Por que 2026 será um dos anos mais decisivos da nossa era?

Por Matheus Gomes de Souza, CEA

2026 não começa como um ano comum. A acumulação de tensões não resolvidas, e não apenas novos choques, coloca o sistema global diante de escolhas que tendem a redefinir os próximos anos, e não apenas os próximos meses.

♟️ Geopolítica sem válvula de escape

Os principais conflitos em curso seguem sem horizonte diplomático funcional. Gaza e Ucrânia avançam para mais um ano de desgaste humano, político e econômico, enquanto os custos imediatos da escalada seguem mais baixos do que os riscos de concessionar agora. Esse desequilíbrio prolonga conflitos e amplia seus efeitos colaterais.

Ao mesmo tempo, a consolidação prática do eixo China–Rússia–Irã–Coreia do Norte altera a lógica do sistema internacional. Não se trata mais de alinhamento retórico, mas de troca efetiva de recursos, tecnologia e suporte estratégico. A Ucrânia tornou‑se o laboratório desse novo arranjo, e seu desfecho influencia diretamente os cálculos sobre Taiwan, Oriente Médio e Península Coreana.

⚔️ Competição estrutural, não episódica

A rivalidade entre Estados Unidos e China entrou em uma fase estrutural. Tecnologia, semicondutores e inteligência artificial deixaram de ser vetores de crescimento neutro e passaram a integrar estratégias de segurança nacional. Em 2026, essa disputa tende a se refletir de forma mais direta em cadeias produtivas, investimentos e políticas industriais.

Quanto maior a percepção de vantagem estratégica relativa, maior o incentivo a ações de pressão não convencionais (econômicas, tecnológicas e informacionais) que pressionam mercados sem necessariamente deflagrar conflitos abertos.

🗳️ O Brasil em um mundo mais instável

No plano doméstico, a eleição de 2026 já produz efeitos econômicos antecipados. A disputa política passou a ser interpretada como um referendo sobre o modelo econômico a ser seguido: maior intervenção estatal e gasto público versus disciplina fiscal, reformas e previsibilidade institucional.

Ambientes globais mais fragmentados exigem ancoragem doméstica mais sólida. Sem clareza fiscal e institucional, o prêmio de risco se eleva, os juros permanecem pressionados e o espaço para crescimento se estreita, independentemente do ciclo internacional.

Um ano de transição, não de definição final…………

2026 não será lembrado por um único evento disruptivo. Seu peso histórico virá da soma de decisões, omissões e respostas graduais a um ambiente mais volátil. Entre consolidação e fragmentação, estabilidade e desordem, o ano tende a funcionar como ponte para um novo equilíbrio, ou para um período prolongado de atrito.

Os movimentos feitos agora não resolvem todas as tensões, mas definem quem entra na próxima década com margem de manobra, e quem entra sem opções.

Ouro dá sequência ao movimento de correção iniciado no fim de 2025 e fecha em baixa

O ouro encerrou a sexta-feira em leve queda, dando sequência ao movimento de correção iniciado no fim do ano passado, quando o CME Group promoveu ajustes nas margens de garantia dos contratos futuros de diversos metais devido à volatilidade do mercado.

O contrato de ouro para fevereiro fechou em baixa de 0,26%, a US$ 4.329,60 por onça-troy, na Comex.

Giro das 15h: Frigoríficos e Petrobras levam Ibovespa a iniciar o ano no vermelho

O Ibovespa (-0,63%, aos 160.116 pontos) inicia 2026 no vermelho, com as ações de frigoríficos (Minerva ON -6,77%; MBRF ON -4,40%) liderando as perdas.

O governo chinês estipulou cotas de importação de carne bovina por país. No caso do Brasil, que é o principal fornecedor para o país, a cota será de 1,106 milhão de toneladas neste ano. Entre janeiro e novembro de 2025, o Brasil vendeu 1,499 milhão de toneladas de carne bovina para a China.

Petrobras ON (-1,14%) e PN (-0,81%) também pressionam o índice, acompanhando o recuo do petróleo.

O dólar à vista (-1,22%, a R$ 5,4221) dá sequência à forte correção iniciada na terça-feira, quando cessou a demanda de remessas de lucros e dividendos de empresas.

O alívio no câmbio também é visto nos juros futuros (jan/27 a 13,755%; Jan/29 a 13,105%).

Em NY, as bolsas operam sem tendência clara (Dow Jones +0,15%; S&P500 -0,09%; Nasdaq -0,22%) em uma sessão de liquidez reduzida e sem indicadores relevantes.