Resumo semanal: 22/09 a 26/09

Por Matheus Gomes de Souza, CEA Ásia O Banco do Povo da China (PBoC) manteve, em setembro, as taxas de empréstimo (Loan Prime Rate) inalteradas, conforme amplamente antecipado pelo mercado. A LPR de 1 ano permaneceu em 3%, enquanto a taxa de 5 anos se manteve em 3,5%, ambas estáveis desde junho. A decisão reflete […]

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Por Matheus Gomes de Souza, CEA

Ásia

O Banco do Povo da China (PBoC) manteve, em setembro, as taxas de empréstimo (Loan Prime Rate) inalteradas, conforme amplamente antecipado pelo mercado. A LPR de 1 ano permaneceu em 3%, enquanto a taxa de 5 anos se manteve em 3,5%, ambas estáveis desde junho. A decisão reflete a opção da autoridade monetária por preservar condições atuais, diante de um balanço delicado entre estímulo e estabilidade financeira. Em discurso, o presidente Pan Gongsheng reforçou que a estratégia seguirá condicionada a dados econômicos, evitando movimentos precipitados. Essa postura indica que cortes de juros só ocorrerão se as projeções de crescimento ficarem abaixo da meta governamental.

Com um objetivo oficial de expansão próxima a 5% para o PIB em 2025, Pequim sinaliza prudência na calibragem de sua política monetária. A ausência de ajustes sugere confiança na trajetória atual, mas também revela atenção aos riscos de endividamento e à desaceleração global. A decisão pode influenciar fluxos de capital e expectativas de mercado, sobretudo entre investidores atentos à capacidade da China de sustentar o ritmo econômico sem comprometer a estabilidade. Assim, o PBoC mantém uma postura de monitoramento contínuo, aguardando sinais concretos antes de promover intervenções mais expressivas.

Europa

No contexto econômico, a Zona do Euro registrou avanço moderado em setembro, segundo a prévia do PMI Composto, que subiu 0,2 ponto para 51,2, conforme esperado. Houve expansão no setor de serviços (51,4), mas retração nas manufaturas (49,5), com demanda e emprego relativamente estáveis e pressões de preços diminuindo. Entre as principais economias do bloco, a Alemanha apresentou crescimento de 52,4 pontos, impulsionado por serviços, enquanto a França registrou retração de 48,4 pontos. A combinação desses dados aponta para um quadro de recuperação tímida e heterogênea.

No Reino Unido, a atividade manteve-se em terreno positivo em setembro, embora tenha perdido força. O PMI Composto recuou 2,5 pontos para 51,8, alinhado às previsões dos analistas. O setor de serviços continua em expansão, com 51,9 pontos, ao passo que as manufaturas seguem em retração, acumulando 46,2 pontos. A composição do índice sugere uma demanda moderada, com queda no nível de emprego e leve pressão de preços. Esse cenário reforça a visão de que a economia britânica permanece resiliente, mas enfrenta desafios para sustentar o crescimento diante de condições de mercado mais restritivas.

Oriente Médio

O presidente turco Tayyip Erdogan e Donald Trump realizaram o primeiro encontro na Casa Branca em seis anos, discutindo defesa, comércio e questões regionais. Erdogan destacou avanços rumo à meta de US$ 100 bilhões em comércio, incluindo revisão de tarifas alfandegárias, e anunciou encomendas da Turkish Airlines para 75 Boeing 787 e negociações para 150 737 MAX. Trump, por sua vez, sugeriu que a Turquia interrompa compras de petróleo russo, tema não citado por Erdogan, enquanto o Kremlin reafirmou a continuidade da cooperação entre Moscou e Ancara, incluindo um memorando de entendimento para a construção de usinas nucleares. As conversas também incluíram a guerra em Gaza, com acordo de princípios sobre cessar-fogo e defesa da solução de dois Estados, reforçando a postura turca de crítica à ofensiva israelense.

No âmbito econômico, a inflação da Turquia é projetada em 2,6% para setembro, impulsionada por educação e alimentos, com taxa anual recuando a 32,5%. O Morgan Stanley espera que o banco central reduza cortes de juros para 200 pontos-base, elevando a taxa para 38,5%, diante das pressões inflacionárias persistentes e cenário político volátil. Paralelamente, o Irã assinou acordo de US$ 25 bilhões com a estatal russa Rosatom para construir quatro usinas nucleares, intensificando laços estratégicos. Já na Cisjordânia, Israel acelera medidas de anexação formal, retomando o projeto de assentamento E1, que desalojará milhares de beduínos e fragmentará a continuidade territorial palestina. A escalada inclui aumento de bloqueios, incursões letais e violência de colonos, consolidando o risco de inviabilização de um Estado palestino.

Estados Unidos

Em agosto, os preços ao consumidor nos Estados Unidos avançaram conforme esperado, segundo o índice PCE divulgado pelo Departamento do Comércio. Os preços de bens apresentaram leve alta, enquanto os serviços mantiveram ritmo persistente e elevado. O núcleo do indicador, que exclui alimentos e energia, registrou alta anual de 2,9%, acima da meta de 2% do Federal Reserve. Esse cenário, somado à possibilidade de novas pressões vindas de tarifas comerciais, reforça a necessidade de cautela na política monetária. Entretanto, o Fed aparenta priorizar os riscos ligados ao mercado de trabalho, que dá sinais de enfraquecimento.

O presidente da autoridade monetária, Jerome Powell, destacou os desafios impostos por uma inflação acima da meta e alertou para possíveis impactos negativos sobre o emprego. Em paralelo, os dados mostram aumento da renda das famílias e expansão dos gastos tanto em bens quanto em serviços em agosto. Já em setembro, a atividade econômica apresentou crescimento moderado: o PMI Composto recuou de 53,6 para 52,1 pontos e o setor manufatureiro passou de 53,9 para 52,6 pontos. Apesar da desaceleração, empresas indicam resistência em repassar aumentos de custos aos consumidores, o que pode amortecer novas pressões inflacionárias no curto prazo.

Brasil

Em setembro, o IPCA-15 avançou 0,48%, resultado inferior às projeções internas (0,57%) e à mediana de mercado (0,51%). No acumulado de 12 meses, o índice passou de 4,95% para 5,32%, ultrapassando o limite superior da meta de 4,5%. O principal fator foi o aumento de 12,17% nas contas de energia elétrica residencial, em razão da ausência do desconto da usina de Itaipu concedido nos meses anteriores. Entre os destaques de queda, seguros de veículos recuaram 5,95%, ingressos para cinema, teatro e concertos caíram 4,78% e passagens aéreas recuaram 2,61%, com impacto limitado de 0,12% no índice.

O núcleo da inflação aponta continuidade das pressões nos serviços essenciais, cujo acumulado em 12 meses subiu de 6,6% para 6,7%. Apesar da queda nos preços das commodities e do enfraquecimento do dólar, fatores como mercado de trabalho aquecido e perspectiva de câmbio mais depreciado devem sustentar pressões inflacionárias. A expectativa atual é que o IPCA encerre 2025 entre 5% e 5,2%, e atinja 5,2% em 2026, patamar acima das metas previstas. Esse cenário reforça a necessidade de monitoramento contínuo e possível manutenção de política monetária restritiva para assegurar convergência ao objetivo.

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