverá ressaltar a persistência das pressões inflacionárias e das expectativas.

… O Copom tem mantido o seu balanço de riscos assimétrico, indicando que é mais provável que o IPCA fique acima das projeções. Uma mudança nesse equilíbrio poderia indicar menor disposição de um novo aumento da Selic em junho.

… Já no caso do Fed, é unânime a expectativa de que a taxa de juros permanecerá estável entre 4,25% e 4,50%. A dúvida é o tom que a mensagem adotará, e especialmente, o tom de Jerome Powell na entrevista que se seguirá à reunião.

… A queda de 0,3% no PIB/1Tri fortaleceu o argumento político em favor de um corte mais cedo do que o mercado espera, para julho. Mas outros dados da atividade e, principalmente, o payroll forte afastaram o risco de recessão e da queda antecipada do juro.

… A CEO do Citigroup, Jane Fraser, disse que os sinais econômicos conflitantes, com folhas de pagamento fortes e um fraco sentimento do consumidor, estão tornando o trabalho dos formuladores de políticas do Fed bastante complicado.

… “Está muito difícil para o Fed agora por causa dessa desconexão entre dados concretos e dados intangíveis”, disse ela em uma entrevista à Bloomberg TV, nesta 2ªF, na Conferência Global do Milken Institute em Los Angeles.

… Para Fraser, a análise final da política tarifária do governo Trump será fundamental para determinar a extensão das consequências. “Se for uma tarifa de 10%, será mais fácil de absorver. Se for de 25% ou mais, isso terá ramificações mais relevantes.”

HADDAD – Em painel da conferência anual do Milken Institute, o ministro disse nesta 2ªF que o Brasil vai consolidar uma compreensão de que o potencial de crescimento da economia doméstica não é menor do que 3%.

… “Nós já fizemos o FMI reconhecer que o nosso potencial saiu de 1,5% para 2,5%, e tenho certeza de que, ao final do mandato de Lula, o mundo vai estar convencido de que o Brasil pode crescer a uma taxa mínima de 3%.”

… Haddad citou como exemplo de projeto do governo para consolidar esse entendimento o Plano de Transformação Ecológica, que tem entre suas ações a construção do mercado regulado de carbono, para o qual o Brasil se prepara para uma inserção internacional.

… Sobre a relação com os Estados Unidos, o ministro disse que o Brasil tem interesse em se aproximar mais do governo Trump, como fez durante a administração de Joe Biden, porque existem complementaridades importantes entre as economias americana e brasileira.

… Haddad disse ainda que o Brasil terá condições de colocar uma agenda mais ambiciosa da causa ambiental na COP30, neste ano.

… Hoje, o ministro Fernando Haddad participa na Califórnia de mesa redonda organizada pela Amcham Brasil com investidores estrangeiros sobre IA, a partir das 13h (hora de Brasília). A volta ao Brasil está prevista para depois de amanhã, 5ªF.

BRASÍLIA – O presidente Lula inicia hoje nova viagem internacional, embarcando para a Rússia e, em seguida, para a China. Em Moscou, ele participa da comemoração pela vitória da URSS sobre a Alemanha nazista e se encontrará com Vladimir Putin.

… Em Pequim, Lula terá encontro com o presidente Xi Jinping. Antes de embarcar, Lula se reúne hoje, às 15h, com ministros para discutir o escândalo do INSS.

FRAUDES NO INSS A deputada Coronel Fernanda (PL) afirma ter conseguido 182 assinaturas para permitir a abertura da CPI na Câmara.

… No Globo, o presidente do INSS, Wolney Queiroz (PDT), foi um dos cinco deputados autores da emenda aprovada pelo Congresso em 2021 que aumentou de um para três anos o prazo de validação da entidade recebedora dos descontos dos benefícios.

… Em entrevista à Globonews, Gilberto Waller Júnior disse que o presidente Lula pediu agilidade no pagamento às vítimas da fraude.

ISENÇÃO DO IR – Deve ser instalada hoje a Comissão Especial do projeto que isenta do Imposto de Renda quem recebe até R$ 5 mil/mês, em acordo com a Câmara, após o governo retirar a urgência constitucional da matéria, que venceu no dia 3, e trancaria a pauta.

… A previsão da cúpula da Câmara é de que o projeto seja votado no plenário somente no início do segundo semestre deste ano.

AFTER MARKET – Mais uma montadora a sentir o drama das tarifas de 25% sobre veículos e peças importados, a Ford caiu 2,5% no pregão estendido, após suspender a projeção financeira (guidance) para o ano inteiro.

… A empresa alega incertezas quanto ao impacto da política protecionista de Trump e calcula que pode perder US$ 1,5 bilhão do lucro ajustado antes de impostos por causa da batalha comercial dos EUA contra o mundo.

… A Ford informou lucro líquido de US$ 471 mi no 1Tri, queda acentuada de 64% contra um ano antes. A receita diminuiu de US$ 42,8 bi para US$ 40,7 bi e o lucro ajustado antes de impostos caiu de US$ 2,8 bi para US$ 1 bi.  

… Ainda a Mattel, fabricante da Barbie, retirou o guidance de vendas para o ano, citando os impactos das tarifas sobre os brinquedos importados e a volatilidade macroeconômica dos EUA. O papel caiu 0,56% no after hours.

