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Quinta-feira, 23 de Agosto de 2018

Trégua eleitoral não encerra volatilidade

Por ROSA RISCALA* (@rosa_riscala)

... A ata do BCE e negociações sobre o Brexit abrem o dia na zona do euro, enquanto nos EUA prevalece alguma apreensão com os riscos políticos envolvendo Trump. Aqui, tem IPCA-15, encontro do BC com economistas e a arrecadação de julho. Com a agenda eleitoral da semana encerrada pelas pesquisas, o mercado tem uma breve trégua, mas sem baixar a guarda, porque os tempos são de volatilidade e o futuro a Deus pertence.

... Nesta 4ªF, o Datafolha ainda pesou na abertura dos negócios, após confirmar Lula disparado com 39%, o que potencializa maior transferência de votos para Haddad e uma vaga para o PT no segundo turno.

... O impacto disso, no entanto, já tinha se dado na véspera com o Ibope, que mostrou resultados semelhantes, e não foi difícil a bolsa partir para uma correção. Mas a prova da cautela é que dólar, ninguém vende (abaixo).

... A eleição se mantém indefinida, com alguns aspectos novos, mas ainda inconclusivos, como a desconfiança de que a candidatura de Bolsonaro começou a fazer água e que Alckmin não está morto.

... A vitória de Alckmin sobre Bolsonaro nas simulações de segundo turno no Datafolha reanimou a campanha do tucano, que conta com o horário eleitoral para tirar a diferença também com Marina e Ciro.

... Já Bolsonaro não está no melhor momento da campanha. Dá sinais de ter batido no teto, com dificuldade para ampliar seu eleitorado. Tem alta rejeição e seu discurso radical não ajuda a quebrar resistências.

... Bolsonaro não perde só de Alckmin em um segundo turno, como também perde de Marina e de Ciro. Ganha de Haddad, mas Haddad ainda nem começou a receber os votos que deve herdar de Lula.

... O candidato do PSL vem mal desde o debate na RedeTV, quando foi confrontado por Marina e não conseguiu responder satisfatoriamente a nenhuma pergunta. Não só de economia, mas de educação e emprego.

... Prova de que o bicho pegou é que, ontem, sua campanha anunciou que está ele reavaliando a participação nos próximos debates. Um assessor disse que Bolsonaro está “de saco cheio desses debates inócuos”.

... Na mesma linha, Paulo Guedes não confirmou presença hoje à noite na série de entrevistas que a GloboNews realiza esta semana com os economistas dos candidatos a presidente, segundo informou Miriam Leitão.

... Não que Paulo Guedes possa fazer feio, mas pode parecer estranho sair-se muito melhor que Bolsonaro.

... O próximo debate dos presidenciáveis será na 2ªF, 27, na Jovem Pan. No mesmo dia 27, a TV Globo iniciará as entrevistas ao vivo na bancada do Jornal Nacional, pelas quais os candidatos se engalfinham.

... Além de Bolsonaro, estão convidados para o JN: Marina, Ciro e Alckmin. Lula estaria... se não estivesse preso.

HADDAD – No Estadão de hoje, o provável substituto de Lula na chapa do PT intensificou, nas últimas semanas, o diálogo com representantes de grandes bancos, instituições financeiras e corretoras de investimentos.

... Já se reuniram com o petista líderes do JP Morgan, BTG Pactual, Morgan Stanley, XP e Febraban, e há convites da Genial Investimentos, BGC/HSBC, Banco Plural, Concordia, Guide Investimentos e MBC/Gerdau.

... Nesses encontros, Haddad tem garantido que o ministro da Fazenda de um governo do PT seria “um quadro conhecido do mercado, com credenciais fortes, afinado ao projeto petista e de perfil pragmático”.

... Haddad também se empenha em apresentar um discurso sustentado no rigor fiscal com compromisso social.

LULA – TSE intima hoje a defesa do ex-presidente sobre as impugnações, começando a contar o prazo de sete dias para que os advogados possam se manifestar até o dia 30, véspera da estreia do horário eleitoral.

MARINA – É a maior herdeira dos votos de Lula (21%), no Datafolha, enquanto Ciro fica com 13% e Haddad, 9%.

CIRO – Em nova crítica ao PT, disse à Rádio Globo que a cúpula do partido “passou de qualquer limite”, ao cortar candidatura de Marília Arraes, em Pernambuco, para apoiar um candidato “que eles chamam de golpista”.

