Em sessão volátil, Ibovespa fica estável após tarifas de Trump; NY registra forte baixa com temor de recessão

[3/4/2025] Da Redação do Bom Dia Mercado

Em uma sessão volátil, o Ibovespa chegou a avançar por parte do pregão, diante da avaliação de que o Brasil foi menos atingido pelas medidas anunciadas na véspera pelo presidente Donald Trump, com os produtos do país recebendo a tarifa mínima de 10%, mas o índice perdeu força, em meio ao recuo de Vale e Petrobras, e fechou perto da estabilidade.

O índice teve leve baixa de 0,04%, aos 131.140,65 pontos. O volume foi elevado, somando R$ 28 bilhões.

As ações de petrolíferas ficaram entre as maiores perdas do pregão, impactadas pela forte queda do petróleo, em reação às tarifas de Trump. Petrobras ON recuou 3,53%, a R$ 39,38), e Petrobras PN caiu 3,23%, a R$ 36,00.

Vale também figurou no ranking negativo, cedendo 3,62% (R$ 54,87), penalizada pelas medidas do governo americano, assim como outras metálicas.

A moeda americana afundou em escala global, após as medidas do governo dos EUA. Por aqui, o dólar à vista fechou em baixa de 1,20%, a R$ 5,6281.

Em NY, as bolsas registraram fortes perdas depois de uma expressiva e negativa reação dos mercados à guerra comercial de Trump, com o temor de economistas pela volta da inflação e de uma recessão ainda esse ano. As big techs foram as mais atingidas por estarem localizadas em países asiáticos que foram contempladas com tarifas elevadas.

Dow Jones recuou 3,98% (40.544,64). S&P 500 perdeu 4,84% (5.396,54). Nasdaq caiu 5,97% (16.550,61). Os retornos dos Treasuries recuaram.

Juros derretem no day after das tarifas de Trump

Não só as taxas dos Treasuries afundaram hoje, em reação às tarifas anunciadas por Trump acima do esperado, mas também os juros futuros na B3, que chegaram a cair quase 50 pontos-base.

Nos EUA, as incertezas elevadas a níveis máximos desencadearam uma corrida para os títulos do Tesouro, derrubando os yields. O receio de uma recessão da economia americana também estimulou apostas em cortes mais profundos do juro pelo Fed.

Aqui, a curva dos futuros afundou com o dólar e o petróleo, sinalizando alívio para a inflação, o que pode abrir espaço para o Copom encerrar o ciclo de aperto antes do esperado.

O dia tenso e barulhento não encerra as reações ao Liberation Day. O que vai determinar a dimensão de uma guerra comercial são as contramedidas que os países mais atingidos estão preparando. O 2 de abril apenas deu o start para um período de insegurança que não se sabe até aonde pode ir.

Após os ajustes, o DI para janeiro/2026 fechou na mínima, a 14,740% (de 14,783%); Jan/2027, a 14,375% (de 14,402%); Jan/2029, a 14,130% (de 14,173%); Jan/2031, a 14,370% (de 14,419%); e Jan/2033, a 14,470% (de 14,494%).

(Rosa Riscala)

Dólar derrete com tarifas e real tem forte valorização

O dólar afundou em escala global, na reação às tarifas de Trump, não só ante os rivais, mas também frente às moedas dos emergentes. Aqui, o dólar terminou os negócios em baixa de 1,20%, a R$ 5,6281 no mercado à vista, enquanto no futuro era negociado a R$ 5,6655 (-1,12%) por volta das 17h.

Lá fora, o índice DXY, que mede a força da moeda americana ante seis divisas fortes, marcava queda de 1,61% na altura do fechamento em NY, a 102,138 pontos.

O dólar caiu ante o euro, que subiu 1,79% (US$ 1,1024), ante a libra esterlina, que avançou 0,63% (US$ 1,3081) e o franco suíço (+2,62%, a US$ 1,1636). Frente ao iene japonês, o dólar caiu 1,71%, a 146,166/US$.

A moeda americana perdeu também para todas os emergentes, com destaque para as quedas ante o peso mexicano (-1,24%) e o real brasileiro.

As projeções de desaceleração da economia americana, que, na avaliação do mercado levará o Fed a aumentar a intensidade da queda dos juros, explica a reação do câmbio. Aqui, o dólar bateu mínima de R$ 5,5934.

(Rosa Riscala)