Bom Dia Mercado - BDM
login senha
esqueci minha senha

Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

Reforma em fevereiro não convence

Por ROSA RISCALA*

... A leitura que vão fazer da emenda da Previdência hoje, na Câmara, é só parte de um jogo de cena que não vai levar a nada de concreto. O governo vai dizer que “avançou”, que a reforma voltará à pauta no início do ano e assim espera sossegar o mercado. Mas a votação em fevereiro é só mais um esforço de esticar as expectativas, porque é dada como “improvável” por analistas políticos e gestores ouvidos pelo BDM.

... Lucas de ARAGÃO (ARKO Advice) acha “muito difícil” votar em fevereiro. Diz que não tem votos, e “só o que poderia representar um fato novo seria o apoio forte da opinião pública”. Mesmo assim, diz, é difícil.

... Também Richard BACK (XP) não acredita na votação logo depois do Carnaval e antes da janela partidária. Além disso, “o governo tem que se preocupar com as MPs do ajuste fiscal e a privatização de ELETROBRAS”.

... A implosão dos esforços das últimas semanas para aprovar a reforma foi detonada por JUCÁ, que atropelou MAIA, EUNÍCIO, MEIRELLES e líderes governistas ao anunciar que a votação estava adiada para 2018.

... Era por volta das cinco da tarde, os mercados de câmbio e juros já estavam fechados, mas os futuros reagiram com um ensaio de estresse, enquanto a bolsa teve tempo para virar e perder os 73 mil pontos (abaixo).

... Até então, o mercado repercutia bem o julgamento de LULA no TRF-4 e a decisão da Executiva do PSDB, sob o comando de ALCKMIN, de fechar questão a favor da proposta, embora sem definir punições aos divergentes.

... Não foi uma notícia bomba a dos tucanos, do tipo que pudesse formar a “onda positiva” de MARUN. Mas era mais um gesto simbólico importante na briga para votar a Previdência na próxima semana.

... DEM e PP também estavam para fechar questão, enquanto a negociação de cargos com PR e PSD prosseguia. Depois de JUCÁ, o DEM cancelou a reunião marcada para hoje que discutiria a posição do partido.

... TEMER já vinha preparando o mercado para a possibilidade de não ter os 308 votos, mas estava todo mundo esperando os debates desta 5ªF para sentir o pulso dos apoios, que pareciam estar crescendo dia a dia.

... No mínimo, o governo estava tentando embalar com cuidado uma má notícia.

... De repente, foi tudo para o brejo... Com aval de EUNÍCIO, a Comissão de Orçamento acelerou os trabalhos para a votação da LOA/18 à noite, numa traição ao que o presidente do Senado havia prometido ao Planalto.

... TEMER pediu a ele que o Orçamento fosse votado só na próxima semana, com medo de que os parlamentares antecipassem as férias, o que inviabilizaria o quórum elevado para votar a PEC da Previdência.

... Por tradição, a aprovação da LOA dá o sinal verde para o início informal do recesso de final de ano.

... Mas, não só EUNÍCIO vinha mostrando má vontade com a reforma, que desagrada as suas alianças com o PT e os irmãos GOMES no Ceará, como os políticos tinham outra prioridade, o dinheiro da campanha de 2018.

... Do Orçamento constam o Fundo Eleitoral de R$ 1,7 bilhão, além de R$ 888,7 milhões do Fundo Partidário.

... TEMER estava voando para SP, para um novo procedimento cirúrgico, quando Brasília inverteu a pauta e JUCÁ, ao seu estilo, comprou a briga e anunciou o que ficaria óbvio com a debandada dos parlamentares.

... Não haveria quórum para votar a reforma da Previdência na próxima semana. Estava adiada para fevereiro.

... JUCÁ ainda tentou dourar a pílula falando de um acordo entre MAIA e EUNÍCIO para a “votação casada” da reforma entre Câmara e Senado, em fevereiro. Mas o “acordo” foi desmentido por um e por outro.

