Resumo semanal: 10/11 a 14/11
Por Matheus Gomes de Souza, CEA Estados Unidos A paralisação governamental mais longa da história, que durou 43 dias, foi encerrada após aprovação de proposta fiscal no Congresso e sanção presidencial, assegurando orçamento para a maioria das agências até janeiro. A retomada gradual de serviços públicos e da divulgação de indicadores oficiais deve melhorar a […]
Por Matheus Gomes de Souza, CEA
Estados Unidos
A paralisação governamental mais longa da história, que durou 43 dias, foi encerrada após aprovação de proposta fiscal no Congresso e sanção presidencial, assegurando orçamento para a maioria das agências até janeiro. A retomada gradual de serviços públicos e da divulgação de indicadores oficiais deve melhorar a transparência econômica. Na economia, o índice de otimismo das pequenas empresas caiu para 98,2 pontos em outubro, reflexo de maiores dificuldades para contratação, carga tributária elevada e inflação persistente, mantendo-se abaixo do nível pré-pandemia.
Esse cenário reforça a moderação do mercado de trabalho, que mantém relativa estabilidade sem aceleração de contratações. A cautela do Federal Reserve diante da inflação e da fragilidade nos indicadores sustenta a probabilidade de manutenção das taxas de juros nos próximos meses. A leve retração na confiança empresarial sugere que a recuperação será gradual e sensível a políticas de estímulo focadas no emprego e no consumo interno.
Brasil
A inflação medida pelo IGP-10 registrou alta de 0,18% em novembro, acumulando 0,34% em 12 meses, desacelerando frente ao 1,6% anterior. O núcleo industrial avançou 2,8% enquanto o agrícola recuou 3,1%, indicando descompressão nos preços ao atacado; o IPCA subiu 0,09% no mês, com alívio vindo da queda nas tarifas de energia elétrica, mas ainda acumula 4,68% em 12 meses, acima da meta de 3%. A expectativa para 2026 é de maior pressão inflacionária devido a mercado de trabalho aquecido e câmbio mais forte.
Na atividade, o setor de serviços cresceu 0,6% em setembro, oitavo mês consecutivo de alta, impulsionado por informação e comunicação, enquanto o comércio avançou 0,2%, mas com desaceleração em segmentos sensíveis ao crédito. O Banco Central reforçou manutenção da Selic em 15%, avaliando política monetária suficiente para convergir a inflação à meta, com possível início de corte de juros em março de 2026. O PIB deve avançar 2% em 2025, menor que 2024, refletindo a política restritiva e condições de crédito mais duras.
Europa
A Noruega considera permitir que seu fundo soberano de US$ 2,1 trilhões invista em empresas de defesa a partir de 2027, sinalizando mudança estratégica diante da guerra na Ucrânia e da pressão por segurança do governo dos EUA. O movimento poderia influenciar investidores ESG e rever diretrizes éticas para incluir companhias que produzem armamentos nucleares, justificando coerência entre compras militares e investimentos financeiros.
Na zona do euro, a produção industrial avançou 0,2% em setembro, abaixo das expectativas, com desempenho positivo na Alemanha (+1,9%) e Itália (+2,8%), e retração acentuada na Irlanda por efeitos fiscais. O PIB cresceu 0,2% no trimestre, com superávit comercial de €19,4 bilhões em setembro, impulsionado por exportações para os EUA. O cenário mostra resiliência moderada, mas sem catalisadores para aceleração mais robusta do crescimento em 2026.
Ásia
Na China, vendas no varejo cresceram 2,9% em outubro, quinta desaceleração mensal consecutiva, enquanto a produção industrial avançou 4,9%, abaixo das previsões, refletindo fraqueza na demanda interna e pressões do setor imobiliário. A Coreia do Sul manteve juros em 2,50%, ponderando riscos do mercado imobiliário aquecido e volatilidade cambial frente ao dólar.
Tensões geopolíticas se intensificaram com a declaração da premiê japonesa sobre Taiwan, gerando reação dura da China e pedidos em Tóquio para expulsar um diplomata chinês. O FMI projetou crescimento de 2,1% para a Tailândia em 2025, descendo para 1,6% em 2026, recomendando mais estímulo monetário. A Coreia do Norte ameaçou ações ofensivas após chegada de um porta-aviões nuclear dos EUA à Coreia do Sul. Taiwan reforçou presença internacional com visita histórica da vice-presidente à Europa, desafiando pressões de Pequim.
Oriente Médio
O Irã pediu à ONU sanções contra EUA e Israel por ataques a instalações nucleares, atribuindo responsabilidade criminal a líderes americanos e israelenses, enquanto sinaliza abertura para acordo nuclear pacífico. No Iraque, a coalizão de Mohammed Shia al-Sudani venceu eleições parlamentares com 1,317 milhão de votos, encaminhando negociações para formação de governo.
Na Turquia, Erdogan defendeu solução de dois Estados para Chipre, rejeitada por cipriotas gregos, enquanto reforça direitos soberanos dos cipriotas turcos. Em Israel, Ron Dermer renunciou ao cargo de ministro de Assuntos Estratégicos após papel central em negociações na guerra em Gaza. A OPEP revisou projeção para 2026, passando de déficit para excedente de oferta de 20 mil barris/dia, elevando pressão sobre preços. A Síria prepara reabertura de sua embaixada em Washington e ingresso na coalizão anti-Estado Islâmico. Em Gaza, cresce probabilidade de divisão territorial prolongada entre áreas controladas por Israel e pelo Hamas, diante do impasse no plano de transição proposto pelos EUA.