MAIS AGENDA – A leitura final de abril do PMI/S&P Global composto será divulgada na Alemanha (4h55), zona do euro (5h) e Reino Unido (5h30). Nos EUA, Scott Bessent testemunha perante um painel da Câmara, às 11h.

FERIADO – Mercados permaneceram fechados hoje no Japão, em comemoração ao Dia do Verde, mas à noite (21h30 de Brasília) será divulgado o PMI de Serviços de abril no país, que em março ficou no limite do território de contração, em 50,0.

O COPO MEIO VAZIO – Baixado o entusiasmo com o payroll, que esvaziou o risco de recessão, NY leu ontem os dados mais fortes do setor de serviços pela perspectiva de que as tarifas estão produzindo pressão inflacionária.

… O PMI/ISM (51,6) subiu em abril pelo décimo mês seguido, superou o esperado (50,2) e registrou salto no subíndice de preços. O mesmo indicador medido pela S&P Global (50,8) veio melhor que o consenso de 51,4.

… As evidências de uma economia mais aquecida fortalecem a aposta de que o Fed pode esperar até julho para relaxar a política monetária, contrariando a cobrança urgente de Trump, que quer um corte de juro para ontem.

… A perspectiva de que as taxas ficarão onde estão por mais tempo sustentou os rendimentos dos Treasuries. O yield da Note-2 anos subiu a 3,834%, de 3,826% no pregão anterior, e o de 10 anos foi a 4,336%, de 4,305%.

… Além disso, também continuou repercutindo a falta de progressos comerciais entre Washington e Pequim.

… O S&P 500 interrompeu o rali de nove altas consecutivas e ensaiou correção, recuando 0,64%, a 5.650,38 pontos. O Dow Jones caiu 0,24%, para 41.218,83 pontos, e o Nasdaq perdeu 0,75%, a 17.844,24 pontos.

… Depois de Trump escolher Hollywood como a nova vítima da guerra comercial, as empresas de streaming acusaram o golpe: Netflix caiu 1,95%; Amazon recuou 1,91%; Apple, -3,15%, Warner, -1,99%; e Paramount, -1,57%.

… Com o anúncio da aposentadoria de Warren Buffett, as ações da Berkshire Hathaway afundaram 5,0%.

… No setor de energia, Chevron (-2,2%) e Exxon Mobil (-2,8%) sentiram a liquidação do petróleo, após a Opep+ ter acelerado o ritmo de produção para junho, agravando a preocupação de muita oferta para pouca demanda.

… No pior momento, o barril do Brent para julho chegou a ser negociado abaixo de US$ 60, despertando especulações de que possa voltar à faixa dos US$ 50. No fechamento, caía 1,73%, negociado a US$ 60,23.

… Dois grandes bancos passaram a projetar petróleo mais barato este ano após a ofensiva da Opep+. Goldman Sachs cortou a estimativa para o Brent de US$ 60 para US$ 56 e o Morgan Stanley, de US$ 62,50 para US$ 57,50.

NO PISO – Três fatores combinados derrubaram as ações preferenciais da Petrobras ao menor valor do ano.

… Além do efeito Opep+, o BofA cortou o preço-alvo dos papéis PN de R$ 48 para R$ 46e a Petrobras anunciou que vai reduzir o preço do diesel nas refinarias em 4,66%, ou R$ 0,16 por litro. É a terceira redução consecutiva.

… A decisão indica uma trajetória de convergência entre os preços domésticos e internacionais, avalia o Goldman Sachs. O diesel vendido pela Petrobras segue cerca de um dígito acima da referência externa.

… Já os preços da gasolina estão 10% mais altos do que no exterior, segundo os analistas do banco.

… Petrobras PN levou um tombo de 3,73%, a R$ 29,66, e ON também foi mal: -2,81%, a R$ 31,77, comprometendo o desempenho do Ibov (-1,22%, aos 133.491,23 pontos), também afetado pelos frigoríficos.

… O surto de gripe aviária nos EUA eleva o risco de restrição às exportações do setor. Marfrig caiu 3,84%; BRF, -4,54%; e JBS, -2,79%. Em semana de balanços, Itaú recuou 1,86% (R$ 34,81) e Bradesco PN, -0,97% (R$ 13,29).

… Vale ON (+0,30%, a R$ 52,96) subiu pouco, sem a referência do minério de ferro, com a China em feriado.

… Cogna ON (+8,81%) e Yduqs ON (+2,13%) operaram embaladas pela volta dos rumores de fusão.

… SmartFit (+0,71%) e Direcional (+0,44%) subiram em dia de estreia na carteira teórica do Ibovespa, válida até 31 de agosto. Por outro lado, LWSA e Automob, que deixaram o índice, caíram 2,50% e 3,57%, respectivamente.

… Sendo o Brasil um produtor de commodities, a fraqueza do petróleo não caiu bem para o real, o que levou o dólar a se aproximar da marca de R$ 5,70, cotado no fechamento dos negócios a R$ 5,6899, em alta de 0,62%.

… Lá fora, o índice DXY (-0,20%, para 99,831 pontos) foi abalado pela percepção de que Trump não para de comprar briga. O euro subiu 0,19%, a US$ 1,1320, a libra ganhou 0,24%, a US$ 1,3294, e o iene foi a 143,84/US$.

… Às vésperas do Copom, a curva do DI registrou alta moderada, especialmente no miolo e na ponta longa.

