Economia aquecida é boa notícia para os EUA, mas tem viés negativo para os mercados

A semana termina com o mercado de trabalho americano mostrando que segue firme e forte. Apesar da boa notícia para a economia dos EUA, o viés é negativo para os mercados, uma vez que o Fed tende a ser mais cuidadoso na sua política de afrouxamento monetário.

O cenário de economia ainda bastante aquecida se junta à incerteza sobre como será a política de Trump, especialmente em relação às promessas de tarifas sobre importações para proteger a produção nacional. Se confirmadas, as medidas poderão frear ou até reverter o processo desinflacionário nos EUA, obrigando o Fed a suspender os cortes e até cogitar um nova alta nos juros.

Por aqui, o IPCA de dezembro veio dentro do esperado, confirmando o estouro da meta de 2024, mas mostrou uma maior disseminação da inflação pela economia, o que apenas reforça o plano do Copom de elevar mais duas vezes a Selic em 1 pp, deixando em aberto até onde irá com o atual ciclo de aperto.

Bom fim de semana! (Téo Takar)

Ibovespa segue tendência negativa de NY, diante do forte payroll de dezembro nos EUA

[10/1/2025] Da Redação do Bom Dia Mercado

O Ibovespa seguiu a tendência negativa externa nesta sexta-feira, diante do forte payroll de dezembro nos EUA, que reforçou as apostas de não haver espaço para novos cortes das taxas de juros pelo Fed neste ano e derrubou as bolsas em NY.

No noticiário econômico local, o foco dos investidores foi o IPCA confirmando o estouro da meta de inflação de 2024. O índice fechou em queda de 0,77%, aos 118.856,48 pontos, com volume de R$ 19,7 bilhões. Na semana, porém, acumulou alta de 0,27%.

O ganho moderado das blue chips limitou as perdas do Ibovespa no dia. Vale subiu 0,57% (R$ 51,52), Petrobras ON ganhou 0,49% (R$ 40,92) e Petrobras PN teve elevação de 0,27% (R$ 36,94).

O dólar à vista fechou em alta de 1,00%, a R$ 6,1024. Os juros futuros também avançaram (DI Jan26 a 15,095%).

Em NY, Dow Jones caiu 1,63% (41.938,45), S&P500 recuou 1,54% (5.827,04), e Nasdaq cedeu 1,63% (19.161,63). Na semana, os índices acumularam perdas de, respectivamente, 1,86%, 1,94% e 2,34%.

Por sua vez, os retornos dos Treasuries subiram.

(Igor Giannasi)

Juros futuros pegam carona na disparada dos Treasuries após payroll forte e IPCA mais “espalhado”

Os juros futuros tiveram acúmulo expressivo de prêmio nesta sexta-feira, acompanhando principalmente o movimento das taxas dos Treasuries, que avançaram após o payroll de dezembro.

O dado de emprego americano acima do esperado reduziu as chances de o Fed realizar cortes de juros neste ano, o que impulsionou as taxas dos títulos e também fortaleceu o dólar globalmente.

Por aqui, o mercado também repercutiu o IPCA de dezembro (+0,52%), que veio ligeiramente abaixo do previsto (+0,52%), porém mostrou uma piora índice de difusão, que passou de 58% em novembro para 69% em dezembro, mostrando que a inflação ficou mais espalhada pela economia no mês passado.

O resultado cheio do IPCA de 2024 (+4,83%) confirmou o estouro da meta do BC e apenas reforça o discurso do Copom, que já prometeu mais duas altas de 1 pp na Selic neste início de ano.

No fechamento, o DI para janeiro de 2026 marcava 15,095% (de 14,965% no fechamento anterior); Jan/27 a 15,465% (15,315%); Jan/29 a 15,400% (15,140%); Jan/31 a 15,230% (14,950%); e Jan/33 a 15,070% (14,780%).

(Téo Takar)