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Quinta-feira, 10 de Maio de 2018

Petróleo desafia CPI nos EUA. E dólar desafia BC

Por ROSA RISCALA* (@rosa_riscala)

... Dados da inflação nos EUA (CPI) e no Brasil (IPCA), na agenda desta 5ªF, podem mexer com as expectativas de juros, no momento em que o petróleo investe aos US$ 80 e o dólar, em R$ 3,60, desafia o novo corte da SELIC, na próxima semana, para 6,25%. O mercado se ajustou à sinalização de ILAN, mas muita gente está criticando mais essa queda, enquanto o BC observa o câmbio, sem reforçar a atuação para conter a alta volatilidade.

... Está mantida para hoje a mesma oferta de swap cambial, equivalente a US$ 445 milhões, no leilão das 11h30, em uma evidência de que o Banco Central (ainda) não está preocupado com o impacto do dólar na inflação.

... Analistas admitem espaço para uma SELIC menor, já que o IPCA corre abaixo da meta e a atividade se recupera em ritmo mais lento que o esperado. Mas temem que o câmbio seja um problema logo mais à frente.

... Os 25 pontos-base que serão cortados da SELIC serão acrescentados ao juro americano, em junho, na equação que reduzirá ainda mais o diferencial das taxas, confirmando o câmbio como o hedge mais óbvio.

... Coincidindo com o ajuste da moeda em escala global, o cenário de incertezas eleitorais tende a manter o dólar pressionado, com a demanda das empresas para proteger suas dívidas e dos investidores em suas operações.

... Por essas e outras, a mensagem de ILAN teve um efeito surpreendente para a metade do mercado, que já não esperava nenhuma queda do juro. E não só corrigiu posições no DI, como puxou mais o dólar (abaixo).

... O IPCA de abril (9h) deve abandonar o nível próximo de zero em março (+0,09%) e acelerar para 0,28%, na mediana de pesquisa do Broadcast. O intervalo das estimativas varia do piso de 0,22% ao teto de 0,54%.

... Já nos EUA, o CPI também de abril (9h30), deve manter o ritmo de +0,2% no núcleo e subir de 0,1% em março para 0,3% no dado cheio. O dado pode ter impacto no cenário hawkish potencializado pelo rali do petróleo.

VAI QUE VAI – Sustentado pela decisão de TRUMP de tirar os EUA do acordo com o Irã, o petróleo disparou nesta 4ªF, com o BRENT a US$ 77,21 (+3,15%) e o WTIL a US$ 71,14 (+3,01%), fazendo a festa de PETROBRAS.

... Em sintonia com as ações de energia em todo o mundo, PETROBRAS desencantou na BOVESPA, com um salto de 10,02% na ON (R$ 27,22) e de +8,16% na PN (R$ 24,78). E o mercado aposta que vai em frente (abaixo).

... Dúvidas sobre o impacto das novas sanções contra o Irã prometidas pela Casa Branca para a próxima semana devem sustentar os preços do petróleo. O mercado já está dando de barato US$ 80 por barril.

... As penalidades de TRUMP devem prejudicar a produção de petróleo iraniano e reduzir a oferta global, sem que os aliados europeus – que tentam salvar o acordo – possam fazer muita coisa para evitar isso.

... Além do risco para a oferta, o mercado teme pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio, que ganharam força nos últimos acontecimentos. Aliados dos EUA, Israel e Arábia Saudita estão prontos para os conflitos.

... Os esforços americanos e sauditas para garantir a estabilidade do mercado de petróleo não surtiram efeitos, nesta 4ªF, quando trocas de mísseis ampliaram as incertezas sobre como essa crise vai evoluir.

... Especialistas acreditam que o petróleo se manterá em patamar elevado, com os bombardeios na Síria, a tensão entre EUA e Irã e o adiamento do IPO da ARAMCO para 2019. É difícil esperar queda neste cenário.

... Nos pregões asiáticos, o petróleo ampliava os ganhos, após Israel acusar as forças iranianas de novos ataques contra seu exército nas Colinas de Golan. Benjamin NETANYAHU prometeu retaliações.

PETROBRAS AGRADECE – O rali foi tão forte, nesta 4ªF, que fundos ampliaram a sua exposição e os investidores vendidos foram levados a zerar. Mas o petróleo caro não é o único trigger para recuperar o valor da ação.

... No pano de fundo, o mercado antecipa um desfecho positivo do acordo de cessão onerosa de PETROBRAS com a União, que pode ser concluído até o próximo dia 17. Pedro PARENTE continua na pressão.