… Os juros futuros pegaram carona no dólar mais caro e na alta dos juros dos Treasuries, e ainda operaram de olho na possível nova cartada populista do governo Lula, que estaria preparando incentivos aos motoboys.

… Seria uma forma de o presidente se aproximar deste público, pensando nos cálculos eleitoreiros para 2026.

… No fechamento, o DI para Jan/26 subia a 14,725% (de 14,675% no pregão anterior); Jan/27, a 14,050% (de 13,955%); Jan/29, a 13,690% (de 13,605%); Jan/31, a 13,870% (de 13,800%); e Jan/33, a 13,890% (de 13,850%).

EM TEMPO… GPA reduziu prejuízo em 77% no 1Tri, para R$ 93 milhões. O Ebitda ajustado cresceu 9,9%, a R$ 409 milhões, e a receita líquida avançou 3,9%, atingindo R$ 4,7 bilhões.

GRUPO MATEUS lucrou R$ 318,6 milhões no 1TRI25, alta de 32,5% s/ 1TRI24. Receita líquida aumentou 12,9%, para R$ 8,3 bi, e Ebitda subiu 27,4%, para R$ 649,9 milhões.

PAGUE MENOS registrou lucro líquido ajustado de R$ 13,1 milhões no 1TRI25, revertendo prejuízo ajustado de R$ 23,1 mi um ano antes. Ebitda ajustado cresceu 55,2% na comparação anual, para R$ 150,3 milhões.

AZZAS. O conselho de administração aprovou um programa de recompra de ações ordinárias, que prevê a aquisição de até 10% das ações ordinárias em circulação de emissão da companhia.

TIM registrou lucro líquido de R$ 798 milhões no 1Tri, alta de 53,6%. O Ebitda normalizado aumentou 6,7% na comparação anual, para R$ 3,084 bilhões, e a receita operacional líquida cresceu 4,9% e totalizou R$ 6,394 bilhões…

… A companhia aprovou pagamento de R$ 300 milhões em JCP, a R$ 0,12 por ação; ex no próximo dia 22.

MOTIVA (ex-CCR) registrou lucro líquido ajustado de R$ 539 milhões no 1Tri, alta de 20,2% contra um ano antes. O Ebitda ajustado cresceu 14%, para R$ 2,3 bilhões, e a receita líquida ajustada atingiu R$ 3,7 bilhões (+7,2%).

AUTOMOTIVO. As vendas de veículos zero quilômetro registraram em abril queda de 5,5% na comparação com abril de 2024.

… Divulgado nesta 2ªF pela Fenabrave, o balanço está em linha com as previsões de desaceleração do setor, embora o volume mensal tenha sido o melhor do ano até agora, com crescimento de 6,7% ante março. Nos quatro primeiros meses de 2025, as vendas cresceram 3,4%.

… A previsão da Fenabrave é de crescimento de 5% das compras de veículos novos no Brasil neste ano, contra uma alta de 14% em 2024. Já a Anfavea, associação das montadoras, prevê crescimento de 6,3% das vendas de veículos neste ano.

SABESP. O conselho de administração autorizou a contratação de até US$ 600 milhões da segunda tranche do contrato de empréstimo de novembro de 2024 junto à International Finance Corporation (IFC), do Banco Mundial.

CEMIG informou que a gestora BlackRock passou a deter 10% das ações preferenciais emitidas pela companhia.

CPFL ENERGIA recebeu carta de renúncia de Karin Regina Luchesi aos cargos de diretora vice-presidente de Operações de mercado e de presidente do conselho de administração da CPFL Geração e CPFL Renováveis.

BANCO MASTER. Na Folha, negociações avançaram e linha de assistência do FGC deve ser aprovada esta semana. O BRB apresentou, na semana passada, nova documentação ao BC para compra de fatia do banco de Daniel Vorcaro…

… A aprovação da linha é considerada a primeira fase antes da análise final pelo BC da operação de compra do Master pelo BRB.

BB SEGURIDADE teve lucro líquido de R$ 1,995 bi no 1TRI25, alta de 8,3% s/ 1TRI24.

MCMV. A Caixa Econômica Federal começou nesta 2ªF a operação do crédito imobiliário da Faixa 4 do Minha Casa Minha Vida…

… A nova faixa é destinada às famílias de classe média, com renda mensal de até R$ 12 mil, tem juro nominal de 10% ao ano e prazo de pagamento de até 420 meses.

AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!

*com a colaboração da equipe do BDM Online

AVISO – Bom Dia Mercado, produzido pela Mídia Briefing, não pode ser copiado e/ou redistribuído.

Petróleo afunda em semana do Fed e Copom

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*

[05/05/25]

… A possibilidade de um acordo entre EUA e China e a decisão da Opep+ de aumentar a produção em 411 mil bpd, que afunda os preços do petróleo, trazem alívio ao cenário global de fundo na semana em que o Fomc e o Copom decidem sobre juros. Em NY, é unânime a expectativa de manutenção das taxas dos Fed Funds entre 4,25% e 4,5%, nesta superquarta, transferindo o suspense para a entrevista de Powell. Aqui, o BC volta a subir a Selic, em ajuste de menor magnitude já contratado. A dose do aumento não é consenso, embora a maioria acredite em meio ponto, com a taxa básica elevada a 14,75%. Outra dúvida é se o Copom vai sinalizar, ou não, o encerramento do ciclo de aperto. Na B3, ganha ritmo a temporada de balanços do 1Tri, com destaque esta semana para Itaú, Bradesco e Ambev.

