Resumo semanal: 13/10 a 17/10
Por Matheus Gomes de Souza, CEA Ásia As relações comerciais entre Estados Unidos e China voltaram ao centro das atenções após medidas do governo chinês que reforçaram controles sobre a exportação de minerais críticos, elevando o risco de imposição de novas tarifas por Washington. No entanto, declarações recentes de autoridades de ambos os países ajudaram […]
Por Matheus Gomes de Souza, CEA
Ásia
As relações comerciais entre Estados Unidos e China voltaram ao centro das atenções após medidas do governo chinês que reforçaram controles sobre a exportação de minerais críticos, elevando o risco de imposição de novas tarifas por Washington. No entanto, declarações recentes de autoridades de ambos os países ajudaram a reduzir temores de uma nova escalada nas tensões. Em setembro, a balança comercial chinesa registrou superávit de US$ 90,45 bilhões, ligeiramente abaixo do previsto, sustentado por crescimento das exportações para África e América Latina. Houve queda nas vendas para União Europeia, Japão e Ásia Emergente, enquanto exportações para os EUA se recuperaram parcialmente, mantendo, porém, a tendência de recuo no acumulado do ano. O cenário reflete impactos do realinhamento comercial global e do enfraquecimento da demanda internacional.
No crédito, o fluxo agregado somou 30 trilhões de yuans até setembro, acima das expectativas, segundo o Banco Popular da China (PBOC), com destaque para o acréscimo mensal de RMB 3,5 trilhões impulsionado pela emissão de títulos públicos. Em contrapartida, empréstimos a empresas e famílias permanecem fracos, sinalizando cautela na tomada de recursos. A inflação ao consumidor recuou no mês, tanto na variação mensal quanto anual, pressionada pela queda nos preços de alimentos, automóveis e eletrodomésticos. Já o índice de preços ao produtor (PPI) segue em deflação, refletindo retração nos insumos industriais e demanda enfraquecida. Esse conjunto de dados sugere que, apesar de estímulos fiscais, a economia chinesa enfrenta obstáculos estruturais para retomar um crescimento mais robusto no curto prazo.
Europa
No campo econômico, a produção industrial da zona do euro registrou retração de 1,2% em agosto, segundo o Eurostat, excluindo o setor de construção. Entre as principais economias do bloco, os recuos foram mais acentuados na Alemanha (-4,3%), Itália (-2,4%) e França (-0,7%), com estabilidade na Espanha (+0,1%). Esses resultados mantêm a atividade industrial abaixo dos níveis de 2019, reforçando sinais de fragilidade estrutural. A combinação de pressões geopolíticas e fraca produtividade agrava o ambiente econômico europeu.
Na França, o presidente Emmanuel Macron renomeou Sébastien Lecornu como primeiro-ministro poucos dias após sua renúncia, em movimento para estabilizar o governo. A gestão propôs adiar para 2027 o aumento da idade de aposentadoria e abrir negociações para reduzir o déficit público, em tentativa de aliviar tensões políticas e sociais. No Reino Unido, indicadores do mercado de trabalho mostram desaceleração, com a taxa de desemprego subindo para 4,8% e ritmo de contratação mais lento, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas (ONS). Apesar disso, o PIB mensal britânico apresentou leve expansão em agosto, sustentado por alguns setores resilientes. O quadro geral sugere uma Europa que enfrenta desafios simultâneos em política e economia, com perspectivas moderadas no curto prazo.
Oriente Médio
As tensões no Oriente Médio seguem elevadas em múltiplos fronts. Na Turquia, autoridades prenderam sete pessoas, incluindo um ex-vice-governador do Banco Central e executivos do Interbank Card Centre (BKM), sob suspeita de fraude em licitações públicas, desviando mais de 100 milhões de liras. Em Gaza, Israel e Hamas trocam acusações de violações ao cessar-fogo mediado pelos EUA, enquanto a reabertura da passagem de Rafah com o Egito permanece sem data definida. O plano de paz proposto por Washington exige o desarmamento do Hamas e mudanças de governança, mas enfrenta resistência. Paralelamente, a crise humanitária se agrava: quase 68 mil palestinos mortos, infraestrutura devastada e ajuda insuficiente frente à fome e ao deslocamento de 2,2 milhões de pessoas.
