Serviços devem moderar crescimento em março
Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*
[14/05/25]
… Opep divulga relatório mensal sobre o mercado de petróleo, que se recupera com a trégua nas tarifas entre os EUA e a China, enquanto em NY são destaques as falas de três Fed boys, após a inflação americana ter vindo abaixo do previsto. Aqui, investidores esperam mais balanços, com Eletrobras após o fechamento, e o volume de serviços em março, às 9h, que ainda deve continuar crescendo, mas em ritmo menor, sem muita chance de abalar a expectativa de que o Banco Central encerrou o ciclo de aperto monetário. Essa foi a leitura predominante da ata do Copom no mercado. Apostas de que a Selic não chegará aos 15% ajustaram os juros curtos em baixa, estimuladas também pela queda firme do dólar para R$ 5,60, enquanto o Ibovespa disparava para a pontuação recorde de fechamento.
… Se depender da convicção do Copom de que a atividade cederá, como defendido na ata, nem os serviços, nem as vendas do comércio, amanhã (5ªF), serão empecilhos para interromper as altas da Selic, que deve parar nos 14,75%.
… Alguns fatores elencados durante a reunião seguem dando confiança ao Comitê de que o processo de moderação de crescimento deve ocorrer, após vários anos de surpreendente dinamismo, como analisou o economista Marco Antônio Caruso (Santander).
… Na ata, o Copom afirma que a política monetária restritiva já tem causado impactos no crédito, nas sondagens empresariais, na taxa de câmbio, no balanço das empresas, assim como na moderação de alguns indicadores de atividade e de mercado de trabalho.
… Em particular, no crédito, disse a ata que já se observa alguma inflexão em algumas linhas e, no caso de pessoas físicas, um aumento do comprometimento da renda familiar com o serviço das dívidas pode estar antecipando uma menor demanda por crédito.
… O BC também está certo de que a inflexão no mercado de trabalho deve se aprofundar, em linha com a política monetária restritiva.
… Até mesmo no contraponto hawk, que surgiu no parágrafo da ata que trata do impacto do consignado privado sobre o crescimento, o Copom relativizou, notando que, majoritariamente, é usado para troca de dívidas, com efeito mais comedido sobre a renda.
… Para Marco Antônio Caruso, os maiores destaques da ata foram os parágrafos sugerindo que a política monetária ‘significativamente contracionista’ já tem contribuído e seguirá contribuindo para a moderação de crescimento econômico.
… Ele mantém a projeção de final do ciclo, acreditando que a “barra para manutenção é baixa”, e que os 25pbs só viriam por uma questão do comportamento do dólar, mais do que dos dados da atividade, que, na sua opinião, não vão estar claros até junho.
… Também para Luis Felipe Vital, estrategista-chefe da Warren, a ata significou “o fim do ciclo com juros altos por bastante tempo”.
… A ata confirma o call da gestora: (i) fim de ciclo, ainda que não se descarte ajuste marginal diante de surpresa nos dados; (ii) momento é de aguardar os efeitos do aperto já implementado; (iii) juros elevados por mais tempo, com cortes só no 1º trimestre de 2026.
BRASIL & CHINA – Ministério da Agricultura estima que os cinco novos mercados abertos pela China a produtos agropecuários brasileiros têm potencial de US$ 20 bilhões, incluindo carne de pato, de peru, miúdos de frango, grãos secos e farelo de amendoim.
… Em Pequim, durante encontro de Lula com Xi Jinping no Grande Palácio do Povo, foram assinados os acordos bilaterais que estão sendo comemorados como uma “conquista histórica”, com o maior número de aberturas de mercado para a China de uma única vez.
HADDAD – Ministro da Fazenda recebe hoje representantes da agência de classificação de risco Fitch Ratings, às 15h.
MAIS BLOQUEIO – No Estadão, o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, anunciará um bloqueio de gastos e contingenciamento no primeiro relatório bimestral de avaliação de Receitas e Despesas, a ser divulgado na próxima semana, dia 22.
PAUTA-BOMBA – O STF pautou uma ação que discute a incidência de PIS/Cofins e CSLL sobre os valores resultantes dos atos cooperativos próprios das sociedades cooperativas. A Receita estima que a discussão tem impacto de R$ 9,1 bilhões para os cofres públicos.
… O julgamento foi marcado para a sessão virtual que vai de 30 de maio a 6 de junho.
A FRAUDE DO INSS –Em entrevista à GloboNews, opresidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, afirmou que o governo federal estuda se utilizará recursos públicos para ressarcir as vítimas do esquema fraudulento de descontos indevidos.
… A devolução do dinheiro aos aposentados e pensionistas lesados ainda não tem prazo definido e depende de uma decisão judicial.
MAIS AGENDA – Pesquisa mensal de serviços tem estimativa de expansão pelo segundo mês consecutivo, com a mediana apontando para alta de 0,40% em março, após crescimento de 0,80% em fevereiro, em pesquisa do Broadcast junto ao mercado.
… Segundo economistas, o dado deve ser impulsionado pelos serviços de transportes e pelo desempenho da produção industrial.
… No mesmo horário dos serviços, o IBGE divulgará às 9h a produção industrial regional, cujo dado surpreendeu na semana passada, com crescimento muito acima do esperado, de 1,3% em março. Às 14h30, sai o fluxo semanal cambial do Banco Central.
… Também às 9h, terá início a Conferência Anual do BC, com abertura do diretor de Política Econômica, Diogo Guillen, com transmissão pelo canal do BC no Youtube. O presidente Gabriel Galípolo continua na China, onde integra a comitiva presidencial.
LÁ FORA – A Alemanha revela nesta madrugada dados de inflação de abril, após forte melhora do índice ZEW nesta 3ªF.
… Christopher Waller é o primeiro Fed boy a discursar (6h15), no Marrocos, seguido por Philip Jefferson (10h10) e Mary Daly (18h40).
… Ainda nos EUA, saem os estoques de petróleo do DoE na semana até 9/5 (11h30).
… No final da tarde, o Instituto Americano de Petróleo (API) informou que os estoques de petróleo bruto dos EUA aumentaram em 4,29 milhões de barris na semana passada. Esse seria o maior aumento desde março, se confirmado pelos dados do DoE hoje.
BALANÇOS – O calendário prevê hoje Eletrobras, Eneva, Equatorial Energia, Americanas e Allos, todos após o fechamento dos mercados. Antes da abertura, saem os resultados de Azul e Bradespar, e Telefónica na Espanha.
… Confira abaixo no Em tempo, os balanços de ontem à noite.