MEIRELLES – Em entrevista à RecordTV, admitiu que pode ampliar a alíquota do IRPF e taxar dividendos.

MÁRCIO POCHMANN – Na série de fóruns do Estadão, o entrevistado de hoje (9h15) é o economista do PT.

AGENDA – Diretores do BC realizam esta manhã (10h30) reunião trimestral com economistas em SP. Já terão em mãos o IPCA-15 de agosto (9h), que deve desacelerar de 0,64% para 0,10%, na mediana do Broadcast.

... O intervalo das apostas varia de 0,03% a 0,22%, com expectativa de deflação dos alimentos. Diluído o impacto da greve dos caminhoneiros, o índice em 12 meses deve furar o centro da meta, em 4,27% na mediana.

... Antes, às 8h, sai a prévia do IPC-S e, às 10h30, a Receita anuncia o resultado da arrecadação federal de julho.

... Ilan viaja nesta 5ªF aos EUA, para participar do simpósio do FED em Jackson Hole, que se inicia hoje.

LÁ FORA – O segundo dia de negociações comerciais entre os EUA e a China coincide com a entrada em vigor das tarifas mútuas de 25% sobre US$ 16 milhões em produtos importados, que passaram a valer à meia-noite.

... Apesar da tentativa de reaproximação, o secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, disse à noite que, com os EUA bombando e a China desacelerando, “é a hora para entrar em um pequeno impasse comercial”.

... Entre os indicadores americanos, saem preliminar de agosto do PMI/Markit de serviços (10h45), com previsão de queda para 54, de 54,6 em julho, vendas de casas novas em julho (11h) e auxílio-desemprego (9h30).

... Na zona do euro, tem ata do BCE (8h30) e PMI/Markit composto de agosto. Já no Reino Unido, a expectativa é que autoridades falem hoje sobre a chance de um Brexit duro – uma ruptura sem acordo com a UE.

BC SÓ OBSERVA – O dólar lançou uma investida para perto de R$ 4,10 pela manhã, cotado a R$ 4,0912 (+1,23%) na máxima intraday. Mas, se a intenção era provocar o Banco Central para intervir, não deu certo.

... Sem dar sinais de que pode retomar as intervenções extraordinárias no câmbio, o BC só observou, e a moeda acabou desacelerando os ganhos à tarde, embora ainda tenha fechado acima da marca dos R$ 4.

... Na sexta alta consecutiva, o dólar encerrou os negócios a R$ 4,0614 (+0,49%), acumulando nesse período valorização superior a 5%. No câmbio futuro, o dólar setembro caiu 0,25% (R$ 4,0450).

... Profissionais do câmbio identificam sintomas de disfuncionalidade no movimento de hedge eleitoral, mas, sem falta de liquidez nem fuga de capital, o Banco Central se mantém à margem das atuações.

... Segundo o Valor, no colchão de defesa para encarar a volatilidade das eleições, o investidor ainda conserva o swap adquirido em junho, quando o BC entrou vendendo para responder à greve dos caminhoneiros.

... No DI, o alívio no dólar virou os juros futuros, que fecharam nas mínimas do dia: jan/20 a 8,41%, de 8,52% na véspera, jan/21 a 9,56%, de 9,66%, jan/23 a 11,21%, de 11,35%, e jan/25 a 11,96%, de 12,12%.

NINGUÉM SE ENGANA – A queda das ações de estatais com as pesquisas eleitorais acabou abrindo compras de oportunidade na bolsa, ontem. Mas a melhora momentânea está longe de configurar tendência.

... Nas marcas da volatilidade, o Ibovespa oscilou mais de dois mil pontos, da mínima intraday, abaixo de 75 mil (74.875 pontos), até o fechamento, perto dos 77 mil (76.902,30 pontos), em alta de 2,29%.

... BB ON subiu 3,48% e contagiou todo o setor: Bradesco PN, +2,46% (R$ 28,79), Itaú PN, +2,38% (R$ 42,98) e Santander unit, +3,05%. Eletrobras emplacou valorização de 4,60% (ON) e 1,94% (PNB).

... Entre as maiores altas, Petrobras zerou a queda próxima de 3% da véspera (PN subiu 3,56%, para R$ 18,35, e ON, +2,95%, a R$ 21,26) e não desperdiçou a chance de colar no petróleo, que repercutiu a queda nos estoques.

... O Brent avançou 2,96%, para US$ 74,78, e o WTI também exibiu vigor (+3,07%), cotado a US$ 67,86/barril.