… Em reunião antecipada para sábado, estava marcada para hoje, a Opep e aliados concordaram com um outro aumento significativo na produção, em meio a preocupações com o excesso da oferta e a demanda enfraquecida pela guerra comercial de Trump.

… Nos primeiros negócios, o petróleo de referência global Brent afundava perto de 4%, a US$ 58, enquanto o WTI se aproximava de US$ 56 e os futuros da bolsas de NY caíam acentuadamente.

… O aumento da produção em mais de 400.000 barris por dia surpreendeu o mercado pela magnitude, com o cartel triplicando o volume planejado para maio. Além disso, a Arábia Saudita alertou que novos aumentos de proporção semelhante podem ocorrer.

… Líderes do grupo, que tem à frente a Arábia Saudita e a Rússia, buscam punir os membros superprodutores, incluindo Cazaquistão, em uma mudança de estratégia que vem revertendo as restrições à produção e já havia provocado a queda dos preços.

… A nova política da Opep+ tornou o petróleo uma das commodities com pior desempenho em 2025.

… Na Bloomberg, Ajay Parmar, diretor de análise de petróleo da ICIS, disse que o aumento “simplesmente não pode ser absorvido”, que o crescimento da demanda está fraco, principalmente com a recente imposição de tarifas, tornando inevitável os preços mais baixos.

… Após a decisão da Opep+, o Morgan Stanley reduziu as previsões de preço para o barril do Brent para US$ 62,50 no 3Tri e no 4Tri/2025, US$ 5 abaixo da projeção anterior. “A oferta adicional aumenta o excedente de mercado que já modelamos”, disseram analistas.

… Trump, que tem viagem marcada ao Oriente Médio ainda este mês, pediu à Opep+ que aumente a produção e ajude a reduzir os preços da energia, enquanto a Arábia Saudita conta com o apoio de Washington para negociar um pacto nuclear com o Irã.

… A queda nos custos de energia, se sustentada, pode ser bem recebida pelos banqueiros centrais, incluindo o Fed, já que o petróleo mais barato reduzirá os preços do diesel e da gasolina, podendo compensar parte do impacto inflacionário esperado das tarifas.

… Neste domingo, em entrevista à NBC News, Trump voltou a pressionar para uma queda dos juros, mas descartou a intenção de demitir Powell. “Não, não, não. Por que eu faria isso? Eu terei a oportunidade de substituir essa pessoa em um curto período de tempo.”

… O presidente não perdeu a chance de dizer que Powell é um “completo teimoso” e só não reduz os juros porque “não é meu fã”.

… Sobre a China, Trump disse que está disposto a reduzir as tarifas “em algum momento”, porque as alíquotas estão tão altas que os dois países praticamente pararam de fazer negócios. Trump impôs tarifas de até 145% sobre a China e a Xi retaliou com tarifas de 125%.

… Na 6ªF, a China disse que avalia negociar a proposta dos EUA, mas exige “respeito e sinceridade”.

… Outra exigência de Pequim é que os Estados Unidos retirem as tarifas “unilaterais” implementadas, o que parece ser mais difícil, já que Trump não quer admitir que deu o primeiro passo ou foi quem cedeu na guerra comercial travada com os chineses.

… Ainda na entrevista, Trump reconheceu que foi “muito duro com a China”, mas disse que Pequim agora quer chegar a um acordo. “Eles querem muito fechar um acordo. Vamos ver como tudo isso vai acabar, mas tem que ser um acordo justo.”

… A Casa Branca está negociando acordos comerciais com mais de 15 países e afirma que o primeiro desses acordos deve sair em breve.

… A boa vontade em relação a um acordo com a China e a ajuda da Opep podem levar Powell a um discurso mais flexível, embora, na 6ªF, os dados ainda fortes do payroll (abaixo) tenham afastado as chances de uma queda do juro ser antecipada para junho.

… Powell havia telegrafado que o Fed agiria mais cedo se houvesse uma deterioração rápida do emprego, o que ainda não aconteceu.

… Aqui, o BC enfrenta o desafio da desancoragem das expectativas de inflação, da inflação vigente acima da meta e de um mercado de trabalho aquecido, em meio a medidas fiscais expansionistas do governo Lula, que ameaçam o esforço da política monetária.

… Alguns diretores do Copom sinalizaram a perspectiva do fim das altas da Selic, mas Gabriel Galípolo manteve o tom duro em sua última fala, afirmando que a expectativa de inflação no horizonte relevante (3Tri/26) ainda está bem longe do centro da meta.

MAIS AGENDA – A semana começa os índices do gerente de compras (PMIs) de Serviços e Compostos de abril. Hoje, nos EUA (10h45) e na China (22h45). Amanhã: Reino Unido, Zona do Euro, Alemanha, Japão e Brasil. Ainda nos EUA, sai hoje o ISM de Serviços (11h).

… Amanhã (3ªF), sai a balança comercial dos EUA em março, com interesse especial nas importações, que derrubaram o PIB no 1Tri.

… Na 4ªF, antes do Fed e do Copom, saem no Brasil os dados da produção industrial de março e a balança comercial de abril.

… Na 5ªF, é a vez do BoE da Inglaterra decidir sobre a taxa de juros, com a expectativa de corte pelo mercado. No Brasil, serão divulgados o IGP-DI de abril, o IPP de março e dados de produção e vendas de veículos da Anfavea de abril.