O CAMPEÃO VOLTOU – A marca inédita do Ibov, perto dos 139 mil pontos, e o dólar de volta à faixa de R$ 5,60 deram a medida do alto astral que dominou o dia, embalado pela perspectiva para os juros aqui e nos EUA.
… Além de a inflação americana do CPI sob controle em abril ter resgatado a esperança de dois cortes de juros pelo Fed este ano, o mercado gostou da percepção da ata do Copom de que a Selic já pode ter atingido o pico.
… Com um novo recorde histórico de fechamento para chamar de seu, o Ibov saltou 1,76%, a 138.963 pontos, e estabeleceu ainda a nova máxima intraday de todos os tempos, aos 139.419 pontos, com giro de R$ 27,5 bi.
… Para o estrategista Lucas Constantino (GCB), o ânimo não pode ser atribuído só aos eventos pontuais do dia.
… A combinação de câmbio mais favorável, queda das taxas futuras e valuations ainda descontados tem impulsionado a atratividade dos ativos brasileiros e ofuscado a inflação resistente e o juro contracionista.
… Levantamento mensal do BofA mostra que otimismo de gestoras é o maior em oito meses. A parcela de casas que esperam que o Ibovespa rompa os 140 mil pontos este ano mais que dobrou, de 18% em abril para 43%.
… Entre as blue chips, Petrobras ON (+0,59%, a R$ 34,30) e PN (+1,52%, a R$ 32,13) reagiram ao balanço do 1Tri25 e à alta do petróleo. O Brent para julho voltou a subir forte (+2,57%) a US$ 66,63 por barril em Londres.
… Pegou impulso do dólar fraco, que torna a commodity mais barata para compradores com moedas menos valorizadas. Além disso, o primeiro passo da China e EUA em direção a um acordo comercial anima o consumo.
… Seja como for, o petróleo ainda acumula queda de mais de 10% desde o início de abril, quando Trump estava irredutível sobre relaxar a guerra comercial com os chineses e assombrava a demanda pelas commodities.
… Os papéis da Vale (ON, +1,64%, a R$ 55,17) pegaram carona na valorização do minério de ferro (+1,06%).
… Os grandes bancos subiram em bloco, depois de terem testado uma realização no pregão anterior: Itaú PN (+1,23%, a R$ 36,93); Bradesco PN (+2,15%, a R$ 15,22); BB (+2,03%, a R$ 29,66) e Santander (+1,81%; R$ 30,31).
TESTANDO PISOS – Teoricamente, o ciclo de aperto da Selic perto do fim (se já não acabou) é menos vantajoso ao carry trade, mas a chance de que o juro não caia tão cedo (higher for longer) ajuda a manter o real apreciado.
… Mas em primeiro plano foi a inflação do CPI nos EUA no menor nível em quatro anos que desencadeou ontem vendas generalizadas do dólar, negociado por aqui na cotação mais barata em sete meses, a R$ 5,6087 (-1,32%).
… O índice de preços ao consumidor norte-americano subiu 0,2% em abril, abaixo da previsão de 0,3%, e desacelerou para 2,3% na comparação anual, quando a expectativa era de que se mantivesse estável em 2,4%.
… A inflação sem sustos projeta dois cortes de 25pb cada pelo Fed este ano, a partir de setembro. Mas o timing ainda poderá ser ajustado, se Powell falar amanhã de política monetária, após os progressos dos EUA-China.
… A esperança no fim da guerra comercial e a surpresa positiva do CPI entraram como fatores combinados para continuar derrubando ontem o índice DXY (-0,77%), que por pouco não voltou à linha dos 100 pontos (101,003).
… O iene avançou para 147,46/US$, o euro subiu 0,89%, a US$ 1,1191, e a libra ganhou 0,99%, a US$ 1,3305.
… Foi curioso que os juros dos Treasuries não tenham caído com o CPI comportado. O mercado dos títulos americanos concentrou o risco de que, em algum momento, o protecionismo de Trump ainda bata na inflação.
… A Oxford Economics alerta que o efeito das tarifas deve levar mais tempo para aparecer. A Capital Economics aposta em maio. A taxa da Note-2 anos subiu a 4,011%, de 4,001%, e a de 10 anos avançou a 4,481%, de 4,468%.
… Em linha com o movimento, a ponta longa da curva do DI passou a subir na reta final, enquanto os contratos curtos exibiram viés de queda, repercutindo o dólar a R$ 5,60 e a chance de que a Selic estacione em 14,75%.
… No fechamento, o DI para janeiro de 2026 marcava 14,780% (de 14,805% no pregão anterior); Jan/27, 14,010% (de 14,040%); Jan/29, 13,510% (de 13,465%); Jan/31, 13,690% (13,600%); e Jan/33, 13,770% (13,650%).
OLÉ! – Um dia depois de o Nasdaq ter voltado ao território técnico de bull market, o S&P 500 zerou as perdas do ano, com Wall Street dando demonstrações de força, em meio aos sinais de alívio das tensões comerciais.
… Entre as Sete Magníficas, Amazon (+1,3%), Meta (+2,6%), Apple (+1,02%) e Nvidia (+5,6%) voltaram a brilhar.
… O S&P 500 avançou 0,72% (5.886,54 pontos) e o Nasdaq ganhou 1,61% (19.010,08 pontos). Somente o Dow Jones caiu (-0,64%, 42.140,43 pontos), derrubado pelo tombo de quase 18% das ações da UnitedHealth.
… A seguradora de saúde, com o terceiro maior peso no índice da Nyse, suspendeu a projeção de desempenho (guidance) no ano e anunciou que substituirá seu CEO. Stephen Hemsley assume no lugar de Andrew Witty.
EM TEMPO… JBS teve lucro líquido de R$ 2,9 bilhões no 1TRI25, alta de 77,6% sobre igual intervalo de 2024…
… Receita líquida atingiu R$ 114,1 bilhões, 28% superior ao 1TRI24, com 76% das vendas globais em mercados domésticos e 24% por meio de exportações…
… Ebtida ajustado somou R$ 8,9 bilhões, aumento de 38,9%; margem Ebitda de 7,8% registrou avanço de 0,6 pp s/ 1TRI24, refletindo estratégia de diversificação em proteínas e geografias…
… Companhia registrou um de seus melhores resultados para um 1Tri, desafiando sazonalidade tradicionalmente mais fraca com o menor consumo após festas de fim de ano e o inverno no Hemisfério Norte.
PAGBANK registrou lucro líquido recorrente de R$ 554 milhões no 1Tri25 (+6% em relação ao mesmo período do ano passado). Receita líquida cresceu 13% em um ano e atingiu R$ 4,9 bilhões…
… Empresa planeja distribuir dividendos de 10% do lucro anualmente. Companhia distribuirá o primeiro dividendo de sua história, de cerca de R$ 250 milhões.
