Relatório de Política Monetária (RPM) | Análise PicPay

Análise do Relatório de Política Monetária (RPM) pelo PicPay: inflação, balanço de riscos, projeções do Copom e perspectiva para juros no Brasil.

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Foto: (Foto: Pexels)

Por Matheus Pires Mariniello Pizzani

Seguem os destaques dos RPM de acordo com a avaliação do nosso departamento econômico:

Contrastes na leitura sobre inflação 

Apesar de ter reconhecido as surpresas positivas no desempenho da inflação do último trimestre, causadas em grande parte pelo movimento de apreciação cambial, o patamar restritivo das condições financeiras e o efeito de fatores sazonais, o BC buscou evitar a presença exclusiva de elementos exclusivamente benignos que pudessem passar uma mensagem demasiadamente dovish, especialmente em face da maior pressão prevista para os próximos meses tanto sobre o preço dos alimentos quanto sobre o grupo de serviços.

Contrapostos como forma de equilibrar cenário

Seguindo o modelo de seus últimos comunicados, a apresentação de pontos positivos relacionados ao cenário do BC veio imediatamente acompanhada dos pontos de atenção que ainda cercam seu mandato.

No caso do RPM, a projeção de convergência para a meta de inflação apenas no 1T/28 combinada com a leitura de bom comportamento do mercado de trabalho, revisão positiva para o PIB de 2026 e condições financeiras ligeiramente mais frouxas são alguns dos sinais de que o Copom não aparenta estar incomodado com o atual nível de juros, ainda vendo espaço o suficiente para mantê-lo inalterado até o fim do primeiro trimestre do próximo ano.

Balanço de riscos, embora assimétrico, segue marcado por maior preocupação com riscos de alta

Embora tenha optado por trabalhar com um balanço de riscos assimétrico, a análise do cenário como um todo sugere que a materialização dos riscos de alta segue prevalecendo em detrimento aos riscos de baixa para a inflação.

Corroboram esta hipótese a ênfase dada em diversos pontos do documento à desancoragem prolongada das expectativas de inflação e seus custos para a política monetária, elemento central nas últimas comunicações do comitê, bem como o temor em relação à questões inerciais relacionadas à inflação de serviços, que deve voltar a acelerar no início de 2026 e continua como principal foco de preocupação do atual mandato de inflação do BC.

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