Comércio em agosto
Varejo avança em agosto: vendas sobem 0,2% no restrito e 0,9% no ampliado, impulsionadas por crédito e isenção do IPI para carros.
Igor Cadilhac
O volume de vendas do varejo restrito avançou 0,2% em agosto, enquanto o varejo ampliado — que inclui veículos, motos, autopeças, materiais de construção e atacarejos — registrou alta de 0,9%. Ambos os resultados vieram praticamente em linha com as nossas projeções (0,3% e 0,7%, respectivamente). Com esse desempenho, o varejo restrito interrompe uma sequência de quatro quedas consecutivas. Embora os segmentos mais ligados à renda continuem demonstrando certa resiliência, o grande destaque dos últimos dois meses tem sido o impulso dos setores mais dependentes do crédito, especialmente os de bens duráveis. Esse movimento pode ter sido favorecido pela isenção do IPI para carros zero quilômetro.
Entre as oito atividades pesquisadas no varejo restrito, cinco registraram expansão em agosto: Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (4,9%), Tecidos, vestuário e calçados (1,0%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (0,7%), Móveis e eletrodomésticos (0,4%) e Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,4%). Por outro lado, três atividades apresentaram retração no mês: Livros, jornais, revistas e papelaria (-2,1%), Combustíveis e lubrificantes (-0,6%) e Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,5%).
No varejo ampliado, o desempenho foi positivo. O segmento de Veículos, motos, partes e peças avançou 2,3%, enquanto o de Materiais de construção cresceu 0,1%.
Olhando à frente, a expectativa é de desaceleração no ritmo de expansão do comércio, refletindo a retirada dos estímulos de crédito, além dos efeitos ainda presentes da inflação e dos juros elevados. Apesar desse cenário mais desafiador, projetamos que a perda de dinamismo será relativamente moderada. Fatores como o mercado de trabalho aquecido e a massa salarial ainda robusta devem continuar sustentando o consumo das famílias. Mantemos, assim, a projeção de crescimento de 2% para o setor em 2025.
Com os dados de atividade de agosto consolidados, observamos que todos os setores apresentaram expansão no mês. Dessa forma, projetamos um crescimento de 0,9% para o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br).