NUBANK teve lucro líquido de US$ 557,2 milhões no 1TRI25, alta de 74% na comparação anual. Receita cresceu 40%, para US$ 3,2 bi.
GERDAU aprovou, em reunião de diretoria, a 19ª emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, em séries única, da espécie quirografária, no valor de R$ 1,375 bilhão.
CVC BRASIL teve lucro líquido ajustado de R$ 24,0 milhões no 1TRI25, salto de 489,7% s/ 1TRI24. Receita líquida cresceu 14,1%, para R$ 362,2 milhões; Ebitda aumentou 21,4%, para R$ 104,7 milhões.
CASAS BAHIA obteve decisão favorável em processo judicial relacionado ao ressarcimento de ICMS-ST, entre 2011 e 2016. A decisão, proferida pelo TJ-SP, autoriza a varejista a compensar créditos tributários de R$ 632 mi.
CURY teve lucro líquido de R$ 233,7 milhões no 1TRI25, alta de 51,7% na comparação anual. Receita líquida cresceu 45,2%, para R$ 1,216 bi; Ebitda ajustado subiu 53,8%, para R$ 289,5 milhões.
RAÍZEN registrou prejuízo líquido de R$ 2,514 bilhões no 4Tri24/25, piora de 186% contra um ano antes. Ebitda ajustado atingiu R$ 1,721 bilhão, queda de 53,3%. Receita líquida cresceu 7,5%, para R$ 57,727 bi…
… A companhia informou que o Norges Bank passou a administrar 67.973.903 ações da companhia. O montante corresponde a 5,002% do total das ações preferenciais.
SLC AGRÍCOLA informou lucro líquido de R$ 510,7 milhões no 1TRI25, alta de 123,1% s/ 1TRI24. Receita líquida cresceu 19,1%, para R$ 2,331 bi; Ebitda ajustado aumentou 34,0%, para R$ 943,6 milhões.
SANTOS BRASIL registrou lucro líquido de R$ 198,5 mi no 1Tri25, alta de 34,3% contra o 1Tri24. Ebitda subiu 54,4% na mesma base de comparação, para R$ 496 milhões…
… Receita líquida atingiu R$ 883,7 mi no 1tri25, avanço de 37% contra um ano antes.
TAURUS registrou lucro líquido de R$ 18,6 milhões no 1TRI25, queda de 1,6% na comparação anual. Ebitda caiu 89,2%, para R$ 7,0 milhões; receita líquida recuou 22,2%, para R$ 349,1 milhões.
ALUPAR. A transmissora de energia recebeu do ONS o termo de liberação definitivo autorizando a operação comercial do reforço das instalações da subestação Manoel da Nóbrega.
AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!
*com a colaboração da equipe do BDM Online
AVISO – Bom Dia Mercado, produzido pela Mídia Briefing, não pode ser copiado e/ou redistribuído.
Ata do Copom e inflação nos EUA são destaques
Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*
[13/05/25]
… A inflação ao consumidor nos EUA (CPI) deve se manter estável em 2,4% em abril na base de comparação anual. Em termos mensais, no entanto, a previsão da Bloomberg é de alta de 0,3%, recuperando-se da queda de 0,1% no mês anterior, com os recentes aumentos de tarifas sobre produtos importados. O dado, que sai às 9h30, ainda causa preocupação, mesmo após o acordo entre os EUA e a China, que pode afastar a recessão, mas ainda terá impacto na economia. Aqui, a expectativa é para a ata do Copom (8h), que pode sinalizar as chances de o ciclo de aperto da Selic ter se encerrado a 14,75%. Na B3, repercutem os balanços divulgados ontem à noite – incluindo o de Petrobras, que reportou crescimento de 48,6% do lucro do 1Tri, mas não agradou no after hours em NY. Hoje tem JBS e Nubank.
… Sobre a ata, de alguma forma, pode vir comprometida pela inesperada reviravolta do cenário externo, que entrou no balanço de riscos como fator baixista, ao projetar uma desaceleração global mais pronunciada e redução dos preços das commodities.
… A suspensão por 90 dias das tarifas de até 145% dos EUA para a China (para 30%, incluindo os 20% do fentanil) e de 125% da China para os EUA (para 10%) muda radicalmente as perspectivas da guerra comercial e dos efeitos sobre a economia global.
… Se tudo correr bem entre Trump e Xi, é provável que os piores prognósticos de uma recessão global não se materializem.
… Neste caso, o dólar continuaria a se sustentar como moeda forte, inibindo uma trajetória mais benigna da taxa de câmbio no Brasil, e o arrefecimento da atividade doméstica dependeria quase que exclusivamente dos efeitos cumulativos da política monetária.
… O IPCA de abril desacelerou na margem para 0,43% (de 0,56% em março), mas ainda causa desconforto o aumento do índice de difusão de 61% para 67%, junto com as pressões persistentes nos serviços subjacentes, confirmadas na última leitura da inflação.
… Além disso, a produção industrial de abril, com crescimento de 1,3% sobre o mês anterior, superou de longe as estimativas do mercado (+0,3%), mostrando que a atividade segue resiliente, apesar dos juros nos níveis mais elevados em quase 20 anos.
… Por outro lado, a reancoragem das expectativas acontece em ritmo lento, com quedas residuais nas projeções para o IPCA na pesquisa Focus. Nesta semana, a projeção para 2025 recuou de 5,53% para 5,51%, seguindo bem acima do teto da meta de 4,50%.
… Para 12 meses à frente, entrando no ano eleitoral, a política fiscal expansionista do governo Lula inibe recuo mais firme nas expectativas para a inflação, que estavam em 4,97% na semana anterior e foram ajustadas em dois centésimos apenas, para 4,95%.
… Depois do Copom e do comunicado que deixou em aberto a decisão para junho, o mercado está dividido entre a manutenção da Selic e um ajuste final de 25pbs, que levaria a taxa básica para os 15%, com a curva de juros projetando leve redução no final do ano.
… Pode ser que a ata desempate essa aposta. Economistas vão se debruçar sobre alguns aspectos para sondar o que o BC está pensando.
… Para o estrategista Sérgio Goldenstein, um dos pontos mais importantes do comunicado foi a prescrição de uma política monetária em patamar “significativamente contracionista por um período prolongado”, não mencionada no comunicado anterior.
… Segundo ele, “percebe-se que a estratégia para a convergência da inflação passa a ser de juros higher for longer, não necessariamente uma taxa Selic ainda mais contracionista” – ou seja, o juro não subiria mais, mas ficaria elevado até cumprir o seu papel.