… Já na 6ªF, a China divulga os dados do comércio exterior no primeiro minuto do dia e da inflação no final da noite, enquanto aqui sairá o IPCA de abril. Nos EUA, seis Fed boys têm falas públicas agendadas, dois dias após a decisão do Fomc.

… Ainda hoje, o IPC-Fipe de abril (5h) e a pesquisa Focus (8h25), com as atualizações de IPCA, PIB, Selic e câmbio, abrem a agenda do dia.

HADDAD – O ministro da Fazenda cumpre agenda no exterior, em viagem aos EUA e ao México, reunindo-se com representantes do setor de tecnologia para apresentar a política brasileira de data centers. A volta ao Brasil está prevista para 5ªF, dia 8.

… Neste domingo, Haddad reuniu-se com o secretário do Tesouro, Scott Bessent, mas a Fazenda não deu detalhes dos temas tratados.

… O ministro está na Califórnia, onde deverá visitar empresas de tecnologia nos próximos dias, entre elas, Google, Nvidia e Amazon. Uma das prioridades do governo federal para este ano é a implantação de uma política de atração de datacenters para o Brasil.

BRASÍLIA – Comissão especial sobre a isenção do IR será instalada esta semana, quando o relator Arthur Lira deve apresentar o calendário de trabalhos. O presidente da Câmara, Hugo Motta, no entanto, avalia que o projeto só deve ser votado no segundo semestre.

… A possibilidade de instalação de CPI na Câmara para investigar o escândalo de corrupção no INSS está na pauta política, assim como as negociações do PL da Anistia e o julgamento de mais um núcleo de envolvidos na trama golpista de 8 de janeiro, no STF.

… No Senado, a CCJ deve realizar amanhã (3ªF) uma audiência pública sobre o segundo projeto de regulamentação da reforma tributária do consumo, que trata das competências e da estrutura organizacional do Comitê Gestor do IBS.

… Também na 3ªF, a CAE do Senado vota o projeto de lei complementar que limita o comprometimento dos municípios com o pagamento de encargos da dívida com a União a 30% da sua receita anual, incluindo os repasses do governo federal ao município.

LULA VIAJA – O presidente viaja para a Rússia na 5ªF, onde tem compromissos até sábado, a poucas semanas da cúpula do BRICS. No fim de semana, Lula segue para a China, onde participará do IV Fórum China-CELAC na semana que vem.

BALANÇOS DA SEMANA – Estão previstos para hoje os resultados de TIM, CCR. Aura Minerals, Tegma, Hidrovias do Brasil, Pão de Açúcar, Pague Menos, Grupo Mateus, Profarma e, em Nova York, Ford Motor e Tyson Foods.

… Na 3ªF: Embraer, Raia Drogasil, Vibra, Odontoprev, Vamos, Vulcabras, Blau Farmacêutica, JSL, e, em NY, AMD e Super Micro Computers.

… Na 4ªF: Rede D’Or, Klabin, Ultrapar, Carrefour, Banco Inter, Engie Brasil, Auren, Fras-Le, Vivara, Dexco, Eletromídia, Guararapes, C&A, Mills, Minerva, Lavvi, Valid, Iochpe-Maxion, Espaço Laser, Desktop, Grupo Multi, CSU, Estapar, Quero-quero, Aeris e Walt Disney (NY).

Itaú e Ambev vêm na 5ªF, junto com CSN Mineração, B3, Suzano, Localiza, Rumo, Copel, Energisa, Totvs, Hapvida, Renner, Cemig, Smartfit, Assaí, CSN, GPS, Alupar, Sanepar, Unipar, Três Tentos, Fleury, Magazine Luiza, Azzas, Grendene, Alpargatas, Cogna…

… E ainda na 5ªF: Intelbras, Simpar, Ecorodovias, Petrorecôncavo, JHSF, MRV, Randon, CBA, Plano&Plano, LWSA, Petz, Tenda, Mater Dei, BR Partners, Camil, Ânima, Wiz, Zamp, Mitre Realty, HBR, IMC, Lopes Brasil e, lá fora, Levetch e Mercado Livre.

… Na 6ªF, fechando a semana, Banco ABC Brasil, Banco Pan e Braskem.

FERIADOS – Hoje, 2ªF, estão fechados os mercados no Japão (Dia das Crianças), China (Dia do Trabalho) e no Reino Unido (bancário).

SO FAR, SO GOOD – O relatório do payroll bombou contra as previsões, na 6ªF, com a criação de 177 mil vagas em abril superando o teto esperado (175 mil). A taxa de desemprego nos EUA ficou em 4,2%, no consenso do mercado.

… Embora mais fraco do que no mês anterior, o número não ficou tão longe das vagas abertas em março (185 mil).

… A surpresa positiva com o indicador forte provocou ajustes nas apostas para o Fed, lançando especulações de juros elevados por mais tempo, com o primeiro corte projetado majoritariamente só para a reunião de julho.

… Esta precificação, que antes do payroll era de 44%, subiu a 56%. A chance de manutenção está em menos de 20%.

… Já para o encontro de junho, a maioria espera agora que o juro fique estável (65,8% x 41,8% antes) e foram esvaziadas as estimativas de que o Fed alivie a política monetária no mês que vem (esta chance caiu de 55% para 33%).

… Se de um lado o payroll abalou a expectativa de relaxamento antecipado do juro, de outro, foi muito positiva a percepção de que os EUA não estão à beira do precipício de uma recessão, apesar da guerra comercial de Trump.