... Quando TEMER acordou na recuperação, informado da confusão, mandou o Planalto divulgar uma nota para sustentar as aparências, citando a leitura da emenda da Previdência, marcada para esta manhã.

... O relator Arthur MAIA cumprirá o protocolo, enquanto o presidente tentará recuperar o ambiente um pouco mais favorável que parecia estar conseguindo com seus esforços para aprovar a reforma.

... Está prevista para esta tarde reunião entre TEMER, MAIA e EUNÍCIO que pode marcar uma data de votação da reforma para a primeira semana de fevereiro. Mas, desta vez, não será tão fácil convencer o mercado.

... Se tantos agrados agora não garantiram os votos, por que os deputados voltariam mais corajosos do recesso?

... Além disso, a votação de uma PEC tem um trâmite mais longo, que não se resolve em uma semana. A votação em dois turnos, nas duas Casas, se alongaria até perto do início da campanha. É muito complicado.

... Não dá para dizer que essa derrota já estava precificada, e tudo bem. Sem a perspectiva de uma reforma da Previdência, os riscos eleitorais de 2018 parecerão maiores. E essas incertezas estão apenas começando.

REST IN PEACE – Apesar de muito descontada a reforma, porque era baixa a expectativa, os mercados não estão blindados contra o impacto negativo da Previdência. E é difícil prever até aonde vai a frustração.

... Notícias como a que está no Painel da Folha, que a Fitch já ameaça rebaixar o Brasil, não ajudam em nada.

... Já ontem, na reta final, os pregões sentiram o peso do pragmatismo de JUCÁ. A bolsa perdeu os 73 mil pontos, o dólar à vista desacelerou a queda e subiu no mercado futuro, e o DI parou de cair no pregão estendido.

... As estatais, que mais sentem o baque do cenário político, entraram em vendas. ELETROBRAS (ON, -2,47%, e PNB, -2,68%) antecipou o risco de que o governo falhe em levar a privatização adiante em ano eleitoral.

... A derrota do governo na Previdência também voltou a pesar para BB ON (-2,40%) e levou outras blue chips a buscarem as mínimas. ITAÚ PN caiu 2,22%, para R$ 41,75, e BRADESCO PN, -1,70%, para R$ 33,04.

... PETROBRAS testou os pisos do dia, com a pressão adicional da queda do petróleo (abaixo). A ação PN caiu 2%, negociada a R$ 15,18, e PETRO ON, -1,54%, para R$ 15,94, no fechamento.

... Já VALE ON resistiu melhor (-0,19%, R$ 36,11) à onda negativa no setor de mineração e siderurgia, que teve baixas forte em USIMINAS PNA (-2,14%), GERDAU PN (-2,08%) e CSN ON (-1,29%), antes dos dados da China.

... Operando em dois tempos, a bolsa chegou a subir mais de 1% pela manhã, animada com a hora de LULA e a decisão dos tucanos de fechar questão a favor da reforma, para sofrer com a reviravolta à tarde.

... O movimento coincidiu com o vencimento do Índice Futuro. O efeito JUCÁ acabou vindo a calhar aos vendidos.

... O IBOVESPA fechou em queda de 1,22%, a 72.914,33 pontos. Na 2ªF, acontece o exercício das opções.

IPO – Hoje é dia da precificação da oferta de ação do BURGUER KING.

... Nesta 4ªF, PETROBRAS faturou R$ 5,024 bilhões para o caixa com abertura de capital da BR DISTRIBUIDORA.

... A petroleira se desfez de 30% da companhia. A ação da BR foi precificada em R$ 15, no piso da faixa indicativa de preço (até R$ 19). A demanda dos investidores superou a oferta em cerca de três vezes.

... Com essa operação, o volume neste ano de emissão de ações já se aproxima dos R$ 40 bilhões.

AJUSTE NO JURO – Para o DI, a notícia de que a reforma está enterrada eleva o risco de o COPOM interromper o ciclo de queda da SELIC em 7%, embora a inflação e atividade fraca viabilizem um ajuste adicional. Ou dois.

... O noticiário em Brasília coloca à prova a aposta do ITAÚ, que espera 6,75% em fevereiro e 6,5% em março.