… Outra observação que, segundo Goldenstein, reforça as chances de Selic estável seria a indicação de “cautela adicional” para a próxima reunião, tendo em vista o “estágio avançado do ciclo e seus impactos acumulados ainda por serem observados”.
… “O Banco Central parece estar confortável com essa taxa de juros. O cenário-base seria o de estabilidade em junho. Uma alta de 25pbs da Selic só ocorreria no caso de uma piora relevante do balanço de riscos”, concluiu em sua avaliação.
… Para além da ata, o mercado tem para monitorar nesta 4ªF os dados de serviços e, na 5ªF, as vendas no varejo. Se vierem fortes, podem mudar as expectativas para os juros, resgatando como maioria um último ajuste da Selic no Copom de junho.
NÃO FICARÁ DE GRAÇA – A trégua entre Estados Unidos e China pode ter afastado o risco de recessão, mas não chegou a tempo de evitar uma desaceleração, segundo economistas ouvidos pela Bloomberg.
… Eles ainda esperam que os dados do mercado de trabalho possam começar a mostrar o impacto no emprego no final de maio, enquanto a aceleração da inflação deve ficar evidente nos relatórios que serão divulgados no mês que vem.
… Essa combinação deixa a economia a caminho de crescer significativamente menos este ano do que em 2024.
… Embora a tarifa sobre os produtos chineses, de 30%, esteja bem abaixo da taxa de 145% aplicada no último mês, ainda representa um aumento acentuado em relação ao período anterior à posse do presidente Trump em janeiro.
… “O alívio temporário representa uma redução notável da tensão, mas não evitará uma desaceleração”, disse Gregory Daco, economista-chefe da EY. Para ele, “a demanda aquecida, as pressões elevadas sobre os preços e a incerteza política aguda ainda pesarão”.
… Uma questão fundamental é se as famílias e empresas aproveitarão a trégua de 90 dias para estocar mais.
… Mark Zandi, economista-chefe da Moody’s Analytics, espera que os relatórios semanais do seguro-desemprego comecem a aumentar até o Memorial Day, em 26 de maio, prenunciando uma desaceleração nas contratações, que ficará clara no payroll de junho.
… “Eu esperava que o governo fechasse em breve um acordo com a China e outros países, amenizando a guerra comercial. Mas a guerra continua. Espero que o retorno das compras antecipadas comece este mês e se estenda até junho e julho.”
… Outros economistas concordam: “É provável que os importadores dos EUA aumentem as compras no curto prazo para se protegerem contra o aumento das tarifas novamente”, disse o economista-chefe do Comerica Bank, Bill Adams.
… Também eParte inferior do formulário
…… Economistas da Bloomberg fizeram o alerta: “Um período de recuperação para reabastecer os estoques dos varejistas pode levar ao congestionamento dos portos, e se as prateleiras estiverem vazias, os aumentos de preços podem ser mais rapidamente.”
… Os analistas, em geral, concordaram que o acordo abriu uma perspectiva melhor, embora ainda moderada, para a economia dos EUA este ano. O UBS pode aumentar sua previsão do PIB deste ano em 0,4pp, para 0,5%.
… Também o IBS acredita em um aumento de 0,40pp de sua projeção do PIB, para 0,9%.
… O Goldman Sachs dobrou a previsão do PIB, a 1%, reduziu a probabilidade de uma recessão nos próximos 12 meses de 45% para 35% e ajustou em baixa a expectativa de inflação (PCE) de 3,8% para 3,6%.
PETROBRAS – Os ADRs registraram oscilações estreitas e divergentes no after hours em NY, após o balanço: ON, +0,17%, e PN, -0,36%.
… O lucro líquido de R$ 35,2 bilhões cresceu 48,6% sobre o 1Tri/2024, pouco acima das estimativas compiladas pelo Valor (R$ 34,9 bi). O Ebitda (R$ 61 bilhões) subiu 1,7% contra o 1Tri/2024 e a receita de vendas, +4,6%, para R$ 123,1 bilhões, frente ao 1Tri/2024.
… A Petrobras aprovou o pagamento de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) no valor de R$ 11,72 bilhões, R$ 0,90916619/ação.
… Os proventos serão pagos em duas parcelas, nos meses de agosto e setembro. A primeira, de R$ 0,45458310/ação, no dia 20 de agosto, sob a forma de juros sobre capital próprio. A segunda, de R$ 0,45458309/ação, em 22 de setembro, entre dividendos e JCP.
… Os detentores de ADRs receberão os pagamentos a partir de 27 de agosto e de 29 de setembro, respectivamente.
… A Petrobras realiza teleconferência sobre o balanço às 12h.
MAIS BALANÇOS – JBS e Nubank divulgam resultados depois do fechamento, juntamente com a Caixa Econômica Federal, CVC, Pagbank, Raízen, Santos Brasil e SLC Agrícola. Confira abaixo no Em tempo os balanços de ontem à noite.
MAIS AGENDA – O índice ZEW de expectativas econômicas na Alemanha abre o dia (6h) na Zona do Euro, com estimativas de recuperação da queda de 14,0 registrada em abril para um avanço a 13,7 em maio, segundo o consenso do Trading Economics.
… Aqui, não há indicadores previstos, além da ata do Copom, mas o documento deve tomar muito tempo dos economistas.
… O presidente do BC, Gabriel Galípolo, está em Pequim, China, onde participa da missão do governo brasileiro e de jantar com Xi Jinping.
QUEBRANDO O GELO – Mesmo feita a ressalva de que a trégua de 90 dias entre os EUA e a China não significa uma retirada definitiva das tarifas, o acordo provisório removeu uma espada de cima da cabeça dos mercados.
… Dentro do Fed, coube a Austan Goolsbee o alerta de que, apesar da redução das taxas, as incertezas em torno da política comercial de Trump ainda representam risco de inflação e desaceleração do crescimento econômico.
… Mas o investidor quer ouvir Powell esta semana, em discurso na 5ªF. Se ele já estava sem pressa de relaxar a política monetária antes mesmo de Trump se entender com os chineses, ganha agora ainda mais tempo.
… O Goldman Sachs já jogou lá para frente, de julho para dezembro, a aposta para o primeiro corte do juro.
… Na medida em que esvazia o risco de recessão e as pressões por um Fed dovish, a aproximação entre os governos de Washington e Pequim fez a festa das bolsas em NY e puxou ontem o dólar e os juros dos Treasuries.
… A taxa da Note de 2 anos rompeu 4% e fechou a 4,001%, contra 3,883% na última 6ªF, antes da negociação comercial selada em Genebra. O retorno da Note de 10 anos subiu para 4,468%, de 4,381% no pregão anterior.
