Resumo semanal: 17/11 a 21/11
Por Matheus Gomes de Souza, CEA Estados Unidos O mercado de trabalho norte-americano mostrou sinais mistos em setembro: houve criação de 119 mil postos não agrícolas, acima das expectativas, mas insuficiente para absorver o aumento de 470 mil pessoas na força de trabalho, elevando a taxa de desemprego para 4,4%, maior patamar em quatro anos. […]
Por Matheus Gomes de Souza, CEA
Estados Unidos
O mercado de trabalho norte-americano mostrou sinais mistos em setembro: houve criação de 119 mil postos não agrícolas, acima das expectativas, mas insuficiente para absorver o aumento de 470 mil pessoas na força de trabalho, elevando a taxa de desemprego para 4,4%, maior patamar em quatro anos. Revisões para baixo nos dados anteriores reforçaram o cenário de desaceleração, com indústria (-6 mil), transporte e armazenagem (-25 mil) e serviços profissionais em retração. O setor de saúde liderou os ganhos (+43 mil), seguido de lazer e hotelaria (+47 mil). A IA vem substituindo mão de obra em ocupações iniciais, aumentando a pressão sobre recém-formados. A paralisação de 43 dias do governo federal adiou a divulgação de outubro, que será agregada ao relatório de novembro.
O mercado segue dividido sobre cortes de juros pelo Federal Reserve em dezembro: alguns veem o aumento do desemprego como espaço para aliviar a taxa, outros destacam a criação acima do esperado para mantê-la. A ata mais recente do Fed apontou cautela, com manutenção como cenário majoritário. A política fiscal de Trump (“One Big Beautiful Bill”) deverá gerar crescimento adicional de 0,32 p.p. em 2026, porém elevando o déficit em 0,8 p.p., com juros potencialmente mais altos que o normal. A popularidade de Trump recuou para 47%, mínima do segundo mandato, pressionada pelo custo de vida e pelo caso Epstein, fatores que podem influenciar as eleições legislativas.
Brasil
A economia brasileira apresentou queda de 0,20% no IBC‑Br em setembro, mais intensa que a expectativa (-0,10%), com recuo de 0,9% no terceiro trimestre, refletindo juros elevados (15%) e desaceleração da indústria (-0,7%) e serviços (-0,1%), parcialmente compensada pela agropecuária (+1,5%). No acumulado de 12 meses, há alta de 3,0%. O BC mantém o discurso de moderação da atividade para garantir inflação dentro da meta (3%), e o Focus estima PIB +2,16% em 2025 e +1,78% em 2026.
O Banco Central decretou liquidação do Banco Master por crise de liquidez e graves violações regulatórias, afetando o FGC, que terá de cobrir R$ 41 bi em depósitos e investimentos elegíveis. A operação envolve prisão do controlador Daniel Vorcaro, afastamento do CEO do BRB e impactos em empresas com exposição relevante. No campo político, Lula indicou Jorge Messias para o STF, fortalecendo diálogo com evangélicos, e o Congresso aprovou lei de contenção de gastos e restrição ao uso de créditos tributários, com potencial de economia de R$ 25 bi. Na esfera internacional, Trump retirou tarifas de 40% sobre alimentos brasileiros, medida que deve favorecer exportações e aliviar preços nos EUA.
Europa
A Polônia acusou a Rússia de conduzir sabotagens no país e classificou como “terrorismo de Estado”, após explosão em trilhos ferroviários chave e identificação de envolvidos ligados à inteligência russa. O governo respondeu com fechamento do consulado russo, pedido de extradição e aumento da proteção militar. Paralelamente, Alemanha, França e Reino Unido reafirmaram apoio militar à Ucrânia em reunião com Zelensky, alinhando-se ao plano de paz de 28 pontos apoiado pelos EUA, que propõe garantias de segurança, limitação das forças ucranianas, arranjos territoriais e reintegração gradual da Rússia à economia global.
No campo econômico, indicadores britânicos mostram desaceleração: queda de 1,1% no varejo em outubro, confiança do consumidor recuando para -19 e empréstimos do governo no acumulado do ano fiscal em recorde histórico fora da pandemia. A zona do euro manteve crescimento moderado, com PMI composto em 52,4, sustentado por serviços (+53,1) e indústria em leve contração (49,7). A inflação se mantém próxima da meta de 2%, favorecendo estabilidade nos juros do BCE. Em paralelo, a Albânia destituiu sua vice-primeira-ministra por suspeita de favorecimento em licitação de obra pública, reforçando a pauta anticorrupção.
Ásia
Na Tailândia, o ministro das Finanças destacou fundamentos sólidos — inflação e desemprego abaixo de 1%, dívida pública em 64% do PIB — e anunciou estímulos para elevar crescimento, após avanço de apenas 1,2% no 3T. O pacote inclui R$ 1,36 bi em subsídios e incentivo a investimentos privados, enquanto negociações comerciais com os EUA buscam isenções tarifárias. Em Singapura, o PIB do 3T cresceu 4,2% a/a, acima das expectativas, levando o governo a elevar a projeção de 2025 para 4%. A política monetária permanece apertada, mas o risco de desaceleração externa e tarifas setoriais preocupa exportações-chave (40% das vendas aos EUA).
Na esfera geopolítica, aumentaram tensões entre China e Japão por declarações da primeira-ministra Sanae Takaichi sobre Taiwan, culminando em restrições comerciais e suspensão de eventos oficiais. Taiwan posicionou-se ao lado do Japão, com manifestações públicas de apoio, e anunciou reforço nos controles de exportação de tecnologias sensíveis para cumprir compromissos de não proliferação. Nas Filipinas, um escândalo de corrupção em projetos de controle de enchentes levou a protestos de mais de 200 mil pessoas, queda na confiança dos investidores e promessa de responsabilização antes do Natal.
Oriente Médio
Em Gaza, ataques israelenses em meio a trégua de seis semanas deixaram dezenas de mortos, incluindo crianças, e motivaram acusações mútuas de violação do cessar-fogo. Desde o acordo de 10 de outubro, 312 palestinos e três soldados israelenses morreram. O pacto envolveu troca de reféns, corpos e prisioneiros, mas não cessou a violência. Em paralelo, Netanyahu visitou tropas no sul da Síria, provocando críticas e reforçando que Israel manterá posições avançadas no território, enquanto negociações de pacto de segurança mediadas pelos EUA seguem travadas.
No dossiê nuclear iraniano, a AIEA aprovou resolução exigindo acesso a estoques e instalações bombardeadas; Teerã reagiu encerrando acordo de inspeções e buscando mediação da Arábia Saudita para retomar negociações com Washington. O enfraquecimento estratégico do Irã e pressões econômicas internas aumentam seu interesse por acordo, embora divergências sobre sanções e limites ao enriquecimento mantenham o risco de escalada. No Líbano, Israel intensificou ataques contra suposta infraestrutura do Hezbollah, com vítimas civis. No Chipre, líderes greco e turco-cipriotas sinalizaram disposição para retomar negociações de reunificação após anos de impasse.