... Se só dependesse dos indicadores (e não da agenda de reformas), o BC poderia muito bem ousar na derrubada do juro. Ontem, as vendas no varejo ampliado (-1,4%) e restrito (-0,90%) em outubro vieram perto do piso.

... Mas como a ata e o comunicado já deixaram muito claro que o próximo passo da política monetária está atrelado ao futuro da Previdência, a tendência é de que a curva volte a incorporar algum prêmio de risco.

... Nesta 4ªF, no gatilho de JUCÁ, os juros de médio e longo prazo zeraram a queda na sessão estendida, fechando perto da estabilidade. O janeiro/21 voltou para 9,30%, de 9,29%, e o janeiro/23 foi a 10,25%, de 10,23%.

... Janeiro/20 oscilou de 8,31% para 8,29% e, na ponta curta, janeiro/19 ainda caiu, para 6,95%, contra 6,98%.

NO CÂMBIO – DÓLAR resistiu em leve baixa de 0,10%, a R$ 3,3228 (porque já estava em nível de estresse), mas fechou longe da mínima de R$ 3,2883 (-1,13%). No futuro, janeiro chegou a subir 0,75%. Fechou estável.

... Ajudou a sinalização do FED (abaixo) de que manterá o compromisso com o gradualismo em 2018.

AGENDA – O IGP-10 de dezembro abre a agenda, às 8h, e deve acelerar em relação a novembro (+0,24), para 0,80%, na mediana apurada pelo Projeções Broadcast. Às 11h, a Fazenda divulga o relatório Prisma fiscal.

... MEIRELLES e o secretário de Política Econômica, Fábio KANCZUK, concedem entrevista coletiva (9h30) sobre a previsão de crescimento da economia para o próximo ano, que até a última estimativa oficial estava em 2%.

... A projeção para o PIB está atrasada em relação à FOCUS (+2,62%) e à Comissão Mista de Orçamento (+2,5%).

... ILAN se reúne com o Comitê de Estabilidade Financeira do BC e, à noite, vai a jantar de ARMÍNIO Fraga, no Rio.

NOS EUA – Todos os indicadores do dia estão previstos para as 11h30. As vendas no varejo de novembro têm previsão de alta de 0,3%. Excluindo automóveis, analistas projetam avanço de 0,7%.

... Já as leituras preliminares de dezembro para o PMI/Markit industrial (53,8) e de serviços (54,4) devem vir praticamente inalteradas contra outubro. Estoques das empresas têm estimativa de queda de 0,1% (outubro).

... A agenda ainda reserva o auxílio-desemprego (queda de mil pedidos) e preços das importações (+0,7%).

EUROPA – Hoje tem decisão do BCE (10h45). DRAGHI comenta (11h30). Antes (10h), é a vez do BoE inglês.

... Entre os indicadores, Alemanha e zona do euro divulgam o PMI composto e Reino Unido, vendas no varejo.

CHINA HOJE – Na cola do FED, o BC chinês elevou uma série de taxas de juros de curto prazo pela 3ª vez no ano.

... Ainda em Pequim, a produção industrial em novembro (+6,1%) veio linha com as previsões de analistas, mas desacelerou contra outubro (+6,2%). Já as vendas no varejo (10,2%) decepcionaram a previsão (+10,3%).

ERA DOVISH – Marca registrada de YELLEN, o gradualismo do FED deverá ser preservado por POWELL em 2018.

... YELLEN se despediu dizendo que, mesmo se uma ampla reforma no sistema tributário for implementada, a política monetária continuará sendo pautada pela “paciência” no ritmo de alta do juro nos EUA.

... Em termos práticos, três apertos monetários estão contratados para o ano que vem, segundo o gráfico de pontos do FED, que afastou o risco de que o impacto expansionista do pacote fiscal exija quatro altas.

... Apesar de as projeções para o PIB no cenário do FED terem subido de 2,1% para 2,5%, em 2018, com o pacote, as projeções também indicaram que a meta de inflação de 2% só deve ser atingida em 2019.

... A urgência de um FED mais hawkish é esvaziada por esta resistência de a inflação caminhar ao target. Ontem, essa dificuldade de reação foi confirmada pelo núcleo do CPI de novembro (+0,1%) abaixo do previsto (+0,2%).

... No acumulado em 12 meses, a alta de 1,7% ainda está longe de alcançar os 2% pretendidos. Na reação direta à fala de YELLEN, caiu a aposta de alta do juro em março, de 54,8% para 45,2%, na estreia de POWELL.

POMBAL – Dado o recado, de que o novo FED não pretende exagerar na agressividade, players venderam dólar e derrubaram os yields dos Treasuries. Nas bolsas em NY, a sinalização é um estímulo às compras.

... Consolidado acima dos 24 mil pontos (24.585,43), o DOW Jones (+0,33%) persistiu na rotina de recordes. S&P 500 fechou estável (-0,05%), aos 2.662,85 pontos, e o Nasdaq subiu 0,20%, para 6.875,80 pontos.

... Os juros dos bônus já caíam ontem com o CPI enfraquecido e aceleraram a queda com YELLEN. A taxa da Note de dois anos recuou para 1,774%, de 1,823%, e a de dez anos voltou para 2,349%, contra 2,401%.

... Também o DÓLAR potencializou a fraqueza, caindo a 112,56 IENES enquanto o EURO subiu a US$ 1,1822, na véspera da reunião do BCE e do BoE, que devem manter hoje as suas políticas monetária inalteradas.

O PACOTE – À saída de almoço com parlamentares, TRUMP disse “estamos muito próximos” de votar a reforma, que o plano pode entrar em vigor em fevereiro, se o Congresso mandar o texto antes do Natal para sanção.

PETRÓLEO – A AIE publica hoje (7h) relatório mensal, um dia após a commodity sentir o peso do aumento da produção e dos estoques americanos, além do impacto do fechamento de um oleoduto no Mar do Norte.

... Em queda pelo segundo pregão consecutivo, na NYMEX, o WTI para janeiro fechou a US$ 56,60 (-0,94%). Já o tipo BRENT para fevereiro caiu mais na ICE londrina, -1,42%, para US$ 62,44.

EM TEMPO... ELETROBRAS defendeu revisão das tarifas de combustível nuclear para usinas Angra 1 e 2.

CEMIG. Subscrição em aumento de capital obteve, até o momento, entrada de capital no caixa de R$ 1,2 bilhão.

COPEL. Conselho aprovou o orçamento da companhia para 2018 e antecipação de pagamento de JCP de 2017.

ENGIE BRASIL ENERGIA concedeu direito de exclusividade a ContourGlobal para negociação de térmicas a carvão.

ENEVA informou que subsidiária desembolsou R$ 100 milhões para refinanciamentos de dívida de Parnaíba III.

TAESA. Conselho aprovou o pagamento de juros sobre o capital próprio (JCP) de R$ 0,2702 por unit. Ex dia 19.

CIELO. Conselho de administração aprovou o pagamento de juros sobre o capital próprio de R$ 0,117. Ex dia 28.

EMBRAER informa: Mondrian aumentou a participação na companhia de 9,36% para 10,12% das ações ON.

CVC pagará juros sobre capital próprio no valor de R$ 0,2892 por ação ordinária. Ex dia 19.

DOMMO ENERGIA. Produção de petróleo no campo de Tubarão Martelo subiu 2,3% em novembro, na margem.

BANCO PINE vendeu lote de ações preferenciais e o free float atingiu 24,71%.

HELBOR informou aumento de capital somou R$ 264,062 milhões.

WALT DISNEY está finalizando um acordo para adquirir uma grande fatia da 21st Century Fox, na agência DJ.

Aos assinantes do BDM, Bom Dia e Bons Negócios!


AVISO - BOM DIA MERCADO, produzido pela Mídia Briefing, não pode ser copiado e/ou retransmitido. Está disponível para assinaturas aos usuários do Broadcast, do Valor PRO e no bomdiamercado.com.br.


ok