… No câmbio, o índice DXY saltou 1,44%, a 101,788 pontos, após ter rodado perto da linha dos 102 pontos na máxima do dia (101,977). Com o dólar recuperando seu status, as três principais moedas concorrentes caíram.
… O iene foi a 148,40/US$, o euro afundou 1,39%, a US$ 1,1090, e a libra recuou 0,94%, a US$ 1,3179. O real também foi trocado pelo interesse no dólar, que ainda segue, porém, abaixo de R$ 5,70: R$ 5,6840 (+0,52%).
… Loucas por um rali, após o pesadelo da guerra comercial, as bolsas em NY vibraram com a pausa nas tarifas recíprocas. O Nasdaq voltou à marca técnica de bull market: alta de pelo menos 20% contra o piso recente.
… O índice da bolsa eletrônica disparou 4,35% ontem, aos 18.708,344 pontos, acumulando uma valorização de 22,53% desde a mínima registrada quando Trump lançou as primeiras investidas de sua política protecionista.
… As ações das Sete Magníficas geraram nesta 2ªF uma onda compradora em Wall Street.
… Apple, que concentra boa parte da produção de iPhones na China, disparou 6,2%. A Tesla saltou 6,75%, já que os chineses representaram 22% da receita total da montadora de veículos elétricos no ano passado.
… Amazon arrancou 8,12%; Meta, +7,97%; Microsoft, +2,38%; Alphabet, +3,73%; e Nvidia, +5,44%. De ânimo revigorado, o Dow Jones subiu 2,81% (42.410,34 pontos) e o S&P 500 ganhou 3,26%, aos 5.844,19 pontos.
BYE BYE BRASIL – Chamou a atenção que o Ibov não tenha conseguido colar no boom de otimismo de NY, fechando perto da estabilidade (+0,04%, aos 136.563,18 pontos), com volume financeiro de R$ 24,4 bilhões.
… Passado o pior da turbulência tarifária, os EUA voltam a ser a melhor rota para o fluxo estrangeiro e investidores já se perguntam se a rotação de portfólios para os mercados emergentes vai se esgotar.
… Com a guerra comercial pegando fogo, o Brasil vinha faturando o interesse do k externo, mas se confronta agora com a realidade de que a sorte pode virar e que é melhor estar preparado para uma fuga de capital.
… “Essa reação imediata tão grande de descompressão da bolsa americana, subindo com tanta força, e o Treasury abrindo, para nós é um sinal amarelo”, observou ao Valor o gestor Fernando Fontoura, da Persevera.
… “É sinal de que aquele investidor mais estrutural (estrangeiro com posição grande) está vendendo mais.”
… Houve ontem realocação de recursos para setores mais ligados à retomada global, caso das commodities.
… Vale ON engatou alta de 2,51%, a R$ 54,28, e Petrobras também decolou: ON (+2,71%, a R$ 34,10) e PN (+2,39%, a R$ 31,65). Atenuada a tensão comercial, o petróleo Brent para julho avançou 1,64%, para US$ 64,96.
… O suporte veio também dos sauditas, maiores produtores da Opep+. A gigante petrolífera Aramco espera que a demanda por petróleo permaneça resiliente no ano, especialmente se EUA e a China resolverem as diferenças.
… Os papéis dos bancos caíram em bloco no Ibovespa: Itaú PN (-2,01%, a R$ 36,48); Bradesco PN (-1,46%, a R$ 14,90); BB ON, que divulga balanço na 5ªF, perdeu 1,56%, a R$ 29,07; e Santander Unit ON (-0,73%, a R$ 29,77).
… O desfecho positivo das tarifas deu força ao dólar, aos juros dos Treasuries e, de tabela, puxou por aqui a curva do DI, com exceção da ponta curta, que operou de lado, à espera do recado da ata sobre a Selic terminal.
… No fechamento, o DI para janeiro de 2026 marcava 14,805% (contra 14,795% no pregão anterior); Jan/27, 14,040% (de 14,005%); Jan/29, 13,465% (de 13,385%); Jan/31, 13,600% (13,520%); e Jan/33, 13,650% (13,580%).
EM TEMPO… Prejuízo líquido da NATURA no 1Tri25 diminuiu 87,3% contra um ano antes, para R$ 151,5 mi. Receita líquida somou R$ 6,7 bi, alta anual de 45,8%…
… Ebitda recorrente totalizou R$ 789,5 mi, avanço de 30,1% contra igual intervalo do ano passado.
TELEFÔNICA BRASIL registrou lucro líquido de R$ 1,058 bi no 1TRI25, alta de 18,1% s/ 1TRI24. Receita líquida cresceu 6,2%, para R$ 14,390 bi; Ebitda aumentou 8,1%, para R$ 5,704 bi…
… A companhia distribuirá R$ 500 milhões na forma de JCP, ou 0,1543 brutos por ação; ex dia 23; data de pagamento ainda será definida.
SABESP. Lucro líquido contábil somou R$ 1,48 bilhão no 1Tri25, 80% acima do mesmo período de 2024. Entre janeiro e março, Ebitda ajustado registrou alta anual de 17,1% ano, somando R$ 3 bilhões…
… Receita líquida ajustada alcançou R$ 5,43 bilhões, crescimento de 3,9% em um ano…
… O conselho de administração aprovou um programa de recompra de até 6.904.170 ações ordinárias de emissão da companhia, o que representa aproximadamente 1% do total de ações em circulação.
ITAÚSA registrou lucro líquido de R$ 3,9 bi no 1Tri25, alta de 8% contra um ano antes.
BRADESCO e BB confirmaram que cada um dos bancos passará a deter um terço das ações da bandeira de cartões Elo, mesma fatia que a outra sócia, a Caixa Econômica Federal, também terá.
HAPVIDA teve lucro líquido ajustado de R$ 416,4 mi no 1Tri25, queda de 15,8% contra o 1Tri24. Sem ajuste, lucro foi de R$ 54,3 mi, recuo de 34,9% sobre um ano antes…
… Ebitda ajustado somou R$ 1,003 bi no 1Tri25, avanço anual de 0,5%. Receita líquida de R$ 7,499 bilhões ficou 7,3% acima de igual intervalo do ano passado.
BRAVA ENERGIA reverteu prejuízo e teve lucro de R$ 829,2 mi no 1Tri25. Ebitda ajustado somou R$ 1,070 bi, queda anual de 14%. Receita líquida totalizou R$ 2,874 bi, alta de 1,8% contra o 1Tri24.