... Também a saúde financeira exibida pelo balanço positivo do 1TRI, na véspera, e as notícias de desinvestimento caem muito bem. Ontem, a empresa disse que negocia com a russa ACRON a venda de ativos de fertilizantes.

... Agradam ainda as articulações em torno da rede de gasodutos TAG, que recebeu a maior proposta da ENGIE.

... Sob a fúria compradora de ontem, as ações de PETROBRAS movimentaram quase um terço de todo o volume negociado na bolsa, que superou os R$ 14 bilhões, acima das melhores médias recentes.

... Também subiram VALE (+2,15%, R$ 50,25), BRADESCO (+0,80%, R$ 32,79) e ITAÚ (+0,32%, R$ 47,55), com o IBOVESPA resgatando os 84 mil (84.265,49 pontos), em alta de 1,58%, fora da zona de perigo.

WALL STREET – Também em NY, as empresas de energia estiveram entre as estrelas do dia (CHEVRON, +1,70%, e EXXONMOBIL, +2,36%), junto com os bancos, que apostaram nas chances de o FED trair o gradualismo.

... GOLDMAN SACHS subiu 2,00%, JPMORGAN ganhou 2,18% e BOFA teve alta de 2,64%, esvaziando o impacto negativo que um ciclo de aperto monetário mais acelerado costuma provocar nas bolsas.

... DOW subiu 0,75% (24.542,54 pontos), S&P 500, +0,97% (2.697,79 pontos), e Nasdaq, +1% (7.339,91 pontos).

BULL MARKET – A investida do petróleo deu o gatilho para o yield de dez anos romper novamente os 3%.

... Na véspera do CPI, o juro dessa Note chegou a 3,003%, de 2,970% no pregão anterior, e o bônus de dois anos pagou 2,534%, de 2,517%. Aproxima-se de 50% nos futuros a chance de quatro aumentos do juro pelo FED.

... O ciclo mais agressivo será testado hoje pelo dado de inflação. Ontem, os preços ao produtor em abril (+0,1%) abaixo do esperado (+0,2%) foram ignorados pelo mercado, com o petróleo roubando toda a cena.

... No impulso inflacionário, o DÓLAR voltou a ganhar terreno ante o IENE (109,73/US$) e o EURO (US$ 1,1856).

DE CAMAROTE – Aqui, pela primeira vez em dois anos, o DÓLAR rompeu R$ 3,60.

... O fato de o BC não ter chamado atuação extra no câmbio hoje, para estancar a pressão, começa a incomodar o mercado. ILAN, que prometia brigar contra a dinâmica “perversa” do câmbio, continua só observando.

... Além disso, ao sinalizar que a SELIC vai ter um último corte, ajudou a depreciar ainda mais o real. No pico do nervosismo, o DÓLAR bateu R$ 3,6101 (+1,17%), fechando a um triz de R$ 3,60, a R$ 3,5977 (+0,82%).

... Já a curva do DI deu uma forte empinada, nesta 4ªF, com queda das taxas curtas e alta das longas – no shape que reflete as incertezas eleitorais e a pressão do dólar como o hedge mais barato.

... O DI curto cumpriu o ajuste obrigatório, com o out/18 a 6,225%, de 6,249%, e jan/19 a 6,295%, de 6,330%.

... Com a “aposta de graça” na queda da SELIC, as chances de manutenção do juro recuaram de 45% para 33% e tendem a ser eliminadas, porque esta é uma batalha perdida do mercado. Concordando ou não.

... Nos contratos longos, sob a pressão do câmbio, DI para jan/20 subiu de 7,27% para 7,34%, jan/21 foi a 8,44%, contra 8,29%, e o jan/23 encerrou na máxima do dia, a 9,68%, de 9,48% no pregão da véspera.

MAIS AGENDA – Ainda nos EUA, o auxílio-desemprego (9h30) deve registrar alta de quatro mil pedidos. À tarde (15h), o Tesouro divulga o resultado fiscal referente ao período de outubro do ano passado a abril.

... No Reino Unido, o BoE inglês faz reunião de política monetária (8h), com entrevista coletiva do presidente, Mark CARNEY (8h30). Na Alemanha, DRAGHI participa de cerimônia de premiação (7h15).

CHINA HOJE – Pequim também divulgou CPI, que desacelerou pelo segundo mês consecutivo, de 2,1% em março para 1,8% em abril, pouco abaixo da previsão de 1,9%. Já o PPI subiu 3,4%, em linha com o esperado.

