PNAD em outubro – Análise PicPay

Desemprego recua a 5,4%, menor nível histórico, mas indicadores mostram perda de fôlego no mercado de trabalho e tendência de leve desaceleração em 2025.

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Foto: (Foto: Pexels)

Por Ariane Amanda Benedito

A taxa de desocupação recuou para 5,4% no trimestre móvel encerrado em outubro, atingindo o menor nível da série histórica iniciada em 2012. A queda reflete o acúmulo de ganhos observados ao longo do terceiro trimestre, mas ocorre em um contexto de estabilização da população ocupada, indicando que o mercado de trabalho atingiu seu piso cíclico. A taxa de subutilização permaneceu em 13,9%, enquanto a informalidade estabilizou-se em 37,8% da população ocupada, reforçando que o impulso de melhora perdeu intensidade.

O contingente de desocupados diminuiu para 5,9 milhões de pessoas, menor patamar em mais de uma década, mas o movimento não foi acompanhado por expansão adicional da ocupação, que permaneceu praticamente estável na margem. O emprego formal segue em nível elevado, com o contingente de trabalhadores com carteira atingindo novo recorde histórico, enquanto o rendimento real habitual manteve trajetória favorável, alcançando R$ 3.528, alta de 3,9% em 12 meses. A massa de rendimentos avançou para R$ 357,3 bilhões, favorecida tanto pelos ganhos salariais quanto pela estabilidade da ocupação.

Apesar desses resultados positivos, o conjunto dos indicadores sugere desaceleração da dinâmica do mercado de trabalho. O Caged de outubro sinalizou perda de tração no emprego formal, com contração simultânea em Indústria, Construção e Agropecuária e criação líquida mais concentrada em Serviços e Comércio. Esse padrão, associado à estagnação da ocupação captada pela PNAD, aponta para redução da difusão setorial e menor capacidade de geração líquida de vagas nos próximos meses. Além disso, a informalidade interrompeu a tendência recente de queda, sugerindo menor capacidade da economia de absorver trabalhadores em posições formais.

Assim, o resultado de outubro confirma um mercado de trabalho ainda aquecido, mas em fase avançada do ciclo, com sinais claros de moderação tanto no emprego formal quanto no conjunto da ocupação medida pela PNAD. Após ter atingido o menor desemprego da série, a desocupação tende a se estabilizar e apresentar leve alta nas próximas leituras. Assim, projetamos que a taxa encerre 2025 na faixa de 5,5%, mantendo média anual próxima de 6%, compatível com um mercado resiliente, porém em trajetória gradual de desaceleração.

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