YDUQS teve lucro líquido de R$ 128,7 milhões no 1TRI25, queda de 14,6% na comparação anual. Receita líquida subiu 1,6%, para R$ 1,487 bi; Ebitda recuou 1,1%, para R$ 503,3 milhões…
… A empresa divulgou guidance de lucro para o período de 2025 a 2030. Companhia projeta ganho líquido ajustado por ação entre R$ 1,70 e R$ 2,00 neste ano.
DIRECIONAL teve lucro líquido de R$ 164,515 milhões no 1TRI25, alta de 9,5% na comparação anual. Receita líquida subiu 33,6%, para R$ 894,132 milhões; Ebitda ajustado cresceu 42,2%, para R$ 233,8 milhões.
EVEN reportou lucro líquido consolidado de R$ 53,9 milhões no 1Tri25, queda de 16,9% contra o 1Tri24. Receita líquida totalizou R$ 337,3 milhões, baixa de 16,6% contra um ano antes.
IRB RE teve lucro líquido de R$ 118,6 mi no 1Tri25, alta de 49,9% em um ano.
GRUPO SBF teve lucro líquido ajustado de R$ 69,623 milhões no 1TRI25, alta de 64,6% na comparação anual. Receita líquida subiu 4,0%, para R$ 1,554 bi; Ebitda ajustado caiu 4,9%, para R$ 222,112 milhões.
AZZAS informou que a WGI Emerging Markets, administrada pela Westwood, passou a deter 10.344.746 ações de emissão da companhia. O montante soma 5,01% do total desta classe de ativos.
EMBRAER atualizou valor de dividendo anunciado em 29/4 para R$ 0,0701/ação; pagamento será realizado em 23/5; ex amanhã.
MOTIVA (antiga CCR) informou que o tráfego total de veículos nas concessões rodoviárias que administra caiu 14,3% em abril de 2025 ante o mesmo mês de 2024. No acumulado do ano, o recuo foi de 2,8%.
MOBLY informou, por meio de fato relevante, que recebeu a revogação da oferta pública voluntária para aquisição (OPA) do controle da companhia feita por Regain Participações e Paul Jean Marie Dubrule…
… A família fundadora da Tok&Stok, adquirida pela Mobly no ano passado, tenta impedir a fusão entre as duas empresas desde que o negócio foi anunciado.
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*com a colaboração da equipe do BDM Online
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Mercado espera detalhes do acordo EUA-China
Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*
[12/05/25]
… Os mercados financeiros abrem hoje na expectativa pelos detalhes do acordo que teria sido fechado no fim de semana entre os EUA e a China, após apenas dois dias de negociações na Suíça. Já nos primeiros negócios, os futuros de NY e os pregões asiáticos festejavam a informação anunciada pelos dois países. A notícia prevalece sobre a agenda importante de indicadores nesta semana em NY, com inflação (CPI e PPI), vendas no varejo, produção industrial e confiança do consumidor, e no Brasil. A ata do Copom amanhã é esperada com grande interesse para sinalizar junho, além do volume de serviços e dados do comércio, que, se vierem fortes depois do IPCA, deverão reforçar as chances de um ajuste final da Selic, para 15%. O calendário de balanços também é extenso, com Petrobras hoje, após o fechamento.
… O aumento da produção de óleo e gás no 1Tri deve levar a Petrobras a registrar resultados melhores em relação ao 1Tri/24. Estimativas compiladas pelo Valor junto a bancos e corretoras apontam para um lucro líquido médio de R$ 34,9 bilhões (+47,25%).
… Para a receita líquida, a projeção é de R$ 130 bilhões (+10,47%) e para o Ebtida, de R$ 64,3 bilhões (+7,16%).
… Além de Petrobras, divulgam balanços nesta 2ªF o BTG Pactual, Itaúsa, Telefônica Brasil, Sabesp, Hapvida, Banco Inter, Natura, Brava, Direcional, YDUQS, IRB, Grupo SBF, Track & Field, Even, OceanPact, Technos, Terra Santa e Taurus.
… A temporada de resultados na B3 segue forte nos próximos dias, com destaque para JBS e Nubank amanhã (3ªF); Eletrobras, Equatorial, Eneva, Americanas e Cisco (4ªF); e BB, CPFL, BRF, Marfrig, Cyrela, Eztec, Gafisa, Lojas Marisa, Gol e Walmart (5ªF).
… A ata do Copom, nesta 3ªF, pode ajustar as apostas para a Selic terminal, depois que o comunicado deixou junho em aberto, sem definir se o ciclo está encerrado com a taxa básica em 14,75% ou se o Comitê verá a necessidade de mais uma alta residual de 25pbs.
… O IPCA de abril, divulgado na 6ªF, reforçou as posições mais conservadoras, já que, apesar da desaceleração na margem, trouxe elevado índice de difusão, somando-se às pressões da surpresa com a produção industrial de março, bem acima do esperado.
… Se a ata não resolver esse impasse, o volume do setor de serviços (4ªF) e as vendas no varejo de março (5ªF) podem ser decisivos.
… Já hoje, o mercado monitora a edição semanal da pesquisa Focus (8h25), com atualização das projeções de inflação, PIB, Selic e câmbio.
… Nos EUA, se confirmado o desfecho positivo das negociações com a China, uma onda de otimismo pode embalar os mercados e resgatar as apostas em corte antecipado do juro pelo Fed, com junho ressurgindo como uma possibilidade.
… Nesse contexto, os indicadores desta semana perderão o status, já que foram projetados no auge da guerra comercial de Trump com os chineses. Powell tem uma fala prevista para 5ªF e, já com mais clareza sobre o quadro, poderá validar o ponto de inflexão.
… Na noite deste domingo, os sites internacionais de notícias só tinham um destaque, o acordo anunciado pela Casa Branca com a China.
… O secretário do Tesouro, Scott Bessent, revelou que os dois dias de negociação em Genebra com autoridades chinesas foram “muito produtivos”, com “progresso substancial”, e que os detalhes serão fornecidos em um briefing na manhã desta 2ªF.
… O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, que acompanhou Bessent à Suíça, confirmou que as discussões do fim de semana com a China foram “muito construtivas” e que se chegou a um “acordo”, sem antecipar mais informações.
… “A rapidez com que conseguimos chegar a um acordo significa que, talvez, as diferenças não eram tão grandes quanto se pensava. Nós estamos confiantes de que o acordo que fechamos com nossos parceiros chineses nos ajudará a resolver essa emergência nacional.”
… As autoridades chinesas que participaram das reuniões também falaram positivamente. O vice-primeiro-ministro da República Popular da China, He Lifeng, disse que a reunião “alcançou progressos substanciais”, chegando a um “consenso importante”.
