Boletim Focus 02.03.26

Boletim Focus de 02/03 revisa inflação de 2027 para baixo e ajusta projeções de câmbio e juros para 2026, refletindo expectativas do mercado sobre a política monetária.

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Por equipe econômica PicPay

O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, 02 de março, trouxe atualizações importantes acerca da expectativa do mercado para trajetória dos indicadores macroeconômicos acompanhados pelo Banco Central para fins de decisão de política monetária. O destaque do boletim de hoje ficou por conta da revisão promovida na projeção de inflação de 2027, que sofreu a primeira revisão em dezesseis semanas. A mediana das projeções para o período recuou de 3,80% para 3,79%, com a coleta dos últimos cinco dias registrando mediana de 3,74%. Vale lembrar que o IPCA de 2027 contempla o horizonte relevante da política monetária atual, de maneira que revisões de baixa por parte do mercado, ainda que de maneira tímida como observado hoje, devem ser interpretadas positivamente.

Para 2026, as principais mudanças vieram do câmbio e taxa de juros. No primeiro caso, o câmbio projetado para o final do ano saiu de R$/US$ 5,45 para R$/US$ 5,42. Há quatro semanas, o dado era de R$/US$ 5,50, sugerindo confiança dos agentes financeiros na manutenção do processo de apreciação cambial em curso. No caso da taxa de juros, a mediana das projeções concluiu seu movimento de conversão para 12%, saindo de 12,25% há quatro semanas e 12,13% na semana anterior, arrefecimento consolidado a despeito da divulgação acima do esperado IPCA-15 de fevereiro na semana anterior.

Prospectivamente, tendo em vista os acontecimentos recentes no cenário geopolítico internacional envolvendo os Estados Unidos e o Irã, as atenções devem se voltar para possíveis revisões nos indicadores de inflação e câmbio. A incerteza relacionada à trajetória do preço do barril de petróleo pode impactar negativamente a perspectiva dos agentes em função da importância da commodity para uma série de itens do IPCA, em especial aqueles ligados à cadeia dos combustíveis, embora bens de consumo não duráveis também possam ser afetados. Um aumento substancial e duradouro do preço do petróleo poderia impactar também a taxa de câmbio, seja por conta da maior pressão por parte da balança comercial ou mesmo por possíveis redirecionamentos de fluxos financeiros em um ambiente de maior incerteza.

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