RCN: Mercado entende que choque positivo no fiscal tem que vir do gasto, não da receita

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou hoje que o ideal é que o pacote fiscal discutido pelo governo federal neste momento se concentre especificamente na questão do corte de gastos, sem que haja também novas medidas focadas na ampliação de receitas, sob o risco de “interditar” o processo de melhora de percepção dos agentes com a política fiscal brasileira.

Campos Neto reforçou que um juro mais baixo no Brasil só aconteceu em momentos em que houve também um choque positivo vindo da política fiscal. Para ele, não é correta a avaliação de que o Brasil esteja numa situação de “dominância fiscal”.

Campos Neto também pontuou que o Brasil poderia se antecipar um pouco em fazer essa lição de casa no fiscal, mas que a situação fiscal do País “não é um desastre iminente”, e que é possível corrigi-la.

Bolsas europeias fecham mistas, em meio a declarações de membros do BCE e avanço de petroleiras

As bolsas da Europa fecharam mistas, com investidores monitorando as declarações de dirigentes de BCs da região, enquanto aguardam os números do CPI da zona do euro e do Reino Unido nos próximos dias para avaliar as chances de mais cortes de juros no bloco.

O dirigente do BCE Gabriel Makhlouf ressaltou que as próximas decisões serão tomadas com cautela e observou que seria ir longe demais dizer que um corte na taxa de juros do BCE no mês que vem está certo. Outro dirigente do BCE, Yannis Stournara afirmou que um corte de juros em dezembro está quase certo e ponderou que uma redução de 25 pb seria apropriada.

As ações de petroleiras pegaram carona no avanço da commodity e ficaram entre os destaques de alta do dia. Em Londres, BP (+1,15%) e Shell (+1,09%) ajudaram o FTSE100 a fechar em alta de 0,57%.

Em Paris, a Total teve ganho de 1,03%, apoiando o CAC40 (+0,12%). Já o DAX, de Frankfurt, recuou 0,11%. O índice Stoxx600 fechou em baixa de 0,06%, aos 502,84 pontos.

Outra semana termina sem anúncio do pacote fiscal, que fica para depois do G20

Mais uma semana termina e nada de pacote de corte de gastos. Ao menos, o ministro Fernando Haddad sinalizou que os números serão “expressivos”, o que trouxe algum conforto ao mercado.

Também circulou nas mesas a informação de que a redução nas despesas seria da ordem de R$ 70 bilhões nos próximos dois anos. A expectativa é de que o mistério acabe na próxima semana, depois das reuniões do G20.

Nos EUA, as atenções estiveram voltadas para a montagem do gabinete de Donald Trump. Como já se especulava desde a vitória do republicano, Elon Musk ganhará um posto em Washington. Aliás, o empresário foi um dos grandes beneficiados em Wall Street pelo resultado das eleições. As ações da Tesla subiram como um foguete (com o perdão do trocadilho), acumulando alta de 24% desde o anúncio da vitória de Trump.

Hoje, foi a vez de Jerome Powell esfriar um pouco a empolgação do mercado americano, ao afirmar que não há motivos para o Fed ter pressa em baixar os juros.

Bom feriado! (Téo Takar)