FED EM FOCO – Se a insatisfação de Trump sobre o aperto de juro já elevava o suspense pela fala de Powell, amanhã, em Jackson Hole, o viés dovish identificado na ata, ontem, só aumentou a expectativa.

... Pautado pela autonomia, seria uma surpresa (e uma crise) se o FED se rendesse à pressão da Casa Branca. Seja como for, o balanço de riscos do FOMC sugere que o juro neutro pode ser uma realidade em breve.

... Na ata, o FED contratou mais um aumento para setembro, qualificando como “provavelmente apropriado”, e manteve elevada (65%) a expectativa de nova alta em dezembro, segundo cálculos do CME Group.

... Já a aposta isolada, de três elevações até o fim do ano, ao invés de duas, foi zerada com a ata, que apontou entre as ameaças à economia americana as tensões comerciais e a instabilidade nos emergentes.

... Para alguns dirigentes do FED, uma escalada protecionista se transformaria em um desafio para a política monetária e poderia impor uma desaceleração econômica “severa” para esses mercados.

... Apesar das incertezas, os integrantes do FOMC concordaram que o mercado de trabalho americano segue exibindo sinais de fortalecimento e que a atividade econômica cresce a um ritmo “forte”.

... O investidor entendeu que uma alta adicional do juro em dezembro está preservada, mas os yields e o dólar caíram com as fontes de risco na ata e o desconforto com os escândalos na Casa Branca.

FATO OU FAKE? – No final da manhã, aliviou a informação de que o advogado pessoal de Trump, Michael Cohen, não tem provas físicas de que o presidente sabia do pagamento a mulheres com quem teria se envolvido.

... A mudança de versão sobre a suposta compra do silêncio dessas mulheres de Trump se somou à indicação dos democratas de que um pedido de impeachment “não é nossa prioridade”. NY ensaiou uma melhora.

... O dólar se recuperou, antes de voltar a cair à tarde com o recado mais dovish da ata, que derrubou a moeda americana contra o euro (US$ 1,1604) e a libra (US$ 1,2915). Só subiu contra o iene (110,57/US$).

... O peso mexicano (18,768/US$) antecipou a chance de um acordo comercial com os EUA sair hoje. Já o dólar australiano (US$ 0,7357) ampliou a queda no after hours, com a expectativa de renúncia do premiê do país.

... O juro da Note de dez anos recuou para 2,818%, de 2,841%. O investidor pesou a ata e preferiu se manter comprado nos bônus, diante da crise política em Washington, que pode ganhar novos capítulos.

... Nesta 4ªF que marcou o mais longo bull market da história, as bolsas em NY precificaram a corda bamba de Trump e a ata. Faltou fôlego para o Dow (-0,34%, 25.733,60 pontos) e o S&P 500 (-0,04%, 2.861,82 pontos).

.... Só o Nasdaq subiu 0,38% (7.889,10 pontos). Desde o último piso dos mercados, cravado em março de 2009, o índice eletrônico já saltou 510%, o Dow Jones apresentou avanço de 288% e o S&P 500 subiu 319%.

JAPÃO HOJE – O PMI/Markit industrial subiu de 52,3 em julho para 52,5 para agosto, em linha com a previsão.

COREIA DO NORTE – Descumprindo a promessa feita aos EUA, na cúpula de junho, imagens de satélites indicam que o país parou de desmontar instalação de testes de motores de mísseis na primeira metade de agosto.

EM TEMPO... Fitch reafirmou os ratings do BRADESCO e ITAÚ UNIBANCO em BB, com perspectiva estável.

ELETROBRAS convocou AGE (24/9) para deliberar sobre a venda de sociedades de propósito específico (SPE).

MARFRIG. Fitch reafirmou rating em BB-, com perspectiva estável, após anúncio da venda da Keystone à Tyson.

MINERVA negou ter recebido qualquer proposta de sua acionista Salic (fundo soberano da Arábia) sobre OPA.

TOTVS. Ronan Maia de Assis Carvalho Neto renunciou à vice-presidência de Negócios para segmento Consumer.

PÃO DE AÇÚCAR. Conselho aprovou a realização da 16ª emissão de debêntures simples, de R$ 1,2 bilhão.

SOMOS EDUCAÇÃO. Conselho aprovou a primeira emissão de debêntures simples da Saraiva, de R$ 220 milhões.

Aos assinantes do BDM, Bom Dia e Bons Negócios!


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