Juros disparam com anúncio inesperado de isenção de IR junto com pacote fiscal
Os juros futuros chegaram a subir 50 pb na ponta longa da curva no pior momento desta quarta-feira, refletindo a deterioração da percepção de risco fiscal após as informações de que o governo pretende anunciar logo mais, junto com o pacote de corte de gastos, a isenção de imposto de renda sobre salários até R$ 5 mil e a taxação dos super-ricos.
A equipe econômica tentou evitar o anúncio conjunto das medidas, justamente temendo uma reação negativa do mercado, preocupado com uma possível perda expressiva de arrecadação sem a devida compensação.
Porém, a ala política do governo avaliou que o anúncio da promessa de campanha de Lula ajudaria a minimizar a repercussão pública negativa da limitação do cálculo de reajuste do salário mínimo aos parâmetros do arcabouço.
Nas contas do economista Felipe Salto, da Warren, a isenção de IR até R$ 5 mil pode gerar uma redução de pelo menos R$ 45,8 bilhões na arrecadação.
No fechamento, o DI para janeiro de 2026 marcava 13,500% (de 13,270% no fechamento anterior); Jan/27 a 13,620% (13,325%); Jan/29 a 13,450% (13,085%); Jan/31 a 13,290% (12,910%); Jan/33 a 13,160% (12,790%).
(Téo Takar)
Petróleo fecha quase estável com queda do dólar e dos estoques nos EUA compensando cessar-fogo em Israel
O petróleo encerrou perto da estabilidade nesta quarta-feira, em meio a um cabo de guerra de eventos.
A confirmação do cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah, com potencial de empurrar os preços da commodity para baixo, foi compensada pela forte queda do dólar (DXY -0,92%) após dados de inflação dentro do esperado nos EUA, e pela redução dos estoques americanos na semana passada em 1,844 milhão de barris, bem acima do esperado (-500 mil).
O Brent para janeiro recuou 0,03%, a US$ 72,30 por barril, na ICE. E o WTI para o mesmo mês caiu 0,07%, a US$ 68,72 por barril, na Nymex.
Dólar dispara com anúncio inesperado de isenção de IR junto com imposto para super-ricos e pacote fiscal
O dólar à vista disparou frente ao real nesta quarta-feira, na contramão da queda expressiva da moeda americana em relação aos pares no exterior. A aversão ao risco no mercado doméstico aumentou no início da tarde, com a divulgação de notícias de que o ministro Fernando Haddad poderá anunciar a isenção de imposto de renda para salários de até R$ 5 mil juntamente com o pacote de medidas de cortes de gastos.
O anúncio será feito em pronunciamento em rede nacional, às 20h30. Os investidores ficaram especialmente incomodados com o fato de que a ampliação da isenção do IR será compensada pela tributação dos super-ricos, medida que também pode ser divulgada hoje.
No exterior, o dólar passou por forte correção após o PCE de outubro, dado de inflação preferido do Fed, e o PIB dos EUA no 3TRI ficarem dentro das expectativas, reforçando a aposta de corte de 25 pb nos juros pelo BC americano em dezembro.
O dólar à vista fechou em alta de 1,81%, a R$ 5,9135, após oscilar entre R$ 5,8030 e R$ 5,9289. É a maior cotação nominal de fechamento atingida pela divisa americana desde o início do plano real. Às 17h12, o dólar futuro para dezembro subia 1,71%, a R$ 5,9120.
Lá fora, o índice DXY caía 0,86%, para 106,089 pontos. O euro subia 0,70%, a US$ 1,0561. E a libra avançava 0,83%, a US$ 1,2673.
(Téo Takar)