IPCA-15 em setembro

Inflação medida pelo IPCA-15 sobe 0,48% em setembro, núcleo de serviços contido, enquanto Banco Central monitora pressões e projeta ciclo de corte em 2026.

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O IPCA-15 de setembro avançou 0,48%, levemente abaixo tanto da nossa projeção quanto da mediana do mercado, que apontava para uma alta de 0,51%. No acumulado em 12 meses, a inflação acelerou de 4,95% para 5,32%. Do ponto de vista qualitativo, o resultado foi melhor do que o esperado. Com exceção dos bens industriais, os demais núcleos vieram menos pressionados, com destaque para os serviços subjacentes (0,04%). Apesar das melhoras correntes favorecerem a evolução dos modelos de inflação, as revisões de hiato e a avaliação qualitativa ainda parecem incomodar o Banco Central. Nesse contexto, seguimos projetando o início do ciclo de flexibilização monetária em março de 2026.

Dos nove grupos analisados, cinco apresentaram variações positivas em setembro. Os principais impactos vieram de Habitação (3,31%), Vestuário (0,97%), Saúde e cuidados pessoais (0,36%) e Despesas pessoais (0,20%). Em Habitação, destacou-se a alta de 12,17% na energia elétrica residencial, impulsionada pela retirada do Bônus de Itaipu e pela cobrança da bandeira tarifária vermelha patamar 2. No grupo Vestuário, a elevação foi puxada por roupas femininas (1,19%) e calçados e acessórios (1,02%). Já em Saúde e cuidados pessoais e em Despesas pessoais, os destaques foram plano de saúde (0,50%) e serviços pessoais (0,33%), respectivamente.

Por outro lado, Alimentação e bebidas (-0,35%) e Transportes (-0,25%) registraram deflação no mês. Os principais destaques foram as quedas em alimentação no domicílio (-0,53%), seguro voluntário de veículos (-5,95%) e passagens aéreas (-2,61%). Já os grupos Artigos de residência (-0,16%), Comunicação (-0,08%) e Educação (0,03%) apresentaram variações próximas da estabilidade.

Olhando à frente, mantemos nossa projeção de inflação para 2025 em 4,9%. Por ora, avaliamos que o balanço de riscos segue equilibrado, mas mais incerto, com efeitos líquidos desinflacionários vindos da guerra tarifária. O câmbio permanece relativamente estável, e as expectativas de inflação vêm apresentando melhora consistente, inclusive no longo prazo. Apesar disso, o quadro ainda é significativamente pressionado. Seguimos atentos às pressões altistas associadas à eventual desancoragem das expectativas, à manutenção de um hiato do produto positivo e ao risco de depreciação do real em um cenário de maior percepção de risco fiscal e/ou geopolítico.

Igor Cadilhac

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