… A potencial chance de o Fed adiar um corte para o 3Tri puxou os rendimentos dos Treasuries. O yield da Note de 2 anos, que reflete a política monetária, subiu para 3,834%, de 3,709% do pregão anterior, e o retorno de 10 anos foi de 4,221% para 4,311%.

… Simultaneamente aos sinais de que a economia americana não está entrando em colapso, as notícias de que a China está disposta a negociar com Washington sobre a política protecionista injetaram otimismo em Wall Street.

… Pela primeira vez em quase 20 anos, o S&P 500 completou um rali de nove altas consecutivas. No intervalo de um mês, desde que Trump anunciou as tarifas recíprocas, as bolsas americanas vêm protagonizando uma rápida recuperação.

… Na 6ªF, o S&P 500 avançou 1,47%, a 5.686,61 pontos; o Dow Jones subiu 1,38%, a 41.316,75 pontos; e o Nasdaq ganhou 1,50%, a 17.977,72. Meta (+4,34%) continuou repercutindo os bons resultados trimestrais da companhia.

… O alívio do resultado do payroll, combinado aos possíveis progressos sobre as tarifas, levou os investidores a desarmarem posições defensivas no câmbio, derrubando o índice DXY do dólar (-0,21%) para 100,030 pontos.

… Subiram o iene (a 145/US$), o euro (+0,13%, a US$ 1,1308), a libra esterlina (US$ 1,3281) e, aqui, o real, com o dólar em baixa de 0,38%, negociado no mercado à vista a R$ 5,6549 no fechamento. Fica a expectativa de furar R$ 5,60, se a sorte continuar virando em NY.

… Com os EUA aparentemente mais longe do perigo de uma recessão, o Copom pode ganhar de última hora um argumento forte para ser mais conservador (como Galípolo andou sinalizando) e subir a Selic em mais 0,50pp na 4ªF. As apostas em 0,25pp perderam força.

… Os contratos futuros dos juros subiram em toda a curva do DI na 6ªF, com o Jan/26, a 14,670% (contra 14,662% no pregão anterior); o Jan/27, a 13,950% (13,877%); Jan/29, a 13,585% (13,510%); e Jan/31, a 13,800% (13,770%).

… Sem conseguir acompanhar o entusiasmo das bolsas em NY, o Ibovespa fechou estável (+0,05%, aos 135.133,88 pontos), com volume financeiro de R$ 24,2 bilhões. Mas não está longe de renovar o seu topo histórico (137.343 pontos).

… Vale operou fraca (ON, -0,11%, a R$ 52,80) e ainda os bancos ficaram no vermelho: Santander (-2,24%; R$ 28,86), Bradesco PN (-2,11%; R$ 13,44); Bradesco ON (-1,55%; R$ 12,04); Itaú (-0,25%; R$ 35,47); e BB (-0,10%; R$ 28,90).

… Já Petrobras exibiu fôlego (ON registrou +2,0%, a R$ 32,69; e PN, +2,73%, a R$ 30,81), contrariando a queda do petróleo Brent, que caiu 1,35% (a US$ 61,29 por barril), antecipando o novo aumento da produção confirmado pela Opep+.

EM TEMPO… M. DIAS BRANCO teve lucro líquido de R$ 69,4 milhões no 1TRI25, queda de 55,2% s/ 1TRI24; Ebitda recuou 42%, para R$ 160,9 milhões; receita líquida subiu 3,2%, para R$ 2,208 bilhões.

BUFFET. Megainvestidor anunciou no sábado a sua aposentadoria, aos 94 anos, que deve acontecer no final deste ano…

… Diante de milhares de investidores da Berkshire Hathaway, Warren Buffet indicou o vice-presidente, Greg Abel, como seu sucessor.

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*com a colaboração da equipe do BDM Online

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China abre diálogo e payroll ajusta Fed

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*

[02/05/25]

… Depois de os lucros sólidos de Microsoft e Meta impulsionarem as bolsas em NY, nesta 5ªF, os balanços de Apple e Amazon frustraram os investidores, com quedas das ações no after hours. Mas notícias oficiais de progressos nas negociações comerciais entre os EUA e a China, reveladas ontem à noite, podem animar a abertura dos negócios. Na agenda do dia, o payroll (9h30) é o grande destaque para calibrar as expectativas ao Fed. Confirmados os dados mais fracos do mercado de trabalho, já apontados pelos relatórios Jolts e ADP desta semana, e ontem pela alta dos pedidos de auxílio-desemprego, deve reforçar as apostas em cortes mais profundos do juro americano. A deterioração do emprego, combinada com a desaceleração da atividade, pode levar Powell a agir mais cedo, especialmente se Washington e Pequim não resolverem as suas diferenças.  

… O Ministério do Comércio da China afirmou em comunicado em seu site que está avaliando uma proposta dos EUA para iniciar conversas sobre a guerra comercial, mas cobrou que os americanos “mostrem sinceridade”.

… E avisou que os EUA devem se preparar para corrigir práticas “equivocadas” e cancelar tarifas unilaterais.

… Declarações do presidente Trump sobre as tarifas no feriado foram consideradas alentadoras, à medida que ele confirmou negociações comerciais da Casa Branca com “cerca de 200 países”, lideradas pelo secretário do Tesouro americano, Scott Bessent.