Em outra frente, o líder militar houthi Muhammad Abd Al-Karim al-Ghamari foi morto em ataque atribuído a Israel, intensificando a instabilidade no Iêmen. No setor energético, relatório da OPEP aponta equilíbrio entre oferta e demanda global de petróleo em 2026, reduzindo previsões anteriores de déficit; porém, há risco de excesso de oferta no curto prazo. Em Israel, o banco central mantém postura cautelosa diante da queda da inflação para 2,5%, avaliando impactos do fim da guerra sobre demanda e mercado imobiliário antes de cortar juros. A expectativa é que o crescimento de 2,5% para 2025 possa ser revisado para cima, com melhora fiscal pelo menor gasto em defesa. Contudo, autoridades reforçam que a volatilidade regional exige prudência na condução da política monetária.
Estados Unidos
A paralisação norte-americana atingiu diretamente serviços públicos não essenciais, que seguem fechados, e interrompeu temporariamente a divulgação de dados econômicos por agências governamentais. Essa situação aumenta a incerteza sobre perspectivas econômicas de curto prazo e pode afetar decisões empresariais e políticas monetárias. O clima de indefinição no Congresso reforça preocupações sobre a governabilidade e a capacidade de resposta do governo frente a outros desafios estruturais. A manutenção do impasse amplia riscos de deterioração da confiança nos mercados.
O índice de otimismo das pequenas empresas, medido pela Federação Nacional de Empresas Independentes (NFIB), recuou 2 pontos em setembro, atingindo 98,8, abaixo da média pré-pandemia. A pesquisa aponta que empresários seguem enfrentando dificuldades de contratação e custos elevados, impulsionados por inflação e carga tributária. No setor imobiliário, o índice de confiança das construtoras (NAHB Housing Market Index) registrou leve alta em outubro, mas continua distante dos padrões históricos. As taxas de hipoteca permanecem em patamar elevado, restringindo novas construções e vendas, e mantendo o mercado aquém dos níveis observados antes da pandemia. Esses indicadores refletem a persistência de fragilidades em áreas-chave da economia americana.
Brasil
Em agosto, a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) indicou crescimento de 0,1% no volume de serviços frente ao mês anterior, acumulando o sétimo mês seguido de alta. O avanço foi impulsionado por serviços às famílias (+1%) e pelos segmentos de informação e comunicação (+0,5%), evidenciando resiliência mesmo diante de sinais de desaceleração esperada para 2025. No comércio, a Pesquisa Mensal (PMC) apontou aumento de 0,9% nas vendas do varejo ampliado, com destaque para veículos e materiais de construção (+3,7%), enquanto hiper e supermercados recuaram 0,7%. Esses resultados refletem os impactos da desaceleração, mas ainda sustentam o desempenho positivo observado no início do ano. O conjunto dos dados reforça a importância dos setores de serviços e comércio para amortecer a perda de fôlego da atividade.
O índice IGP-10 registrou alta de 0,08% em outubro, abaixo das expectativas de 0,20%, e acumula avanço de 1,6% em 12 meses, menor que os 2,9% observados no mês anterior. A composição mostra leve alta do IPA agrícola (+0,2%) e do núcleo do IPA industrial (+2,4%), enquanto as quedas nas commodities em reais, como o recuo de 0,3% no minério de ferro, contribuíram para aliviar preços no atacado. Apesar desse movimento, pressões domésticas, como mercado de trabalho aquecido, mantêm o núcleo do IPA industrial elevado. O cenário sugere que, embora haja fatores pontuais de alívio inflacionário, riscos internos persistem. A previsão para o PIB brasileiro continua em 2% para 2025 e 1,5% para 2026, refletindo moderação no ritmo de expansão.