Juros futuros azedam após Haddad mostrar preocupação com trajetória da dívida
Os juros futuros encerraram a sessão desta sexta-feira em alta, acompanhando o avanço do câmbio e também reagindo às declarações do ministro Fernando Haddad, em entrevista à CNN. Lá fora, o viés do dólar era de alta, por conta da cautela dos investidores na véspera da posse de Donald Trump, o que acabou influindo no comportamento do câmbio por aqui.
As taxas longas acentuaram a alta a partir do meio da tarde, aumentando a inclinação da curva, por conta da entrevista de Haddad. O ministro revelou que, assim como o mercado, “também estou preocupado com a trajetória da dívida pública”, mas garantiu que a “Fazenda vai trabalhar o fiscal de forma estrutural para conter a trajetória da dívida”.
Outro ponto de atenção foi a reunião periódica que o BC faz com economistas. Segundo participantes ouvidos pelo Broadcast, todos os analistas corroboraram com a necessidade de continuar aumentando a Selic, que deve chegar a 15% no fim do ciclo de aperto. Alguns mencionaram a possibilidade de redução dos juros no fim deste ano, mas a maioria não vê espaço para cortes.
Na agenda do dia, o IGP-10 subiu 0,53% em janeiro, após a alta de 1,14% em dezembro, abaixo da mediana de 0,67% das estimativas do mercado.
No fechamento, o DI para janeiro de 2026 marcava 14,965% (de 14,900% no fechamento anterior); Jan/27 a 15,250% (15,130%); Jan/29 a 15,190% (15,010%); Jan/31 a 15,160% (14,960%); e Jan/33 a 15,080% (14,860%).
(Téo Takar)
Alívio com China dura pouco e dólar termina o dia em alta, com investidor cauteloso antes da posse de Trump
O dólar à vista fechou em alta nesta sexta-feira, após uma sessão volátil, com investidores reagindo a dados da China e demonstrando cautela na véspera da posse de Donald Trump.
O crescimento de 5,4% do PIB chinês em 2024, acima dos 5% prometidos pelo governo de Pequim, e outros números positivos da economia chinesa deram sustentação às moedas de países produtores de commodities na parte da manhã.
Porém, a proximidade de posse de Donald Trump, na segunda-feira, levou o mercado a manter a cautela. Ainda há dúvidas sobre quais medidas serão anunciadas logo no início do governo e também em relação à magnitude da prometida tarifa de importação, que pode gerar impacto inflacionário nos EUA, levando o Fed a encurtar seu ciclo de afrouxamento monetário.
Por aqui, o destaque ficou por conta da entrevista do ministro Fernando Haddad à CNN. Questionado sobre o atual patamar do câmbio, Haddad disse que “não compraria dólar acima de R$ 5,70, porque é caro para as condições de fundamento da economia brasileira”, mas acrescentou que “eu não sei onde o dólar vai estacionar, porque depende de várias variáveis”.
O dólar à vista fechou em alta de 0,20%, a R$ 6,0656, após oscilar entre R$ 6,0290 e R$ 6,0904. Na semana, a moeda recuou 0,60%. Às 17h15, o dólar futuro para fevereiro subia 0,29%, a R$ 6,0845.
O índice DXY tinha alta de 0,38%, aos 109,369 pontos. O euro caía 0,27%, a US$ 1,0274. E a libra perdia 0,59%, para US$ 1,2167.
(Téo Takar)
Petróleo recua com cessar-fogo em Gaza, mas acumula 4ª semana de ganhos com sanções à Rússia
O petróleo registrou queda modesta nesta sexta-feira, mas completou sua quarta semana consecutiva de ganhos, embalado principalmente pelas novas sanções dos EUA ao óleo russo.
Na sexta-feira passada, o governo Biden ampliou as restrições contra duas grandes companhias russas e quase duas centenas de petroleiros, o que deve limitar o fornecimento de óleo russo principalmente para China e Índia.
Por outro lado, as notícias do cessar-fogo na Faixa de Gaza a partir do próximo domingo e a sinalização dos Houthis de fazer uma pausa nos ataques a navios no Mar Vermelho colaboraram para o recuo nos preços hoje.
O Brent para março caiu 0,61%, a US$ 80,79 por barril, na ICE. E o WTI para o mesmo mês recuou 0,59%, a US$ 77,39 por barril, na Nymex. Na semana, os contratos subiram 1,29% e 2,05%, respectivamente.