Boulos rejeita ‘bolsa patrão’ para acabar com jornada 6×1
Por Redação TMC 14/05/2026 às 07h | Atualizado em 14/05/2026 às 07h O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, rejeitou nesta terça-feira (13) a concessão de benefícios econômicos ao setor empresarial como contrapartida pela extinção da jornada 6×1. A declaração ocorreu durante audiência pública na Câmara dos Deputados, onde se discute a proposta de […]
Por Redação TMC 14/05/2026 às 07h | Atualizado em 14/05/2026 às 07h
O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, rejeitou nesta terça-feira (13) a concessão de benefícios econômicos ao setor empresarial como contrapartida pela extinção da jornada 6×1. A declaração ocorreu durante audiência pública na Câmara dos Deputados, onde se discute a proposta de emenda constitucional (PEC) que altera o regime de trabalho no país.
“A gente tem visto um debate sobre compensações. Neste caso, gente, elas não são razoáveis”, afirmou o ministro. Boulos argumentou que estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicam impacto econômico semelhante ao do reajuste do salário mínimo, questionando a necessidade do que chamou de “bolsa patrão”.
O acordo entre o governo Lula e lideranças da Câmara estabelece mudança constitucional direta para implementar a escala 5×2 — cinco dias de trabalho seguidos de dois de descanso. A carga horária semanal cairá de 44 horas para 40 horas, com as folgas mantendo remuneração integral.
A medida será formalizada por meio de projeto de lei com urgência constitucional, enviado pelo presidente ao Congresso. O deputado federal Alencar Santana (PT-SP), que preside a comissão especial responsável pela análise, informou que ainda há pendências sobre o período de transição e eventuais compensações ao setor produtivo.
Trabalhador relata impacto da escala atual
Rick Azevedo, fundador do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) e vereador no Rio de Janeiro, compartilhou sua experiência pessoal com o regime 6×1. Durante 12 anos, ele trabalhou em diversos setores sob essa escala, que caracteriza-se por seis dias consecutivos de atividade com apenas um de descanso.
“Como é que vocês acham que uma mãe de família, um pai de família, um jovem, conseguem viver nessa escala, conseguem ter dignidade nessa escala?”, questionou Azevedo na audiência. O vereador descreveu o período como desumanizante: “Por anos, passei não me sentindo gente, não me sentindo pertencente à sociedade, não sentia capaz”.
Histórico e tramitação da pauta
A escala 6×1 existe desde a criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O debate sobre sua extinção ganhou força a partir de 2023, quando movimentos sociais passaram a pressionar por mudanças no regime de folgas.
“A escala 6×1 existe desde que a CLT foi fundada e estamos com essa pauta na boca da sociedade desde 2023. O fim da escala 6×1 já era para ter acontecido”, declarou Azevedo.
Setores empresariais defendem implantação gradativa da nova jornada, alegando necessidade de adaptação operacional. A comissão especial da Câmara ainda precisa definir o cronograma de transição antes da votação final da proposta.
O que muda na prática
Sob o novo modelo, trabalhadores terão dois dias de descanso remunerado por semana, em vez de apenas um. A redução da carga horária semanal busca equilibrar produtividade e qualidade de vida, segundo defensores da medida.
Boulos enfatizou o caráter humanitário da proposta: “Quer dizer, o trabalhador reduz a jornada, ganha dois dias para poder descansar, uma coisa humana, uma pauta que nem deveria ser partidarizada como está”.
O ministro também questionou a diferença de tratamento em relação a outras políticas públicas: “Se o impacto econômico, segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada [Ipea], é semelhante [ao aumento do salário mínimo], por que nós vamos falar agora de compensação, de bolsa patrão?”