… Bessent afirmou que está “confiante de que Pequim deseja chegar a um acordo” e o assessor econômico da Casa Branca, Kevin Hasset, que está “esperançoso” com o progresso comercial, citando “discussões vagas” entre EUA e a China.

… Em entrevista ao Financial Times, o presidente do Goldman Sachs, John Waldron, disse que os primeiros acordos comerciais do governo Trump podem determinar a visão dos investidores sobre as tarifas da Casa Branca. “Podem servir de modelo.”

… Aqui, além da esperança de que os EUA e a China se entendam, o mercado volta do feriado repercutindo a queda dos ADRs brasileiros (exceção de Petrobras) e na expectativa pelo Copom, que subirá mais a Selic na próxima 4ªF.

… Enquanto investidores em NY resgatam as apostas numa queda de 100pbs do juro neste ano, na B3 crescem as chances de o BC decidir um ajuste menor da taxa básica, de 25pbs em vez de 0,50pbs, diante da valorização do câmbio e, agora, do esfriamento do emprego.

… O último balanço do Caged, na 4ªF, derrubou a criação de vagas em março para 71,5 mil, após o salto de 437 mil de fevereiro, retirando uma pressão inflacionária importante do cenário, que se soma à desaceleração da atividade sob o impacto dos juros elevados.

… Nos EUA, Powell já associou uma deterioração do mercado de trabalho a chances maiores de queda dos juros, e apesar do consenso de estabilidade na reunião da semana que vem, na superquarta, o Fed pode adotar uma mensagem de maior flexibilidade.

… Em paralelo, os riscos da política tarifária de Trump foram refletidos na retração de 0,3% do PIB/1Tri, contra expectativa de alta de 0,1%, acentuando o receio de uma recessão da economia, que tenderia a antecipar para junho o primeiro corte do juro.

… Em linha com o PIB, o PMI industrial do ISM, nesta 5ªF, recuou de 49,0 em março para 48,7 em abril, mas investidores receberam com certo alívio o resultado, já que esperavam uma queda maior, para 48,0. Ainda assim, o ISM atingiu o menor nível desde maio/2020.

… Já os pedidos de seguro-desemprego nos EUA dispararam para 241.000 na semana encerrada em 26/04, o maior nível desde fevereiro.

… Para o payroll, as estimativas apontam para a criação de 130 mil empregos em abril e manutenção da taxa de desemprego em 4,2%.

… A despeito do caos tarifário, o noticiário das agências internacionais destacava que as ações americanas já recuperaram quase 90% das perdas desde o Liberation Day, em 2 de abril, quando Trump virou o mundo de cabeça para baixo.

… Nesta 5ªF, o Dow Jones subiu 0,21% (40.752,96 pontos); S&P 500, +0,63% (5.604,14); e Nasdaq, +1,52% (17.710,74) – embalados pelas altas de Microsoft (+7,63%) e Meta (+4,23%), que divulgaram balanços na véspera prometendo continuar investindo pesado em IA.

… A Microsoft aumentou seu lucro em 17,7% no 3Tri fiscal, para US$ 25,8 bilhões, e a Meta, em 35%, para US$ 16,64 bilhões.

… Após o pregão, Amazon (-2,61%) e Apple (-3,75%) decepcionaram no after hours.

… A Amazon reportou lucro de US$ 17,1 bi no 1Tri (+64,4%), com lucro/ação (US$ 1,59) superando o consenso (US$ 1,37). Mas projetou US$ 15,3 bi em lucro operacional para o 2Tri, abaixo dos US$ 17,6 bi esperados.

… Também a Apple registrou lucro líquido (US$ 24,8 bilhões) 4,8% superior ao reportado no mesmo período do ano passado, no segundo trimestre fiscal encerrado em março. O lucro por ação subiu de US$ 1,53 para US$ 1,65 (acima da projeção de US$ 1,62).

… As vendas do iPhone somaram US$ 46,84 bilhões, alta modesta (1,9%), considerando a antecipação de compras para escapar da tarifa.

… Nos Treasuries, os juros caíram no ambiente mais leve do dia, com a Note-2 anos projetando 3,698% na altura do fechamento das bolsas em NY, abaixo da taxa básica dos Fed Funds (no intervalo entre 4,25% e 4,5%), o que levou a comentários de Bessent.

… Em entrevista à Fox News, ele disse que o mercado estava “telegrafando” a queda dos juros para o Fed. “Estamos vendo que a taxa de dois anos está abaixo da taxa dos Fed Funds. É um sinal de que o mercado acha que o Fed deveria cortar.”

… Na Bloomberg, o ex-secretário do Tesouro Lawrence Summers observou que a precificação do mercado de títulos não equivale a um julgamento sobre o que o Fed deve fazer com as taxas e defendeu que o juro seja mantido na 4ªF que vem.

… Essa é a opinião de consenso dos Fed boys, que sugerem uma abordagem cautelosa para a redução das taxas, visto que a inflação ainda está acima da meta de 2%, especialmente porque as tarifas ameaçam impulsionar novos aumentos de preços.

… O que está em jogo é se o Fed antecipará ou não para junho o primeiro corte de 25pbs, que está projetado para julho.

… No câmbio, o índice DXY, que mede a força do dólar ante seis moedas fortes, subiu 0,78%, de volta para cima dos 100 pontos (100,194), com a queda do iene a 145,63/US$, após o BoJ ter mantido o juro em 0,5% pela segunda reunião seguida, nesta 5ªF.

… Como reflexo das incertezas da política tarifária promovida pelo governo americano, o BC japonês reduziu pela metade a sua projeção de crescimento econômico para este ano fiscal, para 0,5%.

… O investidor leu a mensagem como sinalização de esvaziamento das apostas em um aperto monetário. O BoJ admitiu ainda que o timing de convergência da inflação para a meta de 2% está “ligeiramente atrasado”.

OURO – Com a China fechada no feriado do Dia do Trabalho, os contratos futuros de ouro tiveram perdas fortes (-2,92%), negociados na Comex a US$ 3.222,20/onça-troy. A melhora no sentimento global de risco contribuiu para a correção da commodity.

… A expectativa é de que o ouro registre fraqueza adicional nesta 6ªF com o feriado chinês se estendendo até o fim da semana.

PETRÓLEO – Os contratos futuros registraram fortes altas nesta 5ªF, com o Brent/julho fechando a US$ 62,13 (+1,75%) na Ice londrina e o tipo WTI/junho a US$ 59,24 na Nymex, com os traders corrigindo parte das quedas recentes, antes da reunião da Opep na 2ªF.

… O mercado reagiu a ameaças de Trump de impor sanções a qualquer país que comprar petróleo do Irã. O presidente escreveu em sua rede social após o adiamento de uma reunião marcada para esse fim de semana entre os dois países sobre o programa nuclear.

… “Todas as compras de petróleo iraniano ou de produtos petroquímicos devem parar AGORA! Qualquer país ou qualquer empresa que comprar qualquer quantidade desses produtos do Irã não poderá fazer negócios com os Estados Unidos.”

… Pouco antes, o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, disse que a nova rodada de negociações entre autoridades dos EUA e do Irã seria adiada devido a “razões logísticas” e que “novas datas serão anunciadas quando mutuamente acordadas”.

… Um porta-voz do enviado de Trump, no entanto, disse que os EUA nunca anunciaram que uma reunião seria realizada neste sábado.

ADR DE PETROBRAS – O recibo negociado em NY colou na alta do petróleo e foi destaque neste feriado, enquanto o EWZ, principal ETF brasileiro, fechou em queda de 0,55%, a US$ 26,89, apesar da alta firme das bolsas americanas.

… O ADR da Petrobras PN subiu 0,85% (US$ 10,65) e o ADR de Petrobras ON, +0,49% (US$ 11,35), enquanto o ADR da Vale encerrou o dia em queda de 0,70% (US$ 9,24). Também os bancos registraram perdas: Bradesco, -1,63% (US$ 2,42), e Itaú, -0,32% (US$ 6,29).

MAIS AGENDA – Nos EUA, além do payroll, saem as encomendas à indústria em abril. A leitura final de abril do PMI/S&P Global industrial é destaque na Alemanha (4h55) e zona do euro (5h), onde sai ainda o CPI de abril.

… Exxon Mobil e Chevron soltam balanços antes da abertura. Aqui, tem M. Dias Branco após o fechamento.

EM TEMPO… GOL deu mais um passo para concluir seu processo de recuperação judicial nos EUA, ao fechar acordo com grupo de detentores de notas sênior garantidas com vencimento em 2026…

… Os credores se comprometeram a subscrever US$ 125 milhões em novas notas que fazem parte do financiamento de saída previsto no plano, estimado em até US$ 1,9 bilhão…

… Com o novo compromisso, a Gol diz já ter assegurado ao menos US$ 1,375 bi em aportes para sair do Chapter 11.

VALE. O conselho de administração aprovou a nomeação do advogado Sami Arap como novo vice-presidente executivo jurídico da companhia para substituir Alexandre D´Ambrosio…

… A saída de D’Ambrosio era especulada há meses, em meio às mudanças no comitê-executivo da mineradora promovidas pelo novo diretor-presidente, Gustavo Pimenta.

PETROBRAS. Justiça pediu à companhia parecer jurídico de 2014 que baseou pagamento de reajustes retroativos de 2004 a 2006 para aposentados da Petros (O Globo)…

… Valor total é de cerca de R$ 2,9 bilhões, de acordo com valores corrigidos; decisão integra ação popular movida por 181 beneficiários do fundo de pensão na Justiça Federal de São Paulo em 2019.

PRIO comprou da Equinor participação de 60% no campo de Peregrino por US$ 3,5 bilhões.

ELETROBRAS. AGU enviou ao STF para homologação o acordo firmado com a companhia que permitiu, entre outros pontos, direcionar três assentos no Conselho de Administração da empresa para representantes do governo.

EQUATORIAL aprovou a distribuição de R$ 876,32 milhões em proventos, o equivalente a R$ 0,1685 por ação ON a título de JCP e R$ 0,5315 por ação ON em dividendos; pagamento será efetuado até o fim do ano; ex em 2/5.

BRB. Ministério Público do DF pediu que Justiça impeça banco estatal de comprar fatia do Banco Master. (Folha)

AZZAS. FMR LLC atingiu participação acionária de 5,14% na companhia, passando a deter 10.618.659 de ações ON; corretora não constava no formulário de referência mais recente da empresa, datado de 25/4.

TESLA. A presidente do conselho de administração, Robyn Denholm, desmentiu reportagem do WSJ que informou que a empresa tem planos de procurar um substituto para Elon Musk como CEO da montadora de carros elétricos.

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