… Já o representante de Comércio Internacional da China, Li Chenggang, sugeriu que uma declaração conjunta seria divulgada em breve. “Acredito que, independentemente de quando esta declaração for divulgada, será uma grande notícia. Boas notícias para o mundo.”
… “Este é um enorme ponto positivo na direção certa para os mercados”, disse Dan Ives (Wedbush Securities), em nota aos clientes. Para ele, “o fim de semana foi o melhor cenário possível, mostra que um acordo maior entre EUA e China já está em discussão”.
… Na Reuters, Michael Brown (Pepperstone) previu que investidores estarão agora mais confortáveis para retomar as posições de risco. “Parece que evitamos o pior cenário de fracasso das negociações e, de fato, alcançando algum progresso.”
… Brown apenas acrescentou que o mercado vai querer mais informações específicas para fortalecer essa convicção.
… Para Valentin Marinov (Crédit Agricole), “os últimos acontecimentos podem ser uma bênção para ativos e moedas correlacionados ao risco e um golpe para moedas consideradas refúgio, como o iene, o franco suíço e até mesmo o euro.”
… Os primeiros preços nos mercados de câmbio da Austrália e da Ásia nesta 2ªF mostraram que tanto o euro quanto o iene recuaram em relação ao dólar americano, enquanto o yuan offshore também apresentava uma leve valorização.
… Os ativos de risco também podem se beneficiar do cessar-fogo entre a Índia e o Paquistão, bem como dos sinais de que os líderes da Rússia e da Ucrânia devem se reunir esta semana. Putin propôs encontrar-se com Zelensky no dia 15 (5ªF), em Istambul (Turquia).
MAIS AGENDA – Trump anunciou no fim de semana que assinará hoje ordem executiva que pode reduzir os preços de medicamentos nos Estados Unidos entre 30% e 80%. Amanhã, o presidente parte para uma viagem oficial no Oriente Médio.
… Em visitas à Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes, a pauta engloba o cessar-fogo entre Israel e Gaza, petróleo, comércio, acordos de investimento e novos desenvolvimentos nas áreas de exportação de semicondutores avançados e programas nucleares.
… Entre indicadores fora dos EUA, são destaques nesta semana: o PIB/1Tri na Zona do Euro e no Japão, e dados de inflação na Alemanha.
PETRÓLEO – O Irã e os EUA realizaram neste domingo a quarta rodada de negociações sobre o programa nuclear.
… O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, classificou as conversas como “difíceis, mas úteis”. Fonte americana disse que o resultado foi “encorajador” e que um próximo encontro ocorrerá em breve.
CHINA – Em linha com as expectativas, a inflação ao consumidor (CPI), divulgada na noite da última 6ªF, recuou 0,1% em abril, na comparação anual, repetindo o declínio de março e marcando o terceiro mês consecutivo de queda.
… Já o índice de preços ao produtor (PPI) chinês teve queda anualizada de 2,7% no período, após recuo de 2,5% em março. O dado veio levemente pior do que o esperado pelo consenso dos analistas de mercado, de -2,8%.
GALÍPOLO – O presidente do BC está fora do Brasil em viagens oficiais à Suíça, onde participou no fim de semana das reuniões bimestrais do BIS na Basileia, e agora segue para a China (amanhã, 13 de maio) e para a Espanha (15 e 16 de maio).
FAZ PARTE DO MEU SHOW – NY manteve a volatilidade à véspera da reunião entre os EUA-China em Genebra, diante dos novos sinais trocados de Trump, ao cogitar na 6ªF quedas das tarifas a Pequim de 145% para 80%.
… O comentário só serviu para a Casa Branca desmentir depois, quando a chefe de comunicação do governo de Washington esclareceu que os americanos cobrariam concessões e não cortariam as taxas unilateralmente.
… O mercado está cansado de saber que a retórica de Trump é muito pouco confiável, muitas vezes sem compromisso com a verdade. Assim, tão rápido quanto se arriscaram a subir, as bolsas em NY devolveram tudo.
… Também os Fed boys trataram de indicar que Powell está certo quando diz não ter pressa de relaxar os juros, porque, até que saiam avanços concretos para um desfecho da guerra comercial, a estratégia é arriscada.
… Raphael Bostic não acredita ser prudente ajustar a política monetária com “tão pouca visibilidade do caminho a seguir”. Adriana Kugler defendeu a posição do Fomc de manter os juros inalterados na próxima reunião (maio).
… Agora é ficar na torcida para que os americanos e os chineses tenham mesmo conseguido se entender nas últimas 48h em que estiveram na Suíça, porque é isso que pode fazer a total diferença para uma reviravolta otimista.
… Em compasso de espera pelas negociações do fim de semana, o Dow Jones caiu 0,29% (41.249,38 pontos), enquanto o S&P 500 (-0,07%, aos 5.659,91 pontos) e o Nasdaq (17.928,92 pontos) se acomodaram na estabilidade.
… Entre os Treasuries, profissionais de mercado citaram o clima de esperar para ver, que derrubou de leve as taxas da Note de 2 anos (a 3,883%, contra 3,893% na véspera) e de 10 anos, para 4,381%, de 4,385% no dia anterior.
… Também o dólar caiu lá fora. Não quis confiar antecipadamente em um progresso com a China no fim de semana.
… A reputação da moeda americana foi tão abalada nos últimos tempos pelo protecionismo econômico kamikaze de Trump, que vem acontecendo o que parecia improvável, com migração de investimentos para outras divisas globais.
… Na 6ªF, o índice DXY caiu 0,3%, embora tenha conseguido defender a linha dos 100 pontos (100,339). O iene acelerou para 145,35/US$, o euro avançou 0,26%, cotado a US$ 1,1253, e a libra ganhou 0,44%, a US$ 1,3306.
… Em meio à busca recente por alternativas diferentes à moeda americana, estrategistas do BofA veem espaço para valorização adicional do real. Na 6ªF, o dólar estacionou na casa de R$ 5,65, à espera do desenrolar na Suíça.
… Limitou a baixa a 0,11%, negociado a R$ 5,6548, um dia depois de ter registrado queda intensa, de quase 1,5%. Diante do enfraquecimento global, a XP reduziu na 6ªF a projeção do dólar no fim do ano de R$ 6,00 para R$ 5,80.
PLATÔ – Uma continuidade do alívio no câmbio pode ajudar o Copom a parar de subir a Selic, apesar do recado do comunicado da semana passada de juro em patamar “significativamente contracionista por período prolongado”.
… Qualquer abordagem mais dovish do BC continua condicionada à política comercial de Trump e à política fiscal de Lula, neste momento em que a inflação ainda continua rodando alta e estourando o teto da meta, de 4,5%.
… Embora o IPCA de abril, divulgado na 6ªF, tenha desacelerado para 0,43%, contra 0,56% em março, subiu em 12 meses, de 5,48% para 5,53%. A inflação segue espalhada: o índice de difusão foi de 64,72% para 66,84%.
… Outra evidência ruim é que a alta acumulada pelos preços nos serviços subjacentes, de 6,7%, é a maior desde junho de 2023. Diante das pressões no resultado, o ASA elevou sua projeção para IPCA deste ano de 5,3% para 5,4%.
… Mas a XP reduziu de 6,0% para 5,7%, refletindo a melhora no câmbio e a queda do petróleo, embora no intervalo da última semana a commodity venha testando uma reação, apontando em progressos na negociação com a China.
… O barril do Brent para entrega em julho registrou valorização de 1,70% na 6ªF, para US$ 63,91.
… No geral, a expectativa é de que, se der tudo certo lá fora e a tensão comercial parar de escalar, o ambiente externo possa propiciar ao Copom um importante argumento para dar um fim ao ciclo de aperto monetário.
… Apesar do desconforto com o IPCA de abril, a ponta curta do DI operou estável na 6ªF, de olho nas novidades do fim de semana em Genebra. Os contratos mais longos fecharam com viés de queda, mas também perto dos ajustes.
… O contrato de juro para janeiro de 2026 marcou 14,795% (de 14,790% no fechamento anterior); Jan/27, 14,005% (contra 13,990%); Jan/29, 13,385% (de 13,415%); Jan/31, 13,520% (contra 13,590%); e Jan/33, 13,580% (13,640%).
… A esperança de que o momento mais crítico da guerra comercial tenha passado e que, por aqui, o BC comece a preparar os espíritos para aliviar o conservadorismo promete resgatar o apetite do investidor estrangeiro para a B3.
… Neste início de maio, o saldo em capital externo está positivo em R$ 1,3 bi, depois da fuga no começo de abril.
… O Ibovespa volta a sonhar com recordes inéditos de pontuação. O pregão da 6ªF, porém, foi morno, porque em todo o mundo os investidores operaram engessados pela expectativa com os desdobramentos entre os EUA-China.
… O índice à vista fechou em alta discreta de 0,21%, aos 136.511,88 pontos. A surpresa ficou com o giro de R$ 29,7 bilhões, inflado pela venda de participação relevante (16,5%) de coinvestidores do fundo Pátria na SmartFit (-4,75%).
… A rede de academias sozinha girou quase R$ 2,7 bilhões, mais que Itaú PN, que movimentou perto de R$ 2 bi após a divulgação de seu balanço trimestral muito elogiado e que garantiu rali aos papéis do banco (+5,41%, a R$ 37,23).
… Ainda Bradesco PN (+0,27%, a R$ 15,12), BB (+0,41%, a R$ 29,53) e Santander (+0,87%, a R$ 29,99) fecharam no azul. Petrobras ON (+0,51%; R$ 33,20) e PN (+0,65%; R$ 30,91) repercutiram nova descoberta de petróleo.
… A companhia identificou a presença de petróleo de “excelente qualidade e sem contaminantes” no pré-sal no campo de Aram, localizado na bacia de Santos. Esta é a segunda descoberta no campo anunciada em dois meses.
… Vale ON (+0,40%, a R$ 52,95) registrou ganho moderado, apesar de o minério ter fechado em queda de 0,57%.
EM TEMPO… BRASKEM reverteu prejuízo e teve lucro líquido de R$ 698 milhões no 1Tri25. O Ebitda recorrente foi de R$ 1,3 bilhão, com alta de 16% ante os primeiros três meses de 2024…
… A receita líquida, por sua vez, foi de R$ 19,5 bilhões, alta de 9% contra igual intervalo do ano passado.
PETROBRAS comunicou que, após seis anos, retomou as perfurações de poços na Bahia, do poço 7-TQ-240D-BA, localizado no campo de Taquipe, em São Sebastião do Passé, a cerda de 80 km de Salvador (BA)…
… A Petrobras também informou que a Proquigel, subsidiária da Unigel, aprovou acordo para encerramento das controvérsias contratuais e litígios existentes entre as empresas…
… Acordo prevê o retomada da posse e operação das unidades de fertilizantes (FAFENs), na Bahia e em Sergipe, pela Petrobras. Para produzir seus efeitos, o acordo ainda precisará ser homologado pelo Tribunal Arbitral.
BANCO MASTER. O Banco de Brasília (BRB) conseguiu derrubar uma decisão que o impedia de fechar a compra da instituição, anunciada no final de março.
BANCO ABC BRASIL teve lucro líquido de R$ 225,6 milhões no 1TRI25, alta de 1,1% na comparação anual. ROAE ficou em 14,1% no 1TRI25, de 15,1% no 1TRI24.
BANCO BV encerrou o 1Tri25 com lucro líquido recorrente de R$ 480 milhões, crescimento de 49,6% em relação ao mesmo intervalo do ano passado.
MINERVA firmou acordo de leniência de R$ 22 milhões com a CGU e a AGU relacionado a investigações iniciadas em 2017 sobre supostos pagamentos indevidos a auditores fiscais federais agropecuários em Araguaína (TO).
JHSF. O conselho de administração aprovou a proposta de venda de uma fração do imóvel onde funciona o Shopping Ponta Negra, em Manaus, de sua titularidade.
FERTILIZANTES HERINGER reverteu prejuízo e teve lucro líquido de R$ 59,577 milhões no 1Tri25. Apesar da melhora no resultado trimestral, a empresa contabilizou queda de 6,7% na receita líquida de vendas…
… O Ebitda ficou positivo em R$ 3,539 milhões, ante resultado negativo de R$ 52,116 milhões na comparação anual.
RAÍZEN informou que a BlackRock passou a deter 5,001% das ações preferenciais.
HIDROVIAS DO BRASIL fará a 4ª emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, da espécie quirografária, para distribuição pública, em até duas séries, no valor R$ 2,2 bilhões.
JALLES MACHADO. O conselho de administração aprovou a sexta emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, da espécie quirografária, em duas séries, no valor de R$ 400 milhões.
COPEL informou que a GQG Partners LLC aumentou sua participação acionária na companhia para 65.162.324 ações ordinárias, representando 5,01% do total desta classe de ação.
ISA ENERGIA. O STJ determinou convocação da empresa e da Fazenda de SP para audiência dia 22 sobre complementação de aposentaria e pensão a colaboradores da antiga Cesp até maio/1974.
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