BALANÇOS – BB sai antes da abertura. Já depois do fechamento são esperados: B3, BRF, CCR, SABESP, NATURA, B2W, LOJAS AMERICANAS, CYRELLA, GAFISA e COSAN. Leia mais sobre companhias abertas no Em tempo...

CADASTRO POSITIVO – A Câmara finalmente aprovou, ontem à noite, o texto-base por 273 votos a 150, mas faltou quórum para os destaques, que ficaram para a próxima 3ªF. Só depois, o projeto voltará para o Senado.

... Duas boas notícias, aprovação do Cadastro Positivo e o placar da votação. Se o apoio será mantido para outras matérias da agenda econômica, é o que ainda se verá. Recesso começa na metade de junho (festas juninas).

ELEIÇÃO – Benjamin STEINBRUCH (CSN) filiou-se ao PP e pode ser o vice de CIRO (Broadcast e Arko Advice).

... Chapa ALCKMIN-MEIRELLES, que reúne as esperanças do centro, está difícil de sair. ALCKMIN quer o apoio do MDB, mas não quer defender o legado de TEMER. MEIRELLES não quer ser vice, quer ser presidente.

... No STF, a Segunda Turma já tem quatro votos contra recurso para soltar LULA. Essa ele já perdeu.

EM TEMPO... BRASKEM anunciou lucro líquido de R$ 1,054 bilhão atribuível a acionistas no 1TRI, queda de 42%.

QGEP. Queiroz Galvão Exploração e Produção registrou lucro líquido de R$ 159,1 milhões no 1TRI (+271,8%).

TAESA reportou um lucro líquido, pelo padrão IFRS, de R$ 217,2 milhões no 1TRI, aumento de 7,9%...

... Conselho de administração aprovou a distribuição de dividendos e JCP de R$ 0,7368 por unit. Ex dia 15...

.... Em reunião, José Maria Rabelo foi eleito como o novo presidente do colegiado da empresa.

EDP ENERGIAS DO BRASIL. Lucro líquido de R$ 214,1 milhões reportado no 1TRI foi 35,7% superior ao estimado.

SLC AGRÍCOLA obteve lucro líquido recorde de R$ 169,3 milhões no 1TRI, mais que o dobro de igual período/17.

BANCO DAYCOVAL registrou lucro líquido de R$ 165,4 milhões no 1TRI, 35,2% acima do mesmo intervalo/17.

BANRISUL pagará juros sobre o capital próprio de R$ 0,21590589 por ON, PNA e PNB. Ex dia 15.

BANCO INTER informou que a GIC Private Limited reduziu participação para menos de 5% das ações PN.

ANIMA EDUCAÇÃO. Lucro líquido ajustado de R$ 46 milhões no 1TRI, queda de 8,7% contra um ano antes.

SONAE SIERRA registrou lucro líquido de R$ 42,607 milhões no 1TRI, alta de R$ 25,7% contra um ano antes.

TERRA SANTA AGRO obteve lucro líquido de R$ 38 milhões no 1TRI, aumento de 31,5% contra 1TRI/17.

TOTVS registrou líquido ajustado de R$ 34,310 milhões no 1TRI, incremento de 9,3% contra 1TRI/17.

WIZ CORRETORA reportou no 1TRI lucro líquido de R$ 32 milhões, o que representa queda de 32,5%.

VALID encerrou o 1TRI com lucro líquido atribuível aos proprietários de R$ 19,7 milhões, salto de 159,2%.

WILSON SONS. Movimentação de cargas nos terminais portuários subiu 3,2% em abril frente a abril/2017.

LATAM. Demanda total subiu 0,8% em abril, oferta cresceu 1,4% e taxa de ocupação caiu a 83,4%.

GOL. Conselho de administração aprovou aumento de capital da companhia no valor de R$ 5,798 milhões.

TRIUNFO consegue deferimento do pedido para suspender o processo de caducidade da concessão de Viracopos.

NEOENERGIA. Conselho de administração aprovou a 5ª emissão de debêntures no valor de até R$ 5,5 bilhões.

COMGÁS. Conselho de administração aprovou realização de emissão de debêntures no valor de R$ 215 milhões.

LOJAS AMERICANAS. Conselho de administração aprova novo programa de recompra de 20 milhões de ações.

Aos assinantes do BDM, Bom Dia e